Opinião / Artigo
POSTADO ÀS 11:35 EM 17 DE Dezembro DE 2008
Por Luciano Siqueira
Diga-me com quem andas que eu te direi quem és - o adágio bem que se aplica ao desenho dos governos municipais que se preparam para iniciar o seu trabalho em janeiro. O de João da Costa, no Recife, revela-se amplo, plural e bem orientado politicamente.
A orientação política é o ponto de partida. O novo prefeito tem reafirmado o compromisso de consolidar as conquistas alcançadas nos últimos oitos anos pela gestão que agora finda, acrescentando qualidade ao que já foi feito.
Mais: a vida não pára e a cidade se constrói continuamente, importa responder aos novos desafios e oportunidades. Daí a ênfase no desenvolvimento econômico, no sentido de colocar o Recife no centro do novo ciclo de crescimento de Pernambuco e da região; em sintonia com o projeto nacional de desenvolvimento em construção desde a assunção do governo Lula, e que aqui se traduz no ambiente progressista operado por Eduardo Campos.
O que quer dizer trabalhar a questão nas suas diversas dimensões – a economia formal, as ações de geração de emprego e renda, o estímulo à inovação tecnológica, a formação e a capacitação de mão de obra. O poder local como indutor e parceiro das atividades econômicas, via política fiscal flexível, melhoria da infra-estrutura e da logística, exploração das interfaces com a ciência e a tecnologia.
Governo austero, atento aos possíveis impactos da crise financeira global sobre a economia regional e sobre o padrão de receitas. A saúde, a segurança, a mobilidade urbana, os transportes e a habitação estarão no foco da ação governamental. Uma cidade moderna e de serviços. O equilíbrio fiscal como pré-requisito da eficiência nos gastos públicos e da racionalização de custos e da viabilidade de novos investimentos para melhorar a vida da população.
A amplitude e a pluralidade da composição do primeiro escalão (a se confirmar também com o anúncio próximo dos comandos dos órgãos da administração indireta) sinaliza o comprometimento de partidos e segmentos não-partidários da sociedade com a obra de governo. Também o propósito de combinar o diálogo constante com os mais variados setores sociais em busca dos consensos possíveis com a crescente participação popular.
Chance de dar certo? Toda. Porque além de tecnicamente preparado, assentado na realidade objetiva, conhecendo possibilidades e limites, inspirado no ideário sustentado nas ruas pela Frente do Recife, o novo prefeito mostra-se determinado a reforçar a unidade das forças políticas e sociais que o apóiam.
PS: Luciano Siqueira é vice-prefeito do Recife e vereador eleito da capital. Escreve ao Blog sempre às quartas.
Opinião/Artigo
POSTADO ÀS 10:37 EM 26 DE Novembro DE 2008
Por Luciano Siqueira
Está na boca de todo mundo – ou pelo menos na dos economistas e especialistas de áreas afins chamados a discorrer sobre a atual tormenta financeira global: a crise é também uma oportunidade.
Tudo bem, que assim seja encarada toda situação difícil e complexa. Mesmo quando se trata de uma crise sistêmica, profunda e de conseqüências imediatas em grande medida imprevisíveis como a atual, que se prolonga há mais de um ano e agora assume contornos verdadeiramente catastróficos. Ao invés de sucumbirmos diante da avalanche de ameaças, que as enfrentemos com astúcia, criatividade e firmeza.
É o que o governo Lula vem tentando fazer ao apostar nas próprias potencialidades do país, turbinado por previsões otimistas como as anunciadas pelo ministro Mantega, da Fazenda, dias atrás, quando o presidente reuniu todo o ministério para tratar do tema. "A situação no Brasil está sob controle, graças ao que nós fizemos”, assinalou. E estimou para 2009 um crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) "em torno de 4%".
Mas aí estaria apenas a primeira parte da atitude afirmativa diante da crise, fazendo dela uma oportunidade de seguir em frente num rumo progressista para o país.
Outra parte bem poderia ser a adoção de medidas de certa maneira ousadas, em complemento do que vem sendo feito. Ou seja, ir além de segurar o nível de investimentos públicos em infra-estrutura, de injetar recursos pela via direta ou pela desoneração fiscal em setores dinâmicos da economia visando a manter a produção, o crédito, o consumo e o emprego.
O economista Márcio Pochmann, presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), em debate promovido pelo Bloco de Esquerda (PCdoB, PSB, PDT, PRB, PMN) na Câmara dos Deputados, anteontem, ensaiou algumas proposições nessa direção. Ele considera que uma parte da sociedade – os muitos ricos – não é tão afetada assim pela crise, alguns segmentos até se beneficiam dela e podem contribuir para o amento da arrecadação se medidas infraconstitucionais com esse intuito forem adotadas. O IPTU progressivo, cobrado pelas prefeituras, seria um exemplo: romperia com uma “igualdade injusta” (expressão minha) que quase equipara mansões e casebres.
Nessa mesma linha Pochmann sugere a redução dos gastos públicos com juros (o país gasta duas vezes mais com juros da dívida do que com educação), beneficiando o setor rentista.
Para que medidas desse teor venham a acontecer – e saiamos do chavão para a prática -, no entanto, será necessária uma pressão social que ainda não se vê no horizonte.
*Luciano Siqueira é vice-prefeito e vereador eleito do Recife. Escreve ao Blog de Jamildo sempre às quartas.
Artigo/Opinião
POSTADO ÀS 14:23 EM 19 DE Novembro DE 2008
Por Luciano Siqueira
Cotejados todos os resultados do último pleito municipal e feitas as considerações geopolíticas cabíveis, uma das constatações que se destaca no mapa eleitoral é a de que nenhuma corrente política saiu francamente vitoriosa. Prevalece um evidente pluralismo de forças.
Bom ou ruim? Para analistas ávidos de uma reprodução tupiniquim do bi-partidarismo norte-americano, péssimo. Mas quem deseja o avanço democrático no país, ótimo.
Ótimo por três razões.
Primeira, porque esse mosaico de forças mais ou menos equilibradas reflete a imensa complexidade da sociedade brasileira, seus conflitos, suas distorções, sua diversidade regional e intra-regional econômica, social, cultura e política. As urnas se apresentam como espelho disso.
Segunda, porque essa pluralidade contém em si dois elementos promissores: a progressão de uma correlação de forças políticas que e perspectiva reforça a luta pela transformação da sociedade; e a possibilidade de fortalecimento, a
médio prazo, de correntes mais avançadas. O universo municipal na respalda o conservadorismo como muitos dizem e desejam.
Terceira, porque em tempo de ressurgimento de propostas de reforma política (o governo encaminhou recentemente à Câmara e ao Senado cinco pré-projetos de Lei e uma pré-Emenda constitucional), é muito bom que fique claro que
medidas destinadas à ultra-concentração da representação partidária parlamentar conflitam com a realidade viva do país.
Nesse cenário, vale anotar que a construção de projetos eleitorais para 2010 passa necessariamente por partidos grandes e médios, não cabendo aos primeiros a primazia de tudo resolverem, deixando os demais a reboque de eventuais conchavos. Na formatação de chapas majoritárias nos estados, por exemplo.
(Aliás, a história do último pleito em algumas capitais e cidades importantes também é prenhe de exemplos de exclusivismos cupulistas que deram com os burros n'água).
A advertência serve também para forças hegemônicas em governos, nos diversos níveis, que não podem desconhecer o pluralismo reafirmado pelas urnas, sob pena de esbarrarem em sérias dificuldades políticas e administrativas.
*Luciano Siqueira é vice-prefeito e vereador eleito do Recife. Escreve ao Blog de Jamildo sempre às quartas.
Artigo/Opinião
POSTADO ÀS 10:41 EM 18 DE Novembro DE 2008
Por Isaltino Nascimento
Conceição das Crioulas, comunidade remanescente quilombola fincada em Salgueiro, no Sertão Central, é uma das vozes mais poderosas da resistência negra em Pernambuco. E o que faz com que esses quase 4 mil homens, mulheres e crianças despontem como ícones desta identidade étnica? A resposta é simples: bravura, união e organização comunitária. Motores que impulsionam a luta – árdua – pela reconquista dos 70% de suas terras que hoje estão nas mãos de fazendeiros.
Em reconhecimento ao seu espírito libertário, Conceição das Crioulas será agraciada na próxima quinta-feira (20), Dia Nacional da Consciência Negra, com a Medalha Zumbi dos Palmares pela Assembléia Legislativa de Pernambuco. A honraria, criada a partir de resolução de minha autoria no ano de 2004, é entregue anualmente a instituição ou personalidade que se destaque na promoção e defesa dos direitos dos afro-descendentes.
Os exemplos de Conceição das Crioulas são muitos, no passado e agora. A história da fundação da comunidade, ocorrida no século XVIII, é emblemática. O dinheiro com o qual se pagou a escritura das terras foi fruto da venda do algodão cultivado e fiado por seis negras, entre elas Francisca Ferreira da Silva.
Falando hoje parece fácil. Mas aquelas mulheres enfrentaram sol a pino, dia após dia, no plantio, na colheita e depois no beneficiamento da planta. E numa época na qual transporte era uma raridade, foram vender suas mercadorias no município de Flores, fazendo todo o trajeto a pé ou em lombo de burro. Num esforço para adquirir aquelas terras que ainda hoje serve de exemplo para as atuais guerreiras e guerreiros que lutam por melhores dias para a comunidade.
A gente de Conceição das Crioulas não parou no tempo, apesar de estar separada por 52 quilômetros da sede do município de Salgueiro, onde só se chega por meio de uma estraga pedregosa. Está organizada por meio da Associação Quilombola de Conceição das Crioulas, que entre seus integrantes tem a guerreira Aparecida Mendes.
Na sede da AQCC, Cida, seu Andrelino (da nona geração de Francisca Ferreira da Silva), Adalmir, Marcelino, Maria Zélia, Celsa, Antônio, Maria Roseane, entre tantos outros, lutam pela reconquista das terras tomadas por fazendeiros e vão além.
Desenvolvem projetos de agricultura familiar, artesanato, beneficiamento de frutas, mantêm um site na internet (www.conceicaodascrioulas.org), publicam um jornalzinho, fazem documentários em vídeo, estão preparados para colocar no ar uma rádio comunitária, mantendo acesa a chama da identidade étnica que muitos já lhes tentaram roubar.
A comunidade de Conceição das Crioulas também atua na Comissão Estadual de Articulação das Comunidades Quilombolas, nos fóruns nacionais e pensa o problema quilombola não apenas pelo seu umbigo, mas com uma visão macro, que diz respeito a todas as comunidades remanescentes de quilombo existentes no Brasil.
Também subscrevem a Carta de Pernambuco, documento consolidado em conjunto com as entidades do movimento negro do Estado que cobra a aprovação imediata do projeto de Lei 3.198, mais conhecido como Estatuto da Igualdade Racial.
Como se vê uma gente merecedora não apenas da Medalha Zumbi dos Palmares, mas das muitas honrarias que se deve prestar a um povo de espírito tão guerreiro.
Isaltino Nascimento (www.isaltinopt.com.br), deputado estadual pelo PT e líder do governo na Assembléia Legislativa, escreve para o Blog todas às terças-feiras.
Artigo/Opinião
POSTADO ÀS 21:42 EM 06 DE Novembro DE 2008
Por Jayme Asfora*
É possível que uma nação, ao longo de 40 anos, modifique toda uma cultura, uma atitude e passe a respeitar as diferenças, assegure as liberdades individuais e zele pela ética acima de tudo? Os Estados Unidos mostraram, esta semana, que sim, que é razoável acreditar que em tão pouco tempo haja uma profunda mudança de paradigmas. O mesmo país que, há 40 anos – no dia 4 de abril de 1968 –, viu o líder negro Martin Luther King ser assassinado no Estado do Tennesse, assistiu na última terça-feira um negro chegar à Casa Branca.
Apenas 40 anos se passaram desde que o pastor King foi morto. Pouco mais de 40 anos desde que os negros ganharam o direito de votar – em 1965. E Barack Obama chegou ao poder do país mais rico do mundo. Que lições podemos extrair deste momento histórico para o mundo? É importante perceber não apenas que a questão racial está equalizada nos Estados Unidos. Mas é fundamental verificarmos que os esforços empenhados para que as diferenças fossem melhor aceitas, acabaram por obter um resultado favorável.
Os Estados Unidos formam uma das democracias mais consolidadas do mundo. E se focarmos nossa visão apenas no resultado dessas eleições – sem levarmos em conta outros problemas do seu cotidiano – é possível observarmos que o país deu um passo significativo no processo democrático. Já a recente democracia brasileira comemorou, também em 2008, apenas 20 anos. Esse também é um prazo pequeno para um amadurecimento de toda uma nação. Mas enxergamos de longe a possibilidade de que em poucos anos teremos um processo eleitoral ainda mais ético e equilibrado.
Este ano, por exemplo, durante o período pré-eleitoral, veio à tona a discussão em torno da elegibilidade dos chamados “fichas-suja”. Esse foi um tema novo colocado em pauta e que, com certeza, deverá ser levado muito mais em conta – e esperamos que também incluído na lei das inelegibilidades - já nas eleições de 2010 de acordo com o que prevê o Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral. Essa é uma mudança importante de paradigmas, assim como foi a Lei 9840/99 - que tipificou como crime a compra de votos de qualquer espécie. Talvez, tenhamos que esperar mais alguns anos para que o compromisso com a ética e verdade seja a mola-mestra que moverá toda a política brasileira. Mas, com certeza, esse dia chegará.
*Jayme Asfora é presidente da OAB-PE e escreve para o blog às quintas.
Opinião/Artigo
POSTADO ÀS 10:16 EM 22 DE Outubro DE 2008
O recém-eleito vereador do Recife, Luciano Siqueira (PCdoB)
Por Luciano Siqueira
A crise atual, originada nos EUA e que se espraia mundo afora – mais um episódio cíclico próprio do sistema capitalista, diria Karl Marx -, desta vez parece encontrar uma realidade nova: a possibilidade de resistência de países periféricos emergentes, entre os quais o Brasil.
Já tem um ano essa crise. Agora, com o desmoronamento de bancos e grandes empresas multinacionais, enfrenta um momento de agudização. Até onde vai e que conseqüências terá ainda não se pode prever com exatidão.
E o Brasil, como fica?
Tudo indica que está em certa medida preparado para o terremoto. Mas que deve ser afetado, não cabe dúvidas. Mas não há consenso sobre o tamanho do impacto sobre a nossa economia.
Segundo pesquisa realizada pela CNI, o empresariado brasileiro – certamente apoiado em conjecturas de suas assessorias técnicas – se mostram abalados e descrentes. O nível de confiança no desempenho da economia despenca ao mais baixo índice desde julho de 2005, conforme divulgou ontem a CNI (Confederação Nacional da Indústria): 52,5 pontos, uma queda de 5,6 pontos em relação à sondagem de julho e de 7,9 pontos na comparação com outubro do ano passado.
Os empresários se ressentem da dificuldade em negociar preços com fornecedores e clientes por conta da alta do dólar, da escassez de crédito, do aumento das taxas de juros e do quadro recessivo mundial.
No outro extremo se posiciona o ministro Guido Mantega, da Fazenda, que falou ontem no Congresso Nacional. Ele avalia que o crescimento da economia não atingirá nível esperado pelo governo para 2008, de 5% ao ano, porém espera que o PIB atinja entre 4% e 4,5%. E resume as razões para tanto otimismo: o país hoje tem condição manter o atual ciclo de crescimento com a manutenção da expansão do crédito, investimentos em infra-estrutura e continuação do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
Além disso, a pesquisa mensal de comércio mostra crescimento de 9,8%; estão sendo criados mais de 2 milhões de empregos formais, o que implica mais renda e mais consumo; a arrecadação da Receita Federal se mantém dentro do esperado.
Desencontro de expectativas à parte, vale anotar que é a primeira vez em décadas que o governo reage diante de ameaças de instabilidade e retração da economia com investimentos públicos em infra-estrutura, expansão do crédito, incremento da produção e alargamento do mercado interno. Uma aposta nas próprias forças, digamos, em contraposição à receita clássica da submissão aos ditames de fora.
*Luciano Siqueira é vice-prefeito do Recife e futuro vereador. Escreve para o Blog sempre às quartas-feiras.
Opinião/Artigo
POSTADO ÀS 11:52 EM 21 DE Outubro DE 2008
O deputado estadual Isaltino Nascimento
Por Isaltino Nascimento
A vitória de muitos dos prefeitos eleitos no último pleito se deu por uma diferença mínima de votos. Em Orocó, por exemplo, seis votos separaram o primeiro colocado do segundo. Ao citar este caso, não questiono o resultado das eleições naquela cidade e nem nas demais onde ocorreram situações semelhantes. Contudo, estes episódios demonstram como é imprescindível que o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) retome o trabalho de recadastramento eleitoral em Pernambuco.
O recadastramento promovido pelo TRE – divulgado no final do ano passado – abrangeu apenas 23 municípios, mas obteve resultados significativos. Houve o cancelamento de 77.545 títulos, representando 31,59% dos eleitores das cidades onde houve a revisão, que foram Afrânio, Águas Belas, Belém do São Francisco, Feira Nova, Ferreiros, Flores, Frei Miguelinho, Ibimirim, Itapetim, João Alfredo, Lajedo, Mirandiba, Moreilândia, Paranatama, Santa Cruz, Santa Cruz da Baixa Verde, Sertânia, Sirinhaém, Terezinha, Terra Nova, Tracunhaém, Venturosa e Verdejante.
O percentual de títulos cancelados nestes municípios demonstra como ainda é comum induzir grandes levas de eleitores a fazerem inscrição eleitoral em local diferente de onde moram para beneficiar políticos que tentam se perpetuar no poder a todo custo. Os chamados eleitores-fantasmas podem decidir uma eleição onde as disputas são muito acirradas e ainda predomina o coronelismo alimentado pelo poder econômico.
À época da divulgação deste balanço, solicitei ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que este trabalho fosse estendido às demais cidades do Estado, até porque o TRE também constatou que nos municípios revisados havia um número de eleitores superior a 80% da população, quando o aceitável pela Legislação é de 65%.
Infelizmente o pedido não foi acatado, deixando aberta uma brecha para fraudes eleitorais em muitos municípios. Daqui a dois anos teremos eleições novamente e não podemos mais conviver com este tipo de prática.
O momento de fazer uma revisão geral do eleitorado é agora. Afinal, o trabalho da Justiça Eleitoral, não apenas em Pernambuco, foi extremamente positivo e revelador. E tenho certeza de que muitos cidadãos gostariam de saber qual a real situação em seus municípios.
Outro passo importante foi a identificação fotográfica nos novos títulos eleitorais emitidos. O ideal seria que todo brasileiro votante já estivesse com seu documento renovado para as eleições de 2010.
O recadastramento e a identificação digital são passos importantes para acabar com o uso de parte do eleitorado por políticos que agem unicamente em detrimento da coletividade. O voto de cada um tem que ser real.
Isaltino Nascimento (www.isaltinopt.com.br), deputado estadual pelo PT e líder do governo na Assembléia Legislativa, escreve para o Blog toda terça-feira.
Recife 2008
POSTADO ÀS 12:00 EM 03 DE Outubro DE 2008
O candidato do PSOL à Prefeitura do Recife
PS: "Muito obrigado ao companheiro e advogado Theobaldo Pires, sempre apaixonado pelas causas que lhe demandamos, sempre disponível, sempre indo fundo nos argumentos e sempre voluntário. Obrigadão ao Rodrigo Nery diretamente e à sua esposa Júlia Benzaquém por tabela, ambos doutorandos da Universidade de Coimbra, em Portugal, e que aproveitaram a folga na Europa para dedicar-se à nossa campanha. Rodrigo foi um parceiro inseparável nas panfletagens, coordenação de agenda, avaliações e aconselhamentos políticos".
Por Edilson Silva
Estamos chegando ao final das eleições. Foram várias semanas de luta intensa, corpo a corpo, incontáveis apertos de mão, abraços apertados, amizades reencontradas, novas amizades, aflições, emoções. Nestas andanças, podemos conhecer ainda mais esta cidade, seu povo, seus cantos, recantos, seus problemas e seus potenciais.
Para mim, em particular, foi um aprendizado maravilhoso. Quero agradecer ao meu partido, o PSOL, por ter me dado a oportunidade de vivenciar esta experiência inigualável. Espero ter estado à altura da missão que me foi conferida, de estar à frente, como porta-voz de um projeto alternativo para a nossa cidade.
Não tenho como agradecer aos colaboradores mais diretos, sem os quais não poderíamos de forma alguma ter chegado até aqui. Muito obrigado à minha esposa, companheira e conselheira, a socióloga Edna Jatobá, que une como ninguém competência, sabedoria, energia, disciplina e paciência, muita paciência. Muito obrigado e desculpas às minhas filhas, que viram o pai quase desaparecer neste período.
Muito obrigado ao amigo querido, irmão, incansável e sempre otimista Alexandre Santos. Ao casal Zé Gomes, meu vice e assessor para todos os assuntos, e Albanise, responsável pela comunicação e pelo nosso sétimo sentido. Ao pequenino Pedro Ernesto, filho de Zé Gomes e Albanise, com apenas 1 mês de vida, mas que lutou como um gigante nesta campanha, indo pra cima e pra baixo no ventre da mãe até poucas horas antes do parto, e que depois que nasceu não teve descanso, caiu na campanha de novo.
Muito obrigado ao advogado e conselheiro Zeca (José Roberto Cavalcanti), sempre "cricri" e sempre presente, sempre enxergando longe e nos emprestando com um sorriso no rosto a sua sabedoria, além de ter nos emprestado também seu filho, Pedro Cavalcanti, que atuou com extrema competência na organização dos nossos sites nesta campanha.
Muito obrigado ao "casal" (só andam juntos) Gerson Flávio e Heitor Scalambrini, conselheiros da campanha, sempre amigos, sempre com reflexões inteligentes e preocupações honestas. Ao conselheiro Karajá, do Observatório de Favelas, um ponto de vista sempre particular e sempre enriquecedor. A todas e todos os conselheiros da campanha.
Um obrigado especial aos candidatos a vereador, como a missionária Marta Bertino, que passou boa parte da campanha orando por nós. Obrigado aos "meninos e meninas" da Gambiarra Imagens, da Campina do Barreto, que fizeram nosso guia de TV, numa experiência de troca muito rica, sempre gentis, alegres e dispostos. Ao Walcon e Walcley da WR Stúdio, de Casa Amarela, pelo profissionalismo na produção dos guias de rádio, pelo capricho na produção de nosso Rap. Agradecimento super-especial ao MC Miguelito, face, voz e cor da periferia, que nos brindou com sua originalidade.
Muito obrigado aos candidatos do PSOL à prefeitura de outras cidades, como o Rosalvo (Petrolina), Marcos (Olinda) e Padre Sóstenes (Jaboatão), que nos ajudaram a mostrar que nosso projeto é amplo e veio para ficar e crescer.
Obrigado também aos profissionais de imprensa, sobretudo aqueles e aquelas que ralam nas ruas, como os repórteres, fotógrafos, iluminadores, cinegrafistas, muitos deles inclusive freqüentando minha residência para fazer suas matérias, e com quem acabamos nutrindo uma carinhosa relação.
Por fim, obrigado a todos e todas que de alguma forma estiveram junto conosco nesta caminhada, seja através de um sorriso, um aperto de mão, um abraço, uma palavra amiga ou de incentivo, um olhar amigo, ou mesmo uma crítica mais ácida, mas construtiva. Muito obrigado. Já somos vitoriosos.
PS: Presidente do PSOL/PE e candidato à prefeitura do Recife
Recife 2008
POSTADO ÀS 11:00 EM 02 DE Outubro DE 2008
Por Kátia Telles
Semana final de campanha. Depois de muito trabalho duro e noites mal dormidas que me deixaram com um extremo cansaço, resolvi passear um pouco.
Saí sem rumo, fui visitar a estátua de Manuel Bandeira na R. da Aurora e ele me alertou:
"Recife
Não a Veneza americana
Não a Mauritsstad dos armadores das Índias Ocidentais
Não o Recife dos Mascates
Nem mesmo o Recife que aprendi a amar depois"
Pensei nos sem-teto que são expulsos de seus locais de moradia, nos kombeiros que permanecem sem emprego após serem impedidos de trabalhar pela dupla Jarbas/ João Paulo. Pensei que o Recife não é só a "Veneza Americana" mas a capital que ostenta o maior índice de desemprego do país.
Procurei apressar os passos, necessitava ir de metrô até Tejipió, onde amigos me esperavam, diante da Estação Central,Luiz Gonzaga me alertou:
"Mas dotô uma esmola
A um home qui é são
Ou lhe mata de vergonha
Ou vicia o cidadão"
Lembrando do "velho Lua" recordei o governo LULA, que é muito generoso com os bancos, fazendo que estes tenham os maiores lucros da história (enquanto só querem conceder um ridículo reajuste aos seus funcionários) e contenta-se em "dar" um pequeno auxílio aos trabalhadores, esquecendo que o que todos necessitam é um emprego com um digno salário.
Chegando a Tejipió, andando pelas ruas não calçadas sem saneamento (como cerca de 70% do Recife), encontrei escolas degradadas , postos de saúde sem condições de funcionamento e juro que ouvi o vozeirão de Ascenso Ferreira:
"Felizmente, à boca da noite,
eu tinha uma velha que me contava histórias...
Lindas histórias do reino da Mãe-d'Água...
E me ensinava a tomar a bênção à lua nova
."
Como erradicar o analfabetismo em uma cidade que praticamente não tem bibliotecas municipais? Como exigir qualidade excepcional a um professor que trabalha até 16 horas por dia? Como incentivar a prática de esportes se muitas escolas municipais não tem sequer uma quadra? Como fazer delicioso o ato da leitura e do saber a um garoto que mora em um barraco?
Precisava ir para a Zona Norte, embarquei em um ônibus sujo e com passagem cara. Observei vários alunos de escolas do bairro que não podiam pagar aquela preço e só andavam à pé. Senti a dor das crianças que se arrastam por baixo da catraca de maneira humilhante. "O passe-livre deve ser implantado urgentemente para estudantes e desempregados" foi meu pensamento naquela ocasião. No meio da viagem, vi empresários que saíam de uma reunião em apoio a um candidato de um partido da classe dominante. Empresários que corriam para seus carros blindados por puro medo do contato com a realidade além das salas refrigeradas, aí ouvi um sussurro trazido pelo poeta Erikson Luna:
"Vosso Scotch
pode me sujar por dentro
cachaça não
vosso perfume
pode me sujar por fora
suor nunca
porque sou suor
a cachaça e a lama"
Fiquei matutando, observando tantos meninos ao longo das avenidas. Jovens que empunhavam bandeiras por R$ 10,00 o dia, sem direito a mais nada. Bandeiras de candidatos que se aproveitam da miséria de nossa cidade para explorar a juventude... mas tive uma ponta de orgulho. Orgulho do PSTU não se vender, não aceitar qualquer centavo dos empresários e ter uma militância aguerrida que luta por um mundo justo.
Eita ! já estou chegando em Casa Amarela ! passando em frente ao cemitério do bairro lembrei das palavras do coveiro na magistral obra de João Cabral:
"parece que a gente
que se enterra no de Casa Amarela
está decidida a mudar-se
toda para debaixo da terra."
Passando pela feira deparei com uma multidão de meninos e idosos que pedem esmolas, uma multidão à margem da disputa eleitoral e que aparece como simples estatística nos discursos dos "quatro da burguesia" (João da Costa/ Mendonça/ Raul/ Cadoca), alguns foram expulsos de suas casas e recebem um ridículo "auxílio-moradia", outros tinham pequenas vendas que foram arruinadas pela falta de incentivo, incentivo que não falta para os empresários de ônibus e para as empresas de call center, que recebem grandes benefícios da prefeitura e pagam salários miseráveis aos seus funcionários.
Lembrei que estava chegando o dia 5 de outubro, o dia das eleições. Passando em frente a sede de uma troça carnavalesca ,lembrei dos três milhões doados à Mangueira, enquanto aquele lugar estava praticamente em ruínas, E não pude deixar de gritar, no meio da rua, embriagada de Recife como Solano Trindade:
"Na minh'alma ficou
o samba
o batuque
o bamboleio
e o desejo de libertação."
Dia 5 de outubro, os recifenses vão escolher seu prefeito. É preciso refletir que a luta vai muito além das eleições. È muito maior que qualquer eleição. É muito maior do que qualquer debate na "poderosa" TV GLOBO (que foi homenageada por João Paulo e nos excluiu de seu debate ). Nós do PSTU estaremos nos beijaços, nas ocupações, nas greves, nas passeatas e onde houver luta em cada canto dessa cidade; independente do resultado das eleições. Para nós, só a luta que muda a vida.
Finalizei meu passeio ouvindo uma voz distante que falava aos trabalhadores, aos trabalhadores que merecem governar essa cidade, aos que são oprimidos, discriminados e estão cansados de ouvir as mesmas promessas dos que governam nosso município há décadas. Essa voz vinha da Espanha, era a potente voz de Miguel de Cervantes, que me disse assim:
"Sonhar mais um sonho impossível
Lutar quando é fácil ceder
Vencer o inimigo invencível
Negar quando a regra é vender"
PS: Um fraternal abraço a todos os que leram nossas parcas linhas aqui no Blog de Jamildo. Aos que criticaram, aos que conosco sonharam, até aos que foram rudes, a certeza que uma vida melhor se constrói no cotidiano.Liguem pro PSTU-PE: 32222549
Recife 2008
POSTADO ÀS 16:19 EM 01 DE Outubro DE 2008
O candidato à Prefeitura do Recife pelo PCB, Roberto Numeriano
Por Roberto Numeriano
O artigo do candidato do PSOL, sr. Edilson Silva, postado no dia 29 último, rebate nossa crítica política com argumentos distorcidos e até inverdades sobre palavras que proferi em palestra para educadores e assistentes sociais, no salão do Movimento dos Trabalhadores Cristãos. Não é uma boa tática combater idéias atribuindo mentiras a terceiros. Mas esta é até uma questão secundária em relação ao "conjunto da obra" do autor, um arrazoado típico de quem pretende possuir a verdade revelada ou a pedra filosofal para as mazelas do Recife. Vamos aos fatos.
O PCB também possui o seu programa de governo para o Recife, disponível no endereço www.robertonumeriano21.can.br. É produto de uma discussão coletiva, aberta, de militantes e técnicos da sociedade civil. Trata-se de uma proposta de gestão racional, que incorpora processos de emancipação popular (na perspectiva de uma democracia de corte substancial), e de distribuição / socialização do poder político e econômico (no sentido de quebrar a lógica dessa institucionalidade liberal que concentra poderes no Executivo e na Câmara de Vereadores).
Nós estamos na disputa com essa perspectiva, também, e não apenas para fazer, como alegou o candidato do PSOL, "mera propaganda do socialismo" ou "atacar o sistema capitalista". "Mera propaganda do socialismo", caro Edilson? Desde quando combater, também em termos político-ideológicos, pelo socialismo, é fazer "mera propaganda"? Desde quando não devemos combater os sistemas social e econômico capitalista, dentro de um processo eleitoral? Se o PSOL esgota a sua luta na perspectiva político-eleitoral, siga em frente, mas não aceitamos suas receitas "táticas".
Aqui, esclareço uma abordagem falsa a respeito do que eu disse para os educadores e assistentes sociais (aliás, se eu tivesse dito para eles o que o sr. Edilson afirma em seu artigo, decerto eu teria sido apupado pelos profissionais). Eu chamei esse trabalho de sagrado e disse que ele é inócuo se, ao mesmo tempo, não incorporar uma crítica desse modelo de sociedade capitalista. É claro que eles assim fazem, e todos sabemos que não precisam se filiar a qualquer partido de (ou dito) de esquerda. Temos humildade de reconhecer esse e outros trabalhos, mas não somos demagogos de esquerda. Exercemos nossa pedagogia política disseminando o ideal socialista, antes que projetos e comportamentos políticos messiânicos.
Caro Edilson, a grande Rosa Luxemburgo morreu, assassinada no processo de ascensão nazi-fascista, sem ver alguns dos seus postulados colocados à prova. Não há espaço aqui para esse debate, mas é bom registrar que recorrer ao tradicional argumento de autoridade é uma das saídas típicas de quem supõe saber a verdade, ainda que pela voz de terceiros. Se Rosa Luxemburgo vivesse para ver o que houve na Europa nas décadas de 30 e 40, decerto mudaria alguns pontos de vista na polêmica entre reforma e revolução. Outra coisa: o fato de uma pessoa ter escrito uma tese política não significa que tenha "resolvido estruturalmente" uma polêmica. Pelo que me consta, Rosa foi uma das grandes teóricas marxistas, e por isso mesmo tinha um pensamento dialético.
Por último, a falácia maior do seu argumento. A peça acusatória do juiz Nilson Nery foi montada a partir do que foi apurado nos computadores de funcionários da secretaria da Educação. Não precisa ficar "preocupado" conosco, pois nós do PCB não nos preocupamos, por exemplo, com o fato de o sr. ter aparecido no guia eleitoral com candidatos da oposição de direita em Pernambuco. Não isentamos ninguém, mas também não abordamos o episódio demagogicamente. Não vamos imitar o PT dos primórdios, nem tampouco o PSOL do presente.
Dei e mantenho minha nota 7,0 à gestão do sr. João Paulo. Trata-se de um grau regular. Coincidência ou não, dias depois que eu disse essa nota, pesquisa de opinião (acho que do DataFolha), registrou que a nota média do recifense sobre a gestão atual é 7,2. Pelo jeito, eu até sou mais oposicionista, não? E disse ainda que, para evitar a volta da direita ao poder, poderíamos apoiar o PT em um eventual segundo turno.
Caro Edilson, eu já vi o filme que o PSOL quer rodar, agora pela voz da senhora Heloísa Helena. Não somos talibãs do socialismo, já ultrapassamos o esquerdismo típico do comportamento de afirmação de agremiações políticas que estão debutando na cena política brasileira. Sabemos e reconhecemos que, sob certas condições, restam-nos integrar alianças que não são ideais do ponto de vista político-ideológico, mas são menos problemáticas do que o capital da multinacional Gerdau financiando campanha do PSOL (R$ 100.000,00), em Porto Alegre. E agora? Se o PSOL julgar ser possível o "assalto aos céus" na linha preconizada pelo PT dos velhos tempos (anos 80 e 90), mantenha-se firme nessa pisada.
O PSOL precisa matar ritualmente o seu pai biológico, ou seja, o PT. Mas o problema é que o seu DNA é petista. Daí o mesmo comportamento de afirmação, daí o mesmo proselitismo em torno da ética (são os novos paladinos da moralidade republicana), daí a mesma verborragia radical. Em muitos aspectos, o PT é uma farsa socialista no poder. Parece-me que o PSOL poderá ser, para repetir a história, uma tragédia.
PS: Roberto Numeriano é candidato do PCB à Prefeitura do Recife.
Debate eleitoral
POSTADO ÀS 16:17 EM 01 DE Outubro DE 2008
PELA UNIÃO DOS TRABALHADORES DO RECIFE! NENHUMA CONCESSÃO ÀS CANDIDATURAS BURGUESAS!
A eleição do Recife vai chegando a momentos decisivos.
É bastante interessante observar a falsa polarização que nos é imposta por grande parte da mídia para favorecer as candidaturas burguesas. De um lado há Raul Henry, Mendonça e Cadoca, que mesmo fazendo parte do grupo que governa esse estado há décadas, posam de "renovação", de promotores da "mudança". De outro a candidatura oficial do PT, que ao lado de José Múcio , Armando Monteiro e Inocêncio Oliveira, adota um discurso de "esquerda"e aplica a mesma política neoliberal da tradicional direita; contando ainda com a confiança da maioria dos trabalhadores .
O PSTU com seus militantes, seus sindicalistas e sua valorosa juventude nunca deixou de denunciar o governo João Paulo.Estivemos na linha de frente junto com os kombeiros, os sem-teto e os que lutavam pelo passe livre. Sempre denunciamos nessa campanha o governo patronal do PT (vide as matérias do Blog de Jamildo).
O PSTU lutou para que os trabalhadores do Recife tivessem uma candidatura única, uma candidatura que unisse em um mesmo palanque o PSOL, o PCB e o nosso partido. Infelizmente não tivemos sucesso em nossa luta. No entanto, ao mesmo tempo em que o Sr. Edílson Silva se negava à compor uma frente com o PSTU,buscava se aliar a Clóvis Correa, um conhecido político populista de direita. Essa política felizmente foi revertida pelo PSOL posteriormente.
É com extrema preocupação que lemos a nota do Sr. Edílson Silva acusando o PSTU de "reforçar a candidatura oficial". O Sr. Edílson Silva ,que em um acesso de miopia política ( que temos certeza não é compartilhada pelo conjunto do PSOL) desfere ataques ao nosso partido.
Denunciamos o que aconteceu na Prefeitura (o favorecimento da candidatura de João da Costa) mas também alertamos (em nota oficial que foi inclusive publicada por esse blog) que o DEM e o PMDB não têm moral fazer esse tipo de acusações. Lamentamos que a candidatura de Edílson não tenha se diferenciado dos partidos burgueses nesta denúncia.
Chamamos o PSOL e o PCB para juntos, além das eleições, fazermos junto aos sindicatos, grêmios livres, DCEs ,associações de bairro , grupos LGTB e entidades do movimento negro e de mulheres uma imensa oposição conjunta aos governos burgueses que governam nossa cidade, nosso estado e nosso país.
Esperamos que tenhamos êxito nesta convocação, que divergências ocasionais não nos tirem do foco principal que é a luta contra os patrões e seus asseclas.
DIREÇÃO ESTADUAL DO PSTU
Opinião
POSTADO ÀS 10:36 EM 29 DE Setembro DE 2008
Por Edilson Silva
A coalizão conservadora liderada pelo PT em Recife entrou nas eleições municipais preparada com seu mantra para combater apenas a velha direita. Acostumados a ter uma pseudo-oposição pela esquerda, sem consistência, nestas eleições estão tendo que enfrentar uma oposição de verdade, a do PSOL. A atuação de nossa candidatura nestas eleições tem impactado a opinião pública e vem ganhando muita respeitabilidade junto à sociedade.
Sem conseguir responder aos questionamentos vindos da esquerda e da oposição autênticas da cidade, restou à candidatura do PT tentar construir uma falsa polarização ideológica com o DEM. Buscam com isso dois objetivos: a) estabelecer no imaginário do eleitor que só existem duas opções de voto, o passado como era ou o presente como está; e b) impor o maniqueísmo de que quem não está com o presente, ou seja, amarrado com o PT, está necessariamente com o passado, ou seja, aliado com o DEM.
Entre todas as candidaturas colocadas, a única que não se submeteu a esta falsa polarização foi a do PSOL. Não queremos nem o passado como era e nem o presente como está. O PSOL atua por um presente e um futuro melhores.
No único debate de TV até agora, fomos os únicos a conseguir levar o candidato da prefeitura a nocaute, pois a velha direita não tem a mínima moral para fazer oposição à atual gestão.
Em faixa própria, apoiamos as denúncias contra o uso da máquina pública pelo candidato da prefeitura e fomos os primeiros a ter a coragem de expor o conteúdo da investigação que cassaria a candidatura de João da Costa, rompendo o estranho silêncio que cercava aquele processo, obrigando
inclusive o DEM e o PMDB a vir de reboque. Desta forma, evitamos inclusive que a bandeira da ética na política, tão cara para a esquerda autêntica, fosse parar nas mãos da velha direita. Esta bandeira continua firme em mãos realmente limpas.
Diante de nossa firmeza em manter uma postura de oposição pela esquerda, a candidatura da prefeitura estabeleceu a tática de tentar nos desqualificar politicamente, espalhando que estamos aliados ao DEM, e tentando também nos desmoralizar, espalhando boatos caluniosos e apócrifos contra a nossa candidatura, dizendo até que temos "ficha suja na polícia".
Neste esforço em vão para desmontar nossa artilharia, a candidatura oficial ganhou o reforço até do PSTU, que caiu, ou quis cair na armadilha petista, colocando seu guia eleitoral a serviço da prefeitura, afirmando que o PSOL está a serviço da direita. Por absoluta incapacidade de raciocínio político, ou demasiado esquizofrenismo eleitoreiro, duas características bastante fortes no PSTU, este partido e sua candidatura passaram um recibo público avalizando a tática maniqueísta da candidatura oficial e carimbando a coalizão conservadora de João da Costa como sendo de esquerda, mas apenas "com métodos de direita".
Manteremos fidelidade aos nossos princípios e firmes na oposição. Quem quiser juntar-se ao PT ou ao DEM que o faça. Continuaremos apresentando nosso programa de governo, buscando fazer uma revolução democrática na gestão pública, priorizando as demandas das populações da periferia e colocando o tema do meio ambiente na agenda da cidade.
Portanto, a falsa esquerda articulada pela candidatura da prefeitura, que tem literalmente em seu palanque José Múcio, Armando Monteiro Neto e representantes de Inocêncio Oliveira, pode ficar certa de que não terão vida fácil conosco. Estamos preparados para governar para o povo, mas estamos também dispostos e preparados para fiscalizar com o povo, com muita dignidade e coragem, a partir da oposição.
PS:Presidente do PSOL/PE e candidato à prefeitura do Recife
Opinião
POSTADO ÀS 10:09 EM 29 DE Setembro DE 2008
No debate
Por Roberto Numeriano
As denúncias de uso da máquina pública por afiliados petistas e funcionários da Prefeitura do Recife em prol do candidato do PT, João da Costa, despertaram um debate acirrado entre PMDB, DEM, PSOL, PSC e PT. Sem entrar no mérito do julgamento, observamos como esses partidos esperneiam e se apresentam como paladinos da moralidade político-eleitoral. São como as virgens dos oráculos da Antigüidade, encarregadas de purificar o ambiente.
Devagar com esse andor, que esses telhados são de vidro. Poderíamos relacionar aqui exemplos de práticas políticas nada puras de todos esses quatro partidos que se engalfinham, em termos do que pregam e (não) praticam. Política pequena, vícios gigantes. Leviandades, mentiras, manobras, debates estéreis, vaidades, falsas indignações, tudo é uma mistura de engodo e mistificação que explica em parte o porquê de o conceito da maioria dos brasileiros ser negativo a respeito dos políticos.
É preciso discutir e expor o Recife real, de pessoas reais e misérias reais. Realidades essas que o PCB expõe no Guia de Rádio e TV, além dos debates e entrevistas, panfletagens e reuniões com comunidades. Ao mesmo tempo, é preciso fazer a crítica desse modelo de sociedade que estrutura a miséria e a exploração do homem, desumanizando-o.
Qualquer partido que se julgue (ou afirme), socialista e/ou de esquerda, não pode, ainda que nos termos dessa institucionalidade liberal de gestão, apresentar suas propostas e programas sem fazer a crítica político-ideológica dos sistemas político, econômico e social que estruturam e explicam a degradação do Recife, sua pobreza, sua exclusão, seu medo e violência. Semana passada, em palestra para educadores e assistentes sociais, elogiei o trabalho sagrado desses profissionais que tentam resgatar das ruas do Recife os meninos e adolescentes, mas disse que o efeito dessa ação é inócuo se, em paralelo, eles não elaborarem uma crítica socialista do nosso modelo de sociedade capitalista.
Não é o que vemos, à exceção do PCB e do PSTU. E por quê? Porque, efetivamente, observamos que o PT (e apenas em tese coloco aqui este partido como de esquerda) e o PSOL colocam-se como antagônicos no discurso. Nenhum deles aponta uma ruptura daquela institucionalidade liberal de gestão a partir de propostas que se fundamentem em novos tipos de intervenção política e social de movimentos e entidades sociais e de massa. Se o PT repete no discurso e na prática a velha política de corte liberal que não emancipa o homem e não institui a cidadania, o PSOL embarca, para fazer contraponto como uma "alternativa de esquerda" ao petismo, no discurso do oposicionismo político em tudo semelhante ao PT quando fora do poder. Lembro que, já nos anos 80, era típico do petismo criticar asperamente os comunistas que trabalhavam a articulação de frentes de esquerda para consolidar a democratização em curso. E nem se importavam em levar água para o moinho dos reacionários da época, dentro e de fora do Congresso. Parece-nos que o PSOL, guardadas as proporções de tempo e de contexto político, repete esse comportamento.
Daí não nos surpreender como o PMDB, DEM, PSOL, PSC e PT guerrearam no episódio da cassação como caranguejos em panela de água fervente. Somado tanto palavreado, suspense e gritos, perderam o eleitor recifense e a Justiça, emulada demagogicamente por uns, achincalhada sem razão por outros.
Essa é a lógica da política como ela tem sido no Brasil, em Pernambuco e no Recife: um desfile de arrogâncias, vaidades, complexos de superioridade, mitos e mistificação. Uma política que nivela em um mesmo nível de pobreza o debate político-ideológico, e que bloqueia as propostas de construção de um governo popular para romper progressivamente com essa ordem estreita de gestão liberal, à esquerda e à direita. Para nós que um dia seremos velhos, essa política mistificadora não reflete o Recife e seu povo de carne, ossos e sonhos. Até quando o recifense será mistificado, caberá à história dizer, e para tanto não precisará convocar as virgens vestais da moralidade.
Roberto Numeriano é candidato do PCB à Prefeitura da Cidade do Recife.
Artigo/Opinião
POSTADO ÀS 16:48 EM 18 DE Setembro DE 2008
Kátia Teles é candidata à Prefeitura do Recife pelo PSTU
Por Kátia Telles-PSTU
No dia 29 de setembro do corrente mês, lembraremos um século da morte de Machado de Assis,o maior escritor brasileiro. Preto, pobre, gago e epiléptico, Machado não seguiu o triste destino que parecia reservado para ele e transformou-se em um dos ícones da literatura mundial.
Esse ano teremos também outra data a registrar. Completaremos oito anos de gestão petista no Recife ,uma gestão que começou sob o olhar da esperança e termina como um marco de opressão aos trabalhadores além de ser responsável pelo desmantelamento da educação pública.
João Paulo, assim como Machado de Assis, tem origem humilde. O escritor, filho de pintor de paredes, o político, filho de um cobrador de ônibus; mas enquanto o primeiro é motivo de orgulho pelo que fez (e faz) pelas letras,o segundo colaborou para que Recife seja considerada uma das cidades que tem o pior ensino do Brasil.
No romance machadiano Memórias Póstumas de Brás Cubas há o relato de um escravo que, depois de anos apanhando e sendo humilhado por seus senhores , é surpreendido pelo protagonista quando xingava e batia em outro negro da mesma forma que faziam com ele.
É a mesma história do nosso prefeito e do próprio PT, antes cotidianamente ao lado dos trabalhadores e hoje demitindo dirigentes sindicais que denunciam as escolas sucateadas do município (como fez com Cláudia Ribeiro, diretora do Sindicato dos Professores do Recife-SIMPERE).
Imaginemos que um estudante recifense queira ter acesso às obras do Bruxo do Cosme Velho,imaginemos que ele quer se encantar com a ambígua história de Capitu (traidora? Não traidora?) do livro Dom Casmurro; pois bem,ele terá muita dificuldade pois na nossa capital só há duas bibliotecas públicas municipais (Afogados e Casa Amarela) para uma população de quase dois milhões de habitantes!
Se existe dúvida sobre se Capitu é traidora ou não, a mesma dúvida não temos com relação ao governo de João Paulo (PT).Nesse governo, a traição aos mais oprimidos é explícita.Um professor da rede municipal do Recife ganha míseros R$ 4,49 por hora para dar aula nas séries iniciais, se tiver doutorado vai receber pouco mais de seis reais e há escolas que funcionam somente com estagiários,que recebem salários ainda mais baixos.
O desconto relativo à saúde e previdência dos servidores aumentou nesse governo e muitos acordos fechados entre o sindicato dos professores municipais e a prefeitura simplesmente não são respeitados pelo governo petista.
Os apaixonados por Machado sabem que uma das características da obra de nosso escritor maior era destacar as contradições no interior da sociedade,notadamente a contradição entre o parecer e o ser. A hipocrisia e a mentira eram sarcasticamente exploradas por ele.
Podemos relacionar isso com a atual administração municipal que faz alarde das “academias da cidade” mas silencia sobre as dezenas de escolas que não tem nenhum espaço para a prática de esportes; que inaugura “novas” escolas e “esquece” de dizer que são só antigos anexos com um novo nome. É uma gestão que parece trabalhar pela educação mas na verdade é uma prefeitura que chegou a fazer uma escola funcionar dentro de um bar !
O resultado de tudo isso ficou estampado na bela reportagem “Alfabetização de faz-de-conta”, da jornalista Margarida Azevedo, publicada no JC do último domingo. Escutemos um trecho: “em vez de casa,,o garoto escreve caia. No lugar de bola, bobi. A palavra mala é grafada baga. Lata é escrita aia. Quem redige não é um menino que está sendo alfabetizado. Ele está cursando a sexta série do ensino fundamental em uma escola da rede municipal do Recife,localizada na zona sul da cidade.”
O PSTU afirma que os governos do DEM e do PMDB junto com o PT/PSB/PC do B são responsáveis por esse descalabro .Exige que as bibliotecas estejam presentes em todos os bairros, que todas as escolas funcionem em período integral com todos os equipamentos necessários (quadras,salas de computação etc.), que as creches devem atendam 100% do Recife e nenhum professor ganhe menos que o salário mínimo do DIEESE.
Nenhuma verba educacional deve ir para empresas terceirizadas (conservação,vigilância e merenda) e a prefeitura deve criar mecanismos de real inclusão social para jovens e adultos que não concluíram o ensino fundamental e não meros programas enganadores e paliativos como o ProJovem.
Nós lutamos para que chegue o dia em que todos a crianças, jovens e adultos dessa cidade possam ler o sertão de Guimarães, o cão de Cabral, o encanto de Solano e a magia de Clarice. E teremos então milhares de “Machados” que vão contrariar a triste história que a classe dominante traçou para suas vidas!!!
PS.: Kátia Telles é candidata à Prefeitura do Recife pelo PSTU.
Recife 2008
POSTADO ÀS 12:27 EM 17 DE Setembro DE 2008
Numeriano
Por Roberto Numeriano
A campanha à Prefeitura do Recife, agora na sua reta final, mostra como os termos político-institucionais de fazer e viver a política como arte e ciência estão esgotados nas democracias liberais, periféricas ou não aos países centrais capitalistas (basta ver a encenação "democrática Obama x McCain). Os gestos, as falas, as "táticas" e "estratégias", a mistificação de marqueteiros (sempre se dando uma importância que não possuem, incensados quase sempre por jornalistas mistificados), a mídia que tenta atiçar (subliminarmente) a baixaria, mas ao mesmo tempo cobra agendas propositivas, a pasmaceira geral dos partidos de esquemas e práticas deletérias para a democracia, o desespero de gente cujos projetos pessoais ameaça naufragar, o irracionalismo das idéias e a fantasia enganosas de muitas propostas.
Tudo isso é o ambiente da política de corte político-ideológico liberal: uma ciranda de vícios e vazios que volta a cada eleição. Trata-se de um modelo esgotado porque o principal ator político não está presente como protagonista dos processos políticos. Esse ator é o povo, tão decantado nas democracias liberais, mas ao mesmo tempo o mais enganado, traído e vilipendiado nos seus justos interesses pelos políticos que nos gabinetes e parlamentos encenam o exercício da democracia.
Como assim, "não está presente", se ele está indicando suas "intenções de voto", se ele vai atrás de andores pelas vielas e bairros degradados, se ele aparece nos guias para exaltar ou detonar esta ou aquela gestão? Não me refiro a esse povo que, incidentalmente, participa do processo. Eu falo do povo recifense, do cidadão recifense, de todos nós que habitamos uma cidade de guetos. Eu falo do povo real, que está além da política. De um povo que habita os guetos da desigualdade ou da opulência, ambos
resultantes da contradição de uma grave concentração de renda nas camadas sociais altas, enquanto as da base da pirâmide econômica sofrem o desemprego e fome endêmicos.
O esgotamento desse modelo social, econômico e político capitalista significa o esgotamento da própria forma da representação do poder como expressão de vontades coletivas. Em outras palavras, o modelo liberal de representação não expressa a vontade coletiva porque, efetivamente, o poder dessas coletividades não se faz traduzir nas Câmaras de Vereadores, e tampouco nos Executivos municipais. O Legislativo e o Executivo municipais disputam entre si seus interesses corporativos, eventualmente atendendo a demandas populares. Privatizam o exercício do poder, jamais distribuem e socializam o poder que, uma vez emanado do povo, jamais retorna a ele.
Como podemos quebrar essa lógica irracional? Não tenho ilusões, como candidato à prefeitura do Recife, dos limites impostos (institucionais e do mundo real da política como ela tem sido) a uma proposta de gestão que se apresenta como programaticamente diferenciada de partidos e frentes político-partidárias que oscilam entre a visão ultra-radical de esquerda e a visão pasteurizada e estreita da ordem hegemônica atual, representada pelo PT, PMDB, PSDB, DEM, PSB e outros menos poderosos. Entre estes, tente achar alguma diferença de conteúdo político-ideológico fundamental e eu lhe darei de presente um livro como "O Príncipe", do velho Maquiavel.
Para mim, falando aqui também como cientista político, essa lógica não será quebrada sem a progressiva ascensão, pelos movimentos de massa e populares, de idéias e agendas político-sociais que comecem a quebrar e romper de dentro para fora e de fora para dentro essa ordem político-institucional contaminada e degenerada. Ordem na qual voto é moeda de troca, os partidos se submetem aos esquemas de "doações" (até alguns que, tal qual o PT originário, proclamavam sua pureza contra o capital de empresas privadas), os políticos saltam entre partidos como ratazanas em polvorosa de navios soçobrando, as velhas raposas políticas começam a ungir seus filhos como políticos (tornando os parlamentos capitanias hereditárias de proprietários de currais eleitorais urbanas).
Para socializar a política na perspectiva do rompimento dessa ordem degenerada, é necessária a gestação de políticas contra-hegemômicas por parte daqueles movimentos, incluindo sindicatos e outras entidades não contaminadas. A criação, por exemplo, de Câmaras Populares nos bairros seria um dos meios de socializar o poder, distribuindo-o a partir da intervenção direta daqueles que estão apenas formalmente representados nas Câmaras da ordem atual. Mas isto tudo será uma etapa superior que poderá ocorrer em função das contradições desse modelo de representação político-institucional esgotado e degenerado do liberalismo. Não sabemos exatamente o que será que será, mas podemos assegurar que é preciso criar uma concepção de poder revolucionária sobre o exercício do poder nas Câmaras e nos governos municipais.
Roberto Numeriano é candidato do Partido Comunista Brasileiro (PCB) à Prefeitura do Recife.