Marcos Vinicius, a promessa alvirrubra
Meia de 17 anos, já profissionalizado, é apontado como maior talento saído da base do Náutico nos últimos anos

(Foto: André Nery//Agência Náutico)
Texto de Breno Pires publicado originalmente no Olheiros
Três situações atuais e positivas alimentam o sonho do Clube Náutico Capibaribe em trilhar um futuro de glórias. O retorno à Série A, o acordo assinado para jogar por 30 anos na Arena Pernambuco – palco da cidade-sede do Recife na Copa do Mundo de 2014 – e a constante melhoria do Centro de Treinamento Wilson Campos, atualmente o melhor do Estado, fomentam a esperança de dias melhores. No aspecto da preparação de jogadores, o CT ainda não pode dizer que já revelou uma joia da casa para o futebol brasileiro. Mas os alvirrubros garantem já ter a sua pedra preciosa sendo preparada para reluzir. O meia Marcos Vinicius, de 17 anos, é unanimidade dentro do clube no que se refere a potencial.
O garoto chegou ao Náutico com 15 anos, em abril de 2010, e agradou de cara, com ótimas participações no Campeonato Pernambucano Juvenil (Sub-17) e no Campeonato Pernambucano de Juniores (Sub-20). Desde então, juntou-se aos profissionais. Estreou na equipe principal exatamente um ano após sua chegada, com 16 anos e quatro meses, numa partida da Copa do Brasil. Era figura constante no banco de reservas durante a Série B, disputando três jogos na campanha do acesso do Timbu. Com Marcos Vinicius já ambientado entre os profissionais e com o apoio da comissão técnica, o Náutico projeta uma grande evolução do atleta em 2012, com mais atuações.
Adaptação rápida
Nascido em Marabá-PA, Marcos Vinicius se mudou para a Bahia com apenas cinco anos. Na cidade de Ipirá, próxima a Feira de Santana, cresceu batendo bola e teve as suas primeiras aulas numa escolinha da cidade, em campos de terra batida. Numa peneira em Feira de Santana, aos 13 anos, foi descoberto por um olheiro do clube. A contratação não foi firmada na época, mas dois anos depois, desta vez por indicação de um jogador da sua mesma cidade que estava no Náutico, o meia-atacante Pedro Lima.
O garoto chegou ao Náutico com 15 anos, em abril de 2010. Pouco depois, disputou o Campeonato Pernambucano Aberto Juvenil e foi um dos destaques do torneio. Promovido aos juniores com 16 anos, foi o artilheiro do time no Campeonato Pernambucano da categoria, que admite jogadores até de 20 anos. Com 13 gols, foi fundamental para a equipe chegar à final. Mas ficou de fora da decisão, contra o Sport, por motivo de lesão. O Timbu ficou com o vice.
Integrado aos profissionais imediatamente, Marcos Vinicius estreou pela equipe principal 12 meses após a sua chegada, com 16 anos e quatro meses, no empate com o Vasco por 0 x 0 em São Januário, pela Copa do Brasil 2011. Terminou o ano com quatro jogos, que valeram mais para ganhar experiência. O jogador ficou de fora das primeiras rodadas do Campeonato Pernambucano 2012 por conta de uma lesão sofrida na pré-temporada, mas já está a ponto de voltar ao time.

Marcos Vinicius participou, aos 16 anos, do acesso do Náutico à Série A (Foto: Aldo Carneiro/Futura Press)
Preparado para brilhar
Apesar de pouco tempo acumulado em partidas oficiais, o garoto destro, de 1,77 m, chama atenção nos treinamentos no elenco profissional. Mostra-se um meia agudo. Tem muito boa qualidade técnica e se destaca pela boa movimentação em campo e pelo drible, além de efetuar passes inteligentes. Já se definiu como “atrevido” em campo, revelando que gosta de ir para cima.
Em termos de posicionamento, costuma cair mais pela esquerda do meio de campo. Pode ser adaptado para atuar também como segundo atacante, conforme já fez em algumas partidas nos juniores, ou como ponta.
Neste tempo de trabalho no profissional, tem sido bastante orientado pelo técnico Waldemar Lemos para crescer em novos aspectos, como a marcação. O treinador também tem estimulado o jogador no sentido de adquirir um dinamismo maior em campo, participação mais constante nas jogadas, tanto com e sem a bola. Ainda não é um jogador pronto. O intuito do clube é acelerar o seu amadurecimento.
“Marcos Vinicius é um jogador de muita qualidade técnica. Melhorou em muitos aspectos e subiu muito de produção neste último ano. Era um jogador que tinha dificuldade, tinha medo de colocar uma cabeça na bola. Ele reúne a técnica, mas, para o desempenho dele, ele precisava ser mais intenso, mais dinâmico e a gente está acelerando isso nele. No final de temporada, a gente passou a usá-lo mais, e ele mesmo tem acreditado muito mais no que pode fazer, sendo mais determinado em tudo o que é capaz de fazer. Ele cresceu bastante e ainda tem muito a dar ao clube. É muito novo, mas deve crescer bastante. É um belo jogador”, comentou Waldemar Lemos.
Dentro do Náutico, Marcos Vinicius tem o status de grande promessa. “O pessoal me elogia, fala bem, me trata como promessa. Eles falam isso. Querendo ou não, é uma pressão. O jogador tem que ter responsabilidade para corresponder”, disse o meia à reportagem.
Mesmo sendo rodeado de expectativas nos Aflitos, Marcos Vinicius não desfruta de regalias como as promessas de clubes do Centro–Sul. Vive numa pousada alugada pelo clube, dividindo o quarto com outros dois jogadores da casa, o volante Helder e o atacante Maxwell. Em breve, no entanto, ele deve ir para um apartamento. A sua mãe, Valcilene, que hoje mora sozinha em Ipirá, planeja mudança para o Recife para viver junto ao filho.

Paciência para se firmar
Contudo, historicamente, são raros os casos de pratas a se firmarem no futebol pernambucano. Entre os motivos, por vezes, estão a falta de oportunidades e de sequência, a impaciência de dirigentes e torcida e, às vezes, uma formação mal feita.
Um exemplo do mau aproveitamento do talento local é o meia João Victor, revelado no Náutico, hoje no Mallorca-ESP. Chegou aos Aflitos com 16 anos, era uma esperança quando na base, mas não foi bem nos primeiros jogos na equipe profissional, teve um problema de lesão e foi acusado de descomprometido pelos dirigentes. Não aproveitado, com apenas 19 anos, conseguiu liberação na justiça pelo não pagamento do FGTS. Seguiu outros caminhos, incluindo São Caetano e Mogi Mirim, de onde fez a ponte para o Bunyodkor, do Uzbequistão. Lá, logrou a transferência para a Espanha.
O meia reconhece que é preciso ter paciência para se firmar e não cria ansiedade de jogar a todo custo. Confia no trabalho realizado pelo seu treinador e pelo clube. Busca aprender e aproveita a experiência que está adquirindo mesmo tão novo, para estar pronto quando solicitado.
“O Náutico é tudo para mim. Estou feliz pelo que estou vivendo aqui. Não imaginava, tão novo, estar no profissional e fazendo jogos. Tenho pegado bastante experiência nesses dois anos. Isso é muito bom”, diz Marcos Vinicius. “Sobre a quantidade de jogos, eu acho que Waldemar sabe o que faz. Na hora certa ele vai me botar e, se Deus quiser, vai dar tudo certo”, complementa.
Ficha técnica
Nome completo: Marcos Vinicius de Jesus Araújo
Data de nascimento: 26/12/1994
Local de nascimento: Marabá, Pará
Clubes que defendeu: Náutico

