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Trabalho, arma para recuperação social

Pacto pela Vida terá selo para destacar empresas que derem chance a presos

POSTADO ÀS 21:29 EM 11 DE Fevereiro DE 2009


Por Carol Carvalho e Felipe Lima

Os que não têm a quem recorrer do outro lado do muro, caminham sem rumo. Afastado da família, sem amigos, recebem a liberdade e deixam o presídio em caminhada quilômetrica por não ter, em absoluto, quem olhe por eles. Os transgressores das regras do Estado veem somente no Estado uma saída para que possam, de novo, voltar a ser cidadãos. E, enquanto decidem o futuro, os que detém o poder - seja econômico ou político -, em seus refrigerados escritórios, dão passos lentos na direção da ressocialização.

O estigma de ex-detento vai acompanhá-los onde forem. A primeira parada é na Chefia de Apoio aos Egressos e Liberados (CAEL), parte da Secretaria Executiva de Justiça e Direitos Humanos. Lá, segundo a gerente do órgão, Zuleide Lima de Oliveira, "é o local onde eles colocam os pés no chão". "Chegam cheios de expectativas, mas é preciso prepará-los para os olhares atravessados", alerta. Adiante, a luta para se reerguer através da capacitação profissional e emprego parece perdida a tirar pela escassas oportunidades. 

A CAEL mantém convênio com uma única empresa da iniciativa privada e mais 11 instituições que integram a esfera federal e estadual - entre elas os Correios e a Fundarpe. Isto, enquanto ainda são reeducandos, com bom comportamento e trabalham para reduzir a pena. Essas parcerias, de acordo com Zuleide de Oliveira, são responsáveis por empregar em média de 12 a 25 reeducandos por instituição - quando o universo prisional do Estado conta com mais de 18 mil detentos. Somente a Brastex, indústria têxtil pernambucana sediada em Paulista, no Grande Recife, tem o compromisso de assinar a carteira depois do cumprimento da pena.



À frente da fábrica, o empresário Antonio Claúdio Cysneiros Cavalcanti Júnior acredita que a iniciativa deve ser multiplicada. Tanto que propôs ao Secretário Executivo de Justiça e Direitos Humanos, Rodrigo Pellegrino, a inclusão do trabalho com detentos no programa de segurança pública do Governo, o Pacto pela Vida, de forma que estimule grandes empresas a adotar a ideia, vindo, quem sabe, a contratar reeducandos. Cavalcanti Júnior levou ainda a sugestão da criação de um selo padrão por parte do Governo, a ser afixado nos produtos e que os consumidores identificassem as empresas que ajudam na ressocialização de detentos.

Diante da obviedade de que a iniciativa poderia ser replicada e estimulada pelo Pacto pela Vida, não houve saída para os secretários de Justiça e Direitos Humanos, Rodrigo Pellegrino, e de Ressocialização Social, Humberto Viana, a não ser admitirem o sucesso da ação. A experiência da Brastex, ainda que única no Estado, mostra como é possível, viável e rentável aproveitar a mão de obra carcerária em Pernambuco.

"Vamos criar o selo, sim, e articular as instituições porque ela viabiliza o não reingresso da pessoa na criminalidade. Já temos um trabalho pequeno desenvolvido com o egresso e liberado do sistema penitenciário, mas essa capacidade de potencializar é o que é fundamental. Nós compramos a idéia, vamos ampliá-la e acho que teremos muitos resultados significativos nesse conjugado de forças entre o Estado e o empresariado de Pernambuco", defendeu Pellegrino, entusiasmado logo após conversa com Cavalcanti Júnior.

"O Pacto pela Vida não é um projeto fechado. E agora estamos vendo mais ainda que ele precisa ser ajustado. É uma ideia levar isso para o Pacto. Não quero atropelar outro secretário (no caso, Rodrigo Pellegrino). Se ele levar lá ou trouxer para mim ótimo. O Pacto tem que se abrir para novos ajustes. O Estado não pode esperar a iniciativa privada, pois não vai alcançar a margem desejada. Por que não cria um selo que indentifique as empresas que trabalham com a ressocilização?", declara.

Viana, no entanto, argumenta que há obstáculos para a implementação de um programa como esses. Um deles é a falta de conscientização do empresariado local de que há ganhos com a contratação de detentos. Outro é o preconceito. "Colocar um preso, um bandido é muito difícil. Essa lógica está montada em um equívoco imenso da sociedade. Não estamos fazendo apologia. O foco é que existe um percentual considerável de internos que, na minha opinião pessoal, seriam melhor para a sociedade que não estivessem dentro dos presídios. São vários. Sessenta por cento dos presos são provisórios, ou seja, não foram julgados ainda", explica.

E alerta para o ciclo vicioso provocado pela manutenção de pessoas que cometeram crimes leves dentro da prisão. "O homem ou rapaz foi preso por uma briga de trânsito. Cometeu um delito, tem que responder, infrigiu uma regra social. Você coloca ele dentro de um presídio como é que ele vai ficar? Nas situações dos presídios brasileiros hoje. Ele vai conviver com a criminalidade e se tornar um potencial criminoso. A partir do momento que se colocar alguém assim dentro do Aníbal Bruno porque não foi julgado, ele vai ter que entrar na lógica da cadeia. A lógica não é a sua, não é a dela, não é a nossa. Só compreende quem tá lá dentro.

Princípios, valores, que as pessoas aqui fora falam porque não faz isso, faz assim. Isso é a lógica de quem está aqui fora. E dentro dessa lógica acaba virando bandido. Ou se associa ou fica contra. Quando fica contra eles mesmos resolvem lá. Acaba usuário de droga. É uma realidade, não vamos fugir dela".



"Mas não há dúvida de que um programa como esse vai reduzir a violência. Gera emprego e renda. Boa parte dos presidiários eram os fomentadores da família. E agora sem ele? A família vai gerar violência. A reincidência no Brasil é de 80%. Em Pernambuco está na faixa de 70%. Gostaria de ter acesso ao projeto. Gostaria que ele (Antonio Cláudio) me trouxesse. Precisamos perceber quais são as vantagens para a empresa e para o Estado. É uma via de mão dupla. Temos todo o interesse nisso", conclui.

Agora é responsabilidade da gente, da imprensa, dos empresários e de toda a sociedade cobrar uma mobilização do governo. E, claro, fazer a nossa parte nesse processo, derrubando os preconceitos, praticando o perdão e dando uma nova oportunidade a quem deseja resgatar o seu título de cidadão. Quem achar que pode contribuir, seja com sugestões ou críticas, o Blog de Jamildo se coloca à disposição para a troca de ideias. Os que quiserem ir além, vai o telefone da CAEL (3183.3175) e da Brastex (3438.5511).

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Trabalho, uma arma para a recuperação social

Presídios procuram empresários solidários. Recompensa, um mundo melhor

POSTADO ÀS 20:24 EM 10 DE Fevereiro DE 2009


Por Carol Carvalho e Felipe Lima

Mulheres e histórias de violência confinadas em apertadas celas, onde pouco espera-se do futuro, encontraram no trabalho a permissão para voltar a sonhar.

As detentas da Colônia Penal Feminina do Recife, localizada no Engenho do Meio, na Zona Oeste da capital, somam-se em 600 num presídio com capacidade para abrigar 150, mas para empregar 300.

Nos galpões da penitenciária - hoje divididos em 13 distintas empresas - as reeducandas costuram e embalam a chance de uma vida digna, tanto que o índice de reincidência na Colônia é de 9%, quando a média nacional chega a 80%. 

Antes mesmo de abrir espaço para as empresas, a atual diretora da penitenciária, Ana Moura, tão logo transferida para a coordenação, em meados de 2000, buscou convênios para oferecer cursos de capacitação às detentas.

"Sempre acreditei na mudança, principalmente daquelas pessoas que transgrediram, só que para isso você precisa dar oportunidade. Parti então à procura de parcerias com o Sebrae, Senai e universidades, e consegui a implantação de cursos profissionalizantes na unidade", lembra.
 
Desde então, as detentas têm aulas de design, costura, manicure, entre outras técnicas, dentro da Colônia Penal Feminina.

Com a boa aceitação entre as presas, Ana Moura decidiu dar um passo adiante e procurar diretamente os empresários. E, pela ideia ousada, ouviu "não" diversas vezes, chegando inclusive a sofrer preconceito.

"Foi um trabalho de formiguinha, todas as tardes eu saía da Colônia e ia nas empresas, conversava com os executivos, e muitos ficavam horrorizados. Escutei cada coisa que me deixou chocada. Um deles me disse que o preso merecia uma bala na cabeça em praça pública depois que a família pagasse aquela bala, como é feito na China. Eu ficava desanimada, mas nunca pensei em desistir", conta.

Isto até que conseguiu mobilizar a primeira empresa, com apoio internacional.

A pernambucana Trade Center iniciou o trabalho na Colônia com a embalagem de preservativo masculino, mas atualmente usa a mão de obra da penitenciária com a costura.

"Fizemos uma parceria com o governo alemão, que doou as máquinas, nós capacitamos as detentas e montamos uma oficina industrial de costura", conta Ana Moura.

A partir de então, depois de mobilizar também a marca de bicicletas Zummi, outros empresários tomaram conhecimento do projeto e dos benefícios - a exemplo da economia com os encargos trabalhistas, já que os presos não podem ter a carteira de trabalho assinada.

"A Colônia fornece o espaço, mas as empresas constroem as oficinas, dão as fardas, pagam os salários e fornecem o material de proteção ao trabalho. No contrato, é previsto ainda uma taxa que será revertida em conta de água e luz", explica Ana Moura.

No início, eram 10 presas trabalhando na primeira empresa e hoje são mais de 300 nas 13 conveniadas, fora os serviços de costura que abrigam mais cinco.

Para Ana Moura, só o trabalho foi capaz de mudar a concepção de mundo das mulheres na Colônia.

"Lembro claramente de uma detenta chamada Magdala, que foi prostituta e tinha aids. Ela era a presa mais indisciplinada, e decidi dar uma oportunidade. Vou cuidar de quem precisa, do filho pródigo, não é verdade? No dia do pagamento, ela veio na minha sala chorando, querendo beijar a minha mão. Me disse que nunca tinha vestido um uniforme de trabalho e jamais tinha recebido um salário. Essa menina mudou da água para o vinho e nunca vou esquecer dela", diz, emocionada.

A diretora da Colônia também leva fé de que o trabalho que desenvolve ajuda na diminuição da violência.

"Eu queria provar que é possível uma unidade prisional ser transformada em uma grande empresa. Agora quero criar na Colônia uma escola profissionalizante. Faço um alerta aos empresários, eles têm obrigação com a responsabilidade social, cabe a essas pessoas contribuir para a redução da criminalidade. Se não for assim, amanhã vão estar todos isolados, saindo de casa de helicóptero, vivendo em condomínios de luxo e lá fora a criminalidade batendo na porta", defende.

 


BRASTEX NA COLÔNIA

A unidade da Brastex na Colônia Penal Feminina do Recife funciona desde maio de 2008, das 08h às 17h, com 17 detentas trabalhando como reeducandas na separação e embalagem de algodão. A empresa investiu R$ 30 mil na construção da pequena linha de produção dentro do presídio.

Todos os dias um caminhão chega no meio da manhã e recolhe 400 pacotes de um quilo cada (no jargão industrial, esse quilo se chama fargo e é um grande pacote com 40 sacos de algodão menores).

Rozilda Maria da Silva é empregada da Brastex e trabalha como coordenadora das atividades desenvolvidas no local. Ela não esconde a alegria de ver as reeducandas dedicadas e felizes em estarem trabalhando.

"É a minha maior recompensa. Infelizmente, a sociedade não abraça essas pessoas. Me preocupo com o psicológico delas, em ouvir os problemas. Não vou dizer que nunca houve uma discussão. Mas chamo a atenção na hora lembrando que elas são irmãs!".

Religiosa, Rozilda confeccionou um pequeno cartaz com uma mensagem bíblica para dar mais ânimo às reeducandas no processo de ressocialização.

 "Nem olhos viram/ Nem ouvidos ouviram / Nem jamais penetrou o coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam". I. Coríntios 2:9. "Jesus ama todas elas e tem na palma da mão a história de cada uma. Só deus é quem colocará o ponto final", arremata Rozilda, preocupada que em março sai de férias e ficará distante de suas meninas.

Uma delas é Maria da Conceição Silva, 36 anos, que está na Colônia há 10 meses aguardando julgamento.

Não recebe visistas e sequer tem advogado. Deixou do lado de fora da prisão, em Vitória de Santo Antão, a mãe de 85 bastante doente, sofrendo com as sequelas de um derrame. Foi presa por roubar um aparelho de som na Avenida Dantas Barreto, onde trabalhava como camelô, vendendo confecções. O dinheiro que ganha é pra ela.

"Não mando para casa não. Ninguém vem me visitar. Nem minha filha de sete anos vem. Ela vive com minha cunhada lá em Caruaru. Tô trabalhando duro para sair dessa vida que eu não quero mais".
 
Luísa da Silva, de 25 anos, está há quatro anos cumprindo pena por tráfico. Estava com data certa para sair da prisão, mas foi pega traficando 100 papelotes de maconha dentro da unidade prisional, o que lhe garantiu uma ampliação da pena. Agora, trabalhando, diz estar se sentindo bem.

"Foi a primeira oportunidade que me deram. Aqui é uma paz", afirma. Com o dinheiro ela compra roupa, creme e xampu. Ela também sofre com a falta de visitas e familiares ou amigos. Só a filha vem de vez em quando.

"Mas ela não conversa comigo. A gente só passa o dia, eu dou um beijo, um abraço. Acho que é porque a gente está há tanto tempo distante né? Mas vou erguer minha cabeça e continuar lutando".

Lutar é o que Andréa Mendes de Oliveira, 30 anos, tem feito para conseguir cuidar de sua filha mais nova, Vitória de seis anos, que sofre de leucemia. Com o salário de R$ 311 que recebe da Brastex, separa a maior parte para mandar a sua mãe, que cuida da garota e de outros três filhos, Stefanye (12), Eduardo (5) e Mateus (2).

Andréa sente raiva da falta de oportunidade fora da cadeia. Justifica dizendo que tentou de tudo do lado de fora, fez cursos, correu atrás, mas não apareceu ninguém que lhe desse um emprego. Já cumpriu pena por ter participado de um assalto a um taxista. Ela conta que entrou no carro sem saber que ele estava sendo assaltado. Queria apenas pegar uma carona.

Depois que conseguiu responder em liberdade, foi presa por roubar algumas peças de picanha juntamente com outra mulher, uma amiga que havia feito na época em que esteve na cadeia.

"Me sinto mal lá dentro das celas. É abafado, a gente fica agitada. Não tenho advogado, só Deus. Agora eu sonho em ir trabalhar lá na fábrica para um dia ser contratada. Preciso muito do dinheiro. Só o leite que minha filha precisa tomar custa mais de R$ 150 a lata. Quando ela estava em coma na UTI foi a oração que as meninas daqui da Brastex fizeram que ajudaram ela a se recuperar", discorre, tentando mostrar o quanto estar trabalhando e dividir essa experiência com outras pessoas tem lhe feito bem, seja pelo dinheiro, seja pelo companheirismo.



As mulheres que hoje trabalham nas empresas que possuem unidades dentro da Colônia Penal Feminina do Recife foram selecionadas pelo bom comportamento e por terem mostrado interesse.

A cada três dias de trabalho, um dia é descontado da pena de cada uma delas. Parte do salário que recebem é depositado em uma espécie de poupança, que é resgatada quando elas ganham a liberdade.

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Trabalho, arma para a recuperação social

Se a gente acreditar nestas pessoas, elas largam o mundo do crime

POSTADO ÀS 17:14 EM 09 DE Fevereiro DE 2009


Por Carol Carvalho e Felipe Lima

Antônio Cláudio Cysneiros Cavalcanti Júnior está à frente da Brastex, ex-Algodoeira Paulista, há um ano e quatro meses. Nesse tempo, foi responsável por reativar e aprimorar um programa de responsabilidade social baseado na inserção de ex-presidiários no mercado de trabalho único no Estado.

Ele deixa bem claro, no entanto, que não foi o autor da ideia.

A ação teve iníco em 2000, quando a coordenadora de Recursos Humanos da empresa, Roseneide Carvalho, sugeriu ao antigo dono, Sílvio Chaves, abrir as portas da empresa para reeducandos - presos que mostraram bom comportamento na cadeia e foram selecionados pela Chefia de Apoio a Egressos e Liberados (CAEL) e que, por isso, ganharam a oportunidade de trabalhar para reduzir a pena.

"Conheci por acaso o gerente da Chefia de Apoio a Egressos e Liberados (CAEL), Carlos Albuquerque. Ele era o responsável pela ressocialização dos detentos naquele momento e me disse que gostaria de levar os reeducandos para as empresas privadas. Apresentei a proposta para o então diretor, que aprovou", explica Roseneide.

O novo dono da Brastex viu no programa a chance de colocar em prática ações que viu serem cobradas na empresa onde trabalhava.

"De seis em seis meses, a empresa de embalagens onde eu era funcionário recebia uma auditoria externa. Por ser fornecedora de uma grande rede varejista, éramos auditados desde a qualidade da matéria-prima utilizada em nossos processos, até as ações sociais implementadas pela empresa. Foi ai que percebi a importância da responsabilidade social para o desenvolvimento empresarial de um negócio", conta.

"Quando as pessoas encaminhadas pela CAEL chegam na Brastex procuro me reunir com eles. Formo grupos de quatro ou cinco pessoas, no máximo, e sento para conversar. Falo que espero que eles trabalhem, se comprometam com a fábrica. Só permanecem os que estão de fato comprometidos. Exijo deles um comportamento igual com os outros funcionários para que eles sejam respeitados. E, acima de tudo, digo que faltas são inadmissíveis", explica o empresário.

Como os reeducandos não são beneficiados com os direitos previstos pela Consolidação das Leis do trabalho (CLT) - tais como o recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) ou do Instituto Nacional da Seguridade Social (INSS) - Cavalcanti Júnior paga a alimentação e dá uma cesta básica a todos eles.

"Não procuro saber qual foi o crime que eles cometeram. Quero saber se eles estão dispostos a abraçar a oportunidade", resume.

Cavalcanti Júnior abriu uma exceção apenas.

Um dos reeducandos foi conversar com ele pessoalmente para que ele falasse com o juiz para que ele cumprisse o resto da pena em liberdade e não em regime semi-aberto.

"Argumentei que não poderia fazer isso. Mas escrevi uma declaração em nome da empresa atestando que ele era um funcionário exemplar. Por fim, ele conseguiu. A verdade é que eu acredito nesse pessoal. Acredito que com a chance de ter um salário para sustentar a esposa e os filhos, ele vai largar o mundo do crime".

Na avaliação do empresário, os reeducandos são normalmente bastante atenciosos.

Confiante na regeneração, Cavalcanti Júnior não aposta em recaídas, nem cogitou reforçar a segurança da empresa e até hoje não sofreu nenhum tipo de assalto, ou levantou suspeita entre os reeducandos da Brastex.



"Me interessa se são trabalhadores, pessoas que estão querendo ser reenquadradas. Afasto qualquer um que eu saiba que não está querendo aquela oportunidade que estou querendo dar, que é uma coisa rara", enfatiza.

Isso não significa que não tenham havido decepções. Certa vez, recebeu um telefonema da gerente da CAEL, Zuleide Lima de Oliveira, pedindo atenção para um caso especial - ela narrou que um dos reeducandos atendidos pela CAEL perdeu a esposa tragicamente em acidente com ônibus, e estava penando para criar dois filhos pequenos.

"Esse rapaz, por conta disso, cometeu alguns delitos. Eu disse, olha, manda ele pra cá que vou atender o seu pedido. Não estou precisando, não tenho vaga, mas vou ajudar já que os meninos estão morrendo de fome. Ele chegou na empresa, disse que estava faminto, adiantamos R$ 10 para que comprasse pão e leite para os filhos.Depois ele partiu e não voltou mais. O primeiro que aconteceu isso, com o emprego na mão, foi embora e não deu satisfação", conta Cavalcanti Junior.

Em outro caso, Cavalcanti Júnior minimiza a frustração.

Uma das reeducandas que trabalha na parte de limpeza da fábrica, seis meses e um dia após ter sido contratada com carteira assinada, pediu para ser demitida. Queria apenas ter cumprido o tempo previsto por lei para pleitear um seguro-desemprego.

"Ela me disse que iria usar o dinheiro para abrir um bar. Atendi o seu pedido e providenciei o seu desligamento. Não queria estragar a oportunidade dela se tornar uma empreendedora", conta.

"Muitos acham a ideia de contratar ex-presidiários ou receber pessoas que ainda cumprem pena surpreendente. Uns acham revolucionária. Outros dizem que nunca teriam coragem. Muitos dizem nunca terem ouvido falar de algo assim. Mas a maioria fala que não o fariam. Na semana retrasada, por exemplo, consegui fechar um contrato com uma rede atacadista que atua em todo o Norte/Nordeste falando do programa da Brastex. E olhe que já havia trê smeses que eu tentava conquistar esse cliente", diz satisfeito.

OUTRAS AÇÕES

Além da considerável economia com os encargos trabalhistas, o empreendedor encontrou outras formas de cortar gastos que denotam ainda preocupação com o meio ambiente. Os panos de limpeza confeccionados, por exemplo, são de material reciclado. Cavalcanti Junior compra trapos - pedaços de tecidos que, de tão pequenos, não têm utilidade para fábricas de confecção - direto de trabalhadores que vão até a porta da Brastex.

"Esse material é doado aos que fazem a limpeza das confecções. São produtos ecologicamente corretos porque têm origem de reciclados, e também não fazemos nenhum tipo de tingimento. Na linha de algodão, idem, os fios são aproveitados de empresas que trabalham com fiação e descartam aquele produto menor, utilizados por nós para fazer o algodão hidrófilo", explica.

A matéria-prima faz diferença também na conta de energia.

Segundo Luiz Martinho Maia de Sousa, sócio de Cavalcanti Júnior, a empresa gasta 60 kw/h na confecção de mil panos, enquanto que, se utilizasse tecidos, o consumo subiria para 550 kw/h. Isto porque os panos de limpeza produzidos na Brastex têm 90% de algodão, sendo as máquinas de tecelagem as principais responsáveis pela economia.

Já na unidade localizada em Rio Tinto, Paraíba, a maior parte da mão de obra é indígena. São 26 funcionários oriundos de uma aldeia local. Nessa fábrica é feito o processamento das da pequenas fibras de tecido que a empresa adquire de para se transformar em panos de limpeza dentro da unidade localizada em Paulista, no Grande Recife. 

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Trabalho, uma arma para a ressocialização

Emprego faz presidiária esquecer vida de barata na prisão, mas não a verve. Vocês estão fazendo o que?

POSTADO ÀS 12:31 EM 07 DE Fevereiro DE 2009

Por Felipe Lima

Izabel Cristina dos Santos foi presa por tráfico. Mas até hoje não se conforma que tenha sido sentenciada a três anos e seis meses de reclusão por “uma dólar” de maconha. Dez gramas escondidas dentro do bolso de uma bermuda e levadas por um mototáxi de Surubim para seu marido, que estava preso na cadeia da cidade. Descoberto, o mototaxista não pestanejou em delatá-la. “Foi a mulher de Nego Jr”.

Era um sábado. O ano 2006. Após ter escondido a maconha nas roupas do marido, que ela mesma lavava, Izabel foi ganhar seu trocado. Trabalhava como garçonete em um cabaré da cidade. O estabelecimento ficava no alto de uma ladeira. Certa hora, ela encostou-se na janela e viu longe, lá  embaixo, o carro da polícia vindo em direção ao local. Resignou-se. Sabia que iria para a cadeia.

Despediu-se das colegas, que não entendiam nada do que estava acontecendo. “Avisa para a minha mãe que eu fui presa” foi o recado que deixou. “Eu não me conformo. Fui presa por uma dólar de maconha. Os policiais já chegaram me dizendo que eu ia pegar um 12 (artigo 12 da Lei n° 6.368: tráfico de substância entorpecente). Vai para casa mais tarde! Vai conhecer a Colônia!”.

Sua mãe também se mostrou incrédula. Chorou bastante, mas se ateve ao argumento de que era um absurdo ser presa por uma quantidade tão pequena. “É assim mesmo. Eu errei. Hoje sei que passar um fino já dá tráfico. Imagine uma dólar que custou R$ 5. Mas é fogo. Tem gente que cai com 15 quilos e sai rapidinho”, reclama.

Os insultos que recebeu quando chegou à cadeia, Izabel guarda na lembrança. “Me chamavam de galega de farmácia enquanto eu passava pelas celas. Mas todo o tempo que eu estive lá eu nunca quis procurar briga. Tinha esperança de sair logo. Nunca peguei um castigo”.

As gozações não foram nada comparadas à raiva que sentiu quando o seu marido teve permissão para lhe visitar. “Ele chegou com olhos cheios d’água. Eu disse pra ele que agora era tarde, que era para ter pensado em mim antes. Acabei tudo lá mesmo”, conta, sem um pingo de remorso.

Na cadeia, ganhou o apelido de Barata. Conta que engordou, ganhou buchecha. “Nem conseguia ver as minhas pernas por causa do tamanho da minha barriga. Ai decidi fazer um regime”. Da comida da prisão - a “bóia” - só tem más lembranças. Já das colegas, lembra com carinho. Fez amizades e deixou saudades na Colônia Penal Feminina do Recife. Aprendeu a fazer artesanato e tatuagens. Frutas de isopor para decorar mesas, máscaras de carnaval e produtos com material reciclado.

Quando achava que iria conquistar a liberdade veio o maior dos revezes. Izabel alega ter sido acusada por outro processo. Afirma que havia outra Izabel Cristina na cadeia, condenada por assalto, e que por isso, no dia em que estava pronta para arrumar suas coisas, recebeu a notícia de que não poderia sair. “Chorei bastante, estavam me acusando de algo que não tinha feito”.

Junto com seu advogado brigou bastante até provar através de sua filiação que não era a Izabel Cristina que teria que amargar mais anos dentro da prisão. “Fiquei presa à toa”, diz revoltada. Recebeu conselhos de colega para processar o juiz que não lhe liberou, mas preferiu deixar quieto. Não queria mais confusão. “Só queria ir para casa. Não vou deixar que me humilhem ainda mais mandando eu pagar por uma coisa que eu não fiz”.

Mas o seu dia chegou. Com um copo de café na mão, Izabel ouviu o grito no fundo do refeitório: “Barata!”. Se aproximou e escutou as frases que aguardou tanto tempo. Tanto tempo que terminou desconfiando quando viu as palavras saindo da boca do agente. “Tu vai embora. Quer ir para casa? Vá arrumar suas coisas!”. Cumpriria o resto da pena em regime aberto.

A descrença logo se transformou em felicidade. Saiu correndo, ouvindo as colegas todas gritando seu nome. Deixou o lençol e um monte de outras coisas. Não queria levar nada daquele lugar. Ligou para casa para que alguma das suas seis irmãs fosse lhe buscar. Esperou na frente da prisão e nada. Decidiu pegar um táxi. Eram 6h da manhã. “Fiquei bestinha, olhando para um lado e para outro. Fui para a Igreja no mesmo dia, pedir para nunca mais voltar para a cadeia”.

Izabel é mãe. Depois de ser presa, passou um ano e dez meses para ver a filha. Na verdade, é mãe biológica. Com medo de não poder sustentar a menina e trabalhando em um cabaré, achou por bem pedir para a sua patroa cuidar da garota. Hoje briga para conquistar o direito de poder ver a filha ao menos nos finais de semana. A garota mora na cidade de Vertentes, próximo a Surubim, no Agreste.

“Ela ficou com a menina de graça. Acho que faz cinco meses que não vejo ela. A passagem de ônibus é muito cara. Queria ela do meu lado, já entrei na justiça. Ela vai fazer nove anos, aprendeu a fazer bordado. Quando tiver condições vou levar para ela umas lãs que me pediu da última vez que a gente se falou. Gostaria de ter condições para criar minha filha”, lamenta, divagando um pouco, deixando a mente fugir, buscando ficar mais próxima da criança ainda que em pensamento. Uma proximidade que nesses nove anos nunca foi possível ser atingida

Outro grande sonho de Izabel é sedimentar a sua carreira de DJ. “Ah! Faço o maior sucesso lá onde eu moro. Já tirei umas trinta cópias do meu cd com músicas de brega”, fala radiante. A vinheta colocada no meio das músicas anuncia a artista. DJ Cristina, “a sensação de Jardim alto”.

Com o primeiro salário de reeducanda na Brastex – na próxima terça-feira ela completa duas semanas na empresa – pretende comprar os equipamentos necessários para “botar um som” nas festas. “Sou boa nisso. Quero ganhar meu trocado nesse ramo. Animo qualquer festa. Se for de crente eu só boto música de crente”, faz a propaganda.

Além disso, quer começar a decorar a casa do seu jeito. Nela, todos os móveis serão amarelos, do sofá (alto, de preferência) ao rack onde vai colocar a TV. A mesa será do tipo tubular, com seis cadeiras. A cozinha toda branca. “Hoje minha casa num tá na moda não”, brinca.

O sorriso no rosto, as piadas, a animação e até o jeito meio despachado de falar só desaparecem quando Izabel lembra do preconceito.

“Sou ex-presidiária, toda cheia de tatuagem e durmo com mulheres. Quem me conhece me trata bem, mas outras pessoas não. É muito ruim ser discriminada. Passo na rua e percebo que as pessoas estão falando de mim. Evito confusão, mas tem hora que eu dou um baile. Viva a sua vida que eu vivo a minha. Coloco logo uma cara feia. Posso ser uma presidiária, mas estou trabalhando. E vocês que não estão fazendo nada!”.

 

 

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Especial

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POSTADO ÀS 17:37 EM 06 DE Fevereiro DE 2009


Por Carol Carvalho

Da humilhação e descrença, Eliseu Primo da Silva, de 31 anos, viu emergir na oportunidade de emprego os sonhos e a esperança de uma vida digna.

Condenado a sete anos de prisão por assalto, ele cumpre hoje regime aberto - precisa se apresentar uma vez ao mês na Chefia de Apoio a Egressos e Liberados (CAEL) - e é um dos 36 reeducandos que trabalha na Brastex, indústria têxtil pernambucana situada em Paulista, no Grande Recife.

Sentiu a vida desmoronar quando a mãe, aos prantos, assistiu ao momento em que policiais o colocaram dentro do camburão e levaram-no preso.

Hoje, graças ao trabalho, faz planos de retomar os estudos e ter novamente a carteira de trabalho assinada.

Eliseu diz ter levado uma rasteira do destino e se considera um injustiçado. Faz queixas sobre o tempo que passou preso em regime fechado - argumenta que foi além do que deveria por conta da morosidade da justiça - reclama do não recebimento de salário enquanto prestou serviços na enfermaria do Presídio de Igarassu, no Grande Recife, e principalmente sobre o motivo da prisão: ele jura inocência, "apesar de ninguém acreditar" e diz que vai lutar para que um dia a Justiça reconheça que errou.

Em um sábado chuvoso, 2 de junho de 2006, Eliseu diz que voltava para casa onde morava com a mãe, em Rio Doce, na cidade de Olinda, quando um dos vizinhos o convidou para tomar uma cerveja.

"Estava um frio grande e aceitei. Sabia da fama desse colega, ele tinha matado uma pessoa lá na minha rua e vendia droga também. Tem todo tipo de gente por lá e eu conhecia todo mundo. Entrei na casa dele e ficamos bebendo na garagem. Vi a polícia de longe, mas nem me mexi. Deram logo uma tapa na minha cara e me levaram junto com ele para a delegacia", conta o reeducando.

O momento foi um dos mais vergonhosos da sua vida, lembra.

"Eu nem acreditava que estava sendo preso. Minha mãe chorava demais, viu, era uma dor muito grande ver sua mãe chorando ali. Eu, depois de velho, tinha 29 anos, dar uma decepção daquela. Minha família nem acreditou. Não era isso que eu queria para mim, nem a minha família".

Ao chegar na delegacia, ele foi levado para interrogatório em sala diferente do companheiro.

Disse ter sido pressionado a confessar o assalto a uma senhora, que teria ido até a delegacia para reconhecê-los, mas se manteve irredutível.

"Falaram que uma mulher estava denunciando eu e esse colega, só que eu nunca andava com ele.

Ficavam jogando um contra o outro, me diziam que ele tinha dito que eu assaltei, só que eu não fiz nada", afirmou.



Da delegacia, Eliseu seguiu para o Cotel, onde ficou preso por um mês.

Nas palavras dele, foi condenado por assaltar a bolsa de uma senhora, junto com o vizinho, e assim encaminhado ao Presídio de Igarassu, local onde permaneceu recluso por um ano e quatro meses.

De lá, seguiu para a Penitenciária Agro-Industrial São João (PAISJ), em Itamaracá, Litoral Norte de Pernambuco, e cumpriu mais um mês, até conquistar o regime aberto.

Permaneceu pouco mais de dois anos e meio desempregado, até decidir se inscrever no programa de ressocialização da CAEL.

"O povo diz que quando é preso porque rouba é ruim de arrumar emprego, num é? E eu sempre gostei de trabalhar. Ai me diziam que a CAEL dá oportunidade, só que eu não dava a mínima, não acreditava porque é feito o balcão de emprego na cidade, tanta gente se inscreve e você espera, espera. É muito desempregado por ai", lembra.

Ele temia ainda a discriminação.

"As pesssoas que te conhecem passam a olhar com outros olhos quando sabem que você é presidiário. Eu digo na rua, meus próprios colegas, vejo nos olhos deles que me enxergam de outra maneira e isso me deixa muito triste".

Eliseu deposita no trabalho a confiança de que é possível dar a volta por cima. Foi chamado para integrar o quadro de reeducandos da Brastex, onde presta serviços gerais há quatro meses. Lá, passou a se espelhar no exemplo dos que, assim como ele, foram condenados, mas tiveram uma segunda chance.

Antes de ser preso, ele concluiu o Ensino Médio e realizou curso técnico de enfermagem.

Apesar das mágoas que carrega consigo, o sonho de Eliseu é fazer uma reciclagem no curso e ter a carteira assinada.

"Eu gosto de cuidar das pessoas. Na enfermaria, via tanta gente abandonada, sofrendo e eu ficava com muita pena. Gostaria de poder ajudar", desabafa.

Da prisão ao trabalho, Eliseu hoje faz o caminho do sofrimento à redenção.


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Ex-mula de maconha sai da cadeia para a história do trabalho na América Latina

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Condenada pelo passado, absolvida pelo trabalho

Ex-mula de maconha sai da cadeia para a história do trabalho na América Latina

POSTADO ÀS 15:38 EM 05 DE Fevereiro DE 2009


Por Felipe Lima

Era a terceira vez que Lúcia Helena dos Santos tentava entrar com maconha no presídio Professor Aníbal Bruno. Nunca deixava de ficar nervosa. Afinal, eram quinhentos e cinquenta gramas enrolados com fita adesiva nas duas coxas. Mãe de três filhos, estava atendendo um pedido do marido. A droga seria vendida lá mesmo e o dinheiro usado para sustentar ela, que nunca conseguiu um trabalho, e as crianças. Mas naquele dia, há oito anos, começava a pior época de sua vida. Foi pega na revista.

Na hora, a primeira imagem que lhe veio à cabeça foi a dos filhos. "Ai faltou chão. Me levaram para uma sala, me revistaram de novo para saber se eu ainda tinha mais maconha escondida. Fui levada até a sala do diretor e de lá me levaram para a delegacia, onde fui autuada em flagrante. No mesmo dia eu estava na prisão", relata.

Antes de seguir para então Penitenciária Bom Pastor, veio o momento mais difícil. A polícia lhe disse que era preciso comunicar seus pais do que aconteceu. Atendendo a um pedido dela, os policiais procuraram logo sua mãe ao chegarem na residência deles. Sem saber de nada do que estava ocorrendo, o pai de Lúcia Helena estava tomando banho. O senhor era cardíaco e poderia não suportar ser o primeiro a ouvir a notícia.

A mãe estava tranquila dentro de casa, até que olhou da janela a viatura estacionando na frente do portão. "Ela pensou que eu tinha sido morta por causa do meu marido". Não teve tempo nem de se sentir aliviada, precisou ouvir a notícia que aqueles policiais vieram lhe trazer.

"Minha filha? Com drogas? Não acredito". Pegou o telefone e ligou para a delegacia. Do outro lado da linha Lúcia Helena não conseguia falar. "Tá vendo onde aquele homem lhe botou! Nunca mais eu me esqueço dessas palavras. Depois que eu ouvi, não tive condição de fazer mais nada a não ser cair em prantos", relembra.

No outro dia mais dor. A sua filha mais velha a reconheceu na televisão. Tinha seis anos. Não entendia o que estava acontecendo, só se assustou. "Vovó! Vovó! É mamãe! É mamãe!", gritava, apontando para a tela da TV que exibia a imagem de Lúcia Helena de costas, com os braços para trás algemados.

Lúcia Helena conta que nunca fez nada de errado e não sabia que o homem com quem vivia há nove anos era traficante e assaltante, até ele ser preso. Marido e mulher de papel passado nunca foram. "A gente só morava junto". Tiveram dois filhos: Jonatas, hoje com 11 anos, e Marília, que tem 9. Quando o conheceu, Lúcia Helena já era mãe de Jenifer, atualmente com 14 anos. Foi ela quem a reconheceu na televisão.

Nas palavras de Lúcia Helena a prisão era o inferno vivo. "Acabou. Acabou a minha vida. Tudo que eu pensava é que não ia mais sair de lá". Tentou o suicídio duas vezes, logo nos primeiros meses em que estava presa. Nas duas tentou se enforcar com o lençol dentro da cela. Na primeira, os agentes penintenciários conseguiram impedir. Na segunda foram as colegas de reclusão. "Já tinha desmaiado. Estava toda roxa".

Alegria só no dia em que os filhos iam lhe visitar. Puxava o colchão da cela para o pátio, forrava com o lençol que havia lavado no dia anterior e esperava sua mãe trazer as três crianças e algumas comidas. Das 08h às 16h, os cinco conversavam e matavam a saudade do abraço, do beijo e do carinho.

"Era uma felicidade quando chegavam, mas era uma tristeza quando eles iam embora. Puxavam a minha roupa, chorando, pedindo para que eu fosse com eles", lembra, se esforçando para a voz não embargar, porém derramando algumas lágrimas discretas.


"Bora mainha". Lúcia Helena lembrava dessas palavras durante todo o resto da semana seguinte. Os filhos, acostumados a dormirem com a mãe, tiveram febres e delírios durante a noite. "Chamavam meu nome", conta. Os três tiveram acompanhamento psicológico. Jonatas transformou a dor de não ter mãe do seu lado em raiva da polícia. Só falava em matar policiais, pois eles não deixavam ela voltar para casa. Lúcia Helena tentava explica o que estava acontecendo. "Mamãe fez uma coisa errada e está pagando pelo que fez. Igual a painho. Hoje eu faço de tudo para que eles não passem pelo o que eu passei".

"Eu tinha bom comportamento na prisão. Fiz alguns cursos, participei de um grupo de jogral na Igreja. Com oito meses fui julgada e deixaram com que eu cumprisse a pena em prisão semi-aberta, pois eu era ré confessa. Foram três anos assim", lembra.

Nunca trabalhou na vida. O primeiro ofício veio durante a prisão, na Secretaria de Justiça. "Estava muito nervosa. Mas me esforçava. Trabalhava o dia inteiro, servia café e limpava as salas". Lembra com detalhes do primeiro dia fora da cadeia. Na hora de atravessar a rua, teve medo. Estranhou aquele movimento, estava desorientada. Sentiu o vento no rosto e olhou para cima, lá no alto, em busca do sol que dentro da prisão lhe parecia infinitamente mais distante. "Lá dentro ele parece quadrado mesmo".

Depois entrou no programa da Chefia de Apoio a Egressos e Liberados (CAEL) e recebeu a oportunidade de ir para a Brastex. Durante um ano trabalhou como reeducanda na fábrica. Mal sabia que estava prestes a vivenciar mais uma grande mudança. Dessa vez, no entanto, teria início a melhor época da sua vida.

Quando recebeu o alvará de soltura, após três anos cumprindo pena, Lúcia Helena foi contratada pela Brastex. "Nunca tive documentos, imagine uma carteira de trabalho. E para uma ex-presidiária é muito difícil conseguir um emprego. Por isso que muitos voltam para a vida errada. Não tem oportunidade". No dia em que assinou o documento que oficializava, de fato, o seu egresso a sociedade ganhou um bolo e uma festa na fábrica, organizada por seus colegas.

Expediente concluído, voltou para casa, olhou para os filhos e disse: "Mamãe está trabalhando". Se virou para sua mãe e falou: "Mãe, fui contratada". O pai não viveu o suficiente para ver a filha solta, faleceu enquanto Lúcia Helena estava na prisão.

"Ser presa foi a derrota para mim. Eu dei a volta por cima. É o que eu tento passar para as meninas que ainda estão lá. A gente tem sim possibilidade, só precisa de uma chance. Meu passado me condena. Meu presente me absolve".

Pela contratação de Lúcia Helena, a Brastex recebeu uma medalha de honra. Ela havia sido a primeira mulher ex-presidiária a ganhar um emprego na América Latina. Hoje é operadora de máquinas e volta três vezes por semana à Colônia Penal Feminina do Recife para ensinar as reeducandas do presídio o que aprendeu em seus sete anos de trabalho.


Se antes Lúcia Helena pensou em encerrar sua vida, hoje traça planos modestos. Nem por isso seus olhos deixam de brilhar ao listar o que deseja adquirir ou falar do que já conquistou com seu salário. "TV, DVD, som e uma geladeira duplex que é um sonho. Dei ao meu filho um carro de controle remoto. Tudo com dinheiro limpo, suado, trabalhado. Agora quero sair do aluguel e comprar minha casa. Peço a Deus todos os dias. A casa onde a gente mora custa R$ 9 mil. Ai fica difícil, porque a gente tem que pagar aluguel, luz e água. A minha filha mais velha quer um computador. Já disse para ela: calma que eu chego lá". Difícil duvidar.

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Dezoito mortes, um arrependimento e a primeira carteira de trabalho assinada aos 57 anos

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Especial

Dezoito mortes, um arrependimento e a primeira carteira de trabalho assinada aos 57 anos

POSTADO ÀS 18:00 EM 04 DE Fevereiro DE 2009
Luiz Martinho, Rodrigo Pellegrino e Ednaldo da Silva, durante cerimônia de entrega da carteira de trabalho
Blog Imagem LUPA Ampliar

Por Carol Carvalho

Ednaldo Gomes da Silva assumiu, perante o juiz, a autoria de seis homicídios. Teria revelado, informalmente aos colegas de trabalho, que praticou o triplo desse número, e foi capaz de tirar a vida de 18 pessoas em pouco mais de doze meses.

Hoje, de volta à sociedade após 22 anos cumprindo pena em três presídios diferentes, é um homem livre de pendências judiciais, trabalhador de carteira recém assinada - mesmo estando prestes a completar 58 anos - e tido como um dos melhores funcionários da Brastex, na opinião dos diretores da indústria têxtil pernambucana, sediada no município de Paulista, no Grande Recife.

A história de "Seu Ed", como é conhecido dentro empresa, desconstroi os argumentos até dos mais incrédulos na capacidade de recuperação do ser humano.

Quando tinha 34 anos, ele diz ter sido tomado por um sentimento que denomina de "revolta". De fala mansa, mesmo tratando de assunto delicado, Ednaldo conta que tudo começou quando chegou no local onde morava e deparou-se com os móveis revirados. "Foram lá em casa, arrombaram, levaram as minhas coisas, o leite da menina, o bujão de gás, ai eu me revoltei", disse. Os vizinhos, segundo Ednaldo, relataram que um dos companheiros dele praticou a ação.

"O primeiro crime foi quando o rapaz arrombou minha casa, ai matei ele. Os outros, não lembro mais não. Eu trabalhava em firmas, mas elas botavam a gente para fora. Eu desempregado, com medo das minhas crianças passarem fome. Foi um prejuízo para mim, um inferno", admite, justificando que deu o primeiro disparo motivado por vingança e teria seguido adiante por necessidade, vindo depois a se arrepender.

"Eu comecei no crime fraco, que é matar esses delinquentes que praticavam iniquidades, sabe, roubavam do pobre. Não era pago antes, ai comecei a receber dinheiro para o crime de fora. Lá pro lado do Rio Grande do Norte, fui pago para matar alguém lá fora, e aconteceu de não ter matado, mas os meus camaradas que andavam comigo mataram, ai já que nós estávamos juntos, foi um crime só".




Ednaldo da Silva foi preso em Pernambuco no ano de 1986, julgado no Rio Grande do Norte a 60 anos de cadeia e retornou ao Estado direto para o presídio Professor Aníbal Bruno, na Zona Oeste do Recife. Lá, ficou por quatro anos, depois foi transferido para a Penintenciária Barreto Campelo, em Itamaracá, Litoral Norte do Estado, e em seguida cumpriu os últimos 12 anos de sentença - reduzida a 22 anos por conta do trabalho prestado - na Penitenciária Agro-industrial São João (PAISJ), também em Itamaracá.

Entre os percalços na prisão, Ednaldo revela que escapou da morte por duas vezes: foi atingido por um tiro de pistola na perna direita, durante tiroteio entre policiais e criminosos, e em outro momento, jurado de morte por um dos detentos, que disse ter sido pago para executá-lo mas que não chegou a receber o dinheiro.

Há três anos, ele começou a frequentar a igreja Assembleia de Deus, ainda dentro do presídio, e garante que a religião é uma das responsáveis por sua "salvação" e "mudança de espírito". "Como eu me arrependo, olhe, me arrependo tanto que chego na igreja, tenho muita vontade de falar nisso, porque Jesus me salvou dentro do calabouço. Quero que a minha história sirva de exemplo, preciso mostrar que as pessoas podem se regenerar".

Do outro lado do muro, Ednaldo deixou duas filhas, na época em que foi preso, uma com 6 e outra com 5 anos, e a esposa doente, necessitada de cuidado constante já que foi diagnosticada como epiléptica desde criança. A solução encontrada por Ednaldo para "não perder a cabeça" e tentar sustentar a família mesmo dentro do presídio foi mergulhar no trabalho.



"Eu comecei a trabalhar, tava com dois anos lá, enquanto uma tia que ajudava a minha esposa. Tentei trabalhar antes quando cheguei, mas não queriam não, o diretor dizia que eu era muito perigoso. Lá na unidade trabalhei de cozinheiro e padeiro. Também fiquei empregado na Defensoria Pública, na Casa da Cidadania, eu fazia de tudo que me pedissem, só queria trabalhar. Depois, quando estava na PAISJ, encontrei a vaga na Brastex, onde comecei de cozinheiro e depois fui para o chão de fábrica".

Na última segunda-feira (2), ele tornou-se oficialmente funcionário da Brastex, em cerimônia na Secretaria Executiva de Justiça e Direitos Humanos, diante do secretário Rodrigo Pellegrino e de um dos diretores da empresa, Luiz Martinho. Independente do que fez no passado, Ednaldo da Silva agarrou a oportunidade oferecida enquanto reeducando, dedicou cinco anos à empresa e teve os direitos de trabalhador reconhecidos com a assinatura da carteira.

Para o futuro, o novo contratado deseja no mínimo mais uma década de suor na fábrica até que chegue o dia da aposentadoria, seja cortando ou dobrando os panos de limpezas produzidos no local, operando as máquinas, descarregando caminhões, ou simplesmente sendo útil na função que desempenha hoje - o "faz tudo".

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Mãos que já mataram venderão produção pernambucana para o Brasil e o mundo

Trabalho, uma arma para a recuperação social

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Especial

Mãos que já mataram venderão produção pernambucana para o Brasil e o mundo

POSTADO ÀS 19:13 EM 03 DE Fevereiro DE 2009


Por Carol Carvalho e Felipe Lima

Não é somente o projeto com detentos realizado nas instalações da empresa que a Brastex quer multiplicar. Na definição de um dos sócios da indústria têxtil pernambucana, Luiz Martinho Maia de Sousa, a fábrica quer ser "a Coca-cola dos panos no Brasil". Isto porque, na opinião de Martinho, a marca de bebidas possui um esquema de distribuição que beira a onipresença - o refrigerante é encontrado sem dificuldade em qualquer lugar do País (quiçá do mundo).

Duas ações prioritárias encabeçam o planejamento de expansão da Brastex. A primeira é um trabalho grande de reestruturação comercial e da imagem da Brastex, com atenção especial para as praças de São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, onde a presença ainda é pequena. A segunda se sustenta no lançamento de novos produtos já em março deste ano, como um algodão para uso médico e cotonetes.

A empresa já atende todo o território nacional, de Paço Fundo, no Rio Grande do Sul, a Manaus, Amazonas, afirma o outro sócio Antonio Cláudio Cysneiros Cavalcanti Júnior, tendo, inclusive, um escritório na capital paulista. Interessante notar que para atender essa nova demanda é preciso ampliar a produção. Ocupando uma área de 20 mil metros quadrados (m²), sendo nove mil m² de área cobertas, a Brastex não precisa adquirir máquinas e equipamentos.

A fábrica planeja ainda ultrapassar a barreira nacional.

Atualmente, tenta emplacar nos Estados Unidos, Portugal e Alemanha, os panos de limpeza produzidos por reeducandos, ex-presidiários e fichas limpas. Ou seja, quer colocar no mercado internacional artigos produzidos por mãos que, anos atrás, cometeram crimes. "Estamos divulgando lá fora o projeto social que a empresa realiza, até como forma de valorizar ainda mais o produto", revela Martinho.

Todos os planos de expansão só podem ser viabilizados com o aumento da mão de obra. Cavalcanti Júnior afirma que uma das saídas é criar um terceiro turno (atualmente, o expediente na parte operacional vai de 05h30 às 16h) e, claro, contratando novos funcionários, aumentando assim as chances de mais reeducandos e ex-detentos serem contratados.

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Especial

Trabalho, uma arma para a recuperação social

POSTADO ÀS 14:03 EM 03 DE Fevereiro DE 2009
Ex-detento, Edinaldo Gomes Silva teve a carteira de trabalho assinada
Blog Imagem LUPA Ampliar

Por Carol Carvalho e Felipe Lima

Até quem cometeu o pior dos crimes tem oportunidade de trabalhar na Brastex.

Desde 2000, essa indústria pernambucana do setor têxtil assinou a carteira de trabalho de 14 ex-detentos, sendo destes quatro homicidas.

E se depender do atual diretor da empresa, esse número só aumentará.

Para Antonio Cláudio Cysneiros Cavalcanti Júnior, os que carregam o peso de ter tirado a vida de outro ser humano são os que mais precisam de uma nova oportunidade de resgatar sua cidadania.

Nesta segunda-feira (02) foi a vez de Edinaldo Gomes da Silva, 57 anos, condenado a 60 anos de prisão por homicídio e solto após ter cumprido 22. Agora ele é oficialmente um funcionário da Brastex.

A empresa é conveniada à Chefia de Apoio a Egressos e Liberados (CAEL), parte integrante da Secretaria Executiva de Justiça e Direitos Humanos de Pernambuco, responsável por tentar ressocializar os detentos.

À frente da empresa há um ano e quatro meses, Cavalcanti Júnior decidiu manter a política do antigo dono de receber reeducandos  - presidiários que fazem de sua força de trabalho a ferramenta para se reinserir na sociedade - e contratá-los com todos os direitos trabalhistas quando o juiz concede o alvará de soltura.

Atualmente, a Brastex possui 53 reeducandos em seu quadro de funcionários. Dezessete trabalham dentro da Colônia Penal Feminina do Recife e o restante nas instalações da fábrica, na cidade de Paulista, no Grande Recife.

"Eu prefiro trabalhar com o reeducando homicida. Porque a pior coisa que alguém pode fazer é tirar a vida de outra. Essa pessoa está lá embaixo. Então eu quero dar oportunidade para quem está realmente precisando. É a participação que eu acho que todo o empresário tem que dar. Não só reclamar do governo, seja federal, estadual ou municipal, mas também fazer alguma coisa. Se a pessoa foi julgada, condenada e pagou sua pena, também tem que ter uma chance. Eu quero dar uma oportunidade a esse pessoal. Nunca tive problemas com nenhum deles. E na minha fábrica não existe discriminação por cor, credo ou posição social. Eu, por exemplo, como no mesmo refeitório, a comida da mesma panela e utilizando os mesmos talheres e pratos que eles", resume.



A Brastex é uma empresa como outra qualquer: busca o lucro, possui planos de expansão, prospecta novos clientes e prepara o lançamento de novos produtos.

Ano passado, quando oito ex-presidiários foram contratados, o faturamento da empresa foi de R$ 10 milhões. Para 2009, o objetivo é dobrar esse valor e tornar duas vezes maior também a capacidade de produção da unidade, que é de 1 milhão de peças de tecidos por mês.

"Isso será obtido com o aumento no número de funcionários e a implementação de um terceiro turno. Meu desejo é que os reeducandos se tornem um dia 40% do total de pessoas que trabalham na empresa", explica Cavalcanti Júnior.

Por lei, a Brastex não pode assinar a carteira dos detentos que ainda cumprem pena, sendo assim, economiza aproximadamente R$ 318 mil por ano, já que não precisa arcar com os encargos trabalhistas. Cavalcanti Júnior, no entanto, não abre mão do "seu compromisso moral" de contratar os reeducandos quando libertos.

"Minha satisfação não é só econômica. Se fosse isso, eu simplesmente afastaria a pessoa quando ela fosse solta e contrataria outro reeducando. Admito que a economia é significativa, mas meu objetivo é participar da diminuição da criminalidade no Estado".

Cavalcanti Júnior acredita que pagar um salário a um ex-presidiário para que ele possa sustentar sua mulher e filhos é um meio eficaz  de afastá-lo do mundo do crime. Isso reflete diretamente na segurança pública, comenta.

Para tanto, ele entregou na última semana, ao Secretário Executivo de Justiça e Direitos Humanos, Rodrigo Pellegrino de Azevedo, um projeto que sugere ao Governo do Estado, através do Pacto pela Vida, estimular a participação de grandes empresas que atuam em Pernambuco em programas semelhantes ao da Brastex.

A partir de hoje, os leitores atentos do Blog de Jamildo poderão conferir posts diários sobre o tema. Vamos dar detalhes de como funciona a empresa, o que seus clientes acham dessa iniciativa e as histórias de vida dos reeducandos e dos funcionários ex-presidiários, como a de Edinaldo Gomes da Silva.

O Blog correrá atrás também do Governo, falará sobre o trabalho que já é desenvolvido nos presídios do Estado e mostrará ainda o que os especialistas e a sociedade civil pensam sobre o assunto. Não percam por esperar mais informações, vídeos, áudios de entrevistas e galerias de fotos.  

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Exclusivo

Série do Blog de Jamildo aponta alternativa para melhorar o Pacto pela Vida de Eduardo

POSTADO ÀS 13:00 EM 03 DE Fevereiro DE 2009

No dia 04 de dezembro último, em um debate sobre o Pacto pela Vida, na Assembléia Legislativa, um auxiliar do governador Eduardo Campos, em um momento infeliz, teve a coragem de dizer em público o que muitos outros só falam nos bastidores.

Disse que a imprensa de Pernambuco era seduzida pelo número de mortes que ocorriam no Estado. Não era nem é verdade, mas o sujeito tem o direito de pensar o que quiser e falar o quiser.

O objetivo aparente era atacar os meninos do PE Body Count, odiado no atual governo por fazer de forma profissional o que os irmãos Leite faziam com objetivos políticos. Sai em defesa dos jornalistas que compõem o site porque os conheço e não são de fazer patifaria, embora saiba o que é ser solidário em uma cidade como o Recife, em que todos acham que devem dizer amém aos poderosos de plantão. Se o cara tiver então 84% vira santo...

Pois bem.

O Blog começa a apresentar daqui a pouco uma reportagem especial mostrando uma sugestão prática e apontando uma falha crucial do Pacto pela Vida. Ele não forma uma cadeia econômica para ser sutentável, independente da vontade de seus bem intencionados propositores.

O trabalho de reportagem é da intrépida Carol Carvalho, com a ajuda de Felipe Lima, de Editoria de Economia. Recomendo a leitura entusiasticamente. Fica o exemplo. Aqui neste blog a gente acha que vale mais a pena mostrar fatos do que fica bajulando políticos. Quando não, patrões ideológicos.

Leia a primeira matéria da série:

Trabalho, uma arma para a recuperação social

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Jamildo Melo
é editor do Blog
Com Carol Carvalho