Blog de Jamildo 1

Ataque e defesa

Associação de Militares é obrigada a publicar out doors defendendo bandeiras do MST

POSTADO ÀS 22:11 EM 29 DE Novembro DE 2010

O Ministério Público de Pernambuco promoveu um Termo de Ajustamento de Conduta no qual  a  Associação dos Oficiais, Subtenentes e Sargentos da Polícia Militar/Corpo de Bombeiros Militar de Pernambuco – AOSS, atualmente denominada AME – Associação dos Militares de Pernambuco  e a STAMPA, empresa de outdoors, promoverão uma contrapropaganda, veiculando 21 outdoors com mensagens de promoção e defesa dos direitos humanos e da Reforma Agrária, conforme arte definida pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e aprovada pelo Ministério Público.

A Associação terá ainda que publicar retratações públicas ao MST no Diário Oficial, no jornal interno da policia militar e no site
da associação. A contrapropaganda deve ser veiculada a partir de março de 2011.

A decisão inédita é resultado de um Termo de Ajustamento de Conduta,  no procedimento administrativo Nº 06008-0/7, no Ministério Público de Pernambuco, apresentado pela organização de direitos humanos Terra de Direitos, pelo Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH), pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) e pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), alegando danos morais e pedindo direito de resposta contra a AOSS, em virtude da “campanha publicitária” contra o MST realizada pela Associação em 2006.

Na ocasião, a AOSS distribuiu nas principais vias públicas do Recife e nas rodovias do Estado de Pernambuco outdoors e jornais, bem como foram feitos discursos nos horários nobres das rádios e televisões, com conteúdos que foram considerados difamatórios e preconceituosos contra trabalhadores/as rurais sem terra, de acordo com a visão do movimento.

Nos outdoors, veiculava-se a seguinte mensagem: “Sem Terra: sem lei, sem respeito e sem qualquer limite. Como isso tudo vai parar?”

"A campanha tinha o claro objetivo de criminalizar o MST e seus militantes e deslegitimar a luta pela reforma agrária dos trabalhadores e trabalhadoras rurais, incitando a sociedade e os próprios policiais militares à violência contra os Sem Terra", reclama a entidade.

À época da campanha, o presidente da AOSS era o atual deputado estadual Major Alberto Feitosa, do PR, aliado de Eduardo Campos. Junto com a associação, ele assinou pessoalmente os materiais da campanha.

Durante inquérito para apurar o caso, o Ministério Público ouviu representantes da AOSS e das organizações de direitos humanos.

De acordo com o depoimento do capitão da PM Vlademir Assis, que assumiu a presidência da AOSS depois da saída do Major Feitosa, a campanha foi financiada por grupos empresariais, proprietários de empresas de TV e políticos pernambucanos.

O Ministério Público considerou a campanha um abuso aos direitos humanos e um desrespeito aos princípios constitucionais de liberdade de reivindicação e de associação, e acima de tudo, uma ofensa à dignidade da pessoa humana.

Postado por Jamildo Melo | Notícias | permalink | imprimir | enviar

5 Comentários | comente | cadastre-se | recupere sua senha

Por - Quando o MP acerta a gente aplaude, quando erra.... | Novembro 30, 2010

...nós exercemos nosso direito à crítica. Nenhuma das acusações da AOSS foi improcedente. Estamos vivendo um zeitgeist, ou seja, espírito de um tempo. O MST ainda não foi criminalizado adequadamente pelos desvios dos valores repassados pelo Governo Federal, pelos desmandos nas terras que invade, pela incitação à bandalheira, pelos roubos armados às propriedades às quais invade e pela incitação à ordem pública, além da utilização de inocentes úteis aos seus propósitos. É com isso que o MST deveria estar preocupado, mas o espírito de um tempo controvertido não deixa. Stédile está vibrando, talvez fará festa nos acampamentos. Viva a desordem institucional. O direito á terra, previsto em Lei, pode ser banido a qualquer momento. Imagina quando o PNDH3 for colocado em prática, com os tribunais de rito sumário in loco?

Por - Deu no blog | Novembro 30, 2010

"Amanhã, por indicação do deputado Brizola Neto (PDT-RS), João Pedro Stedile será um dos agraciados no Congresso com a Medalha do Mérito Legislativo. Por seus relevantes serviços prestados ao país! A lista de medalhados é grande. Não encontrei nenhum produtor rural lá. Arar, plantar e colher não rendem medalhas. Desrespeitar a lei, invadir e depredar, bem, isso engrandece a nação. Mas não saiam dizendo isso por aí. O Ministério Público de Pernambuco pode se zangar e você pode ter de pedir desculpas a este grande patriota chamado Stedile?" Por Reinaldo Azevedo

Por - Vasconcelos | Novembro 30, 2010

Jamildo, passei este link em um comentário que fiz no Blog de Reinaldo Azevedo. Hoje, ele comentou tua matéria.

Por - Manoel | Novembro 30, 2010

Tá dominado, tá tudo dominado...

Por - Ex-petista | Novembro 29, 2010

Depois desta só falta "prender o Brasil" e condecorar o MST, pelos relevantes atos registrados e divulgados na imprensa nacional contra os direitos civís e o patrimônio público
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Jamildo Melo
é editor do Blog com Daniel Guedes
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