Repleta de estudantes de todas as partes do mundo, incluindo brasileiros, Salamanca intima a uma farra constante, que não tem hora para terminarSALAMANCA – São poucos os destinos turísticos no mundo que podem se gabar de oferecer roteiros tão diversos como os da Cidade Dourada. Porém, hoje, quem chega lá dispensa menos tempo tentando encontrar a rã da sorte na fachada antiga da Universidade de Salamanca e muito mais desbravando a confluência de sotaques presente nos cafés, bares e casas noturnas da cidade. A atmosfera jovem, quase coercitiva, intima a um desbunde que, nos fins de semana e datas festivas, toma proporções de Carnaval olindense. À parte a história e os mistérios do imaginário castelhano, na noite (que começa no meio da tarde) se escondem as promessas para fugir do feijão com arroz. Em se tratando da Espanha, ir além dos museus e igrejas.
A Plaza Mayor é o principal ponto de encontro para quem busca uma alternativa aos roteiros batidos. Nos dias de sol, é lá onde universitários e turistas se reúnem para decidir que rumo tomar. Geralmente, durante a siesta (por volta das 16h), os bares de “pinchos” (em português, petiscos), são os mais disputados. Se a intenção é economizar, evite os da Plaza Mayor e prefira os da Rua Mayor ou Gran Vía. Uma das principais avenidas de Salamanca, esta última, é famosa por abrigar dois dos melhores bares-cafés da cidade: o Gran Café Moderno e o Birdland, templo de descolados amantes do jazz. O Bird está na esquina da Gran Vía com a Calle Azafranal, num prédio do início do século 20, com vista privilegiada. A dica é chegar cedo e ocupar uma das quatro varandas do primeiro andar.
Quando a noite cai, a pedida é “salir de copas” (sair para beber). Os espanhóis de Castela e Leão costumam jantar tarde e a tradição de beber antes de comer coube bem nos moldes da vida universitária.
Instituição espanhola, o vinho não custa mais de 2 a taça. Originário dos vinhedos de La Rioja, o tinto Marqués de Cáceres é popular entre os salmantinos, que gostam de bebê-lo com tortillas e amendoins. O bar El Reloj de La Plaza, à esquerda da Puerta de Zamora, na Plaza Mayor, é frequentado por uma clientela exigente e essencialmente espanhola. A carta de vinhos tem vasta quantidade de títulos Ribera del Duero, com destaque para o tinto Callejo.
Mas é depois das 22h que Salamanca faz jus ao título de festeira. Na hora de “salir de fiesta”, há mais de duas mil opções de endereços, com entrada gratuita, cidade afora. O turista não tem problemas para encontrar sua tribo. Basta se identificar pelos trajes. As ruas mais disputadas são anexas à Plaza Mayor, como as Calles Prior e Zamora. A primeira abriga points luxuosos, como o Cvm Laude e Garamond, que exigem roupas mais sérias. Ou seja, tênis nem pensar.
Se para você toda festa começa na mesa do bar, a dica é o mítico Paniagua (Calle Varillas, 7), onde se dança rock britânico com um litro de cerveja de 3,50 na mão. Underground até o talo, suas paredes são decoradas com fotos dos clientes mais animados, como em uma autêntica casa da mãe joana indie. Esse mesmo público vai ao ótimo Pontemkin (em frente ao Pani), que lota depois das 3h. A casa com tema russo toca de She loves you, dos Beatles, a Technologic, do Daft Punk. Holandeses e ingleses fazem a festa até o amanhecer.
As barras libres são populares entre notívagos. Por 5, cervejas e drinques são servidos à vontade até as 2h, em bares como os lotados Atahualpa (Calle Correhuela, s/nº) e Medievo (Gran Vía, 93). O segundo é especialista em calimocho, mistura de vinho com refrigerante de cola e limão, que é febre entre os menos resistentes.
After party badaladíssima, o Kandavia (Calle de Bermejeros, 16) fica aberto até as 7h. A boate de electromusic, como todas as outras, não cobra entrada. (P.D.)