artigo
POSTADO POR Thiago Wagner da Silva ÀS 11:24 EM 02 DE Junho DE 2013
Por Gilvandro Filho*
Havia uma geral de 6 degraus onde, bem no meio do campo, ficava o mítico "balança, mas não cai", uma torre desengonçada de 3 andares que abrigava as cabines de imprensa e o placar abaixo de um letreiro preto onde se lia "Bardhal". Sob as arquibancadas (quase atrás dos gols) dois vãos haviam, de onde se via o jogo de pé, no nível do gramado. Mesmo assim, os Aflitos conseguiram a proeza de ter mais de 23 mil torcedores naquela tarde de domingo, junho, 21. Como, não sei. Hoje, ampliado, fica lotado com 18 mil.
Eu estava lá. Espremido por um mar de gente, no alto dos meus 13 anos de idade. Camisa alvirrubra, boné na cabeça e o grito de N-A-U-T-I-C-O pronto na garganta. Fui ao jogo com amigos lá do bairro do Hipódromo. Era pertinho, fomos a pé. Quase não consegui entrar no estádio, de tanta gente. Na Rua da Angustura, uma multidão aguardava a hora de entrar na festa. Mas, eu entrei. E fui testemunhar a História. Era o dia do Hexa.
Naquele tempo, não tinha separação de torcidas. Briga, claro que havia. Mas, logo chegavam e polícia e a paz. Não havia, naturalmente, as "torcidas organizadas". Corri para a arquibancada do Country Club e lá assisti os dois tempos normais. Vi o Náutico jogar desfalcado de sua zaga titular (Mauro e Fraga), e entrar em campo com um "negão" chamado Fernando Matias, que o Timbu trouxe da Venezuela, onde jogou a Taça Libertadores. Junto vieram Rato, Ede e Ramos. Eu gostava daquele time, embora já fosse o fim de safra das grandes equipes do Náutico na década. Morria de medo das saídas do goleiro Valter Serafim. Ficava tranquilo quando a bola encontrava Jardel ou Ivan, o craque naquele ano de 1968. Ria muito com o carnaval que Miruca e Lala faziam na defesa adversária. E apostava tudo nas cabeçadas decisivas de Nino.
Antes da prorrogação, eu me lembro do juiz Erílson Gouveia se machucando e sendo substituído pelo bandeirinha Armindo Tavares. Aproveitei a parada e desci. Não consegui mais subir para a arquibancada. Fui pro outro lado, o da entrada, onde hoje fica o placar. Foi a minha sorte. De lá, grudado no alambrado, eu vi o ponta esquerda Ede disparar do meio de campo, ir à linha de fundo e cruzar para traz, Ramos chapando a bola para o fundo do gol do bom goleiro Miltão.
Tudo aconteceu aos 2 minutos do segundo tempo da prorrogação. E aí eu não vi mais nada. Nem o fim no jogo. Só me lembro aquela multidão gritando e cantando, atravessando o portão de ferro e indo para o carnaval que já rolava na sede.
Mesmo em junho, nos Aflitos aquele foi um Domingo de Ramos.
Gilvandro Filho é jornalista e alvirrubro
adeus aflitos
POSTADO POR Thiago Wagner da Silva ÀS 12:03 EM 01 DE Junho DE 2013
Por Roberto Vieira
1977.
Fui nadar no Náutico.
Saía do inglês, pegava um ônibus e chegava pra aula com Eduardo.
Meu clube do coração.
Na quadra ao lado da piscina olímpica, pelada.
Kléber, Milton, Gil Vicente, Fittipaldi, Roberto Luciano, Sebastian.
O velho estádio testemunhava os gols.
E depois dos gols, as braçadas.
Ninguém era um atleta fantástico.
Mas éramos felizes em nossa Abbey Road.
Formamos um conjunto imaginário.
Eu, Gil e Roberto Luciano compusemos canções.
De vez em quando, jogo.
Campos.
Marião.
Chico Explosão.
Colecionando discos comprados do Sêbo do Rogério.
Sonhando com peneira, o nado peito e Sgt. Peppers.
Um dia, tudo se foi pela primeira vez.
A idade adulta separou os amigos.
Ficou apenas aquele velho estádio.
A lembrança de um tempo que não volta mais.
Mas o coração tem o dom de transformar memória em imortalidade.
Os Aflitos são destas coisas eternas pra mim.
Pois os Aflitos e os amigos.
Como dizia Brant e Milton;
Como cantava o 14 Bis.
Os Aflitos é coisa pra se guardar do lado esquerdo do peito.
Mesmo que o tempo e a Arena.
Digam não...
voz do torcedor
POSTADO POR Thiago Wagner da Silva ÀS 13:11 EM 23 DE Maio DE 2013
Por Ayrton Maciel*
Comunica-se o falecimento, na noite de terça-feira, 21 de maio de 2013, da honra e do orgulho. Deixam milhões órfãos, que muito provavelmente não serão adotados por outro sentimento e causa, mas sim, padecerão na orfandade. Órfãos do abandono ao qual a honra e o orgulho foram jogados por seus tutores. Faz-se ciência aos eleitores, que reelegem tutores desde 2008, e reeditam a profecia do fim da era de honra e de orgulho, que a insolência parece próxima. Perdeu-se a garra, perdeu-se a alma, perdeu-se o território invencível, perdeu-se a voz das gerais. Recomenda-se a tutores e eleitores a autocrítica, a carapuça da culpa.
O funeral decorrerá no futuro próximo, estando prenunciado horário e data, 11 horas de um dia 13, em homenagem ao nascimento dos gêmeos, ocorrido a 13 de maio de 1905. Em adendo de consolo ao clamor e à comoção populares, registre-se que a decadência anunciada vinha se prolongando ha cinco anos. A demência de suas forças físicas era “incobrível”. Nos últimos episódios, apanhava – sem reação - em sua própria casa, rendia-se à humilhação, de forma conformada, impigida por personagens antes respeitadoras, que agigantaram-se ante a fraqueza adversária.
Seu Sampaio Correia, Seu Paysandu, Seu Campinense e Seu ABC triunfaram com brios. Ante este último, a honra e o orgulho - padecendo de um grau de definhamento extremo –, portaram-se como que no estágio literal de retorno à infância, como que uma volta à alfabetização.
Por não se saber por onde andam, aos tutores informa-se por este comunicado. No momento do expiro, na noite de 21 de maio, procurados pelos seguidores de Gutemberg, mais uma vez não foram encontrados. A honra e o orgulham estavam sós, padeceram sós. Aos órfãos, não foram dadas justificativas, qualquer uma das mensagens de esperança comuns a ocasiões humilhantes, tipo “vamos partir para outra”.
Neste momento de desconsolo e solidão, pede-se aos órfãos serenidade. Que guardem as lembranças de honra e orgulho nos corações e mentes, reúnam as fitas, fotos e narrativas de vitórias históricas em locais seguros, de modo a transferir a seus filhos, netos e gerações futuras a provas de que, um dia, foi tudo verdade.
Por último, aos eleitores deste fim de glórias, convida-se para o funeral futuro. Ao mesmo tempo, informa-se que – atendendo recurso judicial ajuizado por esta vila do Recife –, está liberada a construção de espigões nos cais deste feudo. Ante a medida, deve-se desconsiderar as chances de uma Arena desportiva, que não a oficial, até mesmo pelo padecimento dos motivos.
À comunidade, convida-se para as encomendas espirituais desta velório quinquenal, num ato de compaixão. Sugere-se, em respeito à honra e orgulho falecidos, que vista-se nas cores correspondentes. Haverá réquiem coletivo.
Os órfãos esperam, nesta ocasião, que apareçam seus tutores. Se possível, como novas explicações.
Assinam: Nós, órfãos!
*Ayrton Maciel é jornalista e torcedor do Sport.
O texto não reflete necessariamente a opinião do Blog do Torcedor
voz do torcedor
POSTADO POR Thiago Wagner da Silva ÀS 11:01 EM 18 DE Fevereiro DE 2013
Por Gustavo Krause*
Um corpo estendido no chão. Sangrando. Morrendo. O espetáculo indesejável da violência. Um jovem. A vida por viver. A dor. Penso nos pais. Na família. Não escapo da responsabilidade social. Que faço, que fiz ou o que fizemos nós na luta contra a violência que permeia a sociedade e que chega aos estádios de futebol como a mais autêntica expressão da barbárie?
Se não há resposta única ou penitência para a responsabilidade difusa, embora uns sejam mais responsáveis que outros, em especial, as instituições que cuidam ou deveriam cuidar da paz social, cabe, pelo menos, compreender o futebol como fenômeno de massas e uma expressão cultural movida pela rivalidade apaixonada a um passo da violência física e do extermínio entre torcedores.
O futebol não é apenas um jogo. É uma linguagem e uma estética. Cheia de simbolismos. Como diz Wisnik, “um vespeiro universal de congraçamento e violência”. Acolhe e confronta. Abraça e sai no braço. Troca camisas, em paz, ou sopapos, ao final da peleja. Dentro do campo é bola, é pau, é pedra, é bala é....o fim do caminho.
A rica linguagem do futebol incorpora uma guerra simbólica. Sem querer apela, de forma subliminar, para a violência. Expressões significativas são repetidas e incorporadas à sintaxe do jogo: “mata-mata”, “mata a jogada”, “o artilheiro” ou “matador”, “o carrasco”, o “guerreiro”, “o capitão” “o tanque”, “duelo”, “embate”, “peleja”.
A linguagem metafórica não é a essência do futebol, mas contribui para os efeitos indesejáveis de um jogo que na origem deveria ser uma disputa entre cavalheiros. “Os cavalheiros” organizaram-se em associações desportivas e as associações desportivas constituíram-se de sujeitos com identidades tribais, com uniformes, bandeiras, signos, hinos, cânticos, gritos de guerra (atentem, por exemplo, para o que proclama a Gaviões e para resposta da Mancha Verde) dispostos a fanatizar a alegria da vitória e explodir no sentimento de perda. Do ponto de vista comportamental, as torcidas alternam as neuroses dos resultados e, sob o contágio de uma hipnose coletiva, o estádio, seus arredores e os dias de jogos transformam-se em ambientes propícios para a explosão da violência.
Por sua a vez, a violência no futebol, apesar de todo combustível simbólico, é um desdobramento da violência social para a qual concorrem múltiplas causas. É um fenômeno universal e decorre de fatores socioeconômicos, tensões políticas, conflitos culturais. Sua mais completa manifestação ocorreu na Inglaterra com o hooliganismo, cujo eficaz combate de se deveu à cooperação institucional dos estados europeus. É assustador o depoimento de um hoolligan que esperava ansiosamente o dia de jogo para a prática da violência “a coisa mais importante das nossas vidas”. E deram Jeito.
E por aqui tem jeito? Não é simples combater a violência. Não basta imputar a responsabilidade às torcidas organizadas. São terríveis pontas do iceberg. A inteligência dos órgãos de segurança, mais a tecnologia de identificação dos potenciais transgressores, a consequente punição dos delinquentes em ação concertada e permanente são providências de efetivo combate a esta face sombria que mancha o futebol, o maior espetáculo da terra.
O tratamento episódico da violência por parte das autoridades responsáveis é inútil. E aí a tragédia da bala vai continuar vencendo a beleza da bola.
* Gustavo Krause é conselheiro do Náutico
O texto não reflete necessariamente a opinião do Blog do Torcedor
opinião
POSTADO POR Anderson Malagutti ÀS 14:03 EM 20 DE Dezembro DE 2012
Por Alfredo Bertini (*)
Não resta dúvida de que a união pode ser o mais belo dos discursos políticos. Gestos franciscanos de plena entrega por causas civis são sempre muito bem-vindos e costumam fazer bem aos egos. Dos políticos e até muito mais dos eleitores. Mas, para que essa teoria seja mesmo um exercício prático efetivo, será preciso ter em conta muita homogeneidade nos ideais. Ou melhor, a existência de pontos de convergência entre os atores políticos passa a ser uma condição vital àquele fim.
No ambiente político do Sport Club do Recife esse história de união, sobretudo, nos últimos 30 anos de exercício de poder, tem soado como uma conversa fiada para lá de piegas. Parece aquele refrão bem rimado das passeatas esse papo de que o clube unido jamais será vencido. Claro que onde houver o máximo de união política, maiores chances de êxito existirão. Mas, acontece que ainda não encontraram nada além da democracia como a melhor panacéia para contentar os descontentes. Para encarar, de frente, a realidade do que é heterogêneo. Por essa tal democracia existir – graças a Deus – o que se tem a levar em conta, de verdade, é encarar o desafio de se conviver entre os divergentes. Afinal, homogeneidade política pode ser campo limpo para os regimes autocráticos. E como diria Nelson Rodrigues, a soberba da unanimidade é o retrato do exercício pleno da burrice. Desse modo, um clube de futebol, pela sua natureza atual de tanta complexidade e diversidade, jamais deve ser regido por uma unidade de princípios, zona fértil para disfarçar uma autocracia idiota.
Ao se defender aqui a democracia no Sport e, conseqüentemente, o direito de divergir nas idéias, é bom deixar evidente que isso não significa “torcer contra”, um ato que desabona a paixão e o amor que se tem pelo clube. Vale até dizer que esse sentimento igualitário (por mais que o poder tenha tentado medir o amor, de modo arrogante, visto pelo próprio nome da sua chapa) está mesmo acima dos constantes descontentamentos que os incompetentes costumam promover. Nesse sentido, acima desse discurso insípido de união, vale lembrar que há 3 décadas uma oligarquia se instalou em rodízio no poder, agora disfarçada de “moderna”, mesmo que comprometida com os interesses privados, a elitização e a forma de gestão que segrega e arbitra ao seu bel prazer. Nesse contexto, basta lembrar que o presidente eleito se auto-promoveu com o conforto de ter sido convocado pela sexta vez para dirigir o clube. Quanta falta de liderança. Quanta falta de renovação. Ou melhor, quanta perpetuação no poder!
Particularmente, não posso negar o quanto estou preocupado com a situação do Sport, quando o olho agora pelas lentes do futuro. Num mercado estreito e competitivo como o do futebol atual, percebo que o clube está sob risco iminente, diante da repetição dos equívocos de pelo menos uma década. Para tornar o quadro ainda mais preocupante, a defesa intransigente, enganadora e anti-democrática de um modelo de projeto que compromete a história do clube, construída há mais de um século com suor e lágrimas por tantos rubro-negros que já se foram. E justo por temer esse futuro incerto, lembro como estaria hoje desconfortável o meu falecido pai, diante dos resultados sofríveis no futebol e das idéias relativas às “agressões patrimoniais”, essa em nome de uma “modernização” autofágica.
No entanto, como meu pai nunca foi um digno representante dessa tal novidade da “elite pensante” do clube, claro que isso pouco pode interessar à realeza, seus áulicos e puxa-sacos de plantão. No entanto, para mim, lembrá-lo nesta hora tem todo significado e simbolismo. Foi um simples torcedor anônimo dentre tantos amantes inquestionáveis das cores rubro-negras da Ilha do Retiro. Só que sua morte foi conseqüência da perda de um título estadual (algo bem mais sério e comovente que demarca o risível conceito de perda emocional promulgado por Dubeux), um fato doloroso que me comprovou, por excelência, o seu sentimento de “garra leonina”, quando o assunto era defender os valores do nosso clube. Assim, através desse modesto legado, enxergo por ele o amor franciscano e verdadeiro (este sim, é algo que pode ser homogêneo), semelhante a outros milhares de anônimos, que contribuíram para que a história e o patrimônio do nosso clube transpassassem por gerações e gerações. Mas, como os atuais dirigentes são os “frios homens do concreto”, desprovidos de uma mínima sensibilidade, daquela que nos levasse a crer nos valores intangíveis, não há mesmo como tê-los em união, em comunhão de idéias. Somos bem diferentes no pensar. Mais do que isso: do lado de cá, somo leais aos ideais defendidos. Não há tergiversação. Por isso, não tem liga. Não tem química.
Hoje, independente dos números duvidosos que se escondem por trás do estupro que foi o processo eleitoral recente (com a devida licença de uso do termo que está no blog de José Joaquim), reservo-me do direito de ficar incrédulo, diante de tantos rubro-negos iludidos com o tripudiar das palavras. Renderam-se à “venda encantada” de uma modernização importante para o nosso estádio, mas que tem sido usada de forma grosseira para corroborar a contaminação de uma praga tão evidente na cidade: o da especulação imobiliária desenfreada. Logo ela, tão maléfica aos nossos olhos, atingindo sem piedade o patrimônio secular dessa referência nacional que é o Sport Club do Recife. Onde está a nossa consciência de cidadania? E o interesse público? E a qualidade de vida? Ou não são esses também elementos tão ou mais importantes para o modus vivendi do conturbado mundo moderno? Os valores culturais, materiais ou não, que pertencem hoje ao Sport não têm preço. Precisam ser respeitados e valorizados, mesmo que haja uma convivência harmônica com o moderno.
Assim, se o poder estabelecido não tem como mudar seu ideário de lesa-patrimônio, não há menos chance de nos aliarmos. Ou seja, a divisão política no clube é hoje um fato tão concreto quanto os blocos de cimento que pretendem usar nos espigões que travestem a proposta absurda de Arena. Diante dessa forma agressiva de se atropelar o patrimônio do clube, não haverá razão de permitirmos que esse “complexo de faraó” se transforme numa suprema verdade no ambiente da Ilha do Retiro. Por pensar de outra forma, a oposição não tem culpa pelo fato da situação contar com cidadãos relapsos em História, Cultura e quaisquer outros valores que apontem para tudo que possa macular o fruto da luta dos nossos antepassados. Afinal de contas, eles padecem de uma dupla miopia: não enxergam o orgulho de termos tão singular patrimônio sócio-esportivo e nem muito menos compreendem a razão temporal que significa aquele ambiente, cercado pela grandeza do esporte olímpico. Esquecem e sepultam a própria razão de ser do clube.
Para os que pensam na utopia da união, pode ser agora motivo de lamentação o fato de se dizer que a luta está só começando. Penso que os guerreiros da mais significativa oposição da história do clube não medirão esforços para salvaguardar o direito inalienável dos sócios em preservarem o clube. Isso será válido sob o ponto de vista físico como para o plano institucional. E tudo em respeito à memória dos que fizeram o clube ser hoje o que é - um dos mais significativos patrimônios sócio, esportivo e cultural do país.
Enfim, não é à-toa que estejamos agrupados e engajados num movimento chamado de “Resistência Sport”. Vamos sim resistir, porque acreditamos num Sport moderno, mas capaz de respeitar seus valores intrínsecos. Por outras vias semânticas, faremos de tudo para comprovar uma das máximas de Marx: tudo que é sólido se desmancha no ar.
(*) Alfredo Bertini, economista e produtor cultural.
O texto não reflete necessariamente a opinião do Blog do Torcedor
opinião
POSTADO POR Anderson Malagutti ÀS 16:05 EM 04 DE Dezembro DE 2012
Por Gustavo Krause*
No futebol, a alegria é um sentimento fugaz e, por isso, deve ser intenso.
Para uns, dura o tempo do próximo jogo ou do início da próxima competição.
Para outros que têm a missão de gerir o clube, pode até durar, mas é mitigada pela urgência dos desafios e responsabilidades, provocada pelo choque de realidade.
Entendo, pois, que, com a alma leve por causa do dever cumprido, os dirigentes do Náutico devem estar (e estão) com os olhos bem abertos para o que vem pela frente.
O primeiro e maior desafio foge ao controle e à influência dos gestores: é o gritante e afrontoso abismo que separa os clubes na mesma competição e, no fundo, reflete a histórica desigualdade regional, transformando o Brasil no país dos contrastes.
Alfredo Bertini, desportista e rubro-negro da melhor cepa, ilustrou a palestra proferida sobre a economia do futebol, assunto em que é mestre, no dia da inauguração do Centro de Estudos do Futebol e Biblioteca Nelson Rodrigues da FPF, com dados reveladores do apartheid futebolístico em nosso país (a propósito, com o mesmo padrão de excelência, as palestras de Roberto Vieira, Silvio Ferreira e Inaldo Freire, o Tacão, sobre a o futebol na obra de Nelson Rodrigues, o negro no futebol brasileiro, e a evolução de preparação física no futebol, respectivamente).
Vamos aos dados: em 2011, a receita total dos clubes foi de R$ 2,7 bilhões, 23% a mais do que a receita de 2010; 40% da mencionada receita ficou nas mãos de 5 clubes; 65%, abocanhada por 10 clubes e 83% foi para 20 clubes; nove clubes faturam mais de R$ 100 milhões; sete entre R$ 40 e R$ 100 milhões e todos os demais menos de R$ 40 milhões. Os dados de 2012, por motivos óbvios, não estão fechados, porém há indícios de aprofundamento da desigualdade em razão dos valores decorrentes dos contratos individuais celebrados com a Rede Globo.
De outra parte, o impacto no resultado final da competição reflete o provável aprofundamento da concentração de renda: as quatro melhores equipes somaram 286 pontos; as quatro equipes rebaixadas, 135 pontos; a diferença entre a “elite” e os “rebaixados” atingiu 151 pontos, a maior diferença desde o início da competição em pontos corridos (a maior foi de 137 pontos, em 2006).
Do ponto de vista regional, o cenário revela que a disputa, até o décimo segundo lugar, tem 11 clubes sediados no Rio, São Paulo, Minas e Rio Grande do Sul, ou seja, um Brasil cujo tamanho não chega a um milhão de quilômetros quadrados.
Ora, os clubes do “resto” do Brasil participam da competição como meros figurantes, com exceção aqui e acolá, para confirmar a regra.
Desta forma, o Náutico, que em 2011 não figurou, sequer, entre os 20 clubes com maiores receitas e que, em 2012, teve a menor das receitas, não deve ter ilusões com acréscimo semelhante aos clubes que integram o seleto grupo dos privilegiados.
Nada de pessimismo. Realismo puro.
Portanto, aumentam responsabilidades desproporcionalmente ao tamanho dos desafios, fato que, em vez de desanimar deve ser um estímulo a redobrar a nossa capacidade de lutar.
Quando falo em capacidade de lutar, não me refiro a um dado subjetivo, mas à adoção de uma ação planejada que observe um conjunto de diretrizes básicas, tais como: (1) definição de objetivos estratégicos para o ano de 2013, compatíveis com os recursos efetivamente disponíveis; (2) manutenção do equilíbrio orçamentário como regra inflexível de modo a cumprir as obrigações assumidas; (3) consolidação do processo de profissionalização, em especial, na gestão administrativo-financeira; (4) aperfeiçoamento da gestão comercial da marca Náutico em parceria com a Arena Pernambuco; (5) definição do aproveitamento do patrimônio imobiliário dos Aflitos; (6) ampliação dos investimentos e aperfeiçoamento da formação de atletas cujo retorno é indiscutível.
Sei que o Presidente Paulo Vanderley e sua equipe de colaboradores têm plena consciência dos desafios e das responsabilidades. Afinal, os avanços e as conquistas remontam biênio 2010\11 e que prosseguem de forma muito positiva. Têm, pois, a experiência do saber feito.
No entanto, a continuidade deste processo depende dos primeiros e decisivos passos que serão dados este mês: a manutenção da comissão técnica e formação do elenco. É fundamental que as partes envolvidas mantenham os pés no chão, sempre em busca de um denominador comum de modo que sejam repartidos, de forma justa e equilibrada, o significado e os ganhos reais da valorização Náutico em permanecer na Série A.
Importante que todos cresçam juntos, considerando os limites e as possibilidades do mundo real.
*Conselheiro do Náutico
O texto não reflete necessariamente a opinião do Blog do Torcedor
artigo
POSTADO POR Thiago Wagner da Silva ÀS 13:28 EM 26 DE Novembro DE 2012
Por Gustavo Krause*
Amigo torcedor, amigo secador (crédito para autoria de Xico Sá), aos quais acrescento por conta e risco, corneteiros, ondeiros profissionais, fofoqueiros, cafajestes digitais, aconteceu o indesejável para vocês: o Náutico permanece na série A do campeonato brasileiro de 2013. Uma sentença imutável da matemática; um prêmio ao mérito respaldado na contratação do melhor jogador do Brasil que, mais adiante, revelo o nome.
Noves fora a babaquice de comemorar o “fico” antes da certeza matemática (e não é a primeira vez, ano passado foi assim, e eu espero que a lição não passe em branco), os números da probabilidade estatística sempre estiveram a nosso favor.
Porém, o futebol tem várias lógicas: a lógica do mérito que deveria ser soberana e não é. Tem a lógica do imponderável (o montinho artilheiro); tem a lógica da onipotência, da oniciência, monopólio da cambada de árbitros a serviço dos times poderosos e cada vez mais impunes; tem a lógica transcendental, metafísica, operada por satanás nos detalhes e pela ação inexplicável dos personagens de Nelson Rodrigues, Sobrenatural de Almeida e Gravatinha.
Esta confluência de “lógicas”, contaminada pela emoção devastadora do espetáculo do futebol que faz rir, chorar, agredir, abraçar, gritar, submergir em profundo silêncio e, no limite, morrer por explosão cardíaca, é o que me leva a afirmar com inabalável convicção: a mais complexa, a mais imprevisível, a mais arriscada empreitada que me foi dada a conhecer e viver, foi a gestão de um Clube de Futebol.
Não entrarei em detalhes para não fugir do tema central do texto. No entanto, merece destaque uma peculiaridade na gestão clubística: todos, cartolas e jogadores, são julgados severamente, em média, duas vezes por semana. Não conheço atividade tão exposta e vulnerável. As glórias transformam-se, logo, logo, em relíquias de museu; as derrotas permanecem vivas, falantes com a voz lúgubre de uma consciência impiedosa.
Agora, vamos à permanência do Náutico na série A. Dez em dez analistas, não tinham dúvidas: era um time marcado para morrer. Previsão nada genial. Aliás, nesta competição entre desiguais e, sob a batuta de espertos personagens, o ano começou com uma certeza Náutico, Ponte Preta, Portuguesa, Figueirense, Atlético de Goiás, e mais, remotamente, Coritiba e Sport, fariam o campeonato da morte. Uma surpresa: o Palmeiras (a imprensa nacional pariu um rolo de arame farpado). Uma certeza: o Flamengo seria protegido como foi e ficaria salvo. Portanto, nenhuma novidade.
Senhores torcedores, secadores etc..., foi um ano inteiro de tensão. Noites mal dormidas. Taquicardia. Apreensão. Para a imensa torcida, o jogo termina quando o juiz aponta para o meio do gramado. Para os que têm a responsabilidade de dirigir, recomeça outro jogo. É um nunca acabar. E desta vez, permanecer na primeira divisão tem vários significados, entre eles, o mais concreto que é manter, em dia, todos os acertos com passivos históricos e chegar, se Deus quiser, para jogar na Arena Pernambuco de cabeça erguida e com um time competitivo.
Acreditem, vi e vivi de perto a entrega dos dirigentes. A ansiedade, a angústia, o drama da incerteza, tudo, felizmente recompensado no dia 25 de novembro de 2012 na batalha de Pituaçu. Um time mutilado. Contra a respeitável tradição baiana e o eco de 40 mil vozes. E aí vale um comentário: o menor orçamento e um dos mais reduzidos elencos do campeonato foi superado por um time organizado em campo que privilegiou o futebol coletivo e, à exceção de três ou quatro jogos, suou e honrou a camisa, foi valente, brioso, raça, muita raça, o que supriu deficiências individuais. É preciso valorizar a permanência o que não é uma conquista simples. Não apenas neste quadro de adversidades, mas sendo vergonhosamente garfado contra o Inter, contra o Atlético Mineiro, contra o Vasco, contra o Fluminense e o Flamengo (escândalos).
Agora, a contratação do melhor do jogador do Brasil e o mais importante para nossa conquista: SALÁRIOS EM DIA. Esta renovação de contrato e reafirmação de compromisso são peças-chave para qualquer planejamento. E se define esta “contratação” a partir do tamanho da receita. Presidente, mão de ferro! Não abra como não abriu este ano. Nada de pressa. Nem ansiedade. O sucesso traz o paradoxo de valorização e do aumento de gastos. Todos foram e são importantes, menos para comprometer o equilíbrio orçamentário. Espero que esta semana os “donos do dinheiro” não mais adie a conversa sobre a renovação do nosso contrato.
Abrindo parêntesis: a Caixa Econômica patrocinará o Corinthians no valor 31 milhões com surpreendente comentário favorável do meu respeitável amigo Juca Kfouri; o Flamengo sugou anos a fio a Petrobras que, depois das estripulias lulistas, está valendo menos do que empresa de cerveja; o Vasco mamou por muito tempo nas tetas da Eletrobras, tudo como o meu, o seu, o nosso dinheirinho porque são empresas públicas ou sociedades de economia mista. Pergunta se estes Clubes apresentaram o SICAF ao burocratas. Uma vergonha!!! Fechando parêntesis.
A verdade é que 2010 por caminhos dolorosos, 2011 e 2012 por caminhos mais seguros ensinaram bastante.
Para finalizar, uma súplica do fã: cala boca Kiezinha!
* Gustavo Krause é conselheiro do Náutico.
Nota: O texto não reflete, necessariamente, a opinião do Blog do Torcedor.
voz do torcedor
POSTADO POR Thiago Wagner da Silva ÀS 13:45 EM 14 DE Outubro DE 2012
Por Emerson Santiago*
16 de dezembro de 2010. O dia que o Sport elegeu o pior presidente da história do clube. Aclamado? Pode se considerar que sim, afinal, dos 1957 votos computados naquela eleição, o excelentíssimo senhor Gustavo Dubeux recebeu 1922. O Sport começava, naquele instante, os piores anos de sua história repleta de conquistas.
Todos sabem que interesses pessoais e amizades no meio do futebol nunca combinaram. Mas, como num passe de “agilidade”, o Sport renovava, ainda em meados de novembro de 2010, com o técnico Geninho, que não tinha conseguido subir o clube para Série A. Motivo: amizade com Gustavo Dubeux.
Planejamento jogado no lixo, mas para que planejamento? O interesse do presidente eleito tinha mesmo outras prioridades no comando do clube: a construção da Arena e seus espigões.
Capengando, o Sport caminhava para ser eliminado do campeonato estadual ainda na fase eliminatória, ficando atrás de clubes que jogariam, acreditem, a quarta divisão nacional, como Central e Santa Cruz. O pior estadual em seus 106 anos até então.
Mais uma mudança de treinador acontecia, saindo o amigo do presidente e entrando o amigo do diretor. Assim, Hélio dos Anjos era anunciado como o salvador da pátria. O Sport então se classificou para o mata-mata do pernambucano e, como tudo que começa errado termina pior ainda, o Sport Club do Recife iniciava sua série de vexames. Resultado: perda do título para um time de Série D. Antes tivesse ficado pelo meio do caminho.
Sem falar que antes dessa façanha já havíamos sido eliminados da Copa do Brasil para a fortíssima equipe do Sampaio Correia.
Na série B, todos sabem o que aconteceu… Mas em uma gestão tão perdedora como esta, não vale a pena gastar meu texto com essa façanha conquistada pela incompetência dos adversários, afinal, o Sport não subiu… Vitória e Bragantino o colocaram na primeira divisão.
Elite nacional à vista e o estagiário, que virou treinador e hoje está desempregado, criou um laço muito forte com o presidente. E como amizade é tudo, Mazolla continuava no comando do time.
Nesta época, o Sport voltou a “reinar” no estadual, sendo líder do campeonato de ponta a ponta. No entanto, foi eliminado da Copa do Brasil pelo Paysandu com duas derrotas: 2 a 1 em Belém e um sonoro 4 a 1 em plena Ilha do Retiro. E não venham me perguntar pelo presidente. Dubeux estava estudando os últimos detalhes do maior empreendimento que estava prestes a concluir: a Arena Rubro-Negra e seus espigões.
Ah, mais o estadual seria nosso. Então deixa o presidente quieto, que mania de perseguição. Depois da perda do campeonato do ano anterior, ele tinha aprendido com os erros e aquele vexame não se repetiria. Aquele. Porque passamos por um ainda pior.
Dia 13 de Maio de 2012, aniversário do glorioso Sport Club do Recife. Final do Campeonato Pernambucano, na Ilha do Retiro, jogando pelo empate. A torcida pronta para gritar Campeão. O estagiário no comando. O Sport, enfim, estava se reencontrando após alguns deslizes de pouco mais de um ano. Resultado: Santa Cruz Bicampeão. E é o boi, é o boi, é o boi.
O Sport viveu a maior vergonha de sua história. Mas o Brasileirão estava batendo à porta, então vamos esquecer. Vamos em frente e Pelo Sport Tudo!
Estagiário demitido. Wagner Mancini contratado. Agora vai.
Time desfeito e refeito em pleno campeonato. Planejamento que é bom, nada. Ops, desculpem. Essa palavra não existe no vocabulário do presidente. Então, seja o que Deus quiser.
Após um começo razoável, o Sport começou sua série de insucessos e passou dez jogos sem vencer. Detalhe que levamos um 4×1 do Atlético/MG em plena Ilha do Retiro. Mas o presidente já tinha criado uma amizade com o treinador, e como amizade é tudo…
Mancini caiu após o Sport, que nesses dois anos busca quebrar recordes e mais recordes negativos, perdeu para o Figueirense, que, naquele momento, era o último colocado da competição.
Chegava Waldemar Lemos. O Sport encontra um padrão de jogo, ganha jogos importantes e a torcida começa a acreditar. A aproximação para saída do rebaixamento, com isso, vai chegando. Treinador, torcida e jogadores unidos em prol do Sport. Para, para, para. Esse Sport não faz parte dessa gestão.
Neste momento e cenário, trataram de demitir o quanto antes o Professor e trazer por empréstimo Sérgio Guedes, do fortíssimo XV de Piracicaba. Agora sim, um treinador à altura da diretoria do clube. Sport rumo à segunda divisão. Mas e o presidente? Calma pessoal, Gustavo Dubeux está descansando em Portugal. Afinal, quem vai perder um feriadão desses…
Sobre seus pares no clube, nem comento. Sou muito radical quanto a isso e poderia gerar polêmica aqui. Um conseguirá a incrível façanha de ser bi-rebaixado e o outro vive por aí nos bares da vida aproveitando o bem-bom que o Sport lhe proporciona. Enquanto isso, o remunerado é tido como o bobo da corte e dá a cara para bater. Não preciso dizer de que lado estou…
Complicado é imaginar que o fundo do poço pode ficar ainda mais fundo, afinal, para fechar a vitoriosa gestão de Gustavo Dubeux, ainda falta o gol de Kuki…
Só queria saber de vocês, torcedores… De que lado vocês estão? Com o Sport Club do Recife ou com diretores e presidente que mancham e nos tiram a cada dia a alegria de ver o Sport jogar?
Alonguei-me um pouco, mas queria deixar esse recado para todos.
PELO SPORT SEMPRE TUDO!
*Emerson Santiago, torcedor do Sport Club do Recife.
O texto não reflete necessariamente a opinião do Blog do Torcedor
voz do torcedor
POSTADO POR Thiago Wagner da Silva ÀS 09:07 EM 13 DE Outubro DE 2012
Por Ayrton Maciel*
Assisti aos primeiro jogos do Sport Clube do Recife ainda criança. Vivi a adolescência indo às gerais e arquibancadas da Ilha e campos dos adversários pernambucanos. Cresci lendo e ouvindo os mais velhos sobre os feitos e a grandeza do Sport. Consolidou-se um orgulho das proezas do clube tão grande que me fez adotar a postura de nunca zombar dos adversários derrotados, especialmente os alvi-rubros e tricolores. São grandes adversários.
Cresci assistindo aos jogos do Sport em meio à massa rubro-negra, ensurdecendo a Ilha com o Cazá Cazá - há quatro anos quase sem força - que ecoava uníssono além das fronteiras do estádio e assustava aos adversários em campo, passivos, atônitos, sem força para reagir àquela onda.
Cresci conhecendo as façanhas do Sport Clube do Recife. Li sobre a primeira excursão de um clube de Pernambuco ao Norte, em 1919, quando disputou um torneio em Belém do Pará. Empatou por 3x3 com um combinado Remo-Paysandu, venceu dois jogos e perdeu dois. No jogo final, em disputa o troféu Leão do Norte, escultura de um leão em bronze, que se encontra na sede do clube, o Sport venceu o mesmo combinado por 3x2.
Li sobre a épica excursão ao Sudeste e Sul do País, em 1941, com um time liderado por Ademir Menezes, o Queixada, que em 1950 seria o artilheiro do Brasil na Copa. quando realizou a primeira excursão de um clube pernambucano para o sudeste do país. Em três meses, enfrentou os grandes do Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre e Paraná. O Leão, em 17 jogos, obteve onze vitórias, dois empates e apenas quatro derrotas. Clubes chegaram a formar combinados para enfrentar o Leão.
Li sobre a origem do famoso Cazá Cazá, um grito de guerra criado pelo povo ao final da virada histórica sobre o Náutico em 15 de novembro de 1938, depois de estar perdendo por 3x0, com o respectivo título de campeão pernambucano. Um título que reforçou a característica da raça do Leão, nas disputas, como um dos símbolos do clube. Li que foi Ademir Menezes quem levou para o Vasco da Gama, clube carioca que o contratou após a excursão do Sport de 1941, o grito de guerra da torcida leonina. A torcida do Vasco transformou, então, o Cazá Cazá em Casaca, Casaca.
Li, agora, sobre a excursão à Europa e Oriente Médio, em 1956. O ponto alto foi o histórico confronto com o Real Madrid, no Santiago Bernabéu, com um público de 35 mil pessoas, na inauguração do sistema de iluminação do estádio do clube espanhol. O time foi derrotado por 5 x 3, mas saiu aplaudido de pé pela torcida.
Li sobre os 12 anos sem títulos, de 1963 a 1974, quando a torcida crescia, mesmo sem conquistar campeonatos. O lema era: "quanto mais apanhado, mais preto e encarnado". Lema que faz jus ao muito antigo título popular de "O Mais Amado".
Vivi os anos 80 e a conquista de uma nova e gloriosa alcunha popular: "La Bombonilha". Ouvi jogadores dos clubes do Sul e Sudeste quase admitindo que era se impossível vencer o Sport na Ilha. Não era uma fantasia, era uma analogia com o importante clube argentino Boca Juniors e a sua torcida. Queria-se exaltar as semelhanças entre a raça dos dois clubes e a raça das duas torcidas em seus estádios.
Vivi o título brasileiro de 1987. Estava na geral do lado da sede onde Marco Antônio fez o gol de cabeça no Guarani, dando o título de campeão ao Sport. Um título que foi ganho também na raça fora do campo. Ganho no tapa, quando Homero Lacerda e Fred Oliveira - em defesa do Sport - enfrentou os capangas do bicheiro Castor de Andrade, dirigente do Bangu, em frente à sede da CBF, no Rio. Ganho quando Homero Lacerda enfrentou a CBF, o STJD e a mídia carioca pró-Flamengo.
Vivi as conquistas dos anos 90. Vi o 5x2 sobre o São Paulo, na Ilha, com o Sport com Juninho, Chiquinho e Leonardo. Vi os 6x0 no Flamengo. Li sobre os 6x0 no Atlético no Mineirão. Acompanhei os títulos pernambucanos. Acompanhei o segundo penta nos anos 2000. Conquistas que arregimentaram a legião de fãs, consagrando a sua imagem de clube de maior torcida do Norte e Nordeste.
Surgiram novas torcidas organizadas, com cânticos e gritos de guerra diferentes, mas desconhecendo os hinos e saudações do clube. São torcidas representativas da grande massa rubro-negra, que cresceram com as vitórias das décadas 80 e 90 do século passado, e que só fazem crescer no novo século. Torcidas que viveram como maior e última grande glória a Copa do Brasil de 2008.
Pela grandeza, os objetivos deveriam ser sempre ganhar e vencer. Organizar-se, planejar e crescer, sempre.
Mas, não há mais Treme-Terra, nem Bafo do Leão. Não há mais Cazá Cazá com força. É possível que a capitalização extremada do futebol tenha sido acompanhada pelo desleixo com a meta final do clube, em todos os setores: vencer, sempre! O poderoso Sport Clube já não mete medo em quem o enfrenta na Ilha. Não revela um único jogador de destaque nacional.
2008, uma ano de título importante, foi também o da vitória de um projeto pequeno. Priorizou-se um projeto local, o hexa, em detrimento de uma ambição planejada de se consolidar além das fronteiras nacionais. O custo de opções assim é sempre alto.
Hoje, o Sport está desprovido de sua grandeza e história. Nenhum jogador ouviu falar da excursão de 19, da excursão de 41, Santiago Bernabéu, do título de 1987, da Copa de 2008, dos 39 estaduais, de Ademir, Manga, Rildo, Vavá, Roberto. O Sport sempre foi movido pela ambição, uma alimentando a outra. Isto não existe mais. Eu não estava enganado com 2008. Um regressão de dez, 20 anos.
Volto às arquibancadas quando puder ouvir de volta o Cazá Cazá dos anos de gloria, ensurdecendo os tímpanos dos adversários. Não o do Sport pequeno. Voltaremos, sim, em algum tempo, a ter alegrias aos domingos, a Ilha lotada às quartas-feiras, a sede inundada após as vitórias, a cidade maluca com as buzinas entoando o grito de guerra. Quero o velho Cazá Cazá de volta.
Não demore Sport.
*Ayrton Maciel é jornalista e rubro-negro.
O artigo não reflete necessariamente a opinião do Blog do Torcedor
voz do torcedor
POSTADO POR Thiago Wagner da Silva ÀS 10:48 EM 17 DE Setembro DE 2012
Por Misael Wanderley Junior*
Esccrevi este texto logo depois da partida de quinta-feira contra o Salgueiro, mas minha esperança de torcedor me freou a enviá-lo, mas hoje não tenho dúvida que falo o que muitos torcedores do Santa Cruz gostariam de dizer.
Não sei se após a pífia partida contra o Salgueiro, não sei se após o imprevisível resultado contra o Treze na Paraíba. Não sei se mais cedo ou mais tarde, mas o que a diretoria do Santa Cruz deve, de uma forma ousada fazer, é se livrar do técnico Zé Teodoro e explico as razões: Primeiro porque o Clube não pode ficar refém do treinador que sem dúvida teve seus méritos na inesperada e maravilhosa conquista do bicampeonato pernambucano após 25 anos e pela saída da famigerada série D (quarta divisão nacional), o que não lhe confere o direito de ser inquestionável e querer sempre ter razão. Aliás, sobre estas conquistas, por muitos atribuídas em grande parte a competência do treinador cabe algumas reflexões. A fórmula de disputa torna o campeonato pernambucano em um “torneio de 4 times” em que historicamente nunca um time do interior foi campeão. Tivemos o privilégio ou sorte de decidir a vaga para a final contra o Porto em 2011 e o Salgueiro este ano, que convenhamos foi mais fácil que sobreviver a um clássico na semifinal.
Mesmo assim não nos esqueçamos que perdemos para o Salgueiro no sertão e vencemos aproveitando a decisão no Arruda. Na primeira final contra o Sport ganhamos na Ilha e perdemos no Arruda (ganhamos no saldo de gols) e neste ano tivemos a maravilhosa vitória na casa do adversário nos relembrando outras memoráveis como a 1973 e o bi de 1986/87, todas na Ilha do Retiro. A grande diferença era que tínhamos times muito mais competentes numa época que estávamos na primeira divisão nacional. Na disputa da série D, ano passado que acompanhei quase todos os jogos, quem tem boa memória pode recordar que jogamos bem apenas uma partida e meia. O segundo tempo de uma partida contra o Porto em que o time não desceu para o vestiário e virou para 2 a 1, foi nossa melhor apresentação. A classificação contra o Treze foi em um empate sem gols que o Sr. Zé Teodoro colocou o time encostado na parede literalmente jogando para não perder diante de um Arruda lotado. O Sr. Zé Teodoro por mais de uma vez abusou de soltar o verbo com críticas abertas a Diretoria como no episódio do zagueiro Leandro Souza não estava mais querendo permanecer no clube após uma “proposta do exterior”. Ameaçou deixar o clube após vaias da torcida por apresentações pífias e substituições erradas. Peitou esta mesma torcida e dirigentes com a contratação de Carlinhos Bala que nada acrescentou ao clube. Ora, esta torcida sobre a qual se fala nos 4 cantos desse país, como a mais apaixonada e inclusive no exterior como já foi noticiado em jornais da Europa não merece qualquer crítica pois quando apupa exerce seu direito ao pagar ingresso.
O Sr. Zé Teodoro tem a sua disposição um elenco com folha de pagamento mais alta de que clubes que estão na ponta da tabela da série B que cada vez se encontra mais longe e seria, aí sim, o começo de uma redenção para o Clube. Permanecer na serie C ou até retornar a série D, o que pode ocorrer, não compensaria “essas conquistas” dos 2 últimos anos e seria UM DESASTRE. O elenco do Santa Cruz está inchado de jogadores. Ano passado contratamos Walter, zagueiro que passou pelo Náutico, de boa qualidade técnica e que nunca teve uma oportunidade. Estamos com Diogo Bispo e Cesar, que são melhores que todos que atuaram e não tem chance. Meias de armação temos 7 (Wesley, Luciano Henrique, Natan, Leozinho, Leandro Oliveira, Branquinho e Jefferson Maranhão) Temos 5 volantes, mas Memo e Chicão, que são os piores deles, são sempre os escalados. Renatinho... esse só foi titular ano passado porque Dutra voltou para o Japão. No atual time do Sr. Zé Teodoro não é titular, outro lateral foi contratado. Com todas essas opções, folha de pagamento mais alta da serie C e de muitos clubes da serie B e o treinador não consegue formar um time competitivo. Não consegue ganhar um jogo fora de casa e encontra-se na ridícula posição mais perto do rebaixamento de que da classificação, é porque não tem mais liga, já deu! Encerrou o ciclo. Fadiga de material. Não se pode trocar 11 jogadores, tem que trocar o técnico. Dá uma sacudida enquanto é tempo. Se ainda há tempo!
* Misael Wanderley Junior é torcedor, sócio e conselheiro do Santa Cruz.
O texto não reflete necessariamente a opinião do Blog do Torcedor.
voz do torcedor
POSTADO POR Thiago Wagner da Silva ÀS 17:51 EM 04 DE Setembro DE 2012
Por Felipe Gomes
Foi com muita preocupação que li no Blog do Torcedor (dia 01/12/2011), uma matéria intitulada CBF OFICIALIZA VOLTA DO NORDESTÃO E PODE ALTERAR ESTADUAIS, com o seguinte trecho: “Com a volta do torneio regional, há uma tendência para que o Campeonato Pernambucano sofra alterações a partir de 2013. Segundo o presidente da Federação Pernambucana de Futebol (FPF), Evandro Carvalho, possivelmente o estadual seria dividido em dois turnos com o primeiro sendo disputado pelas nove equipes que não disputam o Nordestão, enquanto que a segundo seria disputado pelas três equipes que disputaram o regional mais as cinco primeiras da primeira fase. Este segundo turno começaria somente após o Nordestão”.
Desde este dia que acredito que este será o primeiro passo para o enfraquecimento do nosso futebol pernambucano. Vai de encontro a todo um projeto de interiorização, iniciado no começo da década de 90, onde vários frutos surgiram: Porto, Salgueiro, Ypiranga, entre outros.
Com esse formato apresentado no final de 2011, apenas cinco equipe interioranas disputariam o Estadual com os três grandes de Pernambuco, correndo o risco de apenas três ou quatro municípios do interior serem contemplados com a fase mais importante da disputa regional.
Ontem, 03/09/2012, o assunto voltou à tona com a matéria PERNAMBUCANO PODE COMEÇAR SEM SANTA, SALGUEIRO E SPORT, também publicada no Blog do Torcedor: “Uma das mudanças apresentadas por Evandro é a disputa do Pernambucano sem a participação inicial das equipes classificadas para a Copa do Nordeste, Santa Cruz, Salgueiro e Sport. Outra sugestão é a participação dos três apenas nos jogos do meio de semana”.
Tenho a certeza de que o ex-presidente da FPF, Carlos Alberto Oliveira jamais se curvaria aos interesses da CBF e da Liga do Nordeste - como jamais se curvou-, principalmente quando é algo maléfico ao nosso futebol. Lembro, como fosse hoje, da primeira vez que a Liga do Nordeste tentou essa manobra. CAO pegou o telefone e ligou para a CBF e para os diversos presidentes de federações nordestinas, manifestando o seu total descontentamento com as articulações que estariam sendo feitas, defendendo o Nordeste e, principalmente, os interesses de Pernambuco.
CAO sempre defendeu a tese de que essa redução do Estadual, principalmente nos moldes propostos, enfraqueceria o Campeonato Pernambucano, no qual ficaríamos, em pouco tempo, no mesmo nível do Campeonato Potiguar, Paraibano, etc.
O que o atual presidente ainda não percebeu é que tudo isso enfraquecerá a Federação Pernambucana de Futebol. As federações nordestinas serão transformadas em “Cartórios de Registro de Atletas”, prestadores de serviços à CBF e à Liga do Nordeste, que, com a diminuição do Estadual, serão as mais beneficiadas, seguindo com a forte tendência de exclusão e enfraquecimento do futebol do Norte e Nordeste.
Não é demais lembrar que a Rede Globo e a CBF não queriam a volta da Copa do Nordeste mas voltaram atrás diante do fato da existência uma multa contratual milionária a ser paga aos participantes da Liga do Nordeste em caso da não organização e não transmissão da competição. Uma renovação contratual existirá apenas se a competição for uma verdadeiro sucesso mas há a possibilidade maior será de não haver a renovação, onde ficaremos de herança um Estadual enfraquecido e um Regional falido.
Se a nossa imprensa, torcedores e dirigentes defenderem a redução do Estadual e o fortalecimento do Regional, como forma de crescimento técnico e financeiro dos principais clubes nordestinos; Como iremos reclamar dos torcedores, imprensa e dirigentes do Sul e Sudeste do país, se utilizarem este mesmo argumento para elitizar o futebol brasileiro, excluindo os clubes do Norte e Nordeste, da Série A do Campeonato Brasileiro?
Nota: O texto não reflete, necessariamente, a opinião do Blog do Torcedor
LEIA TAMBÉM:
> Pernambucano pode começar sem Santa, Salgueiro e Sport
voz do torcedor
POSTADO POR Breno Pires ÀS 14:40 EM 17 DE Agosto DE 2012
Por Roberto Vieira*
Caro Mestre Waldemar,
Que bom tê-lo de volta a Pernambuco.
Pernambuco que, graças ao seu trabalho, tem dois times na Série A em 2012.
O Náutico diretamente.
E o Sport indiretamente, pois se encheu de brios ao ver o rival chegando lá.
Sport que acabou seguindo os passos do Timbu.
Pode parecer estranho um técnico tão ligado a uma agremiação.
Partindo para treinar o adversário.
Mas isso é normal desde os tempos de Palmeira e Alfredo Gonzalez.
Gentil Cardoso que o diga!
E entre jogadores do passado, o fato também era rotina.
Manuelzinho.
Dario.
Lima.
Denô.
Seja bem vindo pois.
E veja que lance do destino, Mestre!
O encontro de seu talento com o Leão da Ilha.
Caso se concretize.
Está marcado para um Clássico dos Clássicos.
Nesse caso, Mestre.
Mesmo sendo agradecido por tanto carinho pelo Náutico.
O desejo de boa sorte fica adiado para o segundo turno.
Contra o Flamengo.
Porque amigos amigos.
Futebol à parte...
*Roberto Vieira é médico, escritor, blogueiro e torcedor do Náutico
voz do torcedor
POSTADO POR Breno Pires ÀS 16:37 EM 03 DE Agosto DE 2012
Texto assinado pelo Movimento Transparência Alvirrubra
Diante de tantos tropeços nas quatro linhas, chegamos à conclusão de que nada mudou. Os erros do passado se repetem no presente. A falta de recursos como argumento de defesa, não se sustenta. Menos dinheiro requer mais critério nas contratações e isso não estamos observando há algum tempo. Vários atletas foram contratados e apresentam uma relação custo/benefício muito baixa, culminando com a dispensa imotivada, que onera sobremaneira as finanças do Clube.
A contratação de jogadores experientes para um Campeonato seletivo como este, surte efeito até um determinado ponto, mas o seu custo é alto, e a capacidade de recuperação desses atletas é bem mais lenta, repercutindo em seus desempenhos com a frequência dos jogos e pela organização tática da maioria dos técnicos brasileiros.
Erros acontecem, mas a sucessão deles nos leva a concluir que falta profissionalismo. É difícil imaginar que, em plena era digital e da informação como diferencial nos negócios, dirigentes possam cometer erros tão grosseiros que, temos certeza, não cometem nas suas relações empresariais e profissionais.
Onde andam os nossos jogadores das Divisões de Base? Por que não conseguimos revelar novos talentos? Essas perguntas carecem de resposta, já que possuímos um CT no nível dos grandes centros e não conseguimos descobrir novos valores. Parece repetitivo, mas os grandes clubes brasileiros investem maciçamente nas suas Divisões de Base e conseguem apresentar um retorno positivo no investimento.
Merece destaque o atual técnico. No nosso ponto de vista, sua contratação reflete a incapacidade administrativa do clube. O atual Presidente do Executivo, Paulo Wanderley, demitiu o técnico, em 2010, sem as devidas indenizações, o que gerou um passivo trabalhista, como tantos outros, frutos de nossa incapacidade de Gestão. Qualquer empresa séria não contrataria esse profissional, tanto pelo seu histórico de insucessos quanto pelo retrospecto negativo na relação trabalhista com os clubes por onde passou.
Tornamo-nos céticos com a situação, reflexo de anos e anos de erros sem justificativas que vêm fragilizando o Clube sob o ponto vista financeiro, e que reflete negativamente na ampliação do seu quadro social. A falta de transparência e de uma auditoria sistemática, bem como os erros grosseiros e sem explicações, afeta a credibilidade daqueles que dirigem o Náutico.
Um caso a parte é o atual Presidente do Conselho Deliberativo, Berillo Júnior. Ele teve sua candidatura impugnada, por descumprir a Legislação Desportiva e o Estatuto do Clube, no que tange à prestação de suas contas administrativas de 2010 e teima em permanecer no cargo, mesmo que isso ponha em risco todo o processo de negociação dos Aflitos.
A gravidade do fato diante das decisões jurídicas que ainda estão por vir obrigou alguns conselheiros a pedir um posicionamento firme da Federação Pernambucana de Futebol. Em consulta àquela entidade, fomos informados pelo secretário João Caixero que o assunto se encontra em análise pelo Presidente doTJD-PE. Ainda sobre o tema, após a publicação intempestiva do balanço de 2010, em 28/04/2012, ou seja, com um ano de atraso, tomamos a iniciativa de pedir ao Conselho Fiscal que, que antes da análise das contas, haja um posicionamento sobre o fato à luz da Legislação Desportiva e do Estatuto do Clube.
Por fim, registre-se o fato de que, em breve, estaremos decidindo sobre a negociação dos Aflitos. Nesse sentido, em que fundamentos estarão centrados a decisão? Qual o histórico e a perspectiva que temos de gestão que fortaleça qualquer iniciativa, mesmo que positiva para o Clube? Em nossa percepção, nenhuma, por que os fundamentos são inconsistentes e, aos dirigentes, falta crediblidade.
Movimento Transparência Alvirrubra - MTA
--------------------------
O texto é de responsabilidade de seu autor e não necessariamente revela a opinião do Blog do Torcedor
artigo
POSTADO POR Marcelo ÀS 09:08 EM 05 DE Maio DE 2012
Por Felipe Vieira*
Raúl Bentancor cruzou minha vida em diversos momentos, sempre como um fascinante espectro, mas não me deu a oportunidade de vê-lo atuar. Desde que me entendo torcedor do Sport ouço os mais velhos – e não só rubro-negros, mas muitos tricolores e alvi-rubros – falarem sobre como ele era superior aos demais jogadores de seu tempo na região. Tenho 36 anos e quase 30 de arquibancada, e tive a oportunidade de ver Roberto Coração de Leão, País, Betão, Robertinho, Ribamar, Leonardo, Juninho, Bosco, Durval e Magrão. E na maioria desses momentos me vem à lembrança o meu avô a dizer que nenhum deles era páreo para o bigodudo uruguaio.
Cresci e tomei gosto por estudar a história do Sport, e lá estava Bentancor em todos os livros, em todos os jornais velhos, em todos os relatos de gente que o viu em campo, em todas as listas de melhores jogadores da história do Sport feitas por quem tem hoje 60 anos ou mais. “Ah, mas deve haver imagens, filmes, não é possível que eu não vá ver esse cabra jogando!”, pensei um dia, lá longe. Nada.
Nos idos de 2004, junto com um grande amigo jornalista, tive a ideia de escrever um livro sobre a história do Sport, algo diferente do que tinha sido feito até então. Uma obra que esquadrinhasse o clube não só sob a ótica de seus resultados, mas que mostrasse o que faz o Sport ser o que é, sua metafísica. E uma das primeiras coisas que pensei é que teríamos de ir ao Uruguai para conversar com Bentancor. Sim, procurei e achei o endereço dele em Montevidéu. O livro não saiu, mas o fantasma dele nunca parou de me perseguir.
Em 2005 e 2008 Bentancor esteve no Recife e eu soube tarde demais, pelos jornais. Teria feito o escambau para vê-lo, para tirar uma foto, para ficar frente a frente com ele por uns míseros minutos. Nunca perdi a esperança de que isso acontecesse, até que hoje recebi a notícia de sua morte e mergulhei em tristeza.
O cabra vê como a vida é engraçada quando ela lhe prega peças que ele nem percebe. Meu filho mais velho se chama Raul, mas eu não tinha o uruguaio em mente quando o batizei: foi apenas um nome que eu e minha mulher - que é tricolor - achamos bacana, só isso. Mas hoje, ao saber que o maior craque rubro-negro que eu não vi jogar tinha passado de estágio, não tive como não pensar: “É, ele me persegue, sim. E vai fazê-lo pelo resto da vida”. Vá em paz, Bigode, que nosso papo vai ficar pra outra ocasião.
Felipe Vieira é jornalista e tornecor do Sport
artigo
POSTADO POR Marcelo ÀS 15:49 EM 04 DE Maio DE 2012
Enquanto Santa Cruz e Sport se preparam para decidir o título estadual, o Náutico discute internamente o seu futuro. Não pegou bem a declaração do vice-presidente de futebol do clube, Toninho Monteiro, sobre o objetivo do time no Brasileirão. Com todas as letras, o dirigente disse que o Timbu vai lutar para não ser rebaixado. Desmotivante para qualquer jogador, cronista esportivo e, claro, torcedor.
Nas redes sociais, o assunto foi bastante discutido. Abaixo, o texto de Glauber Vasconcelos, integrante do grupo de oposição Movimento Transparência Alvirrubra (MTA), que fez uma crítica à atual situação do clube alheio ao MTA.
Confiram:
A Marca é que marca!
Não vou falar de futebol!
Vou apenas ater-me ao pronunciamento do Vice-presidente e diretor de Futebol, Toninho Monteiro.
Inicialmente, gostaria de pontuar que tenho respeito e consideração pelo Sr. Antonio Monteiro, mais discordo frontalmente do modelo de gestão escolhido, pelo grupo do qual faz parte, para dirigir os destinos do Náutico.
Venho sistematicamente tentando ver o Clube Náutico Capibaribe como uma empresa e não como um sindicato ou uma confraria.
Em uma empresa, de início, as coisas que dão visibilidade são o serviço prestado, o produto fornecido e a marca.
No caso em tela a marca é o Clube Centenário, os produtos são os títulos e o serviço é um clube social.
É notório que nos últimos 8 (oito) anos os produtos foram de baixíssima qualidade com nenhum título conquistado, assim como, é visível que a intenção foi transformar o clube sócio-esportivo em, apenas, um time de futebol, onde a infra-estrutura para o associado é deplorável, matando um dos tripés, o da prestação de serviço.
Assim, restou-nos a marca.
Muitas empresas têm mais valor pela marca de que pelo patrimônio tangível.
Antes de falar sobre o que foi feito como a marca Náutico na entrevista de ontem, vou lembrar o que disse Peter Drucker, um dos maiores pensadores da gestão moderna, acreditamos que a estratégia de marca é um fator relevante da estratégia corporativa, em direção ao desenvolvimento de uma vantagem competitiva sustentável?
Voltando á marca Náutico, vou começar perguntando:
O nome Náutico é tão pouco valorizado que não foi possível viabilizar um patrocinador máster para o Campeonato Pernambucano?
Todos os clubes estamparam um patrocinador máster, o nosso maior adversário chegou a vender parte da camisa para o clássico e nós nada.
O contrato para o Campeonato Pernambucano seria, como é lógico, separado do Brasileirão.
Qual o empregado (jogador) que se disporá a trabalhar (jogar) em uma empresa em que a alta gestão coloca-a como a mais pobre e afirma que encontrará sérias dificuldades para se manter na elite?
Certamente, só os que não têm mercado ou os que o têm pedirão muito mais para mitigar o risco da vinda em função da possível inadimplência e do rótulo de derrotado.
Foi feita uma verdadeira campanha de novos sócios? Uma convocação a participação!
Não fazem com medo da oxigenação de novas idéias e medo de perder o curral eleitoral.
Se a ida para a arena é tão positiva, porque não associaram a marca Náutico à arena?
É certo que nos apequenamos no cenário nacional, mas somos menores de que a Ponte Preta, a Portuguesa, o Figueirense, o Atlético-GO?
NÂO.
A postura de vítima, de coitadinho afasta as pessoas, os sócios, os torcedores.
As pessoas procuram vencedores e guerreiros para se espelharem, não vítimas prévias de derrotas futuras.
Porque não fazer diferente, como disse Tom Peters, outro gênio da gestão, ?esta é uma era propícia para os que rompem as regras, para os que imaginam tudo o que até agora tem sido impossível, para pensar o impensado e o impensável?, isto é sair da mesmice.
Pensar, partilhar, ouvir, sonhar e fazer diferente!
Perderam uma grande oportunidade de procurar unir a comunidade alvirrubra, e valorizar o que restou da marca Náutico.
Quem em sã consciência apostaria na marca Náutico após desastroso pronunciamento?
Hoje os candidatos a patrocinador máster do Brasileiro, se é que existem, observarão o Náutico com o mesmo retorno?
O patrocínio terá o mesmo valor?
A participação em cargo diretivo não foi uma imposição nem uma necessidade imperativa. Os dirigentes foram candidatos voluntários, lutaram e venceram a eleição, portanto não há heroísmo algum em ser parte da gestão dita como aquela que teria a maior quantidade de recursos da história do Náutico.
Existe sim, a responsabilidade indelével pelas ações e palavras e suas repercussões ao patrimônio do Clube Náutico Capibaribe, e, especial ao intangível que é a sua marca.
Glauber Cabral de Vasconcelos Junior
Sócio e membro Mestre em Planejamento e Gestão pela Universidade Autônoma de Madrid.
Nota do Blog: O texto não reflete, necessariamente, a opinião do Blog do Torcedor.
desabafo
POSTADO POR Marcelo ÀS 10:50 EM 30 DE Abril DE 2012

O alvirrubro Durval Valença escreveu para o Blog do Torcedor demonstrando sua insatisfação com o tratamento dispensado pela Polícia Militar na Ilha do Retiro, durante a partida Sport 0 x 0 Náutico, na Ilha do Retiro. A imagem acima já explica tudo.
Abaixo, o desabafo do torcedor do Náutico que pagou caro pelo ingresso para não ter conforto:
Aqui vai um desabafo de quem não tem esperanças de ver o Brasil respeitando seus cidadãos.
Fui ao jogo hoje com meu irmão.
Paguei R$ 50,00 pelo ingresso.
Pensei: "Pelo menos vamos ter espaço e ver o jogo com um pouco mais de conforto e sentado".
Assisti o jogo em pé!
Vejam na foto que a polícia nos isolou no centro da arquibancada atrás do gol com cavaletes e cordas em uma área bem estreita.
Porque isto?
Não poderiam deixar a gente sentar em qualquer lugar com conforto para assistir o jogo?
No Brasil não há respeito pelas pessoas...
artigo
POSTADO POR Marcelo ÀS 15:37 EM 23 DE Abril DE 2012
Por Magali Gama*
Era uma vez uma terra apaixonada por futebol. Terra de um povo sofrido, onde o futebol refletia a máxima "pão e circo". Nessa terra, a paixão do torcedor era demonstrada em sua esmagadora maioria por três grandes clubes da capital. E essa paixão lotava estádios, vendia camisas, despertava a gana financeira de poderosas corporações.
Os estádios de futebol lotavam graças a um programa social que deu certo. As pessoas compravam, geravam arrecadação para o governo, e esse "imposto" era convertido em ingressos para os clubes, que os cediam a um custo menor e o governo distribuia a quem apresentasse um valor "x" em notas. Nada gratuito, apenas o dinheiro do povo servindo ao povo.
Num determinado ano, em razão do sucesso do campeonato, duas grandes corporações resolvem "patrociná-lo", sendo uma delas inclusive homenageada com o nome do troféu em disputa. O órgão responsável pela organização do mesmo divulga sua tabela. Data da decisão? Dia do aniversário de um dos três grandes clubes citados? Coincidência? Bem, sigamos com nosso "era uma vez.."
Dos três grandes clubes, um estava tentando se reerguer de um momento difícil de sua história, amargando disputas de campeonatos nacionais de séries inferiores. Os outros dois vinham de um acesso à elite do futebol nacional. Havia ainda os times do interior, que lutavam para sobreviver e honrar o nome de suas cidades, tendo também em disputa duas vagas para um campeonato nacional. Deficitário e sem grandes expectativas, mas já era algo a se disputar. E o regulamento do campeonato previa que haveria pelo menos um time do interior iria disputar as finais.
Mas, voltamos ao nosso "era uma vez..." E começa a disputa. Logo nas primeiras rodadas, um "vilão" de nosso "conto da carochinha" começa a despontar: a arbitragem. Numa sequencia desastrosa de jogos mal arbitrados e que tiveram seus resultados literalmente modificados por "homens de preto" , um campeonato que tinha tudo para se tornar o melhor do país se desenrola como sendo mais um "escândalo da nação". Nossos "gigantes patrocinadores" não estariam sendo prejudicados com essa péssima visão que o campeonato levava para os outros estados? E vamos em frente com nosso "pão e circo".
Chega a reta final. Aos trancos e barrancos, os três grandes se classificam para as semifinais e 01 novo representante do interior se qualifica. Novo, mas não inexperiente, pois afinal, tinha acabado de disputar a série b do campeonato nacional. Com péssima atuação, diga-se de passagem. Talvez este fato comprove que o nível técnico do campeonato não vem sendo tão bom assim. Na semana que antecede as semi, é apresentado o trófeu que vai ser entregue ao campeão no dia "13 de maio". Ah, a concidência é que é no dia da "abolição dos escravos". Mero acaso. O trófeu é em homenagem a um patrocinador que "coincidentemente" comemora 40 anos. Ah! "13 de maio", 40 anos, 40 títulos... ops, é só coincidência...
Apenas para que não pensem que estou sendo tendenciosa, outra “coincidência” deste ano é que em décadas anteriores, o campeão do primeiro ano, é sempre o bicampeão no segundo ano. E aqui, que salte meu lado torcedora, “santa coincidência”. Em nossa terra do "era uma vez", onde o "pão e circo" é regra número um, os vilões são inúmeros. Diferente dos "Contos de Grimm", nem todos viverão "felizes para sempre". E assim segue o nosso conto. Era uma vez um campeonato de futebol que tinha tudo para ser o melhor do país, tinha a maior média de público de todos os estaduais, e tinha as maiores e sadias rivalidades locais. Tinha, porque tudo se perdeu quando começaram a aparecer " lobo mau" , a "bruxa malvada" e outros tantos vilões e destruiram os sonhos de vermos nossa "terra do faz-de-conta" se desenvolver.
Quem deveria dar andamento ao espetáculo, fazendo seguir as regras, resolveram ser protagonistas, ignorando não só as regras do futebol, como também as regras da vida. Um campeonato que ficará marcado para sempre como de uma arbitragem desastrosa, tendenciosa e que conseguiu mudar todo o caminho do campeonato. Quem seria o campeão, não sabemos, mas com certeza, seria um campeonato mais justo, mais digno e mais leal, se os árbitros não resolvessem virar "astros".
Violência entre as torcidas, revolta entre os verdadeiros protagonistas do espetáculo, vergonha entre o cidadão comum. Temos mesmo o que nos orgulhar? Era esse o campeonato que queria ser o melhor do país? E assim, estamos chegando ao final de nossa história. Tudo se projeta para levantarmos a plaquinha "Eu já sabia", mas como sou uma pessoa otimista, que acredita sempre que em finais felizes, espero que ainda não seja o fim. E que nosso "era uma vez..." termine com um campeão verdadeiro, que tenha conquistado o título nos gramados e não nos bastidores a honra de poder gritar "é campeão"... E que no reino do “era uma vez...” deixemos de ser a “terra do nunca” e alcancemos o “país das maravilhas”.
* Magali Gama é torcedora do Santa Cruz
Nota: O texto não reflete, necessariamente, a opinião do Blog do Torcedor