Opinião / Artigo
POSTADO ÀS 10:43 EM 27 DE Novembro DE 2009
Por Adriano Oliveira
Em maio deste ano, o Instituto Mauricio de Nassau (IMN) realizou a sua primeira pesquisa sobre a eleição da Ordem dos Advogados (OAB – Pernambuco). Nesta pesquisa, detectei que a avaliação do atual presidente da Ordem, Jayme Asfora, tinha aprovação de 81% dos advogados que atuavam nos fóruns e tribunais do Recife. Além disto, 75% dos pesquisados desejavam que Jayme Asfora fosse candidato à reeleição. Com base nestes indicadores, considerei que: 1) Jayme Asfora era favorito a vencer a disputa eleitoral; 2) e caso ele não fosse candidato, outro postulante, com o seu apoio, teria chances de vitória.
O IMN realizou a sua segunda pesquisa no mês de agosto. O Universo pesquisado foi o mesmo da pesquisa de maio. A pesquisa revelou que a administração de Jayme Asfora continuava muito bem avaliada. Em razão disto, afirmei que a estratégia eleitoral dos candidatos de oposição deveria ser apenas uma, qual seja: desqualificar o candidato Henrique Mariano. A oposição não fez esta opção, ao contrário, optou por desqualificar uma gestão bem avaliada. Lembrem da tese de Alberto Carlos Almeida: boas administrações têm condições de eleger candidatos.
O candidato Ricardo Correia, equivocadamente, optou por associar a sua imagem a Jayme Asfora e a criticá-lo. Correia também construiu estratégia equivocada, a qual, certamente, foi baseada em idéias de publicitários pouco iluminados. Ricardo Correia propôs anuidade zero. Indago: por que o advogado acreditaria nesta proposta? Júlio Oliveira também escolheu a estratégia errada, pois optou por desqualificar Jayme e esqueceu Henrique Mariano.
De acordo com a pesquisa do IMN realizada no mês de agosto, Júlio Oliveira possuía 29,6% de intenção de votos. Ricardo correia 14,8% e Henrique Mariano 14,5%. Olhando apenas para estes dados, e este é o erro dos iluminados analistas e candidatos, era cabível afirmar que Júlio Oliveira venceria a disputa eleitoral. Fui precavido, pois candidatos apoiados por administrações bem avaliadas podem crescer eleitoralmente.
Os assessores de Henrique Mariano atrelaram o seu nome ao de Jayme Asfora – A Ordem Continua. E Henrique cresceu, pois, também, mostrou qualidades pessoais para tal. Na terceira pesquisa do IMN, realizada no mês de setembro, nos fóruns e tribunais do Recife, Henrique Mariano obteve 24,8% de intenção de votos – Júlio Oliveira, 19,6% e Ricardo Correia, 17%. Neste instante, passei a trabalhar com tendência. Deixei de olhar apenas os percentuais de modo estático – o momento.
Em outubro, o IMN realizou pesquisa eleitoral no estado de Pernambuco. Nesta pesquisa, comprovei a tendência de crescimento de Henrique Mariano. A estabilidade de Ricardo Correia e de Júlio Oliveira. Portanto, naquele instante, através do Blog do IMN, apontei Henrique Mariano como favorito a vencer a disputa eleitoral da Ordem.
No dia 21 de novembro, após a realização de outra pesquisa, junto aos advogados atuantes nos fóruns e tribunais da Região Metropolitana do Recife, constatei que a tendência de crescimento de Henrique Mariano estava consolidada, que a oposição não conseguiu desqualificar a administração de Jayme Asfora e que a proposta de Anuidade Zero não conseguia animar o eleitorado – além de outros pontos. Portanto, no dia 21/11, o IMN, através do seu BLOG, afirmou que Henrique Mariano era o favorito para vencer a eleição da Ordem. E Henrique Mariano venceu!
Pesquisas apontam tendências. Os candidatos precisam ser avaliados qualitativamente. Propostas de campanha devem passar, antes de serem tornadas públicas, pelo crivo da pesquisa. Pesquisas precisam ser adequadamente interpretadas. Sem pesquisas, marqueteiros e candidatos dependem dos astros e do senso comum.
PS: Adriano Oliveira é coordenador de Pesquisas do Instituto Mauricio de Nassau.
Opinião / Artigo
POSTADO ÀS 14:06 EM 25 DE Novembro DE 2009
Por Luciano Siqueira
A pergunta parece óbvia, mas não é. Isto num país cujas regras eleitorais induzem o eleitor a votar em indivíduos, e não em programas sustentados pelo partido a que pertence o candidato. “Não voto em partidos, voto em pessoas”, dizem muitos como que a afirmar uma postura superior. Daí a substituição, na relações entre o detentor de mandato eletivo e o povo, de formas orgânicas por relações meramente pessoais, via de regra mediadas por favores ou prestação de serviços.
Daí decorre que o eleitor vota e em seguida se desobriga de acompanhar com juízo crítico o desempenho daquele em quem votou. E com o tempo até esquece a quem confiou o voto – como atestam estudos a respeito.
Nessas circunstancias, o detentor do mandato tende a exercê-lo como algo que lhe pertence e pelo qual responde individualmente.
Nada mais equivocado. Mandato é missão, concessão de poderes para desempenho de uma representação. Logo, o mandatário encarna um projeto político coletivo, tem contas a prestar.
Dito de outra forma: o mandato não pertence apenas ao indivíduo que o exerce, pertence ao Partido que o indicou para a missão. E em última instância pertence ao povo em sua totalidade – mais até do que a fração do eleitorado que lhe deu preferência. Caso de parlamentares que integram partidos comprometidos com a parcela da população que vive do próprio trabalho (no pólo oposto, outros se fazem representantes dos possuidores dos meios de produção ).
Ora, se o mandato é assim uma missão que se cumpre por delegação do eleitorado e é exercido conforme compromissos políticos, submeter o trabalho realizado ao crivo crítico do Partido e da opinião pública é um dever.
Esse é o sentido do encontro que promovemos nesta quarta-feira, no auditório da Academia Pernambucana de Letras. O cumprimento de um compromisso de campanha – o de exercer o mandato de vereador do Recife de modo absolutamente transparente, prestando contas regularmente, seja através do site na Internet e de presença constante na mídia; seja em reuniões gerais, como a de hoje, ou com grupos de interesses específicos.
PS: Luciano Siqueira (www.lucianosiqueira.com.br ; http://twitter.com/lucianoPCdoB) é vereador do Recife e escreve para o Blog de Jamildo sempre às quartas.
Opinião / Artigo
POSTADO ÀS 16:41 EM 24 DE Novembro DE 2009
Tempo de trabalho
Por Isaltino Nascimento
Antes de apontar o dedo crítico para os outros é preciso olhar para o próprio umbigo. Se assim tivesse feito, meu caro colega de Parlamento, o deputado Augusto Coutinho não teria jogado palavras ao vento ao reclamar dos projetos enviados pelo Executivo para apreciação da Assembléia Legislativa de Pernambuco.
Por tópicos, fica mais fácil de entender:
1. É comum que o Executivo aproveite o prazo regimental de final de ano para enviar os projetos que ainda pretende aprovar dentro daquele exercício, o que normalmente aumenta o volume de matérias para apreciação nestes períodos.
2. Se o democrata esqueceu, isso foi feito por Mendonça e Jarbas, quando de seu exercício como líder governista.
3. Só que com uma diferença gigantesca. Os dois citados ex-governadores costumavam enviar “Pacotes de maldades”. Para os quais não abriam debate, fechando-se no expediente do regime de urgência.
E se usasse do seu usual bom senso, Coutinho lembraria – ou verbalizaria – que mesmo recorrendo ao trâmite de urgência, o governador Eduardo Campos jamais se esquivou nestes três anos de prestar esclarecimentos sobre o conteúdo dos projetos que assina.
Pelo contrário, sempre fez questão que todo o corpo de secretariado atendesse às convocações de audiência pública solicitadas pelo Legislativo ou que recebessem em seus próprios gabinetes os parlamentares (incluindo os da oposição) que por ventura requeressem maiores esclarecimentos.
O que não foi praxe de Jarbas/Mendonça, que proibiam secretários de vir à Assembléia prestar informações, governando de costas para o parlamento Estadual.
Se o meu nobre colega também tivesse parado um pouco para examinar o conteúdo dos projetos enviados esta semana pelo governador Eduardo Campos para nossa apreciação, teria percebido que se trata de um pacote com uma série de benefícios para o cidadão pernambucano e para os servidores estaduais.
Como o Projeto de Lei Ordinária (PLO) de número 1370/2009, que cria a 8ª Companhia Independente da Polícia Militar em Pesqueira, reivindicação antiga dos moradores daquela região. Ou PLO 1376/2009, cujo texto institui o serviço de abrigamento, atendimento e proteção às mulheres em situação de violência doméstica e familiar sob risco de morte.
Ou ainda o de número 1372/2009, que institui o Bônus de Desempenho educacional e institui gratificação de localização especial para professores da Rede Pública Estadual, entre outros, que serão debatidos amplamente, como sempre o fizemos.
O diálogo é a marca do governo Eduardo Campos. O que talvez os oposicionistas não estejam acostumados é com a celeridade com que o chefe do Executivo dá solução a problemas crônicos e antigos deixados por aqueles que ficaram estacionados no passado. E não perdendo tempo com choramingos.
PS: Isaltino Nascimento (www.isaltinopt.com.br), deputado estadual pelo PT e líder do governo na Assembleia Legislativa, escreve para o Blog todas às terças-feiras.
Augusto Coutinho chama Governo Eduardo de 'bolivariano' e reclama de 'pacotaço' enviado à Alepe
Opinião
POSTADO ÀS 12:48 EM 24 DE Novembro DE 2009
Editorial do Jornal do Commercio desta terça
A arrumação das pré-candidaturas oposicionistas à eleição presidencial do ano que vem está demorada e confusa, o que vem preocupando os caciques da área. Enquanto o PT e a situação se unem cada vez mais em torno da pré-candidatura da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, os principais partidos oposicionistas, PSDB e DEM, estão demorando para tomar uma decisão, o que pode prejudicar o desempenho do candidato que for escolhido.
Isso apesar de o pré-candidato José Serra, governador de São Paulo, ter por enquanto o maior número de pontos nas pesquisas, pois se trata de um político com grande visibilidade nacional, que já disputou a Presidência, foi um ministro da Saúde com excelente cotação e está fazendo em seu Estado um governo com boa aprovação.
Parece que está faltando à oposição a garra que já teve em outras oportunidades. Considere-se ainda que os que fazem oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda não descobriram uma maneira eficaz de derrubar sua popularidade e aprovação, apesar de escândalos e iniciativas criticáveis da administração liderada pelo PT. Serra e o governador Aécio Neves, de Minas Gerais, que postulam a indicação do PSDB, podem ser considerados em fase de mútuo atropelamento.
Enquanto o primeiro insiste em deixar para o próximo ano a definição sobre a candidatura tucana, o segundo acelera a movimentação nos bastidores, expondo-se cada dia mais à mídia, demonstrando claramente que não desistiu de sua indicação pelo partido, embora os caciques da legenda continuem sustentando que seu candidato natural é o governador paulista.
Aécio colhe frutos de sua movimentação, inclusive a adesão de empresários de peso. A última pesquisa Vox Populi já o coloca à frente de Dilma Rousseff, e o senador tucano por Pernambuco Sérgio Guerra já declarou que a candidatura do governador mineiro aglutina mais apoios que a de Serra.
Para complicar, o ex-governador do Ceará Ciro Gomes, também pré-candidato, cola em Aécio e diz que retirará sua postulação se este vier a ser escolhido como candidato da oposição. Aécio Neves está conseguindo, com sua persistência na postulação e recusa em aceitar Serra como candidato natural, convencer seu partido de que é o melhor nome para disputar a sucessão de 2010.
O ministro das Comunicações Hélio Costa, candidato do PMDB ao governo de Minas e até agora aliado de Dilma, já disse que não pode ficar contra uma indicação do presidente Lula, "mas também não posso ficar contrário a uma candidatura mineira".
Outro ministro de Lula rendido à candidatura de Aécio é Carlos Lupi, do Trabalho, de acordo com testemunho do senador Cristóvão Buarque, do PDT como ele. Sindicalistas também lhe garantem apoio. E o nosso governador Eduardo Campos, depois de conversa com Lula, seu aliado, sobre a conjuntura política nacional, disse: "Não temos (o PSB) como não apoiar Aécio se ele for o candidato".
Ao que o presidente Lula retrucou preocupado que, se Aécio for mesmo o nome do PSDB, "ele bagunça a base governista". É por isso que o Planalto torce pela candidatura do governador de São Paulo. Serra despertaria menor simpatia de partidos que hoje estão no governo, têm cargo no primeiro escalão e muito provavelmente se manteriam fiéis à candidatura palaciana. E também sofre resistência do empresariado, parte do qual o vê como inflexível e autoritário.
A indústria farmacêutica até hoje não engoliu decisões dele, quando ministro da Saúde, como a criação dos medicamentos genéricos, que esvazia o prestígio de marcas de grande imagem, e a quebra de patentes de medicamentos de combate à aids, medidas consideradas uma agressão à livre iniciativa.
A candidatura de Aécio também ganha apoios pelo temor da estratégia lulista de transformar a eleição presidencial em um plebiscito em que o eleitorado decidiria entre a continuação do lulismo sem Lula e uma mudança de rumo. O governador mineiro promete preservar e consolidar o que considera boas iniciativas e conquistas do período Lula.
Opinião / Artigo
POSTADO ÀS 17:26 EM 23 DE Novembro DE 2009
Pacotaço é desrespeito
Por Augusto Coutinho
O governo enviou à Alepe, na última semana, 48 projetos de lei. Todos em regime de urgência. No apagar das luzes do ano legislativo, nos últimos dias do prazo regimental para recebimento de projetos. Agora, como tem feito sistematicamente, vai tentar acionar o rolo compressor de sua maioria na Assembleia para aprovar tudo a toque de caixa. Sem explicar, sem debater, sem analisar. Sem ouvir ninguém.
Esse é o governo socialista, quase bolivariano, do governador. Essa é a realidade autoritária de uma gestão que, perto do fim, fica com a triste marca de não respeitar o legislativo.
Nem na ditadura militar aconteciam fatos como esses. Somos os representantes do povo, nossa missão constitucional é fiscalizar o executivo, debater suas propostas, ser o necessário contraditório. Mas para o governo isso é apenas perda de tempo. Dono da verdade, senhor absoluto da vontade dos pernambucanos, o governador acha que não precisa dialogar, que não é necessário discutir nada.
Entre os projetos enviados, há assuntos que são consensuais. Ou seja, não precisam realmente de muita análise ou discussão. Nossa postura, da bancada de oposição, nunca foi dificultar gratuitamente a governabilidade. Ao contrário, sempre que as propostas encaminhadas pela atual gestão significavam ganhos indiscutíveis para o estado, votamos a favor. Mas nem todos os projetos são assim. Há muita coisa que precisa ser, no mínimo, explicada.
Há, por exemplo, um projeto que altera a cobrança do IPVA. Há outro que autoriza um empréstimo de R$ 650 milhões junto ao BNDS. Por que o governo não quer discutir?
O regimento interno da Assembléia prevê o regime de urgência exatamente para acelerar a tramitação das propostas mais importantes. Mas o governo passa por cima desses prazos impunemente.
Não aceitamos este tipo de desrespeito. Não é porque somos minoria que nossas opiniões são descartáveis. Nossas intenções não são gratuitas, não queremos atrapalhar nada. Queremos entender, dialogar, discordar democraticamente – quando for o caso. É para isso que somos pagos pelo povo. Foi para agir assim que a população nos elegeu.
Vamos tentar barrar a pressa descabida do governador. Precisamos analisar os projetos mais importantes, precisamos discutir as lacunas que porventura existam – e sempre existem. Se preciso for, trabalharemos recesso adentro. Não há nada que justifique tanta velocidade de tramitação.
Aliás, há: a evidente má-vontade do governo com os princípios mais básicos da democracia.
PS: Deputado Augusto Coutinho (DEM) é líder da oposição na Assembleia Legislativa e escreve para o Blog toda semana.
Opinião / Artigo
POSTADO ÀS 15:57 EM 23 DE Novembro DE 2009
Por Raul Jungmann
Ainda que nos desgoste a repressão desatada nas últimas eleições presidenciais no Irã e que a negativa do presidente iraniano sobre o massacre de judeus na II Guerra nos cause repulsa e afronta, a questão central e diplomática está no projeto nuclear daquele pais.
Caso o Irã desenvolva um programa nucelar para fins militares, e não pacíficos como diz, mais cedo ou mais tarde Isarel bombardeará as suas instalações e a guerra, com duração, extensão e mortes imprevisíveis recairá sobre o Oriente Médio uma vez mais.
O Brasil pode fazer algo para evitar isso? Muito pouco ou quase nada. Não temos influência efetiva naquela região. Não temos poder militar ou mesmo presença economica expressiva por lá. Então, temos apenas nossas credenciais, de um país emergente, com uma crescente projeção internacional e um histórico dipomático de seriedade e equilíbrio. E nada mais.
Logo, quem tem a ganhar com esse encontro, entre os presidentes Lula e Ahmadinejad, é o Irã e não nós. Se aqui, ao nosso lado, no conflito entre Colombia e Venezuela, não conseguimos por ordem na casa, que dirá lá, aonde potências como os EUA, Russia, China etc não vem tendo sucesso.
Por trás da posição do Brasil em relação ao Irã, está o desejo do governo Lula de alcançar a tão desejada cadeira no Conselho de Segurança da ONU. Como resultado, podemos ficar mais distantes dela e de quebra, arranhar nossa credibilidade externa.
Artigo
POSTADO ÀS 09:22 EM 23 DE Novembro DE 2009
Por Ruy José Guerra Barretto de Queiroz
Muito se comentou que o apagão elétrico recente não teria atingido as incômodas proporções a que chegou se a rede elétrica dispusesse de um certo grau de “inteligência”, pois aí um problema circunstancial num determinado setor não afetaria outros setores da rede.
A título de definição, uma “grade inteligente” (em inglês, “smart grid”) é aquela que fornece eletricidade aos consumidores usando tecnologia digital para controlar aparelhos elétricos nos lares dos consumidores com o fim de economizar energia, reduzir custos e aumentar a confiabilidade e a transparência dos serviços de fornecimento de energia elétrica. O fato é que as redes atuais não foram originalmente desenhadas para incorporar outros objetivos além do fornecimento da energia, tais como eficiência, redução de impactos ambientais, incorporação de fontes alternativas, serviços flexibilizados conforme a escolha do consumidor, e a cibersegurança do sistema como um todo.
Esforços de modernização têm sido empreendidos de modo a tornar a rede mais inteligente, e a expectativa é de que a infraestrutura de apoio a uma smart grid deverá ser capaz de informar aos consumidores sobre seu consumo diário de energia, inclusive com o detalhamento a nível de cada aparelho instalado em sua residência. Se, por um lado, há o benefício de contribuir para os esforços de redução dos impactos ambientais assim como das contas de energia de cada consumidor, por outro lado surge a possibilidade de haver coleta de informações detalhadas sobre o uso e os padrões de consumo da energia no âmbito do recanto privado por excelência: nossas próprias casas.
A bem da verdade, o conceito de smart grid já faz parte das discussões sobre a crise do aquecimento global. Em palestra no encontro GreenBeat 2009, realizada em 19/11/09 em San Mateo (Califórnia), Al Gore defendeu que “a maior solução individual é eficiência, e a Super Grid, ou Smart Grid, desempenha um papel crucial em diversos aspectos de um plano abrangente para resolver a crise.” Segundo Gore, a Smart Grid terá muitas vantagens, pois, além de reduzir as emissões de carbono que aceleram o aquecimento global, vai nos propiciar maior acesso às fontes alternativas de energia (solar e eólica), e deverá nos equipar para lidar com a inconsistência dessas fontes. Como se não bastasse, a Smart Grid também deverá criar empregos, além de trazer uma melhor relação custo-benefício, a ponto de se pagar em pouco tempo ao propiciar ferramentas para prevenir ou minimizar falhas e apagões do sistema.
“A analogia com a internet é bem próxima à exata e muito relevante,” adicionou Gore. Tal qual a internet, a Smart Grid deverá nos levar de um modelo centralizado para um modelo amplamente distribuído de geração e armazenamento de energia, e isso deverá fustigar a criação de uma coleção inteiramente nova de dispositivos e de instrumentos que sequer foram inventados ainda – tal qual quando a internet surgiu. Assim, “quando os lares estiverem equipados com muitos desses aparelhos inteligentes e novos dispositivos que ainda têm que ser inventados, viveremos numa era em que o uso da internet por coisas excederá o uso da internet por pessoas.” Referindo-se à inteligência disponível nesses novos aparelhos, Al Gore prevê que ao lhes atribuir um endereço IP e conectá-los à smart grid simultaneamente ao emprego de estratégias para eliminar o desperdício de energia, estaríamos contribuindo decisivamente para uma redução de custos e do próprio aquecimento global.
Com uma proposta de se constituir numa conferência seminal sobre a Smart Grid, a GreenBeat 2009 reuniu empreendedores, investidores, empresas fornecedoras de energia, executivos do setor de tecnologia, e responsáveis por políticas públicas, com o objetivo de “acelerar o desenvolvimento de uma rede elétrica mais eficiente e mais enxuta”. Entre as questões mais provocativas discutidas no evento, aparecem: As iniciativas de medição inteligente da Smart Grid mudarão o comportamento do consumidor, e, em caso positivo, de que forma? Como os US$4 bilhões que o governo Obama pretende destinar para a Smart Grid farão a diferença? Onde acontecerá a maior revolução nesse negócio trilionário que não muda há décadas? De que forma gigantes corporativos e empresas de distribuição de energia tais como General Electric e Intel confirmarão sua dominação? Qual será o papel da cibersegurança e da interoperabilidade no desenho dessa nova rede elétrica?
É fato que a smart grid está rapidamente se transformando numa realidade nos EUA, na medida em que as empresas distribuidoras de energia elétrica têm intensificado a instalação de equipamentos de controle e monitoração em rede, tanto nas suas próprias plantas quanto nas residências dos consumidores. O ritmo dessas instalações deve acelerar devido a iniciativas recentes do Department of Energy e do governo do estado da Califórnia. (Em sua fala na GreenBeat 2009 Al Gore menciona que nas regiões de San Mateo e no norte da Califórnia mais de 10.000 medidores inteligentes estão sendo instalados a cada dia.)
Além da preocupação dos especialistas em segurança com a vulnerabilidade do sistema elétrico dos EUA a ataques cibernéticos em decorrência da conexão de sua rede elétrica à internet, especialistas em privacidade advertem que a smart grid podem trazer novas preocupações na medida em que as distribuidoras disponham de ferramentas para coletar informações detalhadas sobre os padrões de consumo de energia de seus clientes. A proliferação dessas informações, a ausência de controles rígidos e a supervisão insuficiente podem levar a invasões de privacidade sem precedentes.
“A modernização da grade elétrica aumentará o nível de detalhes de informações pessoais disponíveis assim como as instâncias de coleta, uso e divulgação de informações pessoais”, revela um relatório intitulado “SmartPrivacy for the Smart Grid: Embedding Privacy into the Design of Electricity Conservation” (“Privacidade Inteligente para a Smart Grid: Embutindo Privacidade no Desenho da Conservação de Eletricidade”), publicado pela Comissária de Informações e Privacidade do estado canadense de Ontario em parceria com a organização não-governamental Future of Privacy Forum. A intenção é reunir um amplo arsenal de proteções que deveriam ser implementadas como parte integrante das smart grids para encapsular tudo o que for necessário com vistas a assegurar que todas as informações pessoais que porventura estejam de posse de uma organização (como, por exemplo, uma distribuidora de energia) sejam administradas de forma apropriada.
Desde o conceito de “privacidade por desenho”, passando por legislação, regulação e fiscalização independente, prestação de contas e transparência, forças de mercado, normas sociais, segurança de dados, e práticas honestas, tudo converge para um objetivo comum: garantir o direito à privacidade do cidadão dentro de sua própria casa.
Argumentando que aqueles que deixam de vislumbrar os requisitos de privacidade no início do desenvolvimento da tecnologia, das práticas de negócio ou do espaço físico serão menos propensos a propiciar uma proteção abrangente, o relatório defende que, dado que a smart grid está em sua fase inicial de desenvolvimento, é hora de se levar em conta que a oferta ao consumidor do controle do seu consumo de eletricidade deve vir de mãos dadas com a oferta do controle de suas informações pessoais. Isso assegurará que a confiança do consumidor será conquistada, e que a participação na smart grid contribuirá para a visão de uma rede elétrica que seja não apenas mais amiga do meio ambiente e mais eficiente, mas também mais protetora da privacidade.
PS: Ruy é professor associado do Centro de Informática da UFPE e escreve para o Blog sempre às segundas.
Artigo / Opinião
POSTADO ÀS 09:46 EM 18 DE Novembro DE 2009
Por Ruy José Guerra Barretto de Queiroz
Esse é o convite da Google para usar seu produto Google Health, um serviço gratuito, baseado na web, para a administração do “prontuário eletrônico de saúde” do usuário: “Tome conta de suas informações de saúde. É seguro e gratuito. (…) A Google armazena suas informações de forma segura e privada, mas você sempre controla como elas são utilizadas. Nunca venderemos seus dados. Você está no controle. Você escolhe o que você quer compartilhar e o que você quer manter privado.”
Além de propiciar ao seu usuário ferramentas para o gerenciamento de todo o seu histórico de saúde, o serviço também conta com um sistema de monitoramento eletrônico que ajuda o usuário a identificar situações de risco tais como incompatibilidade do medicamento recomendado pelo profissional da área médica com outras medicações constantes do histórico, além de condições decorrentes de uma doença crônica.
É forte a tendência de crescimento do uso de tecnologia na indústria da saúde. Os custos da assistência médica continuam a crescer, não somente pelo crescimento da população em número e em longevidade, mas também devido ao fato de que a tecnologia empregada se torna cada vez mais sofisticada.
Embora historicamente a indústria da saúde não tenha estado sempre à frente no que diz respeito ao uso da tecnologia da informação, todos os indicadores apontam para uma mudança dramática nessa tendência, não apenas nos EUA onde os esforços se redobram na busca por um equacionamento dos problemas no sistema de assistência à saúde, mas em todo o mundo.
O fato é que a tecnologia da informação é vista como uma ferramenta de redução de custos assim como de melhoria da qualidade da assistência e da segurança do paciente em todo o ecossistema de assistência médica. Tal qual em diversos outros setores, o maior foco tem sido no investimento em tecnologia da informação interativa.
As fronteiras entre os agentes integrantes do ecossistema de assistência à saúde, a saber os setores das ciências da vida, os provedores e os pagantes, continuam a se tornar cada vez menos cristalinas à medida em que cada um é forçado a melhorar a qualidade e a segurança do paciente ao mesmo tempo em que reduz custos. A tendência é uma busca por maior automação da coleta de dados e da integração de informações em todo o ecossistema: surge a figura dos “registros eletrônicos de saúde” (em inglês, “electronic health records”).
Conforme a HIMSS, organização sem fins lucrativos dedicada à promoção do melhor uso da tecnologia da informação e dos sistemas de gerenciamento nos cuidados com a saúde, “o EHR é um registro eletrônico longitudinal de informações de saúde do paciente gerado por um ou mais encontros em qualquer cenário de provimento de cuidados médicos. Incluídas nessas informações estão demografia do paciente, notas de progresso, problemas, medicações, sinais vitais, história médica passada, imunizações, dados laboratoriais, e relatórios radiológicos.
O EHR automatiza e padroniza o fluxo de trabalho do clínico geral, e tem a capacidade de gerar um registro completo de um encontro clínico do paciente, assim como dar suporte a outras atividades relacionadas aos cuidados médicos direta ou indiretamente via interface—incluindo suporte à decisão baseada em evidência, gerenciamento da qualidade, e produção de relatório de resultados.”
O plano de Obama é investir um total de US$20 bilhões de fundos de estímulo em hospitais e consultórios médicos que possam provar até Outubro de 2010 que usam EHR certificado “de forma significativa”. Os hospitais e consultórios que se qualificarem se habilitam a receber incentivos do Medicare e do Medicaid até 2014, o que especialistas dizem ser de, em média, US$7 milhões por ano por hospital. Os que não usam EHR até 2015 terão seus recursos do Medicare reduzidos. Em Julho passado, David Blumenthal, coordenador nacional para a tecnologia da informação na saúde do Department of Health, encarregado de supervisionar o projeto de implantação do EHR em escala nacional, declarou que acreditava que “os EHRs se tornarão parte tão integrante da medicina quanto o estetoscópio.”
Considerado crucial para o sucesso da reforma radical e tecnológica no sistema de saúde dos EUA, para os analistas o projeto de implantação de EHRs na escala desejada é um grande desafio, no mínimo devido aos grandes obstáculos enfrentados pelos hospitais e clínicas: equipamentos caros, educação e treinamento dos profissionais de clínica médica, garantia da privacidade do paciente, interoperabilidade entre múltiplas plataformas, aderência a um padrão ainda-a-ser-determinado, e o curto espaço de tempo, dado o planejamento do governo americano no que concerne ao prazo para realização da reforma pretendida.
A bem da verdade, o uso de tecnologia da informação no gerenciamento de prontuários médicos nos EUA não é novidade. Segundo a Wikipedia, em 2005, 25% dos clínicos gerais se diziam utilizando sistemas de registros medicos eletrônicos (em inglês, “electronic medical records”, abrev. “EMR”), um crescimento de quase um terço em relação aos 18,2% reportados em 2001. O EMR, segundo a National Alliance for Health Information Technology, é “o registro eletrônico de informações de saúde de um indivíduo que é criado, reunido, gerenciado, e consultado por clínicos e staff licenciados de uma única organização que estão envolvidos nos cuidados médicos ao indivíduo.” Em suma, o EHR é o EMR com interoperabilidade.
Seguindo a tendência das chamadas tecnologias sociais – uma tendência social na qual as pessoas usam tecnologias para obter as coisas das quais necessitam umas das outras, ao invés de apelar para instituições tradicionais como corporações, surge o EHR de controle pessoal, denominado de “personal health record” (PHR). Segundo o portal myPHR.com, “o PHR é uma ferramenta que você pode usar para coletar, rastrear e compartilhar informações atuais e passadas sobre sua saúde ou a saúde de alguém a quem você quer bem.”
Um PHR é normalmente um arquivo ou registro eletrônico de informações de saúde e serviços recentes referentes a um indivíduo, tais como as condições médicas, alergias, medicações, e visitas ao médico ou ao hospital, que podem ser armazenadas em um único lugar, e depois compartilhadas com outros, à escolha do próprio indivíduo. É ele quem decide como as informações em seu PHR são usadas e quem tem acesso a elas.
O portal myPHR.com revela que no momento existem 23 sistemas de PHR gratuitos pela internet, entre os quais está o Google Health. Em depoimento como usuária e admiradora do Google Health, uma médica ginecologista chama à atenção para a transferência de poder sobre os registros médicos que o sistema propicia ao indivíduo. Segundo ela, passa a haver um maior engajamento, assim como uma maior responsabilidade com o gerenciamento da própria saúde.
Não obstante a atribuição do controle total do gerenciamento de seus dados de saúde ao indivíduo, pairam, no entanto, questões sobre a propriedade das informações, sobretudo aquelas produzidas por profissionais de saúde (diagnósticos, pareceres, prescrições, etc.).
PS: Ruy é professor associado do Centro de Informática da UFPE e escreve para o Blog semanalmente.
Artigo / Opinião
POSTADO ÀS 09:42 EM 18 DE Novembro DE 2009
Por Luciano Siqueira
O deputado Ciro Gomes, do PSB, conversa com o governador Aécio Neves, de Minas Gerais, do PSDB. Ambos ostentam a condição de postulantes a candidatura à presidência da República. Os jornais anunciam que eles tratam exatamente disso: da disputa presidencial do ano que vem. Eles não desmentem. E as coisas passam a ser vistas como se estivessem em busca de uma aliança eleitoral.
É possível? Ora, mesmo sendo razoável dizer que em política tudo pode acontecer – o autor dessas linhas já viu de tudo, menos uma vaca voar... -, não parece consistente a hipótese de que o deputado e o governador estariam costurando um acordo eleitoral.
A começar pelos partidos a que pertencem, perfilados em campos opostos na atual cena política do país. O PSDB do governador Aécio comanda a oposição de centro-direita, combatendo frontalmente o presidente Lula e o seu governo. O PSB do deputado Ciro está entre os principais partidos integrantes da coalizão governista.
Entre o PSDB e o PSB não há convergências acerca dos rumos do país. O PSB defende, em linhas gerais, a orientação do governo Lula. O PSDB, mesmo sem um discurso articulado e perdido em questiúnculas pontuais, é abertamente defensor de postulados do neoliberalismo.
O governador Aécio, ao que parece, embora um líder de grande dimensão entre os tucanos, não detém a hegemonia no seu partido – portanto não teria condições de promover uma guinada para apoiar o deputado Ciro.
O deputado Ciro Gomes, por seu turno, nome de grande expressão no PSB, tampouco teria força para afastar o seu partido da coalizão liderada pelo PT.
Postas essas premissas, restam duas hipóteses para explicar o colóquio entre o governador mineiro e o deputado cearense. Uma: ambos interessados em se cacifar no interior dos seus partidos tendo em vista o projeto da candidatura à presidência promoveriam, assim, uma manobra diversionista destinada tanto a sublinhar que a escolha do governador José Serra, de São Paulo, ainda não está consolidada no PSDB; como para firmar a idéia de que, no PSB, o apoio à candidatura da ministra Dilma, do PT, não pode ser considerado ainda favas contadas.
Daí a segunda hipótese, que complementa a primeira: ambos estariam fazendo jogo de cena no intuito de aferir bons resultados no interior dos seus partidos. Nada mais que isso.
Entretanto, como têm responsabilidade pública, ficam instados a explicitar em quais das grandes questões nacionais encontram, entre si, convergências – se que elas existem.
PS: Luciano Siqueira (www.lucianosiqueira.com.br ; http://twitter.com/lucianoPCdoB) é vereador do Recife e escreve para o Blog sempre às quartas.
Opinião / Artigo
POSTADO ÀS 11:01 EM 13 DE Novembro DE 2009
Por Edilson Silva
Em recente reunião de sua direção o PSOL aprovou a formalização de um diálogo com a pré-candidata do PV à presidência da República, Marina Silva. A presidente nacional do PSOL, Heloisa Helena, comandará a equipe destacada pelo partido para a tarefa.
O gesto do PSOL em direção à candidatura de Marina Silva já é em si carregado de forte simbolismo. O PSOL dá sinais claros de que não é um partido estreito e que não se auto-proclama o único detentor das prerrogativas e potencialidades para aglutinar as variadas sensibilidades presentes no campo da oposição conseqüente ao governo Lula.
O PSOL dialogará com a pré-candidatura de Marina Silva em base a pontos programáticos que julga centrais: busca de coerência política nas alianças eleitorais nos estados; construção de um modelo econômico distinto do atual e em favor da maioria da população; vinculação com as demandas dos movimentos sociais; defesa dos processos de afirmação da soberania e independência dos países latino-americanos; e defesa de um Estado brasileiro verdadeiramente democrático, transparente e sem corrupção.
O gesto político do PSOL, portanto, busca pontos programáticos convergentes com Marina Silva, de forma que uma possível aliança eleitoral possa converter-se em algo superior, uma unidade mais que partidária, que guarde coerência e força suficientes para se materializar em ruptura, num horizonte comum de idéias simples e palatáveis, para que possa ser compartilhado com milhões de brasileiros e brasileiras que querem ética na política, justiça social, respeito aos direitos humanos e responsabilidade com a questão ambiental.
Mas as preocupações do PSOL vão além. A própria democracia que temos no Brasil está em risco. As elites do país sonham com uma democracia em que disputem pra valer o poder de estado apenas dois projetos falsamente antagônicos, como ocorre nos Estados Unidos, por exemplo, onde o Partido Republicano alterna-se no poder com o Partido Democrata desde sempre.
No Brasil atual estes dois projetos são encabeçados por um lado pelo PT e por outro pelo PSDB. Em torno destes partidos gravitam os demais partidos fisiológicos e os setores mais poderosos da mídia e do empresariado.
Interessa a estes esta polarização conservadora, deixando aos que não se submetem a esta guerra de faz de conta as migalhas da mera legitimação do seu processo eleitoral. Além de forçar esta polarização no cotidiano da vida da população, estas forças estão em plena ofensiva para varrer do mapa os descontentes, de forma que não possam sequer participar minoritariamente da disputa pelo poder.
É o caso da cláusula de barreira que não sai da pauta política do país e contra a qual o PSOL e outras siglas menores vêm lutando heroicamente. É o caso das tentativas de reforma eleitoral que tentam impedir que partidos como o PSOL tenham acesso aos debates de TV e rádio para expor suas idéias. Querem calar completamente as vozes de oposição e independentes.
Portanto, diante deste quadro de ofensiva contra a pouca democracia que nos resta, torna-se ainda mais importante as forças de esquerda, democráticas, populares, progressistas e socialistas, buscarem a unidade para cavar um espaço relevante na disputa real dos rumos do nosso país.
Tudo o que as elites querem neste momento histórico grave, em que uma crise econômica movimenta-se perigosamente no subterrâneo da sociedade, é que nas eleições de 2010 o PT e o PSDB sejam as únicas opções relevantes à disposição dos eleitores brasileiros. Esta questão deve ter a devida hierarquia na definição dos rumos da tática eleitoral da verdadeira esquerda deste país.
PS: Edilson é presidente do PSOL-PE e membro da Executiva Nacional do PSOL.
Opinião / Artigo
POSTADO ÀS 10:35 EM 13 DE Novembro DE 2009
Editorial do Jornal do Commercio desta sexta
É que entre a sua conclusão e hoje, a nossa capital recebeu um número de veículos inimaginável naquela época de início da indústria automobilística nacional e de crédito curto. Fazer o trânsito entre a Ponte de Limoeiro, onde ela começa, e a BR-101, onde termina, ou vice-versa, deixou de ser algo fácil e rápido, o que ainda é agravado por dezenas de sinais que, em vez de entrarem num esquema planejado de “onda verde”, fazem uma “onda vermelha” quase intransponível.
Mas não é exatamente este o tema do nosso editorial de hoje, apesar de que a “onda vermelha” muito contribui para agravar o problema que abordamos: a via tornou-se um corredor de assaltos. Presas no congestionamento, as vítimas são atacadas sem cerimônia. Além disso, o número de assaltos a transeuntes, e até mortes, vem crescendo ali e nas imediações.
Apesar de a estatística crimes de morte, que põe Pernambuco como um dos Estados com mais homicídios no País, vir caindo ultimamente no cômputo geral. O transporte coletivo também não escapa à vulnerabilidade, seja na Avenida Norte, seja em outras artérias da cidade. Além de ter de encarar ônibus incômodos, insuficientes, superlotados, mal dirigidos, sem horário certo, os usuários ainda se veem à mercê de bandidos, perdem dinheiro e pertences e, às vezes, a vida.
Repassando o noticiário dos últimos meses, podemos encontrar casos como o de um jovem de 28 anos abordado por um assaltante e assassinado na esquina da Rua Soares Moreno com a referida avenida, além de dezenas de outros registrados diariamente. Temos de apoiar e louvar o sucesso da Polícia ao conseguir, depois de muitas cobranças e vãs tentativas, fazer caírem as estatísticas de crimes de morte em Pernambuco, especialmente no Grande Recife. Mas isso não dá às autoridades o direito de dormir sobre os louros.
Atenção constante se faz necessária para conseguir novos pontos. Já ficou comprovado, por exemplo, que a ação policial em sintonia com as comunidades se revelou, aqui como no Rio de Janeiro, resultados animadores. Sentindo-se protegidos e confiando na polícia, os cidadãos já não temem o poder de ação e intimidação da bandidagem.
A presença atuante e constante da autoridade não é nada mais que obrigação. Invadir uma favela, prender ou matar alguns bandidos, atingindo quase sempre também moradores pacíficos, vítimas constantes da imperícia ou negligência de policiais, apreender drogas, armas, munições, nada disso resolve o problema se o poder público não recuperar o terreno que perdera para o crime organizado. O próprio termo “invadir”, tão utilizado nos noticiários policiais, já indica que aquele território é considerado inimigo, hostil.
Esse reconhecimento tácito é o retrato mais nítido do panorama anormal instalado em nosso País, não apenas em nosso Estado. Além de ocupar espaços, evitando o vazio de autoridade, criando um clima de entrosamento e cooperação entre população e polícia, uma vigilância atenta e eficaz deve ser feita em todos os corredores de trânsito e bairros. Outro ponto a merecer urgente e eficiente atenção do poder público é a situação insustentável do nosso transporte coletivo.
Nada contra o transporte privado. Mas é direito da população e dever do Estado, concedente de serviços públicos, um serviço decente e abrangente de metrô, ônibus e veículos alternativos aprovados. Só assim, diminuirá a quantidade insuportável de veículos nas vias de trânsito e, consequentemente, o trânsito fluirá mais fácil, não deixando o cidadão à mercê de assaltantes.
O que estamos falando especificamente sobre a Avenida Norte Miguel Arraes é somente um detalhe de uma situação intolerável e que já perdura demasiado. Em dezenas e dezenas de outros pontos do Grande Recife, assaltos e assassinatos se repetem, além de invasões de residências. Escolhemos essa via por sua importância e extensão.
Artigo
POSTADO ÀS 19:48 EM 11 DE Novembro DE 2009
Por um viaduto sem trapalhadas
Por Priscila Krause
A incrível trapalhada da Prefeitura petista do Recife na construção do viaduto Capitão Temudo vinha sendo denunciada por nós da bancada de oposição há um bom tempo e ganhou destaque numa excelente matéria do Jornal do Commercio de hoje.
Não é qualquer um que inventa de executar um projeto datado de 1976 (são 33 anos!), quando não existia o metrô no local. Só mesmo os mestres da lambança e da incompetência que se encastelaram na Prefeitura.
Fui à tribuna da Câmara hoje para, mais uma vez, denunciar esse descalabro. Uma obra viária importantíssima para desafogar o caótico trânsito entre o Centro e a Zona Sul – motivo pelo qual somos totalmente favoráveis a ela – é feita sem uma preocupação, digamos, elementar: notar que, entre o projeto inicial e a execução atual, “cresceu” uma linha do metrô no local. Entre a miopia e a pura negligência, eu sinceramente não sei dizer o que motivou essa presepada.
Só sei de uma coisa: o “ajuste” que a Prefeitura vai ter de fazer custará a bagatela de R$ 3 milhões aos cofres públicos. É muito dinheiro.
O prefeito inclusive deveria parar de tentar enganar a população, dizendo que vai entregar o viaduto em dezembro. Não existe no planeta terra condições de fazê-lo, e isso nos foi dito pelos próprios engenheiros responsáveis pela obra, quando lá estivemos há duas semanas, eu e os vereadores Aline Mariano (PSDB) e Daniel Coelho (PV).
A obra, repito, é necessária ao bom funcionamento da cidade. Só não podemos admitir que ela seja tocada de forma irresponsável, com ônus aos cofres públicos e, principalmente, com prejuízos diários à população que se locomove pelo local.
E se o prefeito, ou quem quer que seja, não vê o metrô no meio do caminho, está precisando urgentemente trocar os óculos.
Acredite se quiser: Tem um metrô, e a Prefeitura do Recife não viu
Artigo / Opinião
POSTADO ÀS 11:30 EM 10 DE Novembro DE 2009
Por Raul Jungmann
Em dezembro de 2008, estive no Paraguai em missão oficial da Câmara. Lá, entrevistamo-nos com os chefes dos três poderes, inclusive o presidente Fernando Lugo, líderes do governo e da oposição, jornalistas, diplomatas e intelectuais.
Ao término desse giro, saí de lá com a convicção que aquele país caminhava para uma grave crise (*). Não era para menos: o presidente do Senado fizera críticas tão extremadas ao presidente Lugo, que ficamos desconcertados e constrangidos. O presidente da Suprema Corte de Justiça fora no mesmo diapasão, conseguindo ir além do anterior em suas críticas. O governo, claramente, não disponha de maioria no Congresso, em especial na Câmara Alta.
Um dos nossos, que estivera com o opositor e ex-presidente Lino Oviedo, dele ouvira, com todas as letras, que derrubaria o chefe do Executivo, mais cedo ou mais tarde. E, de quebra, no dia em que regressávamos ao Brasil, o Presidente Lugo afirmara que o cargo de vice-presidente, ocupado pelo líder do maior partido da sua base de apoio, deveria ser extinto... Enquanto isso, a sociedade paraguaia inquietava-se e as tensões se multiplicavam.
Afinal, Lugo assumira apresentando uma agenda de ruptura com os 61 anos de poder do Partido Colorado, marcados pela corrupção, desigualdades imensas, autoritarismo e um estado carcomido e incapaz de estruturar políticas públicas. Sua agenda era, e não poderia deixar de ser, de amplas e urgentes reformas. Porém, passados mais de cinco meses da sua posse, nada acontecera ou mesmo fora iniciado, em termos de transformações e mudanças estruturais.
De lá para cá, vieram as sucessivas paternidades, arrasadoras para o seu prestígio, quatro mudanças na cúpula das forças armadas, o seqüestro político de um líder empresarial pelo Exército Popular do Paraguai, o crescimento da maioria oposicionista no Congresso e a tramitação de um voto de desconfiança na Câmara, que lhe poderá ser fatal. De permeio, segue paralisada a agenda das reformas e, em decorrência disso, crescem as tensões e conflitos, enquanto a popularidade do presidente despenca.
Quando estive com o Presidente Lugo, perguntei-lhe se pretendia convocar uma assembléia constituinte para institucionalizar o resultado das urnas e, subsequentemente, reformar o Estado para que tivesse condições de implantar a sua agenda de reformas. Já então, parecia-me evidente o abismo existente entre a sua vitória, o que ela representava e o seu programa, as condições políticas e as instituições com as quais teria de lidar. Além, é claro, das enormes e reprimidas expectativas que sua eleição desatara. Respondeu-me que, por hora, não tinha tais planos.
Um ano após nos despedirmos, vejo, com desalento, que a minha previsão de uma grave crise institucional já é uma realidade no Paraguai. Todos os esforços diplomáticos e políticos devem ser feitos para que tal fato não aconteça. Mas, infelizmente, talvez tudo agora se resuma a uma questão de tempo para o seu desfecho.
(*) para ver a íntegra de texto sobre a viagem, postado em meu blog, acesse www.rauljungmann.com.br/diário de viagem.
Artigo / Opinião
POSTADO ÀS 10:34 EM 09 DE Novembro DE 2009
Por Ruy José Guerra Barretto de Queiroz
Diz-se excêntrico, segundo o Houaiss, do “indivíduo que age ou pensa de maneira original, extravagante, fora dos padrões considerados normais ou comuns.” O que dizer de um matemático que, após (1) resolver um dos problemas mais difíceis do milênio de forma reconhecidamente engenhosa e criativa, (2) publicar seus resultados em página da internet sem o devido “peso” de reconhecimento formal como é o caso de revistas científicas tradicionais, e (3) recusar os prêmios a que teria direito (uma Medalha Fields, o mais prestigioso prêmio a que um matemático pode aspirar, e uma premiação em dinheiro no valor de um milhão de dólares concedida por uma espécie de fundação sem fins lucrativos para o desenvolvimento da matemática), recusa ofertas de emprego como professor em algumas das melhores universidades do mundo (Princeton, Stanford)?
Além de toda essa renúncia, esse indivíduo de capacidade intelectual privilegiada ainda declara que todas essas ofertas não passam de graves insultos, pois acredita que a monetização da realização é o pior dos insultos à matemática. Mais ainda, decide deixar a matemática, e, segundo se conta, continua vivendo com sua mãe na periferia de São Petersburgo. A bem da verdade, esse mesmo sujeito excêntrico já em 1996 havia se recusado a receber um prêmio para jovens matemáticos a ele concedido pela Sociedade Européia de Matemática.
Trata-se de Grigori Perelman, matemático russo nascido em 1966 na então Leningrado (hoje São Petersburgo), que resolveu a “conjectura de Poincaré”, um enunciado matemático declarado num artigo de 1904 pelo gênio francês Henri Poincaré (1854-1912) sobre a caracterização da espaço esférico tridimensional entre as superfícies tridimensionais. Em poucas palavras, a conjectura (hoje considerada teorema devido a Perelman) dizia que se qualquer laço num certo tipo de espaço tridimensional puder ser encolhido a um ponto sem desatar o laço nem rasgar o espaço, então o espaço é equivalente a uma esfera. No final das contas, o que Poincaré sugeriu foi que qualquer coisa que não tenha buracos tem que ser uma esfera.
Essa “qualquer coisa” tinha que ser o que os matemáticos chamam de compacto, ou fechado, o que significa que tem uma extensão finita: não importa o quanto você espicha numa direção ou na outra, você só consegue chegar a uma certa distância até que comece a voltar. No caso de duas dimensões, como a superfície de uma esfera ou de uma rosquinha, imagine um elástico em volta de uma maçã e outro em torno de uma rosquinha. Na maçã, o elástico pode ser encolhido sem limite, enquanto que na rosquinha ele acaba impedido pelo buraco no meio. Com três dimensões, é mais difícil discernir o formato geral de um objeto, pois não conseguimos ver onde estão os buracos. Não é à toa que os astrônomos ainda discutem sobre o formato do universo: se é uma esfera, uma rosquinha , ou algo mais complicado.
Em Novembro de 2002, Perelman depositou num repositório de arquivos científicos na internet chamado “arXiv” o primeiro de uma série de três artigos nos quais reivindicava ter obtido uma demonstração da chamada conjectura da geometrização, um resultado que inclui a conjectura de Poincaré como um caso particular. Tendo depositado o último dos artigos em Julho de 2003, e essencialmente sumido do mapa, Perelman acabou tendo seu argumento oficialmente confirmado como correto pela comunidade científica em Agosto de 2006 por ocasião do Congresso Internacional de Matemáticos realizado em Madrid.
Em matéria publicada em 06/11/09 no Wall Street Journal intitulada “Russia’s Conquering Zeros”, Masha Gessen diz que “pode não ter sido mero acidente que, enquanto algumas das mentes americanas mais privilegiadas trabalhavam para resolver um dos problemas mais difíceis do século, foi um matemático russo trabalhando na Rússia que, no início dessa década, finalmente triunfou.” Trata-se essencialmente de uma apresentação de seu mais recente livro sobre a saga de Perelman, “Perfect Rigor: A Genius and the Mathematical Breakthrough of the Century” (Houghton Mifflin Harcourt, Novembro 2009) no qual Gessen, embora sem ter tido a chance de encontrá-lo pessoalmente, conta a estória desse gênio excêntrico russo sob o ponto de vista de uma ex-aluna no sistema educacional do qual ele foi um produto.
No regime soviético, os matemáticos trabalhavam isolados de seus pares do mundo ocidental, mas eram incentivados e treinados para servir ao Estado, como, por exemplo, eram recrutados por um sistema concebido para preparar estudantes para participar de competições matemáticas internacionais. O talento de Perelman foi reconhecido logo cedo, e os resultados apareceram sob forma de uma medalha de ouro na Olimpíada Internacional de Matemática em 1982. (Diga-se de passagem, um dos legados disso tudo impressiona: na série de competições internacionais de programação de computador organizada pela Association for Computing Machinery (ACM) e apoiada pela IBM desde os anos 1970’s – International Collegiate Programming Contest – em todos os anos pelo menos uma instituição de São Petersburgo está entre os 3 primeiros lugares desde 1998 quando a Europa Oriental passou a participar com freqüência.)
Por não fazer parte dos mais chegados aos círculos do poder, além de sofrer discriminação devido ao anti-semitismo soviético, Perelman cresceu em meio ao que Gessen chama de “contracultura matemática”: “na contracultura matemática, matemática era quase um hobby,” conforme lembra Sergei Gelfand. “Portanto você poderia passar todo o seu tempo fazendo coisas que não seriam úteis a ninguém daqui até a década mais próxima.” Os matemáticos chamavam de “matemática pela matemática.” Não havia qualquer recompensa material – nenhuma posição acadêmica, nada de dinheiro, nenhum apartamento, nenhuma viagem – e tudo que se esperava ganhar era o respeito de seus pares.
“A matemática, não apenas garantia a promessa de trabalho intelectual sem a interferência do estado mas também de algo que não existia em mais nenhum recanto da sociedade soviética: uma verdade única passível de ser conhecida.” “Perelman é filho dessa contracultura matemática soviética, e ainda acredita numa única verdade como auto-evidente: a matemática como ela deve ser praticada, a matemática como o derradeiro vôo da imaginação, é algo que o dinheiro não pode comprar, ” conclui Gessen.
Com ou sem contracultura, Perelman é o que podemos chamar de exemplo não apenas de puro talento matemático, mas de integridade e de espírito libertário: o direito de agir ou pensar de maneira original, extravagante, fora dos padrões considerados normais ou comuns, e ainda assim contribuir de modo decisivo para o bem comum.
PS: Ruy é professor associado do Centro de Informática da UFPE e escreve para o Blog sempre às segundas.
Opinião
POSTADO ÀS 12:03 EM 05 DE Novembro DE 2009
Por Sérgio Montenegro Filho, no blog www.polislivre.blogspot.com
Ao descumprir a decisão do Supremo Tribunal Federal de cassar o mandato do senador Expedito Júnior (PSDB-RO) – acusado de abuso de poder econômico e compra de votos na eleição de 2006 – o Senado brasileiro dá mais uma demonstração de que continua se colocando acima das leis que regem o País.
O Supremo, até onde se sabe, tem o papel de guardião da Constituição Federal. Aquele conjunto de leis aprovado pelo Senado e Câmara dos Deputados, que parece só não valer para eles próprios. Para os parlamentares brasileiros, o corporativismo é maior que a própria Carta. A ordem é proteger os seus, não interessando se são comprovadamente culpados.
Recentemente, o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), escapou das denúncias de abuso de poder político e econômico. Seu antecessor no cargo, Renan Calheiros (PMDB-AL), saiu impune das acusações de que recebia propina de um lobista para pagar pensão a um filho fora do casamento.
Dois outros ex-presidentes da Casa também escaparam da guilhotina: Antônio Carlos Magalhães (DEM-BA) – já falecido – violou o sigilo do painel de votações. Antes que fosse cassado, renunciou. O mesmo fez Jader Barbalho (PMDB-PA), após a comprovação de denúncias de desvio de verbas da Sudam.
Se presidentes do Senado não são punidos por seus crimes, é até natural que os colegas tentem preservar o pescoço de Expedito Júnior.
Dessa vez, porém, há um fator extra: os senadores andam revoltados contra o Supremo, porque a Corte tem legislado sobre questões eleitorais. Avaliam que o Judiciário estaria extrapolando suas funções e interferindo nas atribuições constitucionais do Legislativo.
Os senadores não explicam, porém, que os ministros do STF só avocaram esse poder para si porque o Congresso, a quem caberia produzir tais leis, não as fez. A reforma política, por exemplo, dorme nas gavetas da Casa porque as mudanças propostas no projeto não interessavam à maioria dos parlamentares. Simples assim.
É por essas e outras que políticos sérios, que discordam do comportamento da maioria dos colegas, estão deixando a vida pública. Para esse pequeníssimo grupo, o corporativismo, a corrupção, o nepotismo e o desprezo às leis são inaceitáveis. Mas como se sentem impotentes para dar combate a esse vício, sua única saída é abandonar o barco. Até porque, ao contrário dos colegas, para eles a generalização incomoda e macula o histórico.