Com nomes como Eduardo Galeano, Gonçalo M. Tavares e Eric Nepomuceno, Fliporto olha para a literatura ibero-americanaA Fliporto chega compacta e madura à sua quinta edição. “Acredito que alcançamos o número ideal de palestras. Uma versão mais compacta em que temos 46 autores de 10 países em um grande diálogo de culturas entre autor e leitor. Estamos mais maduros este ano”, aposta Antônio Campos, curador-geral da festa.
Madura e também mais democrática. A Casa Latino-América, QG dos shows, foi transformada em Palco Latino-América, montado na frente dos restaurantes Itaoca e Muru-Muru, e trará para o público shows de nomes como Fernanda Takai, Arnaldo Antunes e Lirinha, vocalista do Cordel do Fogo Encantado. O músico fará uma apresentação especial, baseada nos poemas de Morte e vida severina, de João Cabral de Melo Neto, um dos homenageados deste ano.
É a terceira edição temática da Fliporto. Após se voltar para a América Latina e África, a festa se debruça na literatura ibero-americana. “A Fliporto, desde a sua internacionalização, é a festa do livro e da América, ou melhor, do livro e da literatura ibero-americana. A Fliporto pretende ser um elo de aproximação cultural da América Latina, interagindo com as culturas que nos influenciaram. Conhecer melhor Espanha e Portugal é também conhecer e interpretar melhor o Brasil”, explica Antônio Campos.
Para o curador-literário, o jornalista Mário Hélio, a Fliporto 2009 quer estimular o Brasil como país ibero-americano: “Chega a ser curioso - para dizer o mínimo - ouvir expressões como ‘o Brasil e os países latino-americanos’, ‘o Brasil e os países ibero-americanos’, como se integrássemos outro continente físico e cultural. Além disso, fora dos lugares-comuns dos best-sellers, desconhecemos mais do que admitimos a literatura que é feita nos países nossos vizinhos e a de Espanha e Portugal, matrizes de todos nós”.
A programação deste ano traz nomes de ponta da literatura ibero-americana. Estão aqui os premiados Gonçalo M. Tavares e José Luís Peixoto e a best-seller Inês Pedrosa. Mas o tema ibero-americano não é uma camisa de força, e a Fliporto também se volta a outros universos literários. É o caso de Eduardo Galeano, que abre a programação literária se voltando para o tema da memória. Ou do chileno Antonio Skármeta, que fecha a Fliporto traçando seu histórico como escritor.
“Oferecer ao leitor o máximo possível de autores com uma vivência real da literatura. Nossa intenção é também mostrar que história, jornalismo e literatura podem ir de mãos dadas, com excelentes resultados. Optamos por privilegiar aqueles autores cuja obra tem um reconhecimento indiscutível dos seus leitores, sejam aqueles que se tornam best-sellers, sejam aqueles cujas premiações atestam a aprovação da crítica”, destaca Mário Hélio.
Num ano em que Ronaldo Correa de Brito se consolida como um dos maiores autores em atividade no Brasil, devido ao sucesso do romance Galileia, ele é o homenageado do Fliporto Criança, braço infantil da Fliporto, que este ano ganhou novo nome. Esse cearense radicado em Pernambuco é responsável por obras importantes da literatura infantil contemporânea, como O baile do menino Deus e O pavão misterioso. A programação começa sempre às 15h (com exceção de domingo, às 9h), em tendas dispostas na frente do Banco do Brasil de Porto.
Para marcar a edição 2009 da festa literária, pedimos a alguns dos escritores convidados que refletissem sobre os impasses, o futuro e a solidão de quem dedica a vida a entender o mundo a partir da escrita.