Blog de Jamildo 1

ENTREVISTA

"Quem não ia querer ser prefeito do Recife?" diz João da Costa

POSTADO ÀS 12:24 EM 11 DE Julho DE 2011

O prefeito João da Costa disse, durante a entrevista na Rádio Folha, que não estranha as críticas da base aliada, o famoso fogo amigo. O gestor garante encarar o debate como natural do processo pol´tico. "Quem não ia querer ser candidato à Prefeitura do Recife?"

Leia trechos da entrevista

FOGO AMIGO - Faz parte da política. Quem não ia querer ser candidato à Prefeitura do  Recife? Pode perguntar a dez políticos, que onze vão dizer que sim. Nós não vamos impor nada, seja a pessoas de dentro ou fora do partido. Eu não estranho as críticas.

JOÃO PAULO - Eu não rompi pessoalmente com João Paulo. Houve um problema de concepção na gestão. Foi uma avaliação política. Quem rompeu não fui eu. Mas isso faz parte do passado, o que nós temos que fazer é olhar para a frente.

PTB- Resolveu demarcar uma posição. É uma estratégia do senador Armando Monteiro. Nunca tive problemas administrativos nem políticos com o PTB.

TROCA DE VICE- Toda eleição é uma eleição. Mas eu estou muito satisfeito com o meu vice, Milton Coelho (PSB). Tem sido um parceiro excelente.

DILMA - Tudo são circunstâncias políticas. O desejo e o compromisso ético é fazer com que tudo que não está de acordo com a ética pública seja resolvido. Essas coisas não acontecem só aqui. Pegue o exemplo da Itália, com Silvio Berlusconi. É uma democracia madura, mas mantém um presidente como aquele.

A presidente teve problemas muito cedo. Ela está muito focada em resolver o problema da saúde pública no Brasil. A presidente em externado.

O problema de Dilma é semelhante ao que aconteceu comigo. Às vezes, você faz as ações, mas um problema político acaba ofuscando.

CORTES DO GOVERNO FEDERAL - Recife não vai ser prejudicado. Temos cerca de R4 1 bilhão em convênios. Gastar bem é importante

para que a gente possa, no futuro, conseguir mais recursos. Hoje, as pessoas podem ter segurança que vamos fazer a Via

Mangue, porque temos o dinheiro.

DISPOSIÇÃO - Estou 120%. 100% de saúde e 20% de animação. Ninguém faz o que nós fazemos sem eficiência administrativa. Ninguém pode dizer que eu não sou um político sério.

Precisa ter muita coragem para, na véspera do ano eleitoral, fazer as mudanças que estamos fazendo no Centro e no Recife Antigo.

Estou muito animado. Deus me deu a graça de superar o problema de saúde.

MERENDA ESCOLAR (licitação) - Se uma empresa apresentar o menor preço, não vai ser o prefeito que vai dizer que ela não pode. Estamos abrindo a licitação. Até o momento, só duas apresentaram propostas. Nós fizemos uma licitação, uma empresa questionou e nós usamos a regra do Tribunal de Contas da União.

Não é porque a SP teve problemas em outras cidades que necessariamente ela terá aqui. Ninguém pode fazer esse tipo de ilação.

Quando a empresa ganhou os aditivos, em 2004, eu não era prefeito ainda. Merenda é uma coisa de urgência.  Eu tinha que dar continuidade ao contrato.

Se a SP ganhar, eu não posso fazer nada. O que eu quero é que a merenda seja fornecida com boa qualidade.

LEIA MAIS

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CENÁRIO POLÍTICO

""Nunca houve nem haverá partidos políticos no Brasil"", diz Fernando Lyra, ex-presidente da Fundaj

POSTADO ÀS 12:08 EM 17 DE Abril DE 2011

Gabriela Bezerra e Paulo Augusto, do Jornal do Commercio

Acreditando que na vida "principalmente na pública" é importante saber a hora de sair, Fernando Lyra deixou a Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), na última segunda-feira, após oito anos na presidência da instituição. Agora sem ocupar cargos públicos, o ex-deputado federal e ex-ministro do governo Sarney se encontrou numa antiga atividade: dar pitacos na política. Tido por muitos como um hábil articulador político  sendo, inclusive, um dos responsáveis pela candidatura de Tancredo Neves à Presidência da República , Lyra concedeu entrevista ao JC na última quinta-feira. Na conversa, falou sobre diversos temas. Elogiou o governo Dilma, fez duras críticas aos partidos políticos e defendeu a necessidade da reforma política.

PARTIDOS

"Eu tenho a tese que nunca houve nem haverá partidos políticos no Brasil. Hoje, você tem alguns realmente com formação ideológica, como o PSB. São exceções. Você vê que não tem partido. Quem são os militantes? A militância partidária no Brasil está zerando. Hoje são tendências e só. Não tem mais a militância e não há um processo dos partidos, porque não são partidos, para se entrosarem com a juventude. Você conversa com um jovem hoje e ele fala sobre tudo, menos sobre política. Não há nenhuma conscientização na juventude brasileira com o processo político. Ninguém quer saber. Você tem que se adaptar à sua realidade. A mobilização em torno da Ficha Limpa foi uma tentativa de resgate dessa conscientização. Foi importante, mas eu acho que tem que ser uma coisa mais contínua. E a reforma política precisa disso (de mobilização popular) também. Inclusive, tem muito ‘ficha suja’ decorrente das falhas desse processo eleitoral. Agora só se fala na eleição de 2012. Mas quem está falando? São os políticos, com seus interesses pessoais. O povo está se lixando. Nós estamos atravessando uma fase de apatia política popular nunca existente no Brasil. Eu falo isso aqui, mas entusiasmo mesmo eu não tenho."

PT

'O PT não é um partido, nunca foi. O PT é um conjunto de tendências e é por isso que ele defende a lista (voto em lista fechada, na reforma política). O PT não tem liderança. Fora Lula, que está fora, que é extra, quem é o líder do PT hoje? E por que o PT não é um partido? Porque o PT foi criado pelos operários do ABC paulista, que naquela época não tinham nada a ver com o operariado brasileiro, com o apoio da intelectualidade da época, que não tem nada a ver com os operários, e com o apoio da base da igreja, de (o papa) João XXIII, que não tem nada a ver com os intelectuais nem com os operários. A partir daí, ele começou a formar tendências da base operária, da base intelectual e da base da igreja e foi crescendo. Foi crescendo por falta de opções e Lula deu ao PT essa grande coisa que foram as vitórias e o governo dele. Ele é 10 vezes maior do que o partido. Tanto é verdade que ele foi buscar Dilma para ser candidata a presidente da República, porque nenhuma liderança do PT, naquela época e nem hoje, tem condições de ser presidente. E Dilma não é PT, Dilma é Lula. E pra quê esse partido quer fazer lista? Porque ele tem o nome, por causa de Lula. Para disputar com os outros que não têm nome. Quem danado sabe o que é PSC? Quem é que sabe o que é PPS? Quem é que sabe o que é PRTB? Quem é que sabe o que é PMN? Quem é que vai votar em PMN? Ninguém sabe o que é o PSDB. Você tem nomes, mas você não sabe o que é que é. Porque o PSDB não existe. O PSDB hoje é quem? É de um lado Aécio, do outro lado Serra e no meio Alckmin. Pronto, acabou. Não tem mais nada."
 

Leia mais no JC

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EX-PRESIDENTE

''Dilma é quase uma bonachona'', diz FHC

POSTADO ÀS 09:19 EM 11 DE Abril DE 2011

Foto: Beto Barata/ Agência Estado

Do Blog Poder Online, do iG

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso avalia que, nestes primeiros cem dias do governo Dilma Rousseff, o que mais se notou foi a substitutição do estilo “popular-tonitruante” de  Luiz Inácio Lula da Silva pela fala “tecnocrática-comedida” da atual presidenta.

Na entrevista abaixo ao Poder Online, feita por email, FHC afirma que Dilma Rousseff, nestes cem dias, abandonou sua imagem antiga, “carrancuda e autoritária”,  e adotou o estilo de uma “senhora quase bonachona, embora cortante quando necessário”.

Fernando Henrique mostra simpatia pela atual presidenta, e o mesmo mal estar dos últimos anos com Lula.

Dito isto, o ex-presidente tucano propõe: a oposição a Dilma Rousseff deve ser menos agressiva, “o que ajudará a melhorar nossos costumes políticos”.

Poder Online: Qual sua avaliação sobre estes  primeiros cem dias do governo Dilma Rousseff?

Fernando Henrique Cardoso: É difícil julgar um governo pelos cem primeiros dias, pois a opinião pode ser mero preconceito ou, ao contrário, uma visão que se pensa que é objetiva mas pode ser precipitada. Talvez se possa falar mais apropriadamente do “estilo de governar” do que das políticas do governo. Neste sentido, o contraste entre  o estilo “popular-tonitruante” de Lula e a fala tecnocrática-comedida de Dilma seja o que mais se nota.

Poder Online : E como o senhor classificaria o Estilo Dilma?


Fernando Henrique Cardoso: Vê-se que a Presidente entendeu que no mundo contemporâneo a imagem conta muito: apresenta-se elegante e sorridente, não se poupando de pousar para os fotógrafos. E no lugar da carrancuda e autoritária Dilma aparece uma senhora quase bonachona, embora cortante quando necessário.

Poder Online : Esse estilo é melhor ou pior do que o do ex-presidente Lula?


Fernando Henrique Cardoso: Como o país, ou melhor as elites atentas à mídia pareciam cansadas do estilo anterior, a sensação é de “normalidade”, quase alívio: menos piruetas verbais, menos escorregões retóricos que levam a opiniões superficiais e mesmo absurdas, do que as que ouvíamos no passado recente.

Mas atenção: estilo não quer dizer substância das políticas. O caso da Vale mostra que continua a tendência à ingerência do governo em matéria econômica que não lhe diz respeito. E a proclamada austeridade fiscal se choca com a continuidade de transferências de recursos do Tesouro (na verdade empréstimo tomados no mercado) para o BNDES subsidiar as “empresas vencedoras”, escolhidas pelo governo para serem as condutoras do crescimento econômico.

Poder Online : Como foi o seu encontro com ela durante aquele almoço com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama?


Fernando Henrique Cardoso: Meu encontro com a presidente no almoço do Obama, assim como o encontro anterior em uma homenagem ao jornal Folha de S.Paulo, foi simpático e atencioso. Pessoalmente só recebi gentilezas de alguém que durante o passado teve apenas encontros breves comigo e não amizade. Já o Lula …

Poder Online : E a oposição à Dilma? Deve ser diferente da oposição feita ao ex-presidente Lula?


Fernando Henrique Cardoso: Talvez ela requeira menos agressividade, posto que no governo anterior o PSDB foi definido como “inimigo”, e eu como a personificação do diabo.

Menor agressividade não quer dizer menos clareza na crítica, quando for o caso, mas talvez seja possível dizer com maior objetividade no que e por qual motivo discordamos, o que ajudará a melhorar nossos costumes políticos e a permitir que as pessoas conheçam melhor a razão pela qual apóiam ou discordam de tal ou qual decisão do governo.

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POLÊMICA

''O Brasil deve ser o único país que paga pensões ao deus-dará'', diz ministro da Previdência

POSTADO ÀS 07:44 EM 04 DE Abril DE 2011

Foto: Wilson Pedrosa/ AE

Edna Simão e Rui Nogueira, do Estadão

Indicado pelo PMDB, Garibaldi Alves Filho (RN) não pensou duas vezes em deixar o Senado para comandar o Ministério da Previdência Social. Aos 64 anos, terá de administrar um "abacaxi", como ele mesmo disse na posse - o rombo de cerca de R$ 100 bilhões nas contas da previdência social -, sem promover reformas impopulares, e lidando com projetos-bomba do senador Paulo Paim (PT-RS) no Congresso.

Em entrevista ao Estado, Garibaldi confirma que a Previdência passará só por pequenos ajustes. Para já, a mudança em debate está restrita à aprovação de projeto de lei criando um fundo de previdência complementar para o funcionalismo público. Não há nada em estudo para fazer alterações na Previdência do trabalhador da iniciativa privada (INSS). O ministro admite, porém, que há pontos que precisam ser atacados: "O Brasil deve ser o único país que paga pensões ao deus-dará".

O ministro defendeu a substituição do fator previdenciário, que chamou de "Geni da Previdência", por outro mecanismo mais transparente. A seguir, trechos da entrevista:

Quando o sr. tomou posse foi criticado por servidores ao dizer que estava pegando um "abacaxi". Em três meses, quantos deles descascou?

Tive que ser realista e os servidores sabem muito bem que tenho o maior apreço pela Previdência Social e por eles. O que eu digo é que o abacaxi realmente existe. Mas não é que eu estou gostando!

A presidente Dilma já deixou claro que não haverá uma reforma previdenciária ampla, mas admite ajustes pontuais. Qual o ponto chave?

Existe um projeto na Câmara que trata do fundo de previdência complementar para o servidor público. Há uma grave distorção (entre a previdência do servidor público e a da iniciativa privada) e o País perdeu a capacidade, às vezes, de se indignar. Os servidores não chegam a um milhão de pessoas e a necessidade de financiamento é de R$ 52 bilhões. Por outro lado, a outra Previdência (INSS) tem uma necessidade R$ 42 bilhões para beneficiar 24 milhões de pessoas. Não responsabilizo os servidores. Para mim está muito claro que as vantagens atribuídas aos servidores no curso de suas carreiras, como as incorporações de vencimentos, acabaram gerando essa distorção. É essa despesa que o País não pode continuar a pagar. Por isso existe o projeto criando um fundo de pensão para os servidores. Hoje os servidores não têm teto de aposentadoria (no INSS é de R$ 3.689).

O projeto de criação do fundo já enfrenta resistências no Congresso.


Há uma oposição e ela é indevida. Dizem, por exemplo, que o Judiciário faria oposição. Para eles, não deveria ser criado apenas um fundo, mas vários fundos. No Supremo senti que há um desejo de examinar melhor esse projeto. Esse fundo vai alcançar os servidores daqui para a frente. A economia pode até não ser tão significativa, mas representa uma sinalização de que o governo está querendo dar uma solução para problemas como esse.

O sr. não teme que comece a haver uma pulverização de fundos, um para cada categoria de servidor público?


Acho que é inconveniente. Na minha concepção, seria o último recurso. Vão-se os anéis e ficam os dedos.

No caso do INSS, se tivesse que eleger um problema, qual seria atacado?


Precisa haver alguns ajustes. Mas eu não estou, há essa altura, muito seguro de que possamos ter essas modificações. Não sinto o governo mobilizado.

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Polêmica

Acupunturista nomeado para cargo na Casa Civil atende Dilma na campanha

POSTADO ÀS 13:18 EM 11 DE Outubro DE 2010

Por Matheus Leitão, Márcio Falcão e Andreza Matias, na Folha.com

A Casa Civil, sob o comando da candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, contratou o filho do acupunturista dela e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Gu Zhou-Ji ganha R$ 4 mil por mês para atender os servidores da pasta.

A princípio, Zhou-Ji foi nomeado como "assessor técnico" em outubro de 2009.

Em abril de 2010, parou de exercer função burocrática e passou a aplicar suas técnicas terapêuticas, como ele mesmo explicou a Folha, nos "funcionários e seus dependentes". Dilma deixou o governo no final de março.

Mas o serviço de Zhou-Ji não se restringe à Casa Civil. Como assistente do pai, o acupunturista Gu Hanghu, ele ajuda no atendimento à candidata Dilma. Segundo Zhou-Ji, a candidata recebe atendimento duas vezes por semana na casa dela ou no consultório do pai para combater "o estresse" e para "recuperação do corpo" após o tratamento do câncer linfático que teve no ano passado.

"É mais para a manutenção mesmo", disse ele. A assessoria de Dilma informou que Zhou-Ji pode ter acompanhado algumas sessões terapêuticas do pai com a candidata.

A seguir a íntegra da entrevista.

Folha - O senhor é acupunturista da Casa Civil e da Presidência?

Gu Zhou-Ji -
Sou, mas não existe nada de errado nisso. É horrível o que estão fazendo comigo. Quando eu entrei não tinha nenhum cliente. Não fiz divulgação, mas hoje estou com muitos clientes.

O senhor foi nomeado para fazer o quê?

Essa parte você tem de perguntar no Palácio do Planalto. Eles têm uma resposta direitinha. Primeiro, era a parte administrativa. Fui contratado como assistente técnico. Como apresentei o diploma em acupuntura, passei a atender. Comecei o atendimento em abril. Não fizemos propaganda, só boca a boca e hoje eu não tenho horário. Só atendo com hora marcada e tenho só uma maca.

O senhor faz em todas as pessoas?

Trabalho na coordenação de saúde da Presidência. Então, todos os servidores podem atender comigo, sem exceção.

O senhor usa uma sala?

Com certeza. Tem que ser reservado. As pessoas deitam, tiram a roupa, não pode ser público.

O senhor diz que atende todos dentro do Palácio?

Qualquer um. Já atendi o dentista, o faxineiro, os diretores, mas não pergunto o cargo das pessoas. Se chega com dor, vou resolver. Atendo servidor, dependentes e outros. É um atendimento público --que não cobramos nada-- aberto a servidores e seus dependentes. Qualquer um que aparece, precisando de acupuntura, eu atendo. Não tenho restrição.

A ex-ministra Erenice Guerra chegou no seu consultório...

Claro que eu vou atender. Eu estou vendo que a ministra está com dor, ela chega para mim e eu vou dizer que não vou resolver? Eu atendi o vice-presidente (da República), José Alencar. Qual o problema? Ele estava com dor, eu fui lá e o atendi. Eu sou servidor. Tenho que trabalhar.

Qual o seu horário?

Trabalho de segunda a sexta-feira, das 8h da manhã às 18h, com duas horas do almoço. Só que eu tenho filhos para buscar e, às vezes, posso chegar um pouco atrasado do almoço. Só isso.

O seu pai (acupunturista Gu Hanghu) te apresentou para a candidata Dilma Rousseff?

O meu pai atende o senhor presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, desde 2003. Se eu precisasse de algum favor, já tinha pedido emprego, não é verdade? O meu pai trabalha honestamente e eu também. Eu fui estudar medicina tradicional chinesa na universidade de Xangai em 2004 para pegar o diploma, apesar de eu ter aprendido com o meu pai desde os 12 anos. Voltei no meio do ano passado. Não conhecia a ministra Dilma e não sabia quem era a ministra Erenice. Cheguei com a minha formação na medicina tradicional chinesa... e para achar uma pessoa qualificada não só em Brasília, mas no Brasil inteiro, é difícil. Meu pai me apresentou para o médico do presidente (Lula). Como estava dando resultado no presidente, resolveram me convidar. Se funciona para o presidente da República, por que não vai funcionar para os funcionários? Todo mundo é gente.

Como o senhor está atendendo Dilma Rousseff no meio da campanha presidencial?

Eu não faço acupuntura na ministra. Eu sou assistente do meu pai. Eu acompanho o meu pai toda vez, porque ele não fala português direito --precisa passar orientações e eu traduzo para ele. Sem contar que, durante os atendimentos, eu sou a pessoa mais indicada para fazer a assistência dele. Conheci a ministra no consultório do meu pai.

Onde vocês atendem Dilma?

Temos dois locais. Ou no consultório do meu pai, onde atendo com ele aos sábados, ou meu pai vai até a casa dela.

Qual o problema da ministra Dilma?

Nós sabemos os problemas que ela teve, não é? E, segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), é muito indicado o tratamento da medicina tradicional chinesa, acupuntura, plantas ou ervas no pós-operatório do paciente, para a prevenção e o tratamento do câncer. Mas isso já acabou e, no caso dela, é para recuperação do corpo. É mais para a manutenção e o estresse, do que para o tratamento.

O senhor ganha quanto no Palácio?

Eu ganho R$ 4 mil bruto.

O senhor acha muito ou pouco?

Amigo, vamos fazer um cálculo. Eu sou bom no que faço. Cobro R$ 150 por atendimento particular. Vamos dizer que eu tenho um consultório particular e atenda muito mal --cinco pacientes por dia. Dá R$ 600... então, numa semana eu ganharia R$ 3 mil. Lá, ganho R$ 4 mil bruto. Você acha que eu ganho bem?

O senhor está dizendo que ganha mal?

Eu ganho mal.

O senhor já teve que atender o presidente Lula numa emergência?

Não.

E a ministra Erenice...

Olha, ela teve problema de coluna. Estava frequentando não só a minha sala... estava com problema e estava tendo outros atendimentos médicos lá.

O senhor não vê conflito de interesse no fato do seu pai ser o acupunturista do presidente Lula e o senhor trabalhar no Planalto?

A pessoa vendo isso acha que é um problema. Mas se você for pensar direito, eu estou fazendo um bom trabalho. Já resolvi o problema de várias pessoas que precisam do meu serviço. Uma coisa não tem nada a ver com a outra. Como o meu pai gosta de dizer: nós somos médicos. Trabalho com saúde, não com política. Eu aceitei o convite para entrar lá no Palácio do Planalto não por causa do dinheiro, mas porque acho o presidente Lula excelente. O Brasil realmente cresceu com ele. Estive fora cinco anos e quando voltei tomei um susto. As pessoas estão com dinheiro no bolso. Fiquei surpreso com o crescimento gigantesco que o Brasil teve nesses oito anos do Lula. É uma honra para mim poder trabalhar lá dentro e resolver os problemas de quem está trabalhando para o bem do país. Uma coisa é a pessoa fazer tráfico de influencia e ganhar R$ 100 mil por mês. Eu ganho R$ 4 mil --mal consigo pagar o colégio de dois dos meus três filhos. Tenho conta, condomínio para pagar. Quem me ajuda é a minha família, não a Presidência.

O senhor pensa em sair de lá?

Olha, sinceramente não vejo nada que eu tenha feito de errado. Ganho o meu salário, mas meu trabalho vale mais. Entrevistem os meu clientes para ver se o meu trabalho é bom ou não. Tenho hoje 100 pacientes, com ficha.

Alguém fazia o serviço de acupuntura no Palácio do Planalto antes do senhor?

A coordenação de saúde do Palácio já tinha plano de abrir acupuntura. Tem odontologia, fisioterapia. É bem completo. A acupuntura cresceu muito no Brasil e como eu voltei com aquela formação toda... eles me convidaram. Fizeram um bom convite.

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entrevista

'É uma candidatura do presidente e do vice-presidente'

POSTADO ÀS 08:55 EM 27 DE Maio DE 2010

Malu Delgado - O Estado de S.Paulo

Cerca de 12 pessoas o aguardam no escritório em Alto de Pinheiros, região nobre de São Paulo, sinal de que já são intensas as conversas políticas que antecedem a campanha presidencial. Depois de mais de duas décadas de mandato parlamentar e há oito anos no comando do PMDB, Michel Temer ocupará o posto de vice-presidente na chapa com Dilma Rousseff (PT).

Seu nome precisa ser referendado na convenção de 12 de junho, mas, a despeito dos dissidentes, Temer não coloca em dúvida sua indicação. Em entrevista ao Estado, diz que o PMDB fará parte do núcleo de campanha e avisa que tudo, incluindo a presença do presidente Lula nos palanques, terá de ser negociado com "os companheiros do PT".

"É uma candidatura do presidente e do vice-presidente. Portanto, vamos integrar todos um núcleo só de campanha", diz. A aliança, insiste ele, é político-eleitoral programática. Entre as propostas de governo que o PMDB levará a Dilma, antecipa duas: o "ProUni" para o ensino médio e fundamental (abertura de vagas em escolas privadas para carentes) e pagamento de poupança a beneficiários do Bolsa-Família a ser sacada ao fim do ensino médio.

Em 2002 o PMDB estava na aliança com José Serra. Em 2006, não apoiou ninguém. Agora, se alia ao PT. O que levou o PMDB a migrar do PSDB ao PT?

O PMDB sempre teve personalidade própria. Foi o maior partido da Câmara e do Senado e, portanto, sem o apoio congressual dificilmente se chegaria ao controle da inflação com o Plano Real. Grandes projetos sociais do governo Lula tiveram apoio do PMDB. Apoiamos a candidatura de Serra lá atrás e, agora, estamos ligados ao PT. O que aconteceu? Naquela época, o PMDB estava no governo e eu disse: olha, se não sairmos do governo até abril não teremos mais o direito de sair para lançarmos outro candidato. Em outubro (de 2009) eu disse: a Dilma precisa dizer se é candidata e o PT precisa dizer se quer aliança com o PMDB. Na sequência, a Dilma nos chamou, o presidente Lula chamou. Fizemos um pré-compromisso escrito: a vice seria do PMDB, que participaria do programa de governo e do plano de campanha. A aliança está se consolidando, na medida em que vão se resolvendo os problemas nos Estados.

Terá problema na convenção nacional?

Conseguimos unidade muito grande do PMDB. Suponho que na convenção para a decretação da aliança (com o PT) essa unidade se manterá intacta.

O ex-governador Orestes Quércia deve questionar sua indicação. A dissidência paulista do PMDB pode ser minimizada?

A minimização dessa dissidência se dá pelo fato de vários prefeitos do PMDB (de São Paulo) já terem me procurado para manifestar apoio.

O sr. mencionou que há questões pendentes entre PT e PMDB nos Estados.

No Pará as coisas estão bem encaminhadas, seja para uma candidatura a governador (de Jader Barbalho), ou para uma aliança (com Ana Júlia, do PT). Em Minas, a ideia é ter palanque único com a candidatura do Hélio Costa.

E São Paulo? O PT diz que o PMDB faz cobranças, mas o Quércia apoiará Serra.

Vamos tentar, aqui, obter o maior número de votos. Tenho companheiros do PMDB que vão me ajudar na tarefa, evidentemente com os constrangimentos que isso pode causar. Poderemos conseguir mais votos do que a Dilma teria se não houvesse um vice do PMDB.

O Diretório do PT pode decretar intervenção nos Estados em nome da aliança nacional. Isso pode ocorrer no PMDB?

Sempre tivemos sucesso com o diálogo com as várias facções. Nunca se cogitou isso.

Dilma estará em 2 palanques? E o presidente Lula. O que o PMDB espera?

Que haja um tratamento igualitário entre os candidatos que dão palanque a Dilma. Tudo será dialogado. O PMDB fará parte do núcleo da campanha, tem um programa de governo. Estamos fazendo uma coalizão político-eleitoral programática. Os partidos vão trabalhar juntos durante a campanha, deverão ganhar juntos e governar juntos.

O PT já divulgou diretrizes programáticas. Entre as sugestões do PMDB, o que haveria de novidade?

Posso antecipar duas coisas que me pareceram muito originais. Uma é a questão do Bolsa-Família. Estamos propondo uma espécie de poupança para as crianças do programa, que poderiam ser sacadas logo após ao término do ensino médio ou do ensino fundamental. Aliás, antigamente eu me lembro que os pais faziam poupança para o filho na Caixa Econômica Federal e ele retirava quando se formava. É um primeiro passo, né. A outra (proposta) é discutir a extensão do ProUni para o ensino médio e o fundamental. O governo, de qualquer maneira, abriu vários milhões de empregos. Agora é preciso abrir empregos para esse pessoal que teve a ascensão social. É a sequência natural do Bolsa-Família.

Como será a atuação do PMDB no núcleo de campanha? É o sr. que conduzirá isso pessoalmente?

Eu e mais alguns do PMDB. Na verdade, é uma candidatura do presidente e do vice-presidente. Portanto, vamos integrar todos um núcleo só de campanha. Os companheiros do PT já falaram sobre isso. Não será apenas do PT e do PMDB, mas de todos os partidos da aliança.

O ex-ministro Ciro Gomes critica a aliança PT- PMDB, e se referiu ao partido do sr. como um "roçado de escândalos", Que respostas o sr. daria?

Deu no que deu, né. Cada um tem o seu estilo. O do Ciro é mais desabrido. É claro que ele talvez tenha ficado abalado com todos esses fatos. Não fossem essas palavras exageradas acho que ele teria grande desempenho no país. Não acho que ele é uma peça a ser descartada. Ao contrário. É uma peça a ser aproveitada.

O que o sr. acha da chapa Serra-Aécio? PT e PMDB a temem?

Sou muito amigo do Aécio, amigo pra valer. Se ele fosse o vice eu teria certeza do nível elevadíssimo da campanha, assim como tenho a certeza de que Serra e Dilma levarão para o mesmo tom. Prefiro não dizer nada a respeito. Não há o que temer.

Postado por Chico Ludermir | Entrevista | 0 Comentários | permalink | imprimir | enviar
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Entrevista

PF cometeu abusos na minha investigação, afirma Tuma Jr.

POSTADO ÀS 09:37 EM 10 DE Maio DE 2010


Romeu Tuma Jr. (Foto: UOL)

Por Mario Cesar Carvalho da Folha de São Paulo

O secretário nacional do Ministério da Justiça, Romeu Tuma Jr., diz que a investigação da Polícia Federal que vinculou seu nome ao de um suposto integrante da máfia chinesa cometeu abusos. "Não da PF, mas de pessoas da PF. Fui investigado e chegou-se à conclusão que eu não deveria ser denunciado. O caso foi "arquivado", afirma.

Na investigação, a PF diz que há suspeitas de que Tuma Jr. ajudou o chinês naturalizado brasileiro Paulo Li a regularizar a situação de imigrantes ilegais e interveio para liberar mercadoria apreendida. Li, que foi assessor de Tuma Jr. quando ele era deputado estadual, está preso desde setembro do ano passado. O secretário não foi acusado formalmente à época porque o Ministério Público entendeu que não havia provas contra ele.

Em entrevista, Tuma Jr. diz que o caso foi encerrado no ano passado e voltou à tona por causa de seus ataques ao crime organizado. "O objetivo não é me investigar, é me desmoralizar".

 
FOLHA - O sr. já comprou celular e videogame contrabandeado, como sugerem as conversas gravadas?
ROMEU TUMA JR. - Eu estava em Viena e minha filha pediu para eu comprar um Wii para minha neta. Liguei para ela e disse que o Wii custava caro, 350, quase R$ 1.200. Ela me perguntou se não seria melhor comprar no Brasil. Liguei para o Paulinho. Uma coisa que tem de ficar clara é que eu tenho um amigo que é chinês. Não sou amigo de contrabandista. Se cometeu crime, deixa de ser meu amigo. Falei para o Paulinho: "Vê quando custa um Wii na Paulista". Ele liga de volta: "Custa R$ 950". Minha filha liga de novo e diz que o namorado da minha outra filha estava nos EUA, onde o Wii custa US$ 250. O jogo veio dos EUA.

FOLHA - E o celular?
TUMA JR. - Tenho esse celular há três anos, quando fui para a China. Só tem em Hong Kong. Tem um amigo meu, diretor do Corinthians, que ficou doente com o telefone. O Paulinho me liga: "Tá vindo um primo meu de Hong Kong". Pedi para ele comprar um telefone igualzinho ao meu. O cara trouxe o preto, não dourado. O meu amigo não quis e eu não comprei. Não é pirata. É um Motorola que só tem em Hong Kong.

FOLHA - Paulo Li é conhecido como contrabandista há alguns anos. O sr., que é delegado, não sabia disso?
TUMA JR. - Se for verdade, para mim é uma decepção. Sou policial há mais de 30 anos e tenho obrigação de conhecer quem faz coisa errada. Nunca desconfiei, até porque ele vivia numa situação difícil. Tinha um filho que estava sem emprego e eu arrumei emprego para ele no Corinthians. Ele estava tirando outro filho da escola porque estava sem dinheiro. Esse é o grande líder do contrabando?

FOLHA - A polícia diz que o sr. ajudava Li a regularizar a situação de chineses ilegais no Brasil.
TUMA JR. - Conheço o Paulinho há 20 anos e tem uns quatro e-mails em que ele pede informação sobre estrangeiros. É minha obrigação como servidor atender qualquer pessoa de uma área sob minha responsabilidade. Ele, eventualmente, pode ter pedido alguma coisa. Mas se houve atendimento é porque estava dentro da lei.

FOLHA - Mas Li é acusado de cobrar comissão para fazer isso.
TUMA JR. - Houve uma disputa muito grande sobre a data para anistia dos imigrantes. Decidimos que seria 1º de novembro de 2008. No Congresso, um deputado fez uma emenda colocando a data para 1º de fevereiro de 2009. Isso é um absurdo.
As pessoas iriam se aproveitar para colocar imigrantes no Brasil. É criminoso. Um deputado havia montado um esquema com policiais federais na Liberdade e cobravam por atestado. Foi o Paulinho que denunciou esse esquema.

FOLHA - O sr. avisou a polícia?
TUMA JR. - Pedi um inquérito. Foi um mês antes de o Paulinho ser preso. É por isso que ele me liga no dia da prisão. Tinha medo de que não fossem policiais, mas pessoas dessa máfia.

FOLHA - Numa gravação, um assessor do sr. tenta liberar aparentemente uma carga apreendida.
TUMA JR. - É outro absurdo. Se divulgassem a conversa inteira, veriam que não é mercadoria. São livros contábeis. Um empresário me liga e diz: "Veio um fiscal na minha loja e pegou os livros. Para devolver, ele quer R$ 30 mil." Falei: "Vamos prender o cara". Pedi para um assessor descobrir quem era o delegado da Receita na região. O empresário foi lá e denunciou.
Não cometi nenhum crime.

FOLHA - O sr. também é acusado de tentar ajudar a família da deputada Haifa Madi, presa com US$ 123 mil no aeroporto de Cumbica.
TUMA JR. - Recebi dezenas de telefonemas nesse caso, inclusive de pessoas do Judiciário. Me perguntavam se podia sair do Brasil com US$ 10 mil ou R$ 10 mil. Eu não lembrava. Era domingo. Liguei para um assessor e contei o caso. Quando soube que eles tinham sido presos na sexta à noite, dois dias antes, falei: "Então tá morto, tá putrefato". O que eu queria dizer é: por que me ligam se as pessoas já estão presas? Como fazem divulgação seletiva e criminosa dos diálogos, acham que estou dizendo que já não dá para ganhar uma nota.

FOLHA - É normal um secretário da Justiça ter esse tipo de conversa?
TUMA JR. - Sou servidor público e tenho obrigação de atender as pessoas. É natural que uma deputada ligue quando tem parentes presos. Isso não é crime.

FOLHA - Um assessor seu, Paulo Guilherme Mello, é investigado sob suspeita de ajudar a máfia chinesa. Por que o sr. não o afastou do cargo?
TUMA JR. - Ele é um policial federal e não posso prejulgar uma pessoa por uma investigação a que eu não tive acesso.

FOLHA - O sr. sabe por que seu depoimento não está no inquérito?
TUMA JR. - Isso é muito grave. Fui delegado de polícia e, se ouvisse uma pessoa num inquérito e não juntasse o  depoimento, estaria na rua. Isso é crime. Não tive direito a defesa.

FOLHA - O sr. acha que essa investigação da PF cometeu abusos?
TUMA JR. - Do jeito que essa investigação está sendo tratada, é um abuso. Não da PF, mas de algumas pessoas da PF. Fui investigado e chegou-se à conclusão que não deveria ser denunciado. O caso foi arquivado.

FOLHA - Por que uma investigação de setembro veio à tona agora?
TUMA JR. - Estou sendo vítima do crime organizado e de uma armação política muito grande. Com a política que  implantamos no ministério, virei símbolo do combate à lavagem de dinheiro, da cooperação internacional. Quando fui para a Comissão de Pirataria, é evidente que isso criou um desconforto. O objetivo não é me investigar, é desmoralizar. O crime organizado age assim: mata testemunhas e desmoraliza os chefes da investigação.

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entrevista

A grande incógnita é como será a relação de Dilma com o PT, diz Aécio

POSTADO ÀS 08:19 EM 12 DE Abril DE 2010



Christiane Samarco - O Estado de S.Paulo

Tucano diz que pré-candidata pode sofrer influência do ''PT ideológico e com problemas éticos''. Ele resiste em ser vice de Serra, mas o convida para abrir sua campanha em Minas

Ex-governador de Minas Gerais que deixou o cargo com popularidade recorde, Aécio Neves perdeu para o paulista José Serra o posto de pré-candidato do PSDB a presidente, mas não cultiva mágoa ou despeito. Certo de que a presidenciável petista Dilma Rousseff "é uma grande incógnita", Ele quer começar a campanha de Serra por Minas Gerais, como pré-candidato ao Senado e sem falar em vice. Os dois vão se reunir neste início de semana para marcar a data. Aécio vai propor dia 19.

"Condicionei meu descanso primeiro ao lançamento da candidatura no dia 10, e agora por mais nove dias", conta Aécio, que só sairá em férias depois de pedir voto aos mineiros. "Acho que a ida a Minas, no início de sua caminhada, tem o simbolismo de demonstrar a proximidade pessoal nossa, e de Minas e São Paulo, nesta eleição", avalia. Ao mesmo tempo, porém, o tucano adverte que não promete vitória a Serra. "Prometo o empenho. Ninguém induz o voto do eleitor, que é livre para fazer suas escolhas", diz Aécio, em entrevista ao Estado. "Vou tentar demonstrar que, para Minas e para o Brasil, a eleição de Serra é muito melhor."

O que o senhor achou do discurso de lançamento de José Serra?

Foi um discurso conceitual. Ele precisava abordar vários temas, fez críticas objetivas à ação do governo - jamais pessoais, o que achei muito positivo. Eu procurei falar antes dele, para superar constrangimentos de setores do PSDB que se atemorizam com a proposta do debate FHC x Lula.

Há razão para temer comparação? Ao contrário. Vamos para o embate. O PT comete o equívoco de restringir sua existência aos oito anos de governo Lula. Vamos reconstruir as nossas trajetórias e ver quem contribuiu mais para que chegássemos aonde estamos hoje. Não tenho dúvida de que nós do PSDB sempre tivemos muito mais generosidade para com o País do que o PT. Busquei despersonalizar a disputa, refazer o passado. A partir daí vamos discutir o presente.

Seu discurso de oposição, no lançamento, foi em tom acima do habitual.

Oposição ao PT, porque acho importante que o Brasil saiba qual é e qual foi a postura do PT nos momentos mais graves até aqui. O que me incomoda é ver o PT tentando vender aos brasileiros a ideia de que o Brasil das virtudes e do desenvolvimento foi construído por eles, quando, em vários momentos cruciais, eles preferiram priorizar o projeto partidário ao nacional. Negaram voto a Tancredo, apoio a Itamar Franco, porque Lula já aparecia em posição boa nas pesquisas para presidente, e na construção da estabilidade, no governo FHC.

Seu discurso no lançamento foi para conclamar a militância à luta eleitoral?

Falei com o objetivo de dar coragem aos nossos companheiros para enfrentar este debate no campo que o PT quiser. No campo ético, vamos lá. Se querem falar de privatização, quem pode ser contra a privatização da telefonia ou da siderurgia? Quanto a futuro e propostas para o Brasil, estamos muito mais preparados. E vamos discutir também o presente e o passado.

Mas o senhor não citou o nome da candidata adversária, Dilma Rousseff.

Eu tenho respeito pessoal pela Dilma e acho que esta campanha não pode ser personalizada. Se formos por este caminho, ela perde a essência, se amesquinha. Quero dizer o que o PT no governo representa. Principalmente o PT sem o pragmatismo e a autoridade de Lula, que o enquadrou na manutenção da política econômica atual.

Dilma não terá essa autoridade?

Esta é a grande incógnita. Ela terá que demonstrar durante a campanha como será a relação com o PT, como virá o PT ideológico do Estado máximo e que presença o PT dos problemas éticos terá no governo. Foram todos absolvidos e, no lançamento da candidatura dela, estavam muito sorridentes.

A disputa entre seus aliados em Minas já é sinal de que faltará comando?

Não é demérito. É natural que ela não tenha sobre o PT a liderança que o presidente Lula tem, por sua história, seu carisma e sua alta popularidade. A Dilma terá dificuldades e esta é uma preocupação que permeará a campanha.

Alguns tucanos, especialmente os paulistas, se queixaram da falta de empenho de Minas na última eleição.

Isso é falso. Está na cabeça de um ou outro áulico que não conhece Minas. Recebi um telefonema do governador Alckmin na quinta-feira, para dizer que não se lembra de ninguém que tenha se empenhado tanto na eleição dele como eu. O resultado da eleição você não define. O empenho sim, e este Serra terá. Alckmin e Serra, em 2002, tiveram. Só que disputavam com Lula, que era muito popular. Será que Alckmin teria os 40 e muitos por cento que teve em Minas não fosse o empenho muito grande nosso?

Com o Lula fora da eleição fica mais fácil dar vitória para Serra em Minas?

Lula é um adversário muito mais difícil. Agora, não prometo vitórias. Prometo o empenho, que será de todos nós. Ninguém fez mais gestos em favor da unidade do partido e demonstrou mais desprendimento do que eu. E não fiz isto com má vontade, contrariado. Apostei em uma proposta, apresentei ao País. Quando vi que o PSDB caminhava em outra direção e que insistir poderia provocar um cisma no PSDB, privilegiei o projeto de País porque acho extremamente importante que este ciclo que está aí se encerre.

O ciclo do PT não foi positivo?

Reconheço virtudes no presidente Lula, mas acho que o PSDB está muito mais preparado hoje para acabar com esse aparelhamento absurdo da máquina pública. E a ministra Dilma, com os méritos que tem, terá que entrar no debate de forma muito clara sobre o espaço desse PT ideológico, estatizante, que aparelha o Estado em razão da filiação partidária, o coloca a serviço de seus interesse, e muitas vezes insinua ações de restrição à liberdade de imprensa e às conquistas democráticas.

E o debate Serra x Dilma?

Esse é bom para nós também porque os nossos modelos de gestão vão estar em debate. Vamos demonstrar que a meritocracia é o antídoto ao messianismo, porque ela te permite dados objetivos de avaliação dos resultados na vida das pessoas. Os que apostam no messianismo, nos discursos e na autoproclamação da própria bondade temem essa comparação. Vamos contrapor esses dois modelos e acho que temos grandes vantagens. Lula será sempre reconhecido pelo Brasil como um presidente extremamente importante em um momento da nossa história. A perpetuação do PT no poder não é boa para o País.

Que vantagem tem o PSDB no embate de perfis Serra x Dilma?

São duas pessoas dignas, com histórias de vida respeitáveis e nós temos que partir deste pressuposto. O Serra resgata a eficiência na gestão pública como instrumento dos avanços sociais e representa uma política externa muito mais afim aos interesses do Brasil, inclusive os comerciais e pragmáticos, e não uma aliança meramente ideológica. Não há hipótese de interromper programas que estão dando certo, mas podemos aprimorá-los.

E a ministra Dilma ?

O grande senão que se coloca em relação a ela - e aí é um preço que ela paga exatamente por não ter tido a experiência de comando no Executivo, nem mandato eletivo - é qual será a presença desses setores ideológicos do PT e dos aloprados no seu eventual futuro governo. Ela terá que dizer aos brasileiros exatamente o que pensa de modelo de Estado, das instituições democráticas, da liberdade de imprensa, do aparelhamento do Estado e desse inchaço da máquina pública.

O senhor não promete vitória. Dá para vencer sem derrotar Dilma em Minas? O PSDB nacional diz que não.

Eu disse que não prometo resultado. Felizmente, cada eleitor brasileiro vale um voto, esteja ele no Nordeste, no Sul ou em São João Del Rei. Isto já é um avanço, porque antigamente os líderes indicavam seus sucessores. Eu, acima de qualquer projeto pessoal que possa ter tido, estarei absolutamente engajado na campanha do Serra por duas razões: vejo nele todas as condições de fazer um belo governo e acho fundamental encerrar este ciclo, porque o enraizamento desses setores que estão no governo pode ser muito perverso para o País.

Qual é o significado do convite a Serra para abrir o roteiro de viagens da pré-campanha em Minas Gerais?

É um gesto simbólico, para demonstrar de forma clara que estaremos juntos independentemente da minha posição e da candidatura que eu venha a disputar.

O senhor se refere a dúvidas quanto a seu engajamento na campanha?

Na verdade, esta dúvida está na cabeça de meia dúzia de pessoas que desconhecem a realidade de Minas e não acompanharam a campanha. Serra e o governador Geraldo Alckmin agradeceram o empenho e a forma como atuamos, frente ao adversário Lula, que era muito forte em Minas. A ida de Serra a Minas, no início de sua caminhada, tem o simbolismo de demonstrar a proximidade pessoal nossa, e de Minas e São Paulo, nesta eleição. Mas ninguém induz o voto do eleitor. O eleitor é livre para fazer suas escolhas. Eu vou tentar demonstrar que, para Minas Gerais e para o Brasil, a eleição de Serra é muito melhor.
 

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entrevista

A pior coisa é você parecer o que não é; tenho uma cara só, diz Serra

POSTADO ÀS 12:18 EM 11 DE Abril DE 2010

Da Folha de São Paulo

Tucano diz ter "conteúdo popular", mas admite que não é conhecido pela origem humilde; na segunda candidatura, diz estar mais preparado para presidir o país

Entre as reminiscências de infância do pré-candidato do PSDB à Presidência, José Serra, 68 anos recém-completados, aparecem imagens de caldeiras industriais do bairro paulistano da Mooca, a banca de frutas que o pai, Francesco, tinha no Mercado Municipal, a fila do pão na época da guerra e o futebol na rua com os amigos. "Nasci e cresci num bairro operário", faz questão de pontuar. No entanto, reconhece, não é visto como um político "popular", de trajetória humilde. Ainda assim, prefere não investir numa mudança de tom. "Não fico me programando muito porque a pior coisa é querer ser o que você não é. Tenho que ser como sou. Prefiro ter uma cara só."

Às vésperas de iniciar sua segunda campanha presidencial em oito anos, Serra afirma que seu pensamento sobre o Brasil mudou pouco desde que iniciou a carreira política, nos anos 60, no movimento estudantil, mas se diz mais preparado para governar o país.

Embora ainda evite entrar em polêmica com a candidata do PT, Dilma Rousseff, e discorrer detalhadamente sobre economia, Serra diz que pregará o "ativismo estatal" na campanha e defende um modelo de desenvolvimento que privilegie o "dinamismo industrial".
Também escapa da comparação entre os governos FHC -no qual ocupou as pastas do Planejamento e da Saúde- e Lula. "Quem vai julgar o governo do Fernando Henrique é a história. Quem vai julgar o governo Lula é a história." Serra conversou com a Folha por mais de uma hora na quinta à noite, no Palácio dos Bandeirantes, depois de solenidade em homenagem ao presidente do Chile, Sebastián Piñera.

 
FOLHA - O sr. disputará a Presidência pela segunda vez. Em que mudou de 2002 para 2010?
JOSÉ SERRA - De lá para cá, eu aprendi mais. Foi uma derrota na campanha presidencial de 2002, mas uma derrota sem sabor amargo, o que foi bom. Mas foi algo que marcou minha vida. Depois de um ano refletindo, em que fiquei fora, houve a Prefeitura de São Paulo, e depois o governo do Estado, aprendi muito mais. Não é que não me sentisse preparado em 2002, é que hoje me sinto mais.

FOLHA - Mudou algo nas suas relações políticas?
SERRA - Minha relação era boa, como é hoje. Na Constituinte, fui o parlamentar que aprovou a maior proporção de emendas. Não era só por ter boas ideias. Mas porque sabia articular, negociar. No Ministério da Saúde, consegui aprovar seis projetos de lei e uma emenda, até com apoio da oposição. Aprendi a conviver e negociar desde o movimento estudantil, não transigindo exageradamente.

FOLHA - Como assim?
SERRA - Tem-se que lidar com diversidade de interesses. Então tem que procurar somar, sem trair o que você é. Na política, você sempre anda num fio de navalha. De um lado, tem a traição, a negação dos princípios, o oportunismo. Do outro lado, você tem a intransigência. Você tem que procurar o equilíbrio que componha seus princípios com a busca de apoio.

FOLHA - Da esquerda à direita, onde o sr. se posicionaria no início da sua trajetória política e hoje?
SERRA - Acho que essa divisão entre direita e esquerda é cada vez menos prática e significativa. Na época de estudante, estava bem à esquerda. Mas, dentro da Ação Popular, eu era do centro. No MDB, PMDB, era da esquerda. Quando o PSDB começou, eu era do centro à direita. Depois, fiquei à esquerda do PSDB, sem ter mudado muito. A visão que tenho hoje não é diferente da que tinha na Constituinte a respeito do Brasil. Tenho as ideias mais ou menos parecidas, mas cada circunstância é diferente no tempo.

FOLHA - O sr. era presidente da UNE em 1964, quando houve o golpe militar, e foi exilado, mas não participou de luta armada. Por quê?
SERRA - Antes de 64, quando eu era líder ativo, não tinha nada de luta armada. Nem de estilingue. Aquilo que se diz, de subversão, dou meu testemunho de quem viveu e conhecia: não existia. Na época, as entidades estudantis tinham muito mais peso específico e força relativa do que hoje. Depois de 64, nunca estive a favor de uma estratégia de luta armada. Achava que só ia terminar radicalizando o regime e a repressão.

FOLHA - Era contra por uma questão tática ou filosófica?
SERRA - Pelas duas coisas. Nunca tive apreço pela violência.

FOLHA - O sr. é da Mooca, seu pai era feirante, mas essa origem não é associada a sua imagem política.
SERRA - Meu pai não era feirante. Ele tinha uma banca no Mercado Municipal. Mas o padrão de vida era semelhante. Não sei. É curioso. Um dia perguntei a duas jornalistas: "Vocês acham que meu pai era o quê?". Responderam: "Seu pai era um juiz, um empresário".

FOLHA - Talvez pelo fato de o sr. não ter um estilo popular.
SERRA - Tenho conteúdo popular. Além do mais, não tenho a menor dificuldade de relacionamento com o povo e com as pessoas. Mas não fico me programando muito porque a pior coisa é querer ser o que você não é. Tenho que ser como sou. Prefiro ter uma cara só. Não fico ensaiando isso. Quem convive comigo sabe que sou bem-humorado, engraçado... Não tenho a menor dificuldade nas ruas, com as crianças. O grande desafio é aparecer tal como sou.

FOLHA - Tem aliados seus que defendem uma mudança de estilo, que o sr. deveria falar com emoção.
SERRA - Mas eu falo com emoção. Quando estou emocionado. Sou realmente tímido. O teatro ajudou a vencer um pouco. Facilitou a comunicação. Na escola, os professores todos achavam que seria político.

FOLHA - Quando passou pela sua cabeça pela primeira vez o desejo de ser presidente da República?
SERRA - Não tenho claro. Amigas de minha mãe dizem que falava isso desde pequenininho. Confesso que tenho dúvidas. Não sei. Às vezes, as pessoas misturam. Mas desde muito tempo. Desde criança, já pensava em me envolver na política.

FOLHA - Por quê?
SERRA - Era uma coisa natural. Algo prazeroso. Para mim, a política é uma atividade prazerosa. Não é pelo brilho, pelo prestígio, pela badalação. É prazerosa quando te permite fazer acontecer as coisas, genuinamente. Foi assim no movimento estudantil. Depois, no governo Montoro, na Constituinte, no Ministério do Planejamento. Na Saúde, principalmente, porque havia uma margem para inovação imensa. Minha decisão de ser ministro da Saúde foi difícil. Não veio a público, mas foi difícil, porque era uma área muito complicada. Quando é que eu decidi? No momento em que me ficou claro o seguinte: vou para lá, posso não consertar tudo, mas a população vai ver que eu estou do lado dela, autenticamente. Mais que as coisas concretas, tinha alguém que estava ao lado dela por um melhor atendimento, uma coisa mais decente.

FOLHA - Consta que ser candidato a prefeito em 1996 e em 2004 também não foram decisões pacíficas...
SERRA - Não é que não era pacífico. Inicialmente, não queria mesmo. Não é por temer dar errado. Às vezes, você não está muito a fim. Olhando a posteriori, 96 foi um erro, mas 2004 foi um acerto. Não só por causa dos resultados, porque 2002 foi um acerto. Não tive hesitação. Num processo eleitoral, você tem derrotas ruins e derrotas boas. Claro que derrota é derrota, mas depende de como acontece. Disputei oito eleições: ganhei cinco e perdi três. Duas das que perdi não foram derrotas amargas: para prefeito em 88 e para presidente.

FOLHA - Por que o sr. hesitou mais quando decidiu deixar a prefeitura em 2006 do que agora?
SERRA - Hesitei mais? Porque era muito pouco tempo de prefeitura. Aqui não. Não há sensação de gestão incompleta: 39 meses é bastante. E todo mundo tem consciência de que está nos trilhos. Lá, eram só 15 meses. Acho que a cidade ganhou com isso. Com tudo que eu tinha assimilado a respeito da cidade, e com a minha equipe que ficou e o entendimento com o Kassab, fizemos muita coisa.

FOLHA - O sr. diz que seu pensamento sobre o Brasil mudou pouco. E o Brasil, em que mudou?
SERRA - O Brasil mudou muito. Da Nova República para cá, se afirmou o processo democrático, o período mais longo de democracia da nossa história, democracia de massas. Não se sonha, não se cogita intervenção militar. A Constituição pode ter lá seus defeitos, mas avançou muita coisa em matéria de liberdades, em matéria cultural. Ou na área social. Porque, ao fim e ao cabo, foi a nova Constituição que criou o SUS, que é talvez a principal conquista do povo brasileiro em matéria social no pós-guerra. Depois teve derrota da superinflação, que parecia impossível, depois de quase 15 anos. Realmente, foi uma conquista e tanto do país. Teve coisas importantes como a responsabilidade fiscal, o fortalecimento financeiro do ensino básico, a diminuição forte da inflação e uma retomada do crescimento.

FOLHA - Já dá para falar em um ciclo virtuoso de crescimento?
SERRA - Ainda não se tem elementos para achar que esse crescimento está garantido para adiante. Temos que dar luta para isso. Por isso que eu disse que o país pode mais. Pode manter esse crescimento e crescer. Fala-se que o Brasil saiu bem da crise. Depende da referência. Saiu bem comparativamente aos países desenvolvidos e até a alguns outros em desenvolvimento. Mas você teve do outro lado a China e a Índia, que tiveram altas taxas de crescimento. Não há razão da natureza para o Brasil não ter um desempenho semelhante, ou pelo menos mais próximo, ao de Índia e China. Precisa ter as políticas adequadas.

FOLHA - Quando o sr. faz esse inventário das conquistas da Nova República para cá, divide os méritos por todos os presidentes do período?
SERRA - São incomparáveis os períodos, porque cada um deles governou em situações diferentes. Quem vai julgar o governo do Fernando Henrique é a história. Quem vai julgar o governo Lula, anos depois que ele não estiver mais em posição de poder, é a história. O tema da eleição deste ano é o futuro, não o passado. É quem vai ser eleito e que capacidade tem para tocar o Brasil para a frente. Isso é óbvio, claro, transparente. O resto é estratégia eleitoral.

FOLHA - O sr. se definiria como desenvolvimentista?
SERRA - Acho que essa distinção entre gente preocupada com o desenvolvimento e gente preocupada com a estabilidade é muito simplista. Eu diria tola. Não faz muito sentido. A estabilidade é uma condição para o crescimento. É uma condição necessária, mas não suficiente.

FOLHA - Esse foi o embate entre o sr. e Pedro Malan no governo FHC?
SERRA - É um período muito recente para ser analisado. Havia diferenças, evidentemente. Mas nunca houve uma época da minha vida pública em que tivesse havido tanto folclore quanto aquela. A campeã de todas. Sempre nos demos bem, nos damos bem até hoje.

FOLHA - O sr. foi contra o Plano Real? Qual foi sua participação?
SERRA - Logo que o Fernando Henrique assumiu o Ministério da Fazenda, fiz um trabalho ajudado pelo Martus [Tavares] e pelo José Roberto [Afonso], meus assessores na época, para enfrentar o descontrole fiscal. Depois, participei no segundo semestre de 1993 de discussões sobre o plano propriamente de estabilização, com base em modelos esquematizados pelo André Lara Resende e pelo Pérsio Arida, com participação do Gustavo Franco. Dei a cobertura que podia. Agora, eu tinha dúvida sobre se ia dar certo no meio da eleição. É aquela coisa de o besouro voar: voa, mas você fica com dúvida, do ponto de vista da aerodinâmica. Muita gente da equipe também tinha dúvida sobre fazer naquele momento, queria adiar.

FOLHA - O sr. vai pregar na campanha o Estado ativo. O que significa?
SERRA - É o ativismo estatal, ativismo governamental, em contraposição ao Estado do passado, que se associou a um forte período de expansão da economia brasileira. De 1930 a 80 nós fomos uma das economias que mais cresceram no mundo. Agora, este é um modelo que se esgotou, e, em contraposição a ele, não se deve pensar no Estado da inércia, da improdutividade. O Estado deve ser forte, não obeso. Forte em seu papel de cumprir as funções básicas e ativar o desenvolvimento, a justiça social e o bem-estar da população. E eu defendo um Estado ativo. Minha trajetória é marcada por grande ativismo estatal-governamental, mas não estatização.

FOLHA - Qual é o modelo de desenvolvimento que o sr. prega hoje?
SERRA - Temos três modelos de desenvolvimento que estão postos. O primeiro é voltar à economia primária exportadora -com um pouco mais de valor agregado, mas ainda assim primária exportadora. O segundo é o da chamada economia de serviços, que prega que a indústria já foi. O primeiro não tem condições de gerar empregos num país com 200 milhões de habitantes como é o Brasil. O segundo é uma bobagem, porque os serviços são importantes, têm valor adicionado, mas se desenvolvem a partir de uma economia industrializada. O terceiro é um modelo industrial competitivo, não fechado, como no passado. É o único modelo capaz de gerar empregos e crescimento sustentado. O problema é que o Brasil está caminhando para o primeiro modelo, e eu acho isso errado. Não é que não tenha de exportar recursos primários, mas o Brasil tem um tamanho, uma dotação de recursos naturais e uma população que lhe permitem se desenvolver em várias direções. É um país agrícola, industrial, pode exportar produtos primários e mais elaborados. Esse é o grande desafio.

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Entrevista

PNDH 3: Pedro Eurico critica 'aloprados do PT' que querem Estado centralizador

POSTADO ÀS 19:21 EM 19 DE Janeiro DE 2010


(Foto: Alexandre Severo / JC Imagem)


Por Luiza Maia, especial para o Blog de Jamildo
luizamaia@gmail.com

Veja o que o deputado estadual Pedro Eurico (PSDB) pensa sobre pontos polêmicos do Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH 3):

BLOG - A criação da Comissão Nacional da Verdade é necessária ou já está fora de tempo, visto que os crimes prescrevem?

PE – A minha posição é que ninguém pode deixar de buscar a verdade histórica. É fundamental para um país que viveu uma ditadura de 25 anos investigar torturas e desaparecimentos. Acho que a posição do presidente Lula foi um grande retrocesso, quando recuou dessa medida. O Brasil precisa enterrar essa chaga.

BLOG - O programa prevê ampliação dos direitos dos homossexuais. Estava na hora de o governo se posicionar a favor disso?

PE – Eu acho que isso não é uma questão de o governo se posicionar a favor. Eu pessoalmente sou contra o casamento. Sou a favor dos direitos civis.

BLOG - Taxar grandes fortunas é abuso ou justiça?

PE – A taxação de grandes fortunas é necessária em qualquer país democrático que deseja minimizar as distorções financeiras. O que não pode ocorrer é uma fiscalização preconceituosa.

BLOG - Você acha que os artigos relacionados aos meios de comunicação são uma forma de cercear a liberdade de imprensa?

PE – Acho que temos de viver um clima de absoluta liberdade de imprensa. Qualquer forma de repressão a ela deve ser criticada. Quanto mais liberdade, mais transparência e mais democracia.

BLOG - O programa prevê livre exercício das religiões e respeitos aos cultos, mas proíbe a ostentação de símbolos religiosos em estabelecimentos públicos. Para você, é uma forma de limitar a liberdade ao culto?

PE – Isso é absolutamente ridículo, de quem não tem o que fazer. Se você estabelece liberdade de culto, não pode proibir que alguém coloque determinado símbolo religioso numa repartição pública. Isso não é questão nacional, mas coisa de quem não tem o que fazer.

BLOG - O programa prevê audiências coletivas com os envolvidos, em casos de conflitos de posse, agrários ou urbanos, antes da avaliação da concessão. O que você acha desse artigo?

PE – Ele fere o direito de propriedade e limita a ação do poder judiciário. Se o juiz decide por uma reintegração de posse, não se pode criar uma comissão para impedir. Ele é constitucional.

BLOG - A descriminalização do aborto representa autonomia para as mulheres ou homicídio?

PE – Eu acho que isso é uma questão de puro íntimo, que cabe às pessoas decidir. Eu não me posiciono sobre essa questão.

PE – O governo criou uma teia de aranha para ele próprio. O governo criou uma confusão. Isso faz parte da tendência dos aloprados do PT, que querem a todo custo ter um estado que tutele, centralizador. A democracia pressupõe liberdade. E não tutela de questões que não necessariamente são questões do Estado.

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Entrevista

PNDH 3: Humberto apoia taxação de grandes fortunas como forma de redistribuir renda

POSTADO ÀS 19:10 EM 19 DE Janeiro DE 2010


(Foto: Alexandre Severo / JC Imagem)


Por Luiza Maia, especial para o Blog de Jamildo
luizamaia@gmail.com

Veja o que o secretário estadual das Cidades, Humberto Costa (PT) pensa sobre pontos polêmicos do Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH 3):

BLOG - A criação da Comissão Nacional da Verdade é necessária ou já está fora de tempo, visto que os crimes prescrevem?

HC – Acho necessária por dois motivos: primeiro porque não só as pessoas têm direito de saber o paradeiro de seus entes como o Brasil precisa saber quem ordenou e realizou assassinatos; segundo porque só quando o povo brasileiro souber realmente o que aconteceu, poderemos nos prevenir de que aconteça novamente. Só quem conhece sua história pode se prevenir de possíveis ataques à democracia.

BLOG - O programa prevê ampliação dos direitos dos homossexuais. Estava na hora de o governo se posicionar a favor disso?

HC – Eu acho que cabe ao governo e à sociedade ter um posicionamento a favor dos direitos dos homossexuais. Essa é uma luta que já vem conquistando vitórias importantes. Eu sou a favor da ampliação dos direitos, inclusive da união civil estável.

BLOG - Taxar grandes fortunas é abuso ou justiça?

HC – No Brasil, temos uma enorme desigualdade, que mesmo com a melhoria da renda e das condições de vida das camadas mais pobres, ainda permanece. Essa diferenciação dos impostos é uma forma de redistribuir a renda.

BLOG - Você acha que os artigos relacionados aos meios de comunicação são uma forma de cercear a liberdade de imprensa?

HC – Não acredito que haja qualquer tipo de cerceamento. O que se questiona é que vão passar a existir meios concretos de coibir veículos que colocam em questão os direitos humanos. É óbvio que a sociedade tem o direito de se proteger de abusos que alguns programas e veículos realizam.

BLOG - O programa prevê livre exercício das religiões e respeitos aos cultos, mas proíbe a ostentação de símbolos religiosos em estabelecimentos públicos. Para você, é uma forma de limitar a liberdade ao culto?

HC – Eu sou meramente favorável à liberdade religiosa e ao estado laico. Se as manifestações religiosas têm lugar no espaço público, todos devem ter. A proibição serve para reafirmar o estado laico.

BLOG - O programa prevê audiências coletivas com os envolvidos, em casos de conflitos de posse, agrários ou urbanos, antes da avaliação da concessão. O que você acha desse artigo?

HC – A negociação ainda não existe no nível que deveria existir. Nós já vimos, pelos meios de comunicação, várias negociações por meio da violência. É louvável tentar a negociação pelo diálogo.

BLOG - A descriminalização do aborto representa autonomia para as mulheres ou homicídio?

HC – Eu defendo que a descriminalização deve se dar principalmente em virtude da saúde pública. Milhares de mulheres morrem todo ano no Brasil por realizar abortos em condições precárias. É preferível dar condições a estas mães do que manter este quadro dantesco.

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Entrevista

PNDH 3: Coutinho condena postura de 'esquerdóides' à la Hugo Chávez e chama plano de 'idiotice'

POSTADO ÀS 18:59 EM 19 DE Janeiro DE 2010


(Foto: Alexandro Auler / JC Imagem)


Por Luiza Maia, especial para o Blog de Jamildo
luizamaia@gmail.com

Veja o que o deputado estadual, líder da Oposição na Assembleia Legislativa, Augusto Coutinho (DEM) pensa sobre pontos polêmicos do Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH 3):

BLOG - A criação da Comissão Nacional da Verdade é necessária ou já está fora de tempo, visto que os crimes prescrevem?

AC – Crimes de fato precisam ser apurados, sejam eles cometidos por quem quer que seja. Não se justifica matar uma pessoa e não se responsabilizar e não pagar pelo que fez. Acho que precisa ser apurado, mas não de uma banda só. Não só atos dos repressores, mas também das guerrilhas, atos terroristas.

BLOG - O programa prevê ampliação dos direitos dos homossexuais. Estava na hora de o governo se posicionar a favor disso?

AC – Eu acho que sim. É uma tendência natural do mundo. A própria sociedade já convive com essa questão com muito mais maturidade e com muito menos preconceito. Sou a favor da união estável.

BLOG - Taxar grandes fortunas é abuso ou justiça?

AC – Eu acho que é justiça sim. Acho que quem tem mais, deve pagar mais; quem tem menos,deve pagar menos.

BLOG - Você acha que os artigos relacionados aos meios de comunicação são uma forma de cercear a liberdade de imprensa?

AC – Acho um absurdo essa postura dos “esquerdóides” à la Hugo Chávez. Tem muito petista que pensa assim e se vangloria com essas idiotices. Acho que o Brasil tem conseguido consolidar muito bem nossa liberdade de imprensa e que esses mecanismos que se apresentam são um retrocesso.

BLOG - O programa prevê livre exercício das religiões e respeitos aos cultos, mas proíbe a ostentação de símbolos religiosos em estabelecimentos públicos. Para você, é uma forma de limitar a liberdade ao culto?

AC – Eu acho que é uma coisa completamente sem sentido um decreto que conste uma determinação dessas. Não consigo enxergar o porquê de constar essa proibição.

BLOG - O programa prevê audiências coletivas com os envolvidos, em casos de conflitos de posse, agrários ou urbanos, antes da avaliação da concessão. O que você acha desse artigo?

AC – Acho um absurdo. O direito à propriedade é uma coisa consagrada e consolidada por todo o povo brasileiro. Nós temos por característica o direito à propriedade e não podemos aceitar que isso não seja respeitado, principalmente quando vemos movimentos como o MST realizarem ações que mereciam ser caso de polícia, não de defesa da reforma agrária. É inaceitável.

A descriminalização do aborto representa autonomia para as mulheres ou homicídio?

AC – Eu acho que essa questão do aborto deve ter alguns parâmetros e limites. O período de gravidez, por exemplo. Essa questão do aborto deve vir com algumas explicações claras. Mas, a princípio, não acho que seja um ponto a ser recriminado.

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Entrevista

PNDH 3: Para Isaltino, plano não impõe censura à imprensa

POSTADO ÀS 18:54 EM 19 DE Janeiro DE 2010


(Foto: Guga Matos / JC Imagem)


Por Luiza Maia, especial para o Blog de Jamildo
luizamaia@gmail.com

Veja o que o deputado estadual, líder do Governo na Assembleia Legislativa, Isaltino Nascimento (PT) pensa sobre pontos polêmicos do Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH 3):

BLOG - A criação da Comissão Nacional da Verdade é necessária ou já está fora de tempo, visto que os crimes prescrevem?

IN – Há necessidade de a memória no País ser preservada. Essa comissão tem como mérito resgatar os episódios, para que eles não voltem a acontecer. A população menor de 30 anos muitas vezes não sabem o que aconteceu nessa época.

BLOG - O programa prevê ampliação dos direitos dos homossexuais. Estava na hora de o governo se posicionar a favor disso?

IN – Já existe o programa Brasil sem Homofobia, que estabelece políticas para a população LGBT, criando centros de referências, entre outras atividades. Mas é necessário avançar em outras áreas, como o conceito de cidadania para os homossexuais, como inclusão de dependentes em plano de saúde, imposto de renda etc.

BLOG - Taxar grandes fortunas é abuso ou justiça?

IN – Devemos fazer justiça tributária no País. As pessoas que hoje têm melhor poder aquisitivo são as que menos pagam impostos. É necessário que aqueles que têm a melhor condição possam contribuir para minimizar a miséria do povo.

BLOG - Você acha que os artigos relacionados aos meios de comunicação são uma forma de cercear a liberdade de imprensa?

IN – Eu acho que é preciso resgatar o diploma para o exercício profissional. É importante que haja um conselho profissional, como têm os médicos, engenheiros. Isso vai proteger a população dos maus profissionais e os próprios jornalistas. Não vejo como intervenção ou censura, mas uma forma de garantir direitos aos usuários. Vamos avançar do ponto de vista de regras para disciplinar os meios de comunicação.

BLOG - O programa prevê livre exercício das religiões e respeitos aos cultos, mas proíbe a ostentação de símbolos religiosos em estabelecimentos públicos. Para você, é uma forma de limitar a liberdade ao culto?

IN – Se tiver de haver algum símbolo, deve haver o espaço ecumênico, onde todas as matizes religiosas possam se apresentar. Como o estado é laico e as repartições fazem parte desse estado, não vejo sentido de haver símbolos nesses lugares. As pessoas que desejam colocar símbolos devem colocar em seus espaços pessoais, não públicos. Os homens públicos não podem confundir sua atuação com a da instituição a que ele está vinculado.

BLOG - O programa prevê audiências coletivas com os envolvidos, em casos de conflitos de posse, agrários ou urbanos, antes da avaliação da concessão. O que você acha desse artigo?

IN – O Brasil é um dos últimos países onde não houve reforma agrária. Essa dívida social com a população mais pobre é muito grande. Acho que esse é um instrumento que possibilita que haja diálogo antes do uso da violência.

BLOG - A descriminalização do aborto representa autonomia para as mulheres ou homicídio?

IN – Eu acho que a lei já prevê alguns casos de possibilidade do aborto. Acho cabe à mulher o direito de se posicionar sore uma gestação ou não. Temos hoje milhares de pessoas em orfanato, sem que haja adoção, ou mesmo em presídios e espaços que guardam adolescentes e crianças. Provavelmente muitas delas foram geradas a partir de gestações não desejadas.

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Entrevista

Eduardo: Nossa prioridade agora, é a saúde

POSTADO ÀS 08:55 EM 20 DE Dezembro DE 2009


(Fotos: Alexandro Auler / JC Imagem)


Por Ângela Fernanda Belfort, Eduardo Machado, Paulo Sérgio Scarpa e Sérgio Montenegro Filho, do Jornal do Commercio
politica@jc.com.br

Se depender do governador Eduardo Campos (PSB), 2010 será o “ano da saúde” em Pernambuco. Assim como elegeu a segurança pública como prioridade para 2009, ele anuncia, agora, carga total nas ações de saúde. E diz que o impulso já foi dado, na semana passada, com a inauguração do Hospital Metropolitano Norte Miguel Arraes. Mas Eduardo quer mais. No primeiro semestre de 2010, promete inaugurar o segundo hospital metropolitano e as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) espalhadas pelo Estado, além de reformar e reequipar hospitais já existentes. Também articula um pacto com os prefeitos para acabar com a transferência desnecessária de pacientes para a capital.

O governador recebeu a equipe do JC em sua “sala de monitoramento”, um bunker montado há três anos, no segundo andar do Palácio do Campo das Princesas, onde ele costuma reunir secretários e diretores para traçar estratégias, discutir e cobrar ações. Bem equipada, a sala conta com uma grande mesa oval, sistema wireless de internet e três telões LCD, nos quais são exibidos gráficos, fotos e até imagens em tempo real das obras.

Para Eduardo, essa modernidade simboliza a nova cultura política e administrativa que diz ter implantado na sua gestão. Nesta entrevista, ele faz um balanço dos três anos de governo, se declara otimista com os números obtidos e comemora resultados em setores sensíveis como a segurança pública, educação, geração de empregos e atração de investimentos. Também reconhece deficiências em outras áreas, explica as dificuldades e promete corrigi-las. Candidato à reeleição, o governador continua esquivo ao falar sobre campanha eleitoral, assunto que só pretende tratar em junho, “para não atrapalhar a gestão”. Mas ao longo da conversa, de mais de duas horas, manda vários recados aos adversários e elogia o comportamento de alguns aliados, sobretudo o PT e o PTB.

JC – Foi difícil para os servidores públicos se adaptarem ao seu modo de governar?

EDUARDO CAMPOS – As mudanças que fizemos são de cultura. Em primeiro momento, geram reação, medo, preconceito. Mas quando se começa a vivê-las, vira um ciclo virtuoso. As pessoas se encantam e às vezes ficam mais apaixonadas que nós, que já estamos nele e o vemos como rotina. Na área da segurança, por exemplo, o pessoal chega para as reuniões, cada delegado, comandante, com seu laptop, seu programa, o estágio em que está a ação. Se está ruim, explica o problema e resolve, não fica escondendo. Não tem mais despacho com secretário. Se reúne todo mundo nessa sala, às claras.

JC – Os números mostram que os dois últimos anos foram os de maiores investimentos em Suape. Mas tem muita coisa pendente, como o acesso à Ilha de Tatuoca, que não saiu do papel e tem que estar pronto no primeiro semestre de 2010. A licitação passou quase o ano todo suspensa no Tribunal de Contas (TCE). Como o governo vai agilizar a estrutura que Suape precisa?

EDUARDO – Só em 2009, Suape recebeu quase o que recebeu em 30 anos de investimentos. Muitas coisas aconteceram rápido, como as vias de acesso, dragagens da área externa do porto, remodelamento do pier de granéis líquidos, questões de segurança. Outras, como essa de Tatuoca, são administrativas. Não temos problemas com recursos, eles já estão garantidos para Tatuoca. O projeto original foi redesenhado para ser mais barato e ter um acesso rodo-ferroviário, abrigar novos empreendimentos. Agora, o Tribunal de Contas é que pode dizer quando vai indicar a forma correta de fazer a licitação. O tribunal tem seus prazos, os nossos, nós cumprimos.

JC – O TCE atrapalha a sua gestão?

EDUARDO – Não. O TCE e os órgãos de controle têm seu papel. Nós temos um ritmo e eles, outro. Sempre que há um impasse, nossos procuradores e técnicos vão lá, dialogar com os conselheiros, com os técnicos responsáveis. Mas não posso interferir num órgão autônomo.

JC – Com tantos investimentos em Suape, o senhor não teme um desequilíbrio em relação ao resto do Estado? Como está a interiorização da economia após três anos de gestão?

EDUARDO – Temos que fazer de Suape um instrumento também de desenvolvimento do interior. O primeiro passo foi alterar a lei de incentivos fiscais no Estado. Quem investir no interior terá mais incentivos. Depois, foi a transposição do conhecimento. Com o governo Lula, através da Univasf, UFPE e UFRPE, levamos câmpus universitários ao interior. Na semana passada, lançamos um câmpus da UPE em Arcoverde. E tem as escolas técnicas, com ensino médio integral, cursos de capacitação em parceria com o Sistema S e o Ministério do Trabalho. Levamos o gás para Caruaru e inovamos. Quem pegar lá e levar para uma cidade próxima, sem ramal, tem desoneração total de impostos, para que o gás chegue competitivo. Essas políticas têm favorecido a montagem de fábricas como a da Perdigão em Bom Conselho, em Vitória, Escada, Caruaru, Petrolina.

E ampliamos o abastecimento de água. Quando tem água, universidades, banda larga, incentivos fiscais, tem crescimento. E se mede isso pela geração de empregos. Este ano, houve momentos em que o emprego foi gerado meio a meio, entre interior e capital. E há obras que animam a economia, como a Transposição do Rio São Francisco no Sertão, empregando quase dez mil pessoas. Como a adutora do Pajeú, empregando cerca de 500 pessoas. Como a Ferrovia Transnordestina, que vai gerar até junho cerca de sete mil empregos. Para a Transnordestina, o mais difícil eram os recursos, e conseguimos. Não tinha projeto, e fizemos. Veio o gargalo ambiental, e tiramos a licença. Houve problemas com as desapropriações, que resolvemos. Agora, acertamos o fluxo de liberação de recursos, tornando a obra irreversível.



JC – Com relação à segurança pública, a sua meta de redução da taxa de homicídios em 2010 vai ser de quanto?

EDUARDO – A meta continua (12% de redução ao ano). Chegamos à definição da meta fruto do Pacto pela Vida. Mudança nesse percentual, só se a Conferência Estadual de Segurança fizer. No ano em que não batemos a meta, não a mudamos. Agora que batemos, não vamos mudar. É uma meta ousada, e vamos nos esforçar para batê-la de novo no próximo ano. Há um processo de mudança na política de segurança. Tivemos resultados qualitativos e quantitativos. Colocamos a segurança como questão não só de polícia, mas resultado de um processo histórico, da desarrumação social, da importância na educação, cultura, esporte, mediação de conflitos.

Na face repressiva, percebemos que o primeiro investimento era em pessoas, qualificando as que já tínhamos e buscando mais. Fizemos uma mudança geracional nas forças da Secretaria de Defesa Social (SDS), para ser um processo sustentável, que desse perspectiva de carreira. Um soldado que ingressa hoje na PM sabe que daqui a 30 anos pode sair oficial. Essa nova política de recursos humanos é a troca da força pela inteligência. Fizemos as maiores operações policiais que o Estado já viu. Desbaratamos grupos de extermínio sem dar um tiro.

JC – Essa troca de força por inteligência se deu em que momento?

EDUARDO – Quando construímos com a sociedade um plano de segurança e desfizemos os velhos mitos de que iríamos trazer a paz com um modelo de truculência que alguns Estados ainda utilizam. Isso aconteceu quando escolhemos para o comando da SDS, da PM e da Polícia Civil pessoas que tinham compromisso com a ética, os direitos humanos, sem ambições ou preconceitos políticos. Tem gestores que serviram a outros governos, mas são profissionais de polícia, servidores públicos. Essa despolitização foi um ganho importante para o salto de qualidade, que, no final, tem a ajuda de todos.

Os policiais, hoje, estão recebendo reconhecimento moral, em casa, dos vizinhos, dos filhos que ouvem elogios à polícia. Hoje, a polícia é reconhecidamente mais ativa, está mais nas ruas. Isso nos estimula a avançar. Segunda-feira (amanhã) vamos inaugurar mais 150 câmeras e centrais de reconhecimento de imagem na Região Metropolitana, em corredores escolhidos por levantamentos estatísticos. E vamos poder entregar os novos Ciods e Ciodinhos, com mais 300 motocicletas na Operação Quarteirão. É outro ganho no Pacto pela Vida, o combate aos crimes contra o patrimônio, roubos de celular, pontos de ônibus, saídas de escolas e universidades, cruzamentos. Monitoramos as áreas e haverá a resposta rápida com as motos.

JC – Estava previsto a construção de três presídios e duas penitenciárias, que ainda não aconteceram. E o senhor vai desativar a de Itamaracá. Mas há mais de sete mil presos além da capacidade do Estado. Por que o Pacto não avançou na questão do sistema prisional?

EDUARDO – Temos penitenciárias completamente defasadas no que diz respeito ao resgate da dignidade, da recuperação das pessoas. Aquela área de Itamaracá precisa ter um outro olhar. Essa decisão está tomada. Temos a maior penitenciária em construção do Brasil, num modelo inovador, em Itaquitinga. Abrimos muitas vagas em cadeias públicas para presos não-apenados, para reaproximá-los das famílias e das comunidades. E estamos entregando penitenciárias como a de Abreu e Lima, Buíque, Garanhuns, Lajedo. Temos a construção de um presídio já pactuada, que é o de Tacaimbó.

JC – A coordenadora das varas de infância do Grande Recife comparou a Fundação de Atendimento Sócio-Educativo (Funase) a um campo de concentração. Não houve construção de novos centros . Há um plano quinquenal para a Funase. Por que não avançou?

EDUARDO – Temos muitos avanços na questão da criança e do adolescente. Pela primeira vez o fundo estadual da criança e do adolescente não é contingenciado no nosso governo. Ele aumentou enormemente. Depois, nós não permitimos a disputa de projetos, o direcionamento para projetos específicos. Passamos a ter aqueles que contribuem discutindo com o conselho, com a sociedade, sobre os programas. Investimos em recursos humanos. A Funase era cheia de prestadores de serviços, de vigilantes tomando conta dos meninos.

Hoje há empregos temporários, mas para criar os cargos com projeto de lei e fazer concurso público, coisa que não se faz de um momento para o outro. E o ambiente jurídico, seja a Justiça ou o Ministério Público, precisa entender que a solução única não é apenas internar as crianças. É preciso outras formas de cuidar. Pode dar mais trabalho, mas é importante cuidar delas fora dos presídios, em abrigos, com o fortalecimento das organizações sociais. Muitas vezes isso dá mais resultados que a velha prática de encher presídios.

JC – O que acontece hoje é superlotação, tortura e homicídio...

EDUARDO – Não vou dizer que a situação do sistema de acolhimento ao menor seja boa. É muito dura, mas temos tido atenção, investimentos. Não toleramos práticas de violência e a promotora sabe disso. Quem dirige a Funase é um ex-preso político, ex-torturado (Alberto Vinícius), que carrega, como eu, valores de respeito à pessoa humana. Essa é uma questão que eu não transijo. Agora, é um processo complexo.

Temos que desenvolver uma série de políticas. Não só internar. E tem que convencer a família, a promotoria, os juízes, os cuidadores da própria Funase, que acham isso natural. Inauguramos uma casa. É pouco, mas estamos fazendo. Contratamos mais gente e serviços direcionados à adolescência, como os centros da juventude, que trabalham muitos jovens que eram pretensos candidatos a internos. Eles estão sendo colocados no mercado de trabalho. Mas há um grande de um problema, no qual a mídia vem ajudando, que é o crack. Toca principalmente a juventude. As crianças são aviões dos traficantes, ficam dependentes e aumentam os conflitos na periferia.

JC – O senhor falou, no final de 2008, que 2009 seria o ano de colher frutos na segurança pública. Em 2010, vai colher frutos da saúde, que o senhor acabou de citar como o principal problema?

EDUARDO – Com certeza. A saúde já era um grande problema quando eu era candidato. Nós fizemos um estudo e diagnosticamos que, na pesquisa estadual, ela não aparecia com tanto impacto. Mas nas conversas com a população, nas pesquisas em profundidade, já era um problema bem próximo de segurança e desemprego. Há o baixo financiamento da saúde pública, o fechamento de milhares de leitos em clínicas privadas credenciadas. Muita gente da classe média deixou de pagar planos de saúde. Ficou tudo em cima do SUS. Estabeleceu-se uma grande pressão. E do outro lado aumentou a ação básica de saúde, que começou a conduzir aos hospitais pacientes que não conseguiam respostas, engarrafando o sistema. Eu acredito em planejamento, e é assim que eu ajo.

JC – Então, agora, a meta é a saúde?

EDUARDO – Nosso primeiro ano de governo foi para chegar e equilibrar as contas do Estado, que vinha há anos com problemas de balanço. Até 2006, segundo o relatório do Tribunal de Contas, Pernambuco apresentou déficit, que vinha desde o último ano do governo Joaquim Francisco, do governo Arraes e do governo Jarbas/Mendonça. Não estou querendo acender nenhum debate menor. Estou fazendo uma constatação. Terminamos 2006 com as contas equilibradas e tiramos projetos e investimentos estratégicos do papel, como o estaleiro e a refinaria. No segundo ano, fomos em cima da educação e tivemos uma marca nas ações. Hoje, ela está bem encaminhada, embora todo dia tenha coisa para cuidar. No terceiro ano, foi a vez das ações na segurança pública, onde ainda vamos fazer muita coisa. Agora, é vez da saúde. Daqui para o fim do primeiro semestre, vamos ter as UPAs funcionando, dois novos hospitais e mais um sendo concluído. Além de reformas nos hospitais existentes.

JC – O senhor terá três hospitais novos na RMR, e já tem o da Restauração. No interior, há muitos hospitais com dificuldades. Como evitar a migração de pacientes para a capital?

EDUARDO – Nós recompletamos, com concursos públicos, os principais plantões de hospitais no interior. Estamos pactuando com os prefeitos, em cada microrregião, ações intermediárias dos municípios para que nossos hospitais regionais não sofram isso. A ausência de um Programa de Saúde da Família (PSF) numa cidade faz com que uma pessoa com uma dor de cabeça vá para a porta da emergência de um hospital. Estruturamos no interior serviços que mais atraíam gente para a capital. Por exemplo: não tinha hemodiálise em Palmares, e todos os pacientes vinham para o Recife. Aí, credenciamos uma clínica privada e cerca de trezentas pessoas deixaram de vir nos ônibus e vans. Salgueiro também não tinha, e botamos. Não tinha serviço de oncologia em Caruaru, credenciamos e as pessoas não vêm mais para cá. Agora, é preciso ter esses recursos lá. Ter clínicas que prestem bons serviços no interior.



JC – E a rede pública?

EDUARDO – Vamos melhorar nossos hospitais. Alguns, no interior, estão em boas condições. Outros estão passando por reformas. O quantitativo de pessoas já foi colocado. Cuidamos da direção, manutenção e área médica. Também começamos a chamar os prefeitos para dizer que é preciso ter um PSF na cidade. Não é simplesmente pegar uma ambulância e mandar o paciente para a capital. É preciso atender primeiro lá. Muitas vezes, é uma ambulância de um vereador, que pensa que o paciente vai ficar devendo um favor. É um processo de educação, de transformação. E não se esgota em quatro anos. Mas estamos encarando o problema e construindo soluções. Ampliando e reformando hospitais, levando serviços ao interior. Criando uma rede de atenção no Estado.

JC – Há um ano eleitoral pela frente, e o senhor tem uma série de tarefas para cumprir. Como vai compatibilizar?

EDUARDO – Se eu tivesse entrado na discussão eleitoral, como muitos queriam, com certeza não teria entregue as ações e obras e o governo não teria o apoio da sociedade. Porque no Brasil tem eleições a cada dois anos. Tomei a firme decisão de manter o foco no trabalho. Não tenho a intenção de cuidar de eleição nem tão cedo. Eu não estou nem pensando que 2010 é ano eleitoral. Quando chegar em junho, no prazo para as convenções partidárias, vamos tomar as decisões. Não tenho porque estar ansioso. Nunca marquei um prazo para não cumprir. Mas se andarmos pelo Estado, a discussão não é essa. Esse micro-clima eleitoral só existe na sede dos partidos e nos jornais. Em 2010 teremos um grande ano. Trabalhamos duro em 2009, investimos, geramos empregos no ano da maior crise do capitalismo mundial. Nunca tivemos tanta fé no futuro. E não vou parar para discutir um assunto que posso discutir lá na frente, nas convenções.

JC – Falando assim, parece que tudo de bom no Estado vem da sua gestão. Não é uma visão simplória, e até eleitoreira?

EDUARDO – Nossa gestão é de 2007, 2008, 2009 e 2010. Não sou dado a simplismos nem eleitoralismos. É claro que não fundamos Pernambuco. Ele já existia antes mesmo dos portugueses chegarem, quando havia os índios. Agora, no nosso governo estão acontecendo coisas que poderiam ter acontecido em outros governos e não aconteceram. Pernambuco teve muitos políticos com força no cenário nacional. Ministros, vice-presidente.

JC – Mas o estaleiro e a refinaria não estão sendo instalados aqui só por causa de Eduardo Campos. Já havia entendimentos anteriores...

EDUARDO – No dia 1º de janeiro de 2007, o que tinha lá no terreno no estaleiro? Só temos estaleiro e refinaria porque o Brasil tem o presidente Lula, que nossos adversários agridem todos os dias. A refinaria foi decisões da Petrobras, empresa que os nossos adversários queriam vender. Foi Lula quem tomou a decisão da refinaria, não foi este governo nem o anterior. O estaleiro idem, para reforçar a indústria naval que foi destroçada pelos governos neoliberais dos adversários de Lula, que pagavam sete bilhões de frete alugando navios na Coréia. O estaleiro ia para o Espírito Santo, mas Lula interferiu e pediu que os empresários olhassem para Suape.

Quando eles ganharam o contrato, o governo anterior deu uma área que era insuficiente. E era preciso fazer um conjunto de ações, como acesso, treinamento de pessoal, fornecimento de água e energia, benefícios fiscais. Eu teria muito gosto de assumir o governo com o estaleiro pronto. Mas fomos nós que tivemos que fazer tudo isso. Em 2005, eles botaram uma pedra fundamental e mais nada! Quem ligou a primeira máquina no terreno da refinaria - está nos jornais - foram os presidentes Lula e Hugo Chávez e eu. Isso dá dor de cotovelo em muita gente, mas eu não sei o que fazer para curar isso.

JC – Não é por causa do apoio social que o senhor diz receber que, este ano, praticamente não houve oposição no Estado? Esse governismo exagerado não é pouco saudável para a democracia?

EDUARDO – Respeito a oposição. Acho que é do jogo democrático. Mas não vou ficar cuidando da oposição, e sim da base do governo. Agora, não se pode deixar de perceber que há em Pernambuco uma nova forma de fazer política. Eu não pautei o dissenso, a briga pequena, o ódio e o ressentimento. Não fiquei falando mal dos adversários. Uma das primeiras ações após ganhar as eleições foi tentar construir uma paz política em Pernambuco. Eu e minha família passamos muita coisa. Eu e meu avô de 80 anos ouvimos muitas agressões. E dei a volta, ganhei as eleições e tive maturidade para fazer dessa vitória a construção do futuro, e não um ato de briga. O povo reconhece nas ruas. Mesmo quem não vota em mim me respeita por não fazer atos de revide. Não olhar pelo retrovisor. Acho que minha atitude tem aproximado muita gente. Nunca construí cercas, e sim pontes.

JC – Se vier a enfrentar o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB) em 2010, vai ser possível manter esse clima?

EDUARDO – Com uma pergunta dessas, estaria me antecipando sobre 2010. Não vou falar nada (risos). Mas quem viver, verá. Esse é meu jeito de ser. Estou terminando o ano muito feliz com os resultados e otimista com 2010. Fiquem certos que vocês vão me ver cada vez mais leve.

JC – O PTB, seu aliado, viveu um processo grave há pouco, que culminou na saída do secretário de Turismo, Sílvio Costa Filho. Qual a sua visão disso?

EDUARDO – Eu já disse que esse assunto para mim está encerrado. O resultado do nosso governo eu compartilho com a equipe e com os aliados. Temos um expressivo apoio de todos esses partidos que nos ajudam a governar. Sou grato a todos, inclusive ao PTB. Esse modelo de gestão que implantamos teve a ajuda do empresário Jorge Gerdau, e o primeiro encontro com ele teve a participação do deputado Armando Monteiro, presidente do PTB e da CNI (Confederação Nacional da Indústria).

JC – E a relação com o PT? O senhor se arrepende de ter nomeado o ex-prefeito João Paulo para a equipe?

EDUARDO – Também já dei esse assunto por encerrado. O PT é um grande partido, com relevantes serviços prestados ao Brasil e com a maior liderança do País, o presidente Lula. Tenho grandes amigos, entre eles o prefeito João Paulo, companheiro de longas jornadas, e ainda teremos muito chão pela frente juntos.

JC – Mesmo quando o PT faz greve na área de educação?

EDUARDO – Tem greve até na prefeitura do próprio PT. Mas são sindicalistas que pensam que aquela é a forma de buscar resultados. Nós entendemos que é uma forma esgotada. É preciso valorizar o diálogo com o movimento sindical como valorizamos, com transparência nos números, acompanhamento das contas públicas e o Dieese na mesa de negociação. Isso vai construindo um novo tipo de relação, e eu trato essas questões com naturalidade, com diálogo, mas com firmeza. Nós garantimos o funcionamento das escolas, tomamos a posição de não negociar dias parados, pela primeira vez no Estado, e espero continuar dialogando. tenho muito respeito pelos professores e pelo que estamos fazendo juntos.

JC – Tem alguns partidos de olho na vaga de vice na sua chapa. O nome continuará sendo João Lyra Neto?

EDUARDO – Todo mundo sabe da confiança que tenho em João Lyra. Um companheiro de muitos anos de vida pública honrada, digna, leal, correta. Nós temos tido dele a militância para o êxito do governo. Quanto à questão de chapa, só falarei em 2010. Sobre essa briga aí, de vez em quando leio nos jornais (risos).

JC – É possível fazer um governo de resultados no Brasil sem ferir a ética?

EDUARDO – É sim. Até porque um governo com um modelo correto de gestão zela pelos recursos públicos, faz render. O Brasil avançou, com o fortalecimento dos órgãos de controle, da liberdade de imprensa. É preciso continuar avançando com uma reforma política que garanta financiamento público de campanha, para que as pessoas de bem, nos mais diversos partidos, possam continuar na vida pública. Não é que o financiamento público vá assegurar que o vigarista não cometa erros. Quem vai garantir isso são os órgãos de fiscalização. Mas a permanência na atividade política das pessoas que militam na causa por ideal exige uma profunda reforma política.

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Entrevista

Humberto Costa: 'Posso discutir a opção do Senado'

POSTADO ÀS 16:57 EM 06 DE Dezembro DE 2009


(Foto: Alexandre Severo / JC Imagem)


Por Sérgio Montenegro Filho, de Política /JC

Quem pensa que o cargo no primeiro escalão estadual toma todas as atenções do petista Humberto Costa, está enganado. Embora empenhado nos projetos da Secretaria das Cidades – que, de quebra, lhe garantem boa visibilidade política no Estado – ele não tira o olho da corrida eleitoral de 2010, nem descuida do mapeamento de espaços no PT. Seu grupo, o Construindo um Novo Brasil (CNB), venceu as eleições internas e manteve a hegemonia na legenda.

Mas a queda de braço com a corrente do ex-prefeito João Paulo – o Campo de Esquerda Unificado (CEU) – continua. Tanto que, nesta entrevista ao JC, Humberto manda vários recados aos rivais.

Avisa que levará à comissão de ética do PT as denúncias “infundadas” das quais diz ter sido vítima durante o Processo de Eleições Diretas (PED) no partido, acusa o CEU de promover a discórdia na sigla, e vai além: embora afirme que o mais importante não é o PT disputar o Senado, mas sim ajudar a consolidar a eleição de Dilma Rousseff para presidente e a reeleição do governador Eduardo Campos (PSB), ele admite que, se for “convocado”, pode sim discutir a hipótese de assumir uma vaga na chapa majoritária governista.

JC – Depois de tantas brigas e com o clima de acirramento predominante entre as correntes, qual a sua perspectiva de futuro para o PT?

HUMBERTO COSTA – É uma perspectiva positiva. Tivemos uma participação grande no PED, 30 mil pessoas no Estado votaram. O resultado é inquestionável, até pela margem. Ganhamos o diretório estadual com mais de 50%, temos maioria sozinhos, ganhamos a eleição para presidente do partido com uma diferença de 4.200 votos. Politicamente, o PT continua sendo um ator importante no Estado. Seja por nossa boa administração na Prefeitura do Recife, que é nossa principal vitrine, e também nas outras prefeituras, seja pelo desempenho dos nossos parlamentares, e seja pelo trabalho no governo Eduardo Campos, que o PT tem feito.

JC – Vai haver mesmo briga nas instâncias nacionais e na Justiça, ou há chances de se contornar o confronto no Estado?

HUMBERTO – Nós também recebemos várias denúncias. A nossa diferença para esse pessoal é que não vamos aos jornais fazer acusações sem provas. Isso é gravíssimo. Por exemplo, no episódio em que Fernando Ferro disse que havia uso da máquina, que no dia do PED tinha umas kombis colocando gasolina num posto que tinha convênio com a secretaria (das Cidades). Esse tipo de convênio há muito tempo não existe. A gente bota gasolina com um cartão que tem um chip vinculado ao carro. Não há possibilidade de usar o dinheiro da secretaria para isso. Vamos levar essas coisas à Comissão de Ética porque entendemos que esse tipo de denúncia termina desgastando a imagem do partido. Já as denúncias que recebemos contra eles, apresentamos aos diretórios municipal, estadual e nacional. A diferença é que eles vão à imprensa com acusações sem comprovação, e nós levamos as coisas ao partido e à Justiça.

JC – É possível retomar o diálogo e construir uma unidade para 2010 no partido? Quem tem que tomar a iniciativa?

HUMBERTO – Acredito que sim, até porque tivemos brigas muito mais pesadas que essas e o partido conseguiu se unir. Em 1998, por exemplo, na definição de apoio a Miguel Arraes, no Náutico, terminou numa briga que voou cadeira e tudo. Em 2000, estivemos juntos apoiando a candidatura de João Paulo e ganhamos as eleições. Eu diria que nosso grupo tem muito mais espírito partidário que outros companheiros do PT, que às vezes, num embate eleitoral, não têm um empenho num candidato que não seja ligado a eles.

JC – Petistas mais antigos, que ajudaram a construir o partido, afirmam que o PT deixou de lado as discussões ideológicas e partiu para a briga por poder. O senhor concorda com essa tese?

HUMBERTO – É óbvio que há diferentes concepções políticas e ideológicas no PT. Aqui, o que nos opunha historicamente ao CEU era a política de alianças. Sempre fomos defensores da Frente Popular, brigamos para apoiar Arraes em mais de um episódio. Em 1996, renunciei à minha candidatura a prefeito porque o partido impediu que eu fizesse uma coligação mais ampla. Essas divergências têm como fundo concepções ideológicas, que não deixaram de existir. Mas reconheço que, hoje em dia, a disputa por espaço político termina se sobrepondo às questões partidárias. E isso está enfraquecendo o PT. Imagine se todos estivéssemos unidos, João Paulo, João da Costa, nosso grupo. Teríamos muito mais poder para exercer influência no Estado.

JC – Como fica a relação entre CNB e CEU no Estado a menos de um ano das eleições?

HUMBERTO – Nós não estamos intrigados de ninguém. Tentamos fazer política com racionalidade, com a cabeça e não com o fígado, mesmo tendo sido caluniados. Sabemos que o partido está acima disso. Vamos tentar o caminho da unidade. Óbvio que é preciso deixar a poeira sentar, mas vamos tentar retomar o diálogo com João Paulo, João da Costa, e pensar o futuro do PT.

JC – O senhor relaciona a decisão de João Paulo de entregar a secretaria com uma tentativa de se desvencilhar do controle do governador Eduardo Campos? Ou foi mesmo uma disputa política com Fernando Bezerra Coelho?

HUMBERTO – Só posso julgar pelo que João Paulo disse, que saía por razões de ordem pessoal. E quando alguém usa isso como argumento, não há como se contestar ou julgar. Eu tive oportunidade de falar com ele dois dias antes, e ele me falou que estava pensando em sair do governo, mas não apresentou a razão. Apenas ponderei que seria ruim para o PT, mas respeito as razões dele. Não tenho como avaliar.

JC – O ex-prefeito João Paulo diz que a candidatura dele ao Senado está descartada, porque o CNB advertiu que quem vai escolher o nome é a corrente majoritária no partido. Afinal, quem decidirá o nome do candidato majoritário?

HUMBERTO – Quem vai decidir, primeiro, é o partido, que está organizado e vai dar uma palavra. Mas vamos ouvir todos os partidos da Frente Popular, o governador, o PT nacional, o próprio Lula e Dilma. Não vai ser uma decisão solitária. Ao contrário, nossa corrente se pauta sempre por não amesquinhar o processo no PT. Nós apoiamos João Paulo em 1996, em 2000, em 2004. Abrimos mão de prévias em 2008 e marchamos com João da Costa. Não seria diferente agora. Não há isso de que o CNB é quem vai decidir. Até porque a candidatura é um detalhe. O importante é o projeto, que envolve a eleição de Dilma e de Eduardo Campos. Quem vai representar o PT na chapa majoritária não pode ser alguém imposto, tem que ter espaço na sociedade, entre os aliados. Tem que somar.

JC – João Paulo desistiu de brigar pela indicação argumentando que não tem chances de ser indicado. E no momento seguinte, propôs seu nome para o Senado. O senhor está disposto a entrar na disputa? O que levou seu correligionário a levantar essa proposta?

HUMBERTO – Em nenhum momento me apresentei como candidato a senador, por essas razões que eu falei. Estou me preparando para ser candidato a deputado federal, estou buscando apoios para isso, construindo isso de forma a não gerar nenhum constrangimento para o governo. Mas da mesma forma que, em outros momentos, eu não fugi de uma convocação do PT, se mais à frente o partido, o governador, a Frente Popular ou Lula entenderem que meu nome pode contribuir nesse processo, posso discutir a hipótese. Mas eu nem lancei meu nome como senador nem renunciei a nada.

JC – Há quem afirme que o senhor tem agido como quem pretende disputar uma eleição majoritária, acompanhando o governador pelo Estado, inaugurando obras da sua pasta. As Academias da Cidade, por exemplo, são obras de grande visibilidade política...

HUMBERTO – Da mesma forma como trabalhei no governo Lula, trabalho no governo Eduardo Campos. No caso de Lula éramos todos do PT, mas no caso de Eduardo, que é de outro partido, minha dedicação é ainda maior. A Academia da Cidade, construção de moradias, PAC, CNH Popular, tudo isso é ação do governo e melhora a imagem do governo. Se indiretamente isso pode me ajudar, pode ser como candidato a deputado. O fato de eu viajar com o governador, tentar construir ações em todos os lugares não quer dizer que eu esteja almejando uma candidatura majoritária.

JC – Aliados seus afirmam, nos bastidores, que no caso de uma decisão da Justiça em seu favor, o absolvendo no caso da Máfia dos Vampiros, o senhor poderia estar mais próximo de uma majoritária. Existe essa relação?

HUMBERTO – Eu não estou preocupado com isso. Até porque, não acredito que em Pernambuco alguém tenha acreditado que aquilo fosse uma coisa séria. Foi colocado no período eleitoral e, passada a eleição, meus acusadores não continuam a repetir isso. E judicialmente eu já obtive várias reparações. Foi o caso do DEM, e agora do PTN, com quem estamos fechando um acordo para eles se retratarem da utilização daquele episódio. Há outros que estou processando e que com certeza terei um resultado positivo muito breve. Além do mais não estou preocupado porque em nenhum momento eu me lancei candidato majoritário. O processo judicial é uma reparação que quero que seja feita diante da sociedade. Quero provar ao povo que não me envolvi em nenhum ato de corrupção.

JC – Com a perspectiva de lançamento de dois candidatos governistas à Presidência da República, colocando em palanques diferentes o PT e o PSB, como fica a aliança entre petistas e socialistas no Estado? É possível manter um só palanque?

HUMBERTO – Não acredito nem em dois palanques em nível nacional. Tudo que Eduardo Campos tem dito, além da conversa que tive com Ciro Gomes no Sertão, indicam que essa candidatura dele só vai prosperar se for interessante para o nosso projeto. Para dar continuidade ao projeto do governo Lula. Mas se o entendimento é de que ela venha a criar dificuldades, ela não acontecerá. E se acontecer, será tão negociada que aqui em Pernambuco não vamos estar obrigados a ter uma candidatura do PT a governador. O PT teve um papel fundamental na eleição de Eduardo Campos no segundo turno, para que ele vencesse com a margem que ele venceu. E dentro do governo temos contribuído para a gestão dar certo. Temos nos colocado de uma forma que a nossa lealdade é inquestionável. O PT, pelo fato de ter grandes lideranças, pode contribuir para um bom resultado em 2010. Por que razão teríamos uma disputa na esquerda? Ter duas candidaturas aqui seria algo artificial, não seria uma estratégia ditada pela política.

JC – Caso João Paulo decida ser candidato a deputado federal, existe a possibilidade de o PT formar uma chapinha, podendo repetir o que Miguel Arraes fez em 1990, quando elegeu mais cinco parlamentares?

HUMBERTO – Ninguém descartou a candidatura de João Paulo a um cargo majoritário. A nossa vitória no PED não elimina ninguém. Vai fazer com que a discussão aconteça dentro de um contexto político. Acho que o PT deverá ter espaço na chapa majoritária, até por um reconhecimento da Frente Popular. E a nossa contribuição para a continuidade do projeto tem que ser ampla e generosa. O melhor caminho é o PT estar com os outros partidos em uma ou duas grandes chapas proporcionais. Lógico que não decido pelo partido, mas não vejo nenhum desenho em que o PT tivesse como sair em uma chapinha.

JC – O senhor tem falado muito no nome do prefeito João da Costa, que nem é do seu grupo. Ele já está firmado como liderança do PT ou o senhor está dando impulso a isso?

HUMBERTO – Vejo João da Costa como uma liderança real. Um prefeito de uma capital como o Recife de forma alguma é uma liderança secundária. Depois, seria muito bom para o PT se pudéssemos quebrar essa polarização que a imprensa cristalizou. Vejo João da Costa como um interlocutor a mais no partido, mas não temos nenhum desejo de cooptação. Queremos que o PT seja plural, que essa polarização seja esquecida e que surjam novas lideranças.

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Entrevista

Gustavo Krause: 'Não é só o eleitoral que motiva uma candidatura'

POSTADO ÀS 10:08 EM 22 DE Outubro DE 2009


(Foto: Alexandre Severo / JC Imagem)


Por Ana Lúcia Andrade, de Política / JC

Ele foi o candidato do então governista PFL – com o apoio de Jarbas – para o embate contra o então favorito Miguel Arraes (PSB) na eleição estadual de 94. No momento em que as legendas hoje na oposição, e agora num esboço de aliança mais ampla, se preparam para enfrentar o neto de Arraes, Eduardo Campos (PSB), Gustavo Krause (DEM) desabafa e dá o seu testemunho do que conta na armação de um palanque com essas características. Assegura que não foi para sacrifício algum, naquela época, pois tinha consciência das dificuldades, mas sobretudo do papel “político e histórico” que desempenharia.

JC – Se o debate de 2010 se der em torno de um candidato para competir, como será essa discussão? O que é considerado num debate nesses termos? A vontade do candidato é o que conta?

GUSTAVO KRAUSE – Primeiro vamos ao contexto da época (da eleição de 94, quando ele foi escolhido o candidato do PFL). Eu era deputado federal, tinha tido uma rápida experiência no Ministério da Fazenda, o que me deu uma certa notoriedade, e tive uma passagem razoável na Câmara dos Deputados, o que me daria talvez uma eleição mais tranquila.

JC – Mas o candidato em potencial não era você?

KRAUSE – Não. Os candidatos potencialmente fortes eram Jarbas Vasconcelos, que tinha dois anos de prefeitura, e Roberto Magalhães. No plano nacional havia Lula disparado nas pesquisas, e se esboçava uma aliança entre o PFL e o PSDB. Com a entrada em vigor do Plano Real, o PFL percebeu que poderia apontar para um cenário favorável, que desse para disputar.

Na época Fernando Henrique (PSDB) relutava muito. Ele estava fragilizado eleitoralmente e tinha quatro ou cinco pontos percentuais nas pesquisas, isso por volta de fevereiro ou março de 94. No caso específico de Pernambuco, começou a se desenhar a não candidatura de Jarbas e a de Magalhães, por uma série de motivos que cabe a cada um avaliar, e emergiu um candidato forte que era Miguel Arraes (PSB, então oposição). Eu percebi ali, era começo de abril, que aquilo iria sobrar para mim.

JC – Que você seria um candidato para competir apenas?

KRAUSE – É, mas acontece que eu tinha a perspectiva de que a aliança (nacional entre PFL e PSDB, para a eleição presidencial) precisava de um rebatimento político em Pernambuco. Era preciso um palanque que tivesse amplitude. Então eu vi ali um papel político mas também histórico. Era a primeira vez de uma aliança de centro-direita com centro-esquerda, com um cara como Fernando Henrique, com Maciel como vice... Mas independentemente disso, eu achava que Pernambuco deveria ter um palanque amplo.

Tanto que uma das coisas que coloquei, quando a minha candidatura foi posta, é que só iria para aquela disputa com o PSDB e com Jarbas ao lado. Não precisava nem o PMDB, na época o candidato do PMDB era Cid Sampaio. Mas era preciso ir com Jarbas porque se eu não tivesse amplitude de pouco estaria valendo. Sem isso não contem comigo. Algumas pessoas imaginavam que se Fernando Henrique fosse eleito me colocaria num ministério, não houve acordo nenhum, eu fui para a luta porque eu achava que podia cumprir uma missão política, partidária e histórica, do ponto de vista da aliança e do grau de sua amplitude.

Um Plano (Real) que estava estabilizando o País, um candidato extremamente clarividente como era Fernando Henrique, e com um vice como Marco Maciel... Quer dizer, existia um conjunto de condições que me levaram a não negligenciar, me levaram a não me preocupar tanto com o resultado eleitoral, porque eu sabia que teria muitas dificuldades. O resultado foi menor do que as dificuldades mostraram. Eu sei que a gente não pode olhar para o passado com o condicional ‘se’, mas se alguma coisa a mais tivesse sido feita naquele momento talvez o resultado fosse outro.

JC – Por quê? O que é que faltou?

KRAUSE – A candidatura nacional tracionou a candidatura local como habitualmente acontece. Eu fui tracionando também. Mas o que é importante é que eu tinha aquilo como missão. Eu não fui para sacrifício nenhum. Eu achava que estava cumprindo uma missão importante porque a gente precisava eleger uma bancada, de qualquer maneira elegemos um senador (Carlos Wilson, então no PSDB). Eu não tinha me preparado nem político nem eleitoralmente para ser candidato. Mas eu tinha um grau de consciência muito grande.

E outra coisa: do ponto de vista eleitoral, aquela candidatura minou o mito eleitoral, o mito político. Porque se percebeu que o eleitor de Arraes já não era mais aquele com o perfil de quando ele voltou (do exílio, em 79). Já havia uma certa diluição do voto ideológico. O chamado voto de opinião se deslocou em direção aos grotões, o voto metropolitano já não era aquele voto consagrador de outras épocas.

JC – O que é fundamental num processo decisório desse tipo que você viveu?

KRAUSE – Que seja colocado, lembrando que é legítima qualquer decisão, mas é preciso colocar até onde o processo lhe aponta um caminho que não seja apenas o eleitoral, onde se tem um maior ou menor grau de possibilidades. Do outro lado da balança você pesa a visão de um processo mais amplo. De encarar uma missão histórico-política onde sairá maior do que entrou na eleição, mesmo perdendo.

Porque não tenho dúvida nenhuma de que eu saí maior (da eleição de 94). Agora nisso tudo existe uma série de contingências: a disposição da pessoa é uma delas. Eu acho que é legítima qualquer tipo de decisão e eu a respeito. No meu caso, tenho a consciência de que no meu limite, no meu micro mundo, dei minha contribuição e não tenho dúvida nenhuma de que sai maior. É agradável perder a eleição? É não. Ela tem uma certa contundência? Tem. Mas ali as forças estavam íntegras.

JC – Você encontra semelhanças entre aquele momento e o de hoje?

KRAUSE – É muito difícil comparar momentos históricos. Eles têm suas peculiaridades. Agora é importante perceber que nós estamos diante, mais uma vez, de uma aliança ampla. Observei todos esses movimentos que aconteceram, até se ‘magnificaram’ certas coisas, mas quando eu olho para o DEM, para o PSDB, para o PPS e para o PMDB, vejo muito mais coisas nos unindo do que nos separando. Então esses episódios (a briga José Mendonça x Sérgio Guerra) são apenas pequenas trepidações. Há um quadro nacional que mantém até uma aliança mais ampla. Até mais consistente.

Naquela época, Fernando Henrique partiu numa situação de absoluta adversidade. Só se configurou uma avalanche ‘fernandista’ a partir de julho/agosto (94) por conta do Plano Real. Então hoje, em alguns aspectos, vejo uma situação, de certa forma, até vantajosa. Uma amplitude da aliança e um candidato que tem maior consistência eleitoral do que tinha Fernando Henrique naquele momento. José Serra (PSDB, provável candidato das oposições à Presidência em 2010) tem maior consistência eleitoral.

E seu perfil se enquadra bem nessa questão de o presidente (Lula) querer fazer uma eleição plebiscitária. Um presidente que propõe esse tipo de eleição está olhando para trás e a agenda tem de ser para a frente. Serra tem um perfil adequado para um debate desse tipo. Mas não sei se o quadro vai justificar esse desejo de um plebiscito entre oito anos versus oito anos. Essas circunstâncias trazem algumas vantagens. Desde que se respeite suas peculiaridades.

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