O culpado pelo fato de o Santa Cruz não ter logrado êxito na Série D
O presidente-executivo do Santa Cruz, Fernando Bezerra Coelho, em entrevista à Rede Globo Nordeste no início da tarde desta segunda, falou sobre a eliminação do Tricolor na Série D e assumiu a culpa pelo fracasso.
"Somos o culpado pelo fato de o Santa Cruz não ter logrado êxito na Série D", declarou Bezerra Coelho.
Apesar do mea-culpa, o mandatário não admitiu nenhum erro específico e afirmou que algumas de suas medidas que sofreram criticadas foram tomadas porque eram necessárias. Foi além: disse que as tomaria de novo.
No caso da quebra do planejamento no fim do Campeonato Pernambucano, com a demissão de Márcio Bittencourt, o presidente apontou as dificuldades econômicas para honrar o pagamento da folha salarial — que era deficitária — como a razão da mudança.
Ao mesmo tempo, disse que a diretoria não pôde evitar a saída de importantes jogadores no fim do Campeonato Pernambucano. "Todos aqueles que saíram, saíram porque quiseram, e não deram o espaço para o Santa Cruz negociar a permanência. Márcio Barros, por exemplo, ganhava R$ 24 mil e foi ganhar R$ 25 mil no Náutico, mas foi jogar a Série A."
Com relação à divulgação da carta-ultimato ao técnico Sérgio China na Série D, Bezerra Coelho argumentou que "o Santa Cruz teve dois meses de preparação, teve a maior folha salarial da Série D e tinha todas as condições de ter sucesso". "Se tivesse de escrever (a carta), escreveria de novo", afirmou.
Com essas palavras, o dirigente indiretamente colocou a culpa da má performance do time na Série D no treinador. Mas, quando perguntado diretamente se a culpa era de Sérgio China, foi político: "Não. Eu sou o responsável porque quem escolheu fui eu. Agora, a aposta num treinador local, jovem, não deu certo."
"Fico até o fim"
FBC citou Benjamin Franklin para afirmar que não renunciar à presidência do Santa Cruz. Disse que está na metade do mandato e pediu para ser julgado apenas no final. "Mesmo na reinauguração do Arruda, aquela alegria, quando pediram para eu ficar por quatro anos, eu disse que só cumpriria os dois anos de mandato. Vou ficar até o fim, mas preciso do apoio da torcida. Um presidente de clube grande não pode trabalhar sem o apoio da torcida."
Fez também a defesa da sua gestão. "Enfrentávamos desafios muito grandes quando assumimos o clube, em outubro, como o atraso de dez a 12 meses de salários atrasados", destacou. "Agora já estamos calejados."
"Nós investimos R$ 5 milhões no Patrimonial, a recuperação do Arruda, que foi tão importante para o clube e permitiu que o estádio sediasse o jogo da seleção (Brasil x Paraguai). Além disso, traz benefícios financeiros, pois aumentou a arrecadação nos dias de jogos. O Santa Cruz, que só recebia 20, 25 mil pessoas por jogo, pôde receber agora 56 mil no jogo da seleção, 50 mil em plena Série D, gerando uma receita maior", destacou.
Por outro lado, disse que foram investidos R$ 7 milhões de reais no departamento de futebol do clube ao longo do ano, e que nesta Série D a folha salarial de R$ 350 mil, valor bem menor que no Campeonato Pernambucano, segundo ele.
Por fim, Fernando Bezerra Coelho lamentou o desenrolar do ano, culminando com a eliminação precoce.
"O Santa Cruz teve condições de fazer um papel melhor na Série D", lamentou.
Outros pontos da entrevista abaixo:
Segundo semestre
FBC reconhece que o fato de não continuar jogando vai aumentar as dificuldades que o Santa Cruz vai enfrentar, mas ele não quer manter o departamento de futebol parado nesse segundo semestre. Entre as alternativas estão excursões para o exterior e a Copa Pernambuco.
O executivo do Santa Cruz se reuniu nesta manhã para fazer um balanço sobre a eliminação do Santa Cruz na Série D e começar a pensar os próximos passos do Tricolor.
Amanhã, está marcada reunião do Conselho Deliberativo do clube, que, segundo FBC, é o local correto para o debate e para as propostas que os torcedores têm a fazer.
Mala para o Central
Todos queriam saber se o Santa Cruz pagaria ou não os R$ 100 mil prometidos ao Central.
"O dinheiro já foi entregue", afirmou o presidente tricolor.
O Central, no entanto, até as 14h30 desta segunda-feira, ainda não recebeu esse dinheiro, segundo presidente centralino Ronaldo Lima.
O conflito de informações provavelmente se deve ao fato de que o dinheiro, provavelmente, será entregue através da Federação Pernambucana de Futebol.
Dívidas com os funcionários
A questão dos salários atrasados dos funcionários administrativos do clube — que o presidente diz que são dois meses, mas informações de setoristas do clube indicam que são quatro — tem solução, segundo FBC.
"Vamos ter que liberar os jogadores, e a despesa com os profissionais será reduzida. Assim, poderemos resolver a situação dos funcionários."

