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Nosso presidente não tem pudor algum, diz Jarbas em discurso

POSTADO ÀS 18:45 EM 06 DE Julho DE 2009

“A crise do Senado é gravíssima, seu desfecho é imprevisível, tudo pode acontecer”.

Estas palavras iniciais, Senhor Presidente, Senhoras e Senhores Senadores, não são minhas, fazem parte da nova cantilena adotada pelo Presidente Lula para, mais uma vez, distorcer a verdade em benefício próprio. Com esse discurso assustador, Sua Excelência procurou intimidar os Senadores do PT, que cometeram o sacrilégio de insurgirem-se contra o roteiro que havia estabelecido para o período eleitoral que se avizinha.

Como que ungido por uma força sobrenatural, o Presidente planejou em detalhes todos os eventos políticos para os próximos meses, para que, ao final, eleja como sucessora na Presidência a sua candidata, a ministra Dilma, de preferência de forma consagradora, não para ela, mas para si próprio.*

Entre esses eventos que fazem parte do futuro idealizado por Lula, consta, em destaque, o apoio do PMDB. Interessa a Sua Excelência o tempo de televisão, a grande estrutura partidária e o apoio congressual em um futuro governo. Para atingir esse objetivo, Lula está disposto a tudo.

E me refiro a esse tudo em sentido amplo, não importa ao Presidente respeito às leis ou à Constituição, muito menos consideração a quaisquer princípios éticos ou morais. Nosso Presidente não tem pudor algum; tudo fará para permanecer no poder, inclusive comprometer seus correligionários e destruir o que ainda resta de dignidade no Congresso Nacional, especialmente no Senado Federal. Não tem compromisso com nada e com ninguém, a não ser consigo mesmo. Deslumbrado pelo poder, e pelos índices de aprovação de seu governo, considera-se acima das instituições.

Partindo dessa análise megalomaníaca, na última semana, decidiu resolver a crise que se abate sobre esta Casa. Uma ingerência sem limites, vista anteriormente apenas durante a ditadura militar. Interveio para impor a permanência do Presidente Sarney. Constrangendo e ameaçando seus próprios partidários, decidiu que, contra todos os fatos, irá impor sua vontade imperial, sustentando um Presidente do Senado que não tem apoio interno para permanecer no cargo, um presidente que se transformou em uma rara unanimidade negativa frente à opinião pública. Ainda assim, como intuiu que o afastamento pode frustrar seu projeto, vai impor ao Senado e ao Brasil a permanência de Sarney.

Lula tem razão quando diz que a crise do Senado é gravíssima, mas distorce a realidade ao afirmar que o desfecho é imprevisível. A solução natural para que iniciemos uma completa reforma desta Casa é o afastamento do Presidente Sarney. O momento posterior a esse fato é inteiramente previsível. O Vice-Presidente do Senado, Senador Marcone Perilo, irá convocar nova eleição. O PMDB irá indicar, entre os membros da sua bancada, aquele que melhor represente a continuidade do projeto de poder do Presidente da República e da parcela do PMDB que dá sustentação ao governo no Senado. E esse candidato será eleito - ou alguém aqui duvida da capacidade de convencimento do onipresente Senador Renan Calheiros.

Eis aí o desfecho para esta crise. Tudo ocorrerá na mais tranquila ordem.

A imprevisibilidade aludida pelo Presidente Lula não diz respeito ao Senado da República, mas sim ao seu projeto pessoal de continuidade no poder. Sua Excelência teme perder o domínio sobre a bancada do PMDB no Senado - ameaça que, de forma sutil, foi levada por seus interlocutores.*

Este é o quadro: um Presidente da República que pensa única e exclusivamente em si mesmo e que subjugou, de maneira vexatória, seus companheiros, os Senadores do PT, que, majoritariamente, decidiram pelo afastamento do Presidente Sarney e tiveram de voltar atrás, e, finalmente, o PMDB - ou aquilo em que se transformou o partido de Ulysses Guimarães – mais preocupado em manter privilégios que enfrentar os reais problemas de nosso país. Hoje, o Senado, instituição centenária, é submetido aos ditames desses grupos.

O que podemos fazer?

1) Chamar à razão o Presidente Sarney - que, de maneira recorrente, valoriza sua biografia, sua condição de estadista - e fazê-lo ver que está destruindo a si mesmo e a esta Casa.

2) Persuadir os Senadores do PT – ou pelo menos os que ainda guardam alguma identidade com os princípios éticos que defendiam num passado recente – a reafirmar a decisão da bancada pelo afastamento do Presidente.

3) Quanto à bancada do PMDB, não tenho ilusões; não há apelo que suplante os interesses individuais dos nossos Senadores.

Tenho horror a exercer o papel de paradigma da moralidade; não me agrada quando tentam impingir a mim essa função. Não sou diferente de ninguém e tenho como princípio não julgar quem quer que seja. Mas a atual crise impõe uma tomada de posição, e a minha é estar ao lado daqueles que defendem o afastamento imediato do Presidente desta Casa, para que possamos voltar a desempenhar o papel institucional para o qual fomos eleitos.

Não vai aqui qualquer questão pessoal em relação ao Presidente Sarney. Ressalto esse ponto, pois a cultura que se criou nesta Casa a partir do episódio que envolveu o Senador Renan Calheiros é de que críticas de cunho político são invariavelmente transferidas para o campo pessoal.

Qualquer reforma administrativa no Senado só poderá ser realizada se tiver o mínimo de apoio da opinião pública, e essa condição só será atingida a partir do afastamento do Presidente Sarney. Sua Excelência infelizmente personifica para boa parte da mídia todas as distorções que ocorreram nos últimos 15 anos.

O Senado vai mudar, vai mudar porque essa mudança é uma exigência da sociedade, vai mudar porque esse é o desejo da maioria dos Senadores, vai mudar pelas mãos dos inúmeros servidores desta Casa que querem vê-la valorizada e respeitada. Infelizmente, essa mudança, que ocorreria cedo ou tarde, de maneira natural, será concretizada agora, em meio a uma crise. Mas ela é inexorável, pois é a sociedade que está mudando.

O Presidente Lula está na contramão da sociedade. Seus altos índices de aprovação devem-se aos inegáveis avanços sociais e econômicos que o Brasil alcançou nos últimos 15 anos a partir do Plano Real, quando vencemos, definitiva e competentemente, a inflação. O Presidente confunde seu governo com sua pessoa. Presunçoso, acha que sua popularidade lhe dá o direito de julgar condutas: absolveu os mensaleiros e os companheiros criminosos que forjaram dossiês eleitorais. Entende que todos aqueles que contribuem para o seu objetivo de poder estão acima da lei.*

A sociedade a tudo assiste, inconformada em ver valores tão caros a ela, como a ética e honestidade, serem repetidamente desconsiderados por seu Presidente. Lula precisa saber que para tudo há um limite, os segmentos sociais mais independentes já começam a discernir o que é bravata e o que é dissimulação.

É hora de refluir, de rever condutas. Não é mais possível aceitarmos esse patrimonialismo antiquado, esse fisiologismo que, de tão incentivado, convive amistosamente com a corrupção. Precisamos dar um basta a isso tudo, a começar pela cobrança de uma nova postura do Presidente da República, o verdadeiro responsável pelo lamentável nível da atual composição do Congresso Nacional.*

Ao enquadrar a bancada do PT no Senado e interferir de maneira despudorada em outro Poder da República, Lula encerra de vez o sonho daqueles que o elegeram acreditando em um País mais justo. A estrela vermelha ruma para o ocaso pelas mãos de seu próprio Líder. É o epílogo do último partido ideológico e programaticamente definido. Que descanse em paz.

Era o que eu tinha a dizer.”
 




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4 Comentários | comente este post

Por - Marcos | Julho 07, 2009

LULA: QUEM TE VIU QUEM TE VÊ! kkkkkkkkkkk

Por - Algum político tem pudor? | Julho 07, 2009

Reporto-me a eleição munipal onde perdido em convenção do próprio PMDB, o então pré-candidato Senhor Jarbas Vasconcelos (ainda não existia a tal fidelidade partidária) se desfilia e se filia ao PSB, partido do seu atual principal desafeto, ou seja, não teve pudor, ou senso democrático de reconhecer a derrota em convenção, e mesmo do resultado daquela eleição não tecerei comentário sobre o mérito. Pois, após eleito também brigou (depois de usar a legenda) e voltou pro PMDB (sem pudor sobre a ficelidade e o programa partidário utilizados naquela eleição) acreditando que o eleitor de opinião não perceberia e não percebi que sua tática nunca mudou, ou seja, é sempre o velho e surrado personalismo desde os indos dos anistiados. O PMDB vive de um paradoxo de ser o maior partido brasileiro e ao mesmo tempo não tem quadro para apresentar a sociedade o seu próprio candidato a Presidência da República. Não importa que será eleito se será os impostos pelo IBOPE, ou alguma surpresa como seria a Senhora Roseana Sarney. O partido é partido e dele grande parte sobrevive das migalhas de cada governo e uma minoria que tem seus espaços na mídia para sobreviver sem os requentados outdoor e distribuição de brindes. Como o eleitor reconhece o personagem e pouco cultiva a leitura dogmática e programática dos partidos permanece essa maioria de votos sem consciência. É comum na política asssistirmos os oportunos comentários de diversos políticos-psicologos que para marcar apenas presença pontuão suas falas e escritas na leitura comportamental do predileto adversário, como fosse ele um quadro novo, como se tratasse de quadro de renovação da política e esse comentário lido e comentado também por outro dinossauro da política, ou da redação deixa parecer novo, inusitado e por que não dizer que pareceria de alguém dotado de pudor. Alguns intelectóides conseguem prever sua própria derrota e se restrigem ao "direito" de tecer "democráticos" comentários sobre o seu próprio futuro e do eleitor que dedicou a vida a votar e a acreditar que estaria empacotado no mesmo futuro só que de vitórias. É comum encontramos nos grotões que preservam uma geladeira antiga e vazia e no seu armário de quarto uma roupa nova pra festa que, bem tipifica os termos usados pelos políticos que preferem remetera conta ao patrocinador do seu rico mandato. Quando falamos em pudor, ou a falta dele ele fica nitido nas grandes agremiações política que se coligam apenas pelo tempo e das pequenas que alugam esse tempo e quando o partido de um deles, ou de todos eles se encontram na planicie aí eles reclamam que não vale os adversários na situação utilizarem as mesmas armas, ou seja, falta de pudor. É comum aos políticos citarem o cumprimento da Constituição, do código penal quando estão no poder, mas quando retirados deles pelo voto, ou pelas algemas esquecem o que falavam e escreviam e nada sabem e só passam a falar (calados) na presença de uns advogados. Releiam esse artigo que dedico meu tempo a comentar que chegaram a conclusão que está escrito e publicado apenas para que o nobre Senador Jarbas Vasconcelos, amigo pessoal do dono desse Jornal online não seja esquecido pelos eletores que insistiram em lhe creditar o sufrágio e ele conceiturar que representar o eleitor vem depois de desferir sua arrogância e o seu jeito recalcado aqueles que o desprezam e lhe apearam do poder de não ter pudor. Como entender, ou melhor compreender um senador que faz referências positivas a biografia de outro que deu seus primeiros passos na extinta Aliança Renovadora Nacional-ARENA? Como entender, ou melhor compreender um senador que nessas mesmas referências biográficas parece esquecer que o Presidente do Senado além de se originar na ARENA, em comum acordo com o também Senador Fernando Collor fecharam os bancos e confiscaram as modestas poupanças de milhões de poupadores e agora apoia outro Governo que taxará mais uma vez a poupança? Ou seria tudo isto biografia? E quem não tem pudor sou eu? Como também compreender uma chamada aos "políticos éticos" se todos os com pudores e éticos preferem permanecer nos guetos dos grandes partidos a surfar no sufrágio do eleitor, ou não seria possível fazer política social do próprio bolso e sem ocupar mandato, ou ter a cara em algum veículo de comunicação? Todo político que se autorotula de moralista, de paladino cai no mesmo vício de acreditar que pode ter o direito democrático de ter crítica a outro político e resguarda o respeito no plano pessoal, como fosse possível o eleitor separa-los. Sabemos que a sociedade dará sua resposta, que os 11 milhões beneficiário (com a manutenção da miséria) do bolsa família também dará, que as grandes taxas das mazelas sociais também dará, que os políticos e cidadãos desprovidos de pudor e ética também darão e terão e deixo a seguinte reflexão: E algum político tem pudor? Oswaldo Alves Candidato Governador 2006

Por - Carlos | Julho 07, 2009

Esse nada conhecido como JV não faz nada além de cometer trairagem. Ele é um tremendo despeitado; cuspiu no prato que comeu, pois depois de todo apoio que teve do presidente Lula, quando governador de Pernambuco, vive inventando coisas sobre o Presidente; talvez seja porque, infelizmente para nós, é um pernambucano, segundo os comentários, de caráter duvidoso e que não chega nem aos pés de Lula. Quando no cargo de poder máximo em Pernambuco nunca teve nehnum apoio de seu queridinho FHC e para poder fazer algo pelo Estado teve que vender nosso patrimônio. Te aposenta decrépito, pois não te resta mais nada como político nesta terra!

Por - Carlos Neves | Julho 07, 2009

O "GOLPISTA", AINDA SENADOR DE PERNAMBUCO, MARAJARBAS, FUNDADOR DO MDB QUE "AVALIZOU" O REGIME MILITAR AO PERMITIR O BIPARTIDARISMO NO BRASIL CUMPRIU, COMO TAREFEIRO QUE É, MAIS UMA MISSÃO DO "GRUPO GUARARAPES", DO QUAL CONSTA COMO "MEMBRO CIVIL DE Nº 768". PARECE QUERER REPETIR 64. UMA VERGONHA !
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Jamildo Melo
é editor do Blog
Com Carol Carvalho