Blog do Torcedor

arruda

Santa Cruz vai buscar a vitória fora de casa contra o CRB

POSTADO POR Thiago Wagner da Silva ÀS 15:11 EM 07 DE Junho DE 2013


Foto: Guga Matos/JC Imagem

O Santa Cruz vai jogar para vencer o CRB fora de casa neste domingo, pela Série C. Pelo menos é o que garante o técnico coral, Sandro Barbosa. Em coletiva na manhã desta sexta-feira, antes da viagem para Maceió, em Alagoas, o treinador garantiu que a equipe vai atuar da mesma maneira que joga dentro do Arruda. "Vamos jogar da mesma maneira que atuamos em casa. Vamos em busca da vitória", disse.

Se conseguir obter a vitória diante dos alagoanos, o time de Sandro irá quebrar uma sequência negativa do tricolor na Série C. O Santa Cruz nunca venceu fora de casa atuando na Terceirona. São 15 jogos com oito derrotas e sete empates. No ano passado foram quatro empates e cinco derrotas. O fraco desempenho em 2012 impediu a classificação do Tricolor para a próxima fase.

Apesar do histórico ruim, Sandro não planeja mudanças táticas na equipe. "É a mesma que estamos utilizando. É só o Dênis de volta", afirmou o treinador confirmando o seguinte time: Tiago Cardoso; Everton Sena, Leandro Souza, Renan e Tiago Costa; Tozo, Luciano Sorriso, Júnior Xuxa, Raul; Flávio Caça-Rato e Dênis Marques.

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na diagonal

Náutico, Mancini e a ilusão dos números

POSTADO POR Thiago Wagner da Silva ÀS 11:20 EM 09 DE Abril DE 2013

Por Cristiano Ramos*

Por mais que a própria mídia esportiva alerte sobre a importância de relativizar estatísticas, a tentação de estampar números é grande. E, com a velocidade de publicação das informações (principalmente na internet), nem sempre é possível fazer a devida reflexão sobre os dados veiculados. Prova disso foi a recorrente apresentação do histórico de Vágner Mancini, técnico recém-demitido no Náutico. Ele realmente conseguiu nove vitórias em 14 jogos (cerca de 65% de aproveitamento). Mas vamos aos fatos complementares:

Já na sua terceira partida pelo Timbu, perdeu para o Central, que ainda não vivia crise alguma – pelo contrário, terminou aquele primeiro turno empatado em pontos com o Náutico, lá no topo da tabela. Ou seja, no primeiro teste razoável, Mancini saiu derrotado.

Na segunda rodada do turno seguinte, quando pegou o Pesqueira (que está entre os cinco melhores de toda a competição), perdeu por 3x2, fora de casa – ocasião em que o treinador colocou a culpa do fracasso na atitude do jogadores e no estado do gramado. Detalhe: na despedida de Gallo, o Timbu tinha batido o mesmo Pesqueira, e jogando com o expressinho.

O 4º colocado do turno, quem é? O Ypiranga. Esse mesmo que meteu 2x0 na casa e no aniversário do alvirrubro, forçando a demissão de Mancini. E quais foram os dois outros clubes que disputaram o alto da tabela da competição? Os dois rivais da capital, Santa Cruz e Sport – que, como todos sabem, venceram seus clássicos contra o Náutico.

Resumindo a opereta: com Vágner Mancini, sempre que enfrentou uma equipe melhor qualificada, o time dos Aflitos perdeu.

Arrisco julgamento pior: houvesse ele chegado antes, faltando mais de duas rodadas, o Náutico teria conseguido perder até aquele primeiro turno de fantasia, que não contava com os tricolores e os rubro-negros.

Sempre tento compreender porque cartolas adoram bater de frente com a torcida. Óbvio que treinador nenhum é unanimidade. Qual a razão, no entanto, de contratar um profissional que tinha rejeição de 90% dos alvirrubros? Pelas declarações arrogantes e despropositadas (que passavam na cara que Alexandre Gallo também tinha sido nome reprovado pela massa), impressão era que dirigentes e torcedores estavam em campos opostos, numa disputa estúpida, quando tudo deveria ser feito era para buscar união e uma temporada de sucesso para o Timbu.

Dessa quebra-de-braço sem sentido, onde havia muito mais por perder do que por conquistar (pois a torcida é o maior bem e ponto de corte do clube, sempre), todos de Rosa e Silva perderam, e os diretores saíram ainda mais derrotados. Os números de Mancini não mostram que ele foi exitoso; seu retrospecto prova é que ele perdeu todos os jogos um tantinho mais difíceis – de um Pernambucano que, como todos os estaduais, não prova virtude alguma, mas pode escancarar um bocado de incompetência.

Verdade que Mancini não foi único culpado. Mas, se assunto for o grupo de jogadores, estes dividem bem as opiniões dos torcedores e da mídia. Quando tópico foi o elenco, nem cronistas esportivos nem alvirrubros falaram de um fracasso anunciado. Aliás, muitos acreditam até agora que, com reforços, Náutico tem sim uma base capaz de render frutos.

Sobre Vágner Mancini, negócio é diferente. Este coelho é de total responsabilidade das cartolas mandatárias – de onde, valha-me, Deus!, termino esta crônica sem saber o que ainda sairá.   
Clube Náutico Capibaribe está naquele lugar-comum, no clichê tão abusado por nós, jornalistas: “na encruzilhada”. Pode realizar seu projeto de ano vencedor e divisor de águas, ou repetir história recente do Sport, quando temporadas de 2011 e 2012, em vez de capitalizar a conquista da Copa do Brasil, tornaram-se rampa de declínio, com a perda do hexacampeonato estadual e rebaixamento para Série B do Brasileirão.

* Cristiano Ramos é jornalista e é titular da coluna Na Diagonal

O texto não reflete necessariamente a opinião do Blog do Torcedor

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na diagonal

Cartola: as mentiras que eles contam

POSTADO POR Marcelo ÀS 14:57 EM 03 DE Abril DE 2013

Por Cristiano Ramos

Em diversos aspectos, mundo do futebol é bizarro, move-se na direção inversa de tudo que orbita em seu redor. Cada vez mais, por exemplo, as empresas buscam dar transparência e conquistar credibilidade para os seus negócios, sejam elas públicas ou privadas. Já os clubes de futebol insistem em tratar suas finanças, contratos e projetos como se fossem organizações secretas, como se tocassem os arquivos e contas do Vaticano. E, quando os cartolas vêm à imprensa, as peruas e despistes são tão desavergonhadamente frequentes, tão viciados nos mesmos enganadores lugares-comuns, que qualquer torcedor aprendeu a traduzir os principais:

Pronunciamento: “As finanças estão ótimas, não há com o que se preocupar”.

Tradução: “Coisa aqui tá mais vermelha do que sangue em jornal sensacionalista, estamos devendo a Deus e o mundo”.

P: “Vamos buscar a união de todos os conselheiros e demais lideranças da agremiação".

T: Chapa tá formada, e quem não for da panela não invente de dar pitaco.

P: “Teremos muito cuidado na formação do elenco e valorizaremos as pratas da casa”.

T: “Garotada da base vai tapar buraco, enquanto não contratamos mais trinta jogadores carose ruins”.

P: “Até semana que vem, anunciaremos pacote de contratações”!

T: “Estamos atirando para todos os lados, mas não temos a mínima ideia de quando ou quem vamos trazer”.

P: “Acertamos com um grande nome, será uma bomba”!

T: “Fechamos com um quase-ex-jogador voltando da Europa e querendo juntar mais algum
cascalho antes de pendurar as chuteiras”.

P: “Jogador está trabalhando duro na parte física, logo contaremos com ele para o restante
da temporada”.

T: “Aquele pé-de-cana quer nada com a vida, só faz beber, engordar e estragar o ambiente”.

P: “Treinador está prestigiado, confiamos inteiramente em sua competência”.

T: “Faz três dias que estou telefonando para outros técnicos. Assim que um deles aceitar, demitimos essa desgraça”.

P: “Torcida organizada não manda aqui, nem recebe qualquer apoio do clube”.

T: “Mando minha mãe trabalhar como escrava na China, mas não compro briga com organizadas, senão perco sono agora, e milhares de votos nas próximas eleições”.

P: “Sempre respeitamos o trabalho da imprensa”.

T: “Esse pessoal é tudo traíra. E aquele escroto não entra mais aqui, nem pagando ingresso”!

P: “A gente só deve satisfação à Sua Majestade, o nosso Torcedor”!

T: “Tô nem aí para esse povo. Quem manda aqui sou eu! E, assim que eu me eleger ou conseguir uns contratos gordos para minha empresa, largo tudo e vou ver os jogos lá do meu sofá na beira-mar de Boa Viagem”.

Coluna Na Diagonal de hoje fica por aqui, apesar de esse dicionário ter mais 320 verbetes. É que seu autor está “sofrendo com certo incômodo nefrológico e passa por tratamento bem controlado”. Ou, traduzindo, “ele está parindo uma pedra dos rins e se dopando com toda a farmácia do Charlie Sheen".

* Cristiano Ramos é jornalista e titular da coluna Na Diagonal, publicada todas as terças-feiras no Blog do Torcedor, mas que, nesta semana, foi excepcionalmente publicada na quarta-feira.

** O texto não reflete, necessariamente, a opinião do Blog do Torcedor

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clássico das emoções

Xodó do Santa Cruz, Renatinho terá missão de quebrar tabu nos Aflitos

POSTADO POR Gabriela Máxima ÀS 11:11 EM 30 DE Março DE 2013

Cria da base tricolor, o meia Renatinho tem conhecimento da responsabilidade que carrega quando entra em campo ou quando fala em nome do Santa Cruz. O atleta foi revelado pelo clube e, hoje, já assume a posição de peça fundamental no time titular. Ele também reconhece a cobrança e até considera a "pressão" saudável. Diante do Náutico, no Clássico das Emoções, Renatinho terá mais uma missão importante com a camisa coral: quebrar o tabu de oito anos sem vencer o Alvirrubro nos Aflitos.

Há jogadores que dizem que estatísticas são criadas apenas para a imprensa repercutir fatos. No entanto, o jejum existe e é escancarado toda vez que se aproxima um confronto entre as equipes e a possibilidade de quebrar esse tabu. Confiante de que pode, sim, fazer história no estádio rival e trazer o triunfo para os tricolores, Renatinho falou do assunto como algo saudável. "Tabu foi feito para ser quebrado. Por isso esperamos vencer lá e ficar na liderança", revelou.


Foto: Bobby Fabisak/JC Imagem

A última vez que o Santa Cruz derrotou o Náutico nos Aflitos foi em novembro de 2005, pela reta final da Série B do Campeonato Brasileiro. De lá para cá, uma série de empates e triunfos do Timbu marcaram a história de duelos na casa alvirrubra. Felizmente, Renatinho tem boas lembranças para tentar quebrar o tabu. É que o meia foi o autor do gol que deu a vitória ao Santa no último confronto com o Náutico, no Arruda, no 1º de abril passado.

LEIA MAIS:
> Náutico e Santa Cruz duelam pela liderança do Pernambucano

"Além do clima pré-clássico que motiva, estava lembrando do gol da vitória durante esta semana. Conversei até com Marquinho sobre como tudo aconteceu e pensei que poderia fazer a mesma coisa na partida do domingo", contou Renatinho, que revelou que em jogo clássico não há favoritos. "Eu acredito que a semana e o jogo são diferentes. O Náutico é líder, tem grandes jogadores e o melhor ataque, mas também temos a melhor defesa. E esse duelo entre zaga e ataque vai ser interessante", completou.

O carisma do atleta rendeu o posto de xodó do elenco coral. Renatinho volta à titularidade após passar pouco mais de 40 dias de molho no departamento médico. A lesão na coxa esquerda foi totalmente recuperada e o meia é a personificação do entusiasmo para o clássico. "Não digo que estou ansioso, mas estou confiante em um grande jogo".

Opinião do treinador

Se por um lado a questão do tabu mexe com a motivação dos jogadores, por outro, o técnico Marcelo Martelotte explicou que isso faz parte da história dos clubes e que o fato não interefe, diretamente, no atual elenco tricolor. "Esses jogadores e a comissão que hoje trabalha no Santa Cruz não participaram do que aconteceu oito anos atrás.  Então não fazemos parte desse tabu. Isso é uma questão histórica", observou.


Foto: Rodrigo Lôbo/JC Imagem

Na opinião do treinador, o jogo tornou-se ainda mais importante pois a liderança do torneio está em jogo. O Náutico continua líder com 18 pontos, assim como o Sport. O Timbu tem a vantagem porque tem um número de vitórias maior (seis contra cinco). "Para mim a partida é importante pela definição. Os três grandes querem ficar em primeiro lugar para ter a vantagem de decidir os mata-matas em casa", explicou. "Também é fundamental passar essa confiança de que temos condição de vencer e quebrar o tabu. Fazer história", concluiu.

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na diagonal

A seleção brasileira não existe

POSTADO POR Thiago Wagner da Silva ÀS 13:53 EM 26 DE Março DE 2013

Por Cristiano Ramos*

A atual Seleção do Brasil não existe. Ela é uma coisa que a gente não sabe bem o quê. Fenômeno esquisito, negócio que fica entre as ilusões perdidas e a realidade intolerável. A Canarinha é uma liberdade poética sem poesia, e com bastante dinheiro envolvido; ela é manifestação cultural e popular, cada vez menos identificada com nossa cultura e com nosso povo.

Fica mais fácil escrever sobre a Seleção assim, partindo do que ela não é. E três personagens podem ajudar nesse retrato em negativo: Kaká, Neymar e Felipão. Kaká é o fantasma pretérito, ele simboliza tudo aquilo que a Amarelinha já não é, embora insistamos em tentar acreditar que seja; Neymar é o vulto do futuro provável, promessa que não se confirma, esperança que nunca conseguiu ir além dos espetáculos caseiros ou da vizinhança; e Felipão é Felipão, o presente inexplicável, técnico contratado na hora errada (se era para tirar Mano, que o fizessem muito antes), com base em trabalhos passados (que pouco ou nada se encaixam no melhor futebol praticado hoje) e com discursos obtusos sobre o futuro (vendendo peixe que sabemos falsificado, tentando nos convencer de que somos favoritos e de que “há um trabalho sendo feito”).

Tudo vai mal quando começa torto. Ninguém discutia que a Seleção precisava passar por uma renovação, era o lugar-comum das ruas e dos gabinetes, das arquibancadas e das mídias. Mas exaspero é para amadores, para o torcedor. O bom gestor sabe que o melhor caminho para se renovar é a transição, e não a ruptura. Ele compreende que os jovens boleiros devem ganhar seu espaço na Seleção aos poucos, sem o peso da responsabilidade imediata de serem protagonistas.

A prova da ineficiência dessas rupturas grosseiras está nas próprias convocações da fase derradeira de Mano e dos três primeiros jogos de Felipão. Quantos atletas de outros ciclos retornaram em algum desses momentos recentes? Júlio César, Ramires, Kaká, Ronaldinho, Luís Fabiano, Fred... Isso sem falar em nomes como Zé Roberto e Elano, que são frequentemente sugeridos pelos comentaristas esportivos.

Outro problema muito denunciado é a falta de base. De fato, Mano levou dois anos para começar a sedimentar algo. Duas longas temporadas de experiências frouxas, sem linha de coerência que se percebesse, obtendo péssimos resultados. Quando ele finalmente começou a trabalhar elenco mais ou menos básico, referencial, às vésperas da Copa das Confederações, aí CBF resolveu trocá-lo.

Em seu lugar, a Confederação buscou nome com história e discurso de vencedor, mas com presente de trabalhos inexpressivos, com seus modos e convicções táticas ultrapassados, incapaz de modificar esquema e transformar a história de um jogo no intervalo. Felipão é o Mano com roupagem antiga, é a continuação com cheiro de naftalina. Não promoveu mudanças consideráveis, somente os bastidores sentiram a troca de treinador.

Somos a gororoba resultante desses ingredientes: uma renovação feita na base da cavalice, com rupturas grosseiras onde deveria ter acontecido transição inteligente e planejada; dois anos de experiências sem pé nem cabeça, seguidos do fracasso na Copa América e de amistosos fajutos com times de usina; troca de comando técnico tardia, optando-se por nome populista, sem presente que o justificasse; convocações baseadas em esperanças improváveis, de craques que voltem aos seus melhores dias, de jovens promessas que se tornem realidade!

O Brasil não é favorito para 2014 por isso, porque ele não existe. Todas as decisões tomadas, todas as expectativas criadas, tudo foi tocado com paixão irresponsável, frustrações contraproducentes, invencionices despropositadas, soluções antiquadas e expectativas delirantes. A coisa mais real, a verdade mais palpável dessa Seleção é seu grande potencial para conseguir repetir o fracasso de 1950, e com resultado ainda pior, sem conquistar sequer uma vaga entre as quatro melhores da Copa.

Pessimismo? Pode até ser. Espero que seja. Algo me diz, contudo, que esse desastre anunciado é tão certo como a queda de um bêbado, de cadarços desamarrados, descendo as ladeiras de Olinda, e de costas. Se esse bebinho chegar em pé lá embaixo, engulo essas 3.609 palavras e pago uma grade aos sóbrios colegas jornalistas do Blog do Torcedor, como penitência. Fechado?

* Cristiano Ramos é jornalista.

O texto não reflete necessariamente a opinião do Blog do Torcedor.

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na diagonal

Futebol: onde os gays não têm vez

POSTADO POR Thiago Wagner da Silva ÀS 18:42 EM 19 DE Março DE 2013

Por Cristiano Ramos*

Não existe meio mais escrachadamente homofóbico que o futebol. Nem mesmo o religioso. Porque, no universo boleiro, o preconceito não só é difundido, mas também maquiado. Sob a justificativa de apenas brincar com o tema, a espantosa maioria dos torcedores solta piadas das mais jocosas, comentários extremamente pejorativos, sejam dirigidos a torcedores rivais, a jogadores, árbitros, cartolas.

Esta será a última trincheira do machão brasileiro. Quando todas as outras áreas tolerarem a diversidade sexual (ainda que por força da lei, mesmo que sem concordarem), o futebol ainda estará aí para sujeito gozar à vontade (que sempre é muita) os homossexuais, fazendo de conta que isso incomoda ninguém, que é algo inofensivo.

Não se trata de gastar a coluna Na Diagonal com julgamentos morais, com apologia do politicamente correto levado à radicalidade. Interessa é refletir, fazer pensar sobre como o futebol – um dos inúmeros fenômenos-sociais-espelhos de nossa cultura – pode dizer bastante sobre como lidamos com o tema da homossexualidade.

Nas redes sociais, por exemplo, é possível encontrar inúmeros professores, advogados, jornalistas, até militantes de Direitos Humanos que, a pretexto de zoar o time e o torcedor adversários, investem tempo para criar ou repassar tiradas homofóbicas. São os mesmos que estão sempre malhando figuras como Jair Bolsonaro, Silas Malafaia e Marcos Feliciano, justamente por perseguirem homossexuais.

Essa gente muitas vezes se antecipa às possíveis críticas, adianta logo suas teorias: “Futebol não é coisa séria, não dá para considerar comentário nenhum homofóbico se assunto em questão for jogo de bola”. “Intenção é ofender ninguém, é só para desopilar, dar uma amenizada na discussão”.“Faço pra tirar sarro mesmo, mas não sou homofóbico, tenho até amigo gay” (sic).

Dá para crer que muitos torcedores pensem assim, genuinamente – o que não implica terem razão. Dureza é aceitar que educadores, formadores de opinião e até militantes de Direitos Humanos saiam com explicações desse tipo. Eles sabem que:

1. Futebol possui mais adeptos no mundo do que maioria das religiões e instituições; é traço cultural e negócio; e, como tal, não só reflete, mas também ratifica, amplia e até distorce valores morais.

2. A tradição de piadas homofóbicas é responsável não só por conflitos entre torcedores, por ofensas a árbitros etc. Ela edificou também uma das esferas mais hostis à inclusão da comunidade LGBT de que se tem notícia. Ou alguém acredita que a ausência de atletas, diretores, juízes e cronistas esportivos declaradamente gays é somente prova de que estes não existem no futebol?

Comum demais: quando o adversário vai muito bem das pernas, de contas em dia e ganhando tudo dentro de campo, o único meio de atingir o seu orgulho parece ser as piadas homofóbicas. Custa fortunas do Bill Gates e do sofrido Eike Batista acreditar que alguém grite “seu time é de veado” sem a mínima intensão de ofender.

Como alvirrubro que sou, nunca entendi porque a nóia se rubro-negros e tricolores defendem que somos o clube das “barbies”. Ora, eu ficaria muito satisfeito se toda a comunidade LGBT fosse Timbu, se ela ajudasse a lotar a Arena Pernambuco. Que problema nisso? Por que eu deveria me ofender com a possibilidade? Por que as pessoas tomam isso como meio de diminuir o torcedor do Náutico, assim como fazem outros com o Sport, ao falar das “suzis”?  

Acontece que, para boa parte da população, ser comparado ou mencionado em convívio direto com gays e lésbicas é sim (ainda e espantosamente) algo constrangedor.

Muitos estudiosos trabalham as maneiras como futebol, Carnaval e outras manifestações culturais podem ser esclarecedoras, chaves para interpretação da nação, meios de nos conhecermos melhor. Não se trata de “culpar a janela pela paisagem” (existe frase mais cretina?), tampouco é objetivo demonizar torcedores (organizados ou não), profissionais do esporte e mídia especializada. Como em qualquer discussão, mais importante do que declarar vilões e vítimas é aprimorar modos de convivência, fortalecer a harmonia social, tentar reduzir a intolerância.

Existe aquele ditado matuto: “prefiro uma briga animada, em vez de conversa chata”. Coluna de hoje foi escrita no clima inverso, deixando o humor de lado. Não para inibir comentários – eles provavelmente hão de surgir, zoando bastante este cronista, e serão muito bem-vindos. Problema é que quase toda brincadeira perde a graça, cedo ou tarde. E isso de ridicularizar gays já não me faz rir há muito.

De repente, eu é que envelheci muito rápido. Ou, quem sabe, tenha perdido o humor do dia pra noite. Talvez (com certeza alguém aí aventou a hipótese) eu seja enrustido e nem sei!De qualquer modo, desconfio que prego no deserto sem refrigerante, suspeito que remo em jangada de tabica furada. Futebol seguirá como a derradeira trincheira da testosterona, onde os gays não têm vez, e o preconceito rola redondinho, disfarçado ou alienado.

*Cristiano Ramos é jornalista e escreve para o Blog nas terças.

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amistoso

CBF confirma jogo entre Brasil e Bolívia em 6 de abril

POSTADO POR Wladmir Paulino ÀS 15:42 EM 13 DE Março DE 2013

Da Agência Estado

A CBF confirmou nesta quarta-feira que a seleção brasileira vai disputar um amistoso contra a Bolívia no dia 6 de abril, às 16 horas (de Brasília), na cidade de Santa Cruz de la Sierra. Como a data está fora daquelas reservadas pela Fifa para jogos oficiais de seleções, o técnico Luiz Felipe Scolari só vai chamar jogadores que atuam no futebol nacional.

A lista de atletas convocados para o amistoso será divulgada pela CBF através do seu site oficial no dia 21 de março após a disputa do jogo entre a seleção brasileira e a Itália, que será disputada em Genebra, na Suíça.

Felipão aprovou a marcação do amistoso e avisou que vai utilizá-lo para testar jogadores que ainda não tiveram oportunidade na seleção brasileira sob seu comando. "É sempre importante poder reunir a seleção brasileira. Ainda mais em outro amistoso antes da Copa das Confederações, em que mais jogadores, que até agora não tiveram oportunidade, terão a chance de ser observados", disse.

Para o treinador, o amistoso entre Brasil e Bolívia também servirá para homenagear Kevin Beltrán Espada, de 14 anos, que morreu ao ser atingido por um sinalizador durante jogo entre San Jose e Corinthians, disputado no dia 20 de fevereiro, em Oruro, pela Copa Libertadores.

"Vamos mostrar que os povos das duas nações, tão próximas e unidas no continente, estão irmanadas e solidárias em torno da dor de uma família e dos pais que perderam o filho", afirmou Felipão ao site oficial da CBF.

Após enfrentar a Itália em 21 de março, a seleção brasileira vai encarar a Rússia no dia 25 em Londres. E depois do duelo com a Bolívia, a equipe tem outros três amistosos programados para antes da estreia na Copa das Confederações. No dia 24 de abril, vai encarar o Chile, no Mineirão. Depois, em junho, encara a Inglaterra, dia 2, no Maracanã, e a França, dia 9, na Arena Grêmio.

Na Copa das Confederações, que serve como preparação para a Copa do Mundo de 2014, o Brasil fará a sua estreia em 15 de junho, contra o Japão, em Brasília. Ainda na primeira fase do torneio, a seleção vai enfrentar o México, no dia 19, em Fortaleza, e a Itália, no dia 22, em Salvador.

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na diagonal

Bivar, Berillo e outras bravatas

POSTADO POR Thiago Wagner da Silva ÀS 10:43 EM 12 DE Março DE 2013

Por Cristiano Ramos*

Cada aparição midiática de Luciano Bivar nos lembra que o futebol brasileiro tem um pé no século XXI e outro bem fincado lá atrás.  O mandatário do Sport (que já foi deputado federal e candidato a presidente da República) adora uma coletiva, não resiste a um debate, também não deixa passar oportunidade de polemizar. E, seja qual for o tema, sobe aquele cheiro de naftalina, de coisa antiga embalada com panos novos. São promessas, conclames, rixas, revelações bombásticas. O dirigente leonino é caso dos mais exemplares, cartola populista, do tipo que torcedores amam ou odeiam, desses que fizeram a história do nosso futebol – para o bem e para o mal.

Por que Bivar não escolheu momento mais adequado para divulgar essa história de comissão para empurrar Leomar na Seleção Brasileira? É denúncia que teria repercussão de qualquer modo, em qualquer época. Não precisava ter esperado voltar à presidência do Leão, não tinha necessidade de expor assim o clube que já vem tão desgastado pelo rebaixamento para Segundona e pela desclassificação na Copa do Nordeste. Terá sido a velha mania de tentar desviar o foco da cobertura esportiva, ou simplesmente se empolgou durante uma entrevista e falou mais do que devia?

Certo é que vai ficar por isso mesmo, ele não apresentará nome do suposto “lobista” que teria recebido a propina. O que faz lembrar o ex-presidente do meu Náutico, Berillo Júnior, com aquela papagaiada, a vergonhosa perua sobre trocentas horas de gravação onde um dirigente rubro-negro tentava subornar o pai do meia alvirrubro Eduardo Ramos. Ou melhor, isso me faz refletir sobre como cartolas, empresários e jogadores adoram veicular histórias cujas fontes e documentos nunca são informados. Nem precisa ser boato tão cabeludo, cotidiano das agremiações é recheado de misteriozinhos:

“Sabíamos que o árbitro vinha aqui para nos prejudicar, uma pessoa de nossa confiança nos alertou sobre esse cidadão”.

“Há dois clubes interessados no meu futebol, mas prefiro nem falar, meu interesse é continuar aqui”.

“Temos quatro contratações na agulha, só estamos guardando os nomes para não atrapalhar as negociações”.

Bom que se diga, que nós, profissionais dos meios de comunicação, também precisamos abusar menos das “fontes”. Estamos o tempo todo dizendo que “alguém de dentro do clube” confidenciou algo, que “amigos ouvintes ligaram para contar que flagraram atletas na barca, curtindo a noite” etc. Ninguém é louco de negar, trabalho da crônica esportiva é realmente enriquecido por fontes, de carne, osso e muita orelha. Contudo, frase de “um senhor amigo meu”, que “não posso revelar”, é na xinxa:

“Peru que muito se vende, sem aparecer uma pena sequer, ou não existe, ou ficou velho e ninguém mais quer”.

* Cristiano Ramos é jornalista e escreve para o Blog todas as terças.

O texto não reflete necessariamente a opinião do Blog do Torcedor

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na diagonal

Pobres jogadores, cartolas carentes e outras ficções

POSTADO POR Marcelo ÀS 12:39 EM 05 DE Março DE 2013

Por Cristiano Ramos*

Tem coisa mais comovente do que jogador que recebe entre 50 e 100 mil mudar de time para dar “estabilidade financeira à família”? Tudo bem, antigamente expectativa de vida era de cerca de 40 anos, boleiro aposentado tinha somente uma década para viver das economias. Agora, com brasileiro passando dos 70, jogador tem que se planejar mais, porque ainda terá metade de sua existência após deixar os campos de futebol. Mas que tal atletas como Kieza mudarem esse discurso de pobre pai de família? Mesmo com o Imposto de Renda levando quase 30%, profissional desse nível recebe salário suficiente para garantir bocas, nervos, bajuladores e agregados. O rapaz foi embora porque viu chance de enriquecer, e isso tem nada de errado – desde que cumpra suas obrigações contratuais e mostre serviço enquanto servir ao clube.

Falando em Náutico (que, como todos sabem, é meu time), se eu perdesse o sono toda vez que diretoria anuncia pacotes de contratações e reforços de peso, minhas olheiras estariam maiores que o CT da Guabiraba. Cartola precisa parar com essa mania de ficar instigando torcedores e imprensa, para depois pedir calma, porque “é preciso muito cuidado na hora de montar elenco”. Quer aparecer, fazer notícia durante pré-temporada e início de campeonato? Existem outros caminhos: apresentar finanças do ano anterior e dar transparência aos negócios da agremiação, democratizar o debate sobre futuro dos Aflitos, preparar real estratégia de marketing para conquista de torcedores que façam da Arena Pernambuco um novo caldeirão (ou pelo menos um bule morno). Seja qual for o clube, o que não falta é demanda que gere holofotes.

No começo de 2013, esta coluna esteve de férias. Seu autor, porém, acompanhou apaixonadamente os campeonatos de ficção: uma Copa do Nordeste que ninguém sabe
quantas edições ainda terá, e um turno de abertura de Pernambucano que não classificava nem rebaixava, além de não contar com Santa Cruz e Sport. Até inventaram uma vaga na Copa do Brasil, para que a fórmula do campeonato estadual tivesse mais importância do que pelada de presídio ou encontro de ex-boleiros. Contudo, deu para medir a importância da competição pela maneira efusiva como os jogadores do Timbu comemoraram a conquista da fase. Parecia festa de BBB quando restam três participantes. Só faltou aparecer o Paulo Ricardo para cantar no Mendonção.

Triste mesmo foi saber do rapaz baleado. Há argumento mais ridículo do que ser contra o fim das torcidas organizadas porque “elas não são responsáveis por toda violência que ocorre dentro e em torno dos estádios”? É como fazer oposição à Lei Seca porque os números mostram gente que morre no trânsito, apesar de dirigir sóbria. Cansado de povo poetizando o tema em crônicas ou usando linguagem pretensamente técnica para protelar medidas reais de prevenção. No Brasil, tragédia precisa matar uns trezentos para que as autoridades tomem jeito. Enquanto isso, eu e meu filho (que ainda não nasceu) já fomos proibidos de ir aos jogos do Náutico – ordens da moça que manda em mim, e que obedeço sem fazer firula.

E basta por hoje! Que preciso botar ideias em dia. Depois de ver treinador falando que Kieza é jogador raro, torcedores adversários e até do Flamengo acusando Zico de boleiro comum, e Barcelona perdendo três seguidas, tenho que repensar meus conceitos – ou beber mais, já que não dirijo.

* Cristiano Ramos é jornalista e titular da coluna Na diagonal, publicada todas as terças-feiras, no Blog do Torcedor.

Nota: O texto não reflete, necessariamente, a opinião do Blog do Torcedor.

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castelão

Um preso e uma cadeira danificada

POSTADO POR Wladmir Paulino ÀS 08:33 EM 28 DE Janeiro DE 2013

Carlyle Paes Barreto
Do Jornal do Commercio

FORTALEZA – Com a presença de quatro grandes torcidas, a rodada dupla na Arena Castelão foi considerada como de risco pelo Governo do Ceará. Mas a convivência entre pernambucanos, baianos e cearenses foi tranquila na maior parte do tempo. Apenas uma ocorrência foi registrada: a detenção de um integrante da Torcida Jovem do Sport. Fora do estádio, paz. Também se comprovou que uma cadeira foi arrancada por um integrante da Jovem.

Sem a presença das torcidas organizadas locais, o confronto entre os torcedores ficou apenas na troca de xingamentos, coros e vaias. E quando a Torcida Jovem aumentou as provocações, fazendo até que torcedores de Fortaleza e Ceará se unissem contra ela, a PM agiu, prendendo um pernambucano. Já no duelo Ceará x Bahia, calma.
 
Cerca de 200 rubro-negros estiveram na Arena. Eles só tiveram dificuldades para comprar ingressos. “Chegamos sábado, mas falaram que só iriam vender ingressos para a torcida visitante no dia do jogo”, lamentou Thiago Paz, que foi a Fortaleza numa excursão com mais 45 pessoas.

“Não estávamos conseguindo comprar. Então pedimos ajuda para um amigo cearense. No começo, estavam pedindo até identidade de todo mundo. Seria lugar marcado. Mas depois virou bagunça”, explicou o advogado Bartolomeu Pereira, que comprou ingresso como se fosse da torcida do Ceará. “Demos o velho jeitinho”, completou.
Dentro da arena, os rubro-negros chamaram atenção, com o tradicional grito de guerra, potencializado pela acústica do estádio.

Na saída, já com cordão de isolamento feito pela polícia, tranquilidade. Poucos rubro-negros ficaram para assistir ao segundo jogo da noite.

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Cicinho e Mano Menezes: a satisfação de errar

POSTADO POR Marcelo ÀS 16:28 EM 27 DE Novembro DE 2012

Por Cristiano Ramos*

Entre elogios e críticas, entre acertos e equívocos, este colunista terminará 2012 com a sensação de saldo positivo. O que não quer dizer nada. Às vezes, a satisfação vem maior com os erros, a felicidade pode estar nos prognósticos que não se confirmam, na bola fora. Exemplos? Cicinho e Mano Menezes.

Eis trecho da coluna Na Diagonal, publicada em 26 de junho: "Não serei maldoso como outros, que afirmam que Cicinho é ex-jogador. Apenas acredito que ele é contratação para compor elenco, em um clube que possa gastar e ter duas dezenas de jogadores caros. Clube, enfim, que pode arriscar. O que não é o caso de Sport e Náutico".

O raciocínio era simples, e acredito que justo: rubro-negro não tinha recursos nem tempo para ficar investindo numa empresa de alto risco. Era imprudente trazer jogador em nítido declínio técnico, com histórico de problemas disciplinares, de reconhecido alcoolismo. Se alguma agremiação topasse dar uma enésima chance a Cicinho, ótimo, pois todo ser humano merece a insistência, mas que não fosse o Leão, cujo orçamento apertado e planejamento mais que atrasado obrigavam a reduzir dramaticamente a margem de erro.

Mas não é que Cicinho foi o melhor jogador do Sport na competição nacional? Para ser mais franco, acho que só não levou a vaga de melhor lateral-direito da competição porque está fora do eixo Sul-Sudeste e à beira do rebaixamento. Para boleiros que atuam por estas bandas, não basta ter desempenho melhor, é preciso extrapolar – ou, como diz o matuto, "num basta feijão com arroz, tem que incrementá e fazer o baião completo".

Falei para um amigo rubro-negro e jornalista, Diogo Monteiro, que somente escreveria o mea culpa depois de terminado o Brasileirão, para não queimar a língua. Vontade de assumir o erro, porém, foi irresistível. Além do que, a essa altura do certame, que danado Cicinho poderia fazer para estragar sua passagem pelo time da Praça da Bandeira?

E Mano Menezes? Este, depois do primeiro ano ridículo à frente da seleção, depois de perder a Copa América, de deixar escapar a medalha de ouro olímpico mais fácil da história... Arrisquei que a CBF não demitiria. Sinal mais claro disso eram os adversários de usina que arranjaram para o Brasil, partidas pensadas para que Mano angariasse vitórias ridículas, contra equipes que se complicariam até em torneio de várzea, que sofreriam até para vencer pelada contra cronistas esportivos aposentados.

Tudo bem que, se era para trocar, deviam ter feito antes, na semana daquele Suécia x Brasil, quando ressaca de Londres parecia insuportável. Por que gastar restante da temporada com esses amistosos de mentirinha, disfarçando o fato de que os números eram péssimos, que a Canarinha não conseguia resultados positivos quando enfrentava seleções de qualidade? Resposta: só podia ser para preservar Mano Menezes.

Bem, ele foi preservado, temperado e servido quando ninguém mais contava com isso. A tempo de, contudo, o próximo treinador tentar melhorar os resultados e preparar os meninos para o mundial.

A mídia de São Paulo e Rio não cansa de dizer que momento foi inadequado; e quando seria o acertado, então? Como não inventaram ainda máquina do tempo que funcione, teríamos que esperar o fracasso na Copa dentro de casa? Com toda boa vontade do mundo, como alguém podia imaginar que o trabalho de Mano levaria ao hexa-campeonato?

Se Brasil vencer a Copa, mesmo trocando de técnico faltando ano e meio para a competição, não será novidade. Aliás, será a regra, pois foi assim nas outras cinco vezes. E, se perder... É como o matuto também costuma falar:

"Sifô pra cortar a perna, doutô, deixe pé quieto e faça logo o serviço, que num tem coisa pió do que ficar cotó de pedacinho em pedacinho".      

* Cristiano Ramos é jornalista e assina a coluna Na diagonal, publicada todas terças-feiras no Blog do Torcedor.

Nota: O texto não reflete, necessariamente, a opinião do Blog Torcedor.

 

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Fórmula do Pernambucano 2013 não é para sóbrios

POSTADO POR Marcelo ÀS 17:08 EM 13 DE Novembro DE 2012

Por Cristiano Ramos*

Independente de quem vença o Campeonato Pernambucano de 2013, perdedor já é conhecido, foi anunciado junto com o regulamento da competição: trata-se do bom senso. Os dirigentes conseguiram extrapolar, bolaram uma fórmula tão estapafúrdia que dá nem vontade de discutir. Se torcedores não estão rendendo o tema não é por aprovação, mas porque se trata de exercício de psiquiatria, é preciso ter vocação médica específica, gostar de lidar com a loucura.

Jogaram o bom senso no rio Capibaribe e estão esperando corpo boiar, e talvez isso aconteça quando virarmos a gozação da temporada. Se este ano foram os catarinenses, com seu ridículo regulamento onde o vencedor dos dois turnos não levou o título, em 2013 serão os homens da FPF que salvarão a mídia esportiva em dias sem assunto: “Coisa hoje tá feia, notícias sumiram, então vamos descascar de novo a alucinada tabela do Pernambucano”.

O que dizer de um primeiro turno sem dois dos grandes clubes pernambucanos (Santa Cruz e Sport, que, junto com o Salgueiro disputarão a Copa do Nordeste), com rodadas somente de ida... Ida para lugar nenhum? Ah, claro, o trio melhor colocado terá a vasqueira, a inaudita, a sensacional vantagem de mandar uma partida a mais em casa, na segunda parte do certame!

Resumindo, sem dourar o peixe vencido: criaram um primeiro turno que serve para nada além de dar ritmo de jogo aos times – se é que técnicos e preparadores físicos conseguirão preparar seus atletas em disputa tão despropositada.

Náutico, por exemplo, em ano de construção da Arena que lhe servirá de casa no futuro, para 40 mil pessoas, terá que contratar um elenco caro para disputar a amadora tabela do estadual. A não ser que opte por colocar juniores em campo, por só montar equipe com um ou dois meses de atraso, o que prejudicará os planejamentos da Copa do Brasil e do Campeonato Brasileiro. Mas vamos mudar de assunto, antes de entrarmos no outro absurdo que é o Timbu ter que forçar uma desclassificação para terceira fase da Copa, caso esteja classificado para a Sulamericana e prefira manter a vaga no torneio internacional (por conta de coincidência de datas).

O turno de abertura do Pernambucano sequer será eliminatório! Isso mesmo, também na ponta de baixo da tabela acontecerá coisa nenhuma, ninguém será rebaixado ou deixará de jogar a segunda etapa do campeonato.

Com esse primor de regulamento, teremos três clássicos a menos. Ou seja, se muitos dizem que os campeonatos estaduais só se pagam nos encontros entre os grandes clubes, em 2013 serão 50% a menos de boias para salvar financeiramente a aventura de disputar o estadual.

De bônus, os dirigentes da FPF ainda bolaram que a última vaga na Copa do Brasil não será dada ao quarto colocado no mata-mata das semifinais do Pernambucano, mas ao vencedor de uma repescagem, jogada entre os clubes que ficarem entre 5º e o 8º na pontuação do segundo turno! Isso mesmo que você leu: um dos semifinalistas estará automaticamente desclassificado da Copa, enquanto o oitavo colocado pode ficar com o ingresso na competição!

Acordei esta manhã pensando no milésimo jogo da Seleção Brasileira – que será disputado em New Jersey, nos Estados Unidos! – e nessa kafkiana fórmula do campeonato estadual de 2013. E cheguei à conclusão de que ou volto a beber ou largo a crônica esportiva. Futebol não é para sóbrios, definitivamente.

* Cristiano Ramos é jornalista e assina a coluna Na Diagonal, publicada todas terças-feiras no Blog do Torcedor.

Nota: O texto não reflete, necessariamente, a opinião do Blog do Torcedor

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Dois rubro-negros, dois ídolos; dois pesos, duas medidas

POSTADO POR Marcelo ÀS 15:53 EM 06 DE Novembro DE 2012

* Cristiano Ramos

Futebol brasileiro vive de extremos. Nossa cultura é de extremos, vivemos entre a demasia e a indigência, seja na economia, na política, na educação, nos esportes... O mundo dos boleiros, neste tema, assim como em tantos outros, apenas é caso exemplar, espelho angulado de nossas potencialidades e vícios.

Um dos inúmeros capítulos dessa enciclopédia de extremos costurada nos gramados é o caso de dois ídolos, de dois rubro-negros: o atacante Adriano e o goleiro Magrão. Enquanto o primeiro foi tratado com paciência budista pela diretoria do Flamengo, e conta com a boa vontade inesgotável da torcida do Urubu, o arqueiro do Sport tem sorte de estar sem condições de jogo, senão teria que encarar a dura realidade de ser escanteado na Ilha.

Antes do retorno ao mercado brasileiro, Adriano tinha curta e modesta história com o Flamengo. O “Imperador” foi coisa de europeu, porque o moleque talentoso e cheio de força física que surgiu na Gávea conquistou só dois campeonatos cariocas – títulos importantes, mas que dão coroa a ninguém. Nem por isso a torcida rubro-negra deixou de tratá-lo com regalias de monarca. Algo que seria radicalizado com o troféu de campeão nacional de 2009.

Agora, em nova passagem pelo clube do Rio, Adriano chegou numa fundura boa do poço (porque ainda não dá para dizer onde fica o fim desse buraco). Embora não tenha assumido definitivamente a doença, comportou-se como um alcóolatra típico, faltou aos treinos, confundiu liberdade pessoal com irresponsabilidade física e ética, fez promessas vazias diante das câmeras da mídia, para depois cuspir discurso de bêbado emotivo para as câmeras de celulares em clube noturno.

As origens da agremiação, sua história de formação de torcida, a caracterização do mito da nação rubro-negra, tudo explica (mesmo que parcialmente) o caso Adriano. Clube de massas, que ratifica, revisa e hipertrofia sua identidade com os segmentos populares, com as desditas das classes menos privilegiadas. Seja através de um camisa 10 franzino e bom moço, seja com um 9 problemático, o Flamengo é casa dos dramas humanos, faz parte de sua tradição realçar essas cores e excessos.

Com o Sport Club do Recife é diferente. Sua trajetória é outra, suas tradições são bem diversas. E, em muitos casos, é bom que seja assim. O que não quer dizer que precise ser outro lado da moeda, o extremo oposto, como nessa seara do tratamento dos ídolos.

Magrão é dessas carreiras que raramente se constroem no futebol pernambucano: longas, vitoriosas, comprometidas, de pouco baixos e centenas de altos. Qualquer cronista esportivo que acompanhou suas jornadas pelo Leão contará nos dedos das mãos (talvez de uma só) as falhas do goleiro. Ele se tornou o ídolo rubro-negro com mais títulos e boas atuações das últimas duas décadas.

Sua parada é inevitável, em algum momento Magrão terá que pendurar as luvas. O desrespeito, o inaceitável, o absurdo está na pressa de muitos, na ânsia espírito-de-porco de boa parte das salas e das arquibancadas da Ilha, que não hesitou em decretar sua aposentadoria (e sem honras). Nas redes sociais, nas ruas, no estádio, em todos os lugares espocaram manifestações com objetivo de transformar o goleiro em bode expiatório, responsável por derrotas dentro de campo e muito da crise do clube no certame nacional.

Em nome dessa cruzada, elevaram Saulo ao status de sucessor, de grande promessa, de ídolo instantâneo. Alguns já abriram pelo menos um dos olhos embaçados, perceberam o equívoco de entronizar um jovem talentoso , mas que ainda tem muito para provar, que precisa amadurecer, e que é capaz de alternar exitosas rodadas com noites infelizes. Alguns também começaram a recuar nos ataques a Magrão, principalmente os mais radicais, que chegaram a acusá-lo de mãos de alface, de embuste, de ídolo de barro. Nada, porém, que faça justiça com um dos maiores jogadores da história do Sport Club do Recife.

Não estivesse fora de condições, verdade é que Magrão teria sido empurrado para o banco, por ter falhado duas ou três vezes. Ele já conheceu esta experiência na Ilha, seus três primeiros anos jogando pelo Leão foram quando o torcedor rubro-negro viu quase todas as más partidas dele pelo time, tendo sido substituído por Gustavo e Cléber (2006 e 2007). Depois, o guarda-metas conquistou a titularidade absoluta, e começou uma sequência impressionante de temporadas, com performances acima da média, de raríssimos erros. Estivesse o Sport sem Magrão, uns três títulos não teriam chegado à Praça da Bandeira, no mínimo.

Mas, agora, se não estivesse fora de condições...

Talvez melhor seja Magrão continuar sem condição de jogo, seja esticar essa fase de estaleiro e marcar uma partida de despedida com a camisa 1 do Sport, seja para buscar outro clube, seja para pendurar as luvas. Ele não merece servir novamente de prova de nossa cultura exacerbadamente emocional, de nossos excessos, de nossa capacidade de perdoar eternamente alguns ídolos, e de enterrar prematuramente e com ainda mais eficiência alguns outros.

Passado o drama do fim do Brasileiro da Série A, dessa luta do Sport para não cair, direção e atleta precisarão pensar seriamente nisso. Deixar para que o calor da má hora, esperar que outra nova crise seja o estopim da decisão, seria um crime para com o profissional e o ser humano Alessandro Beti Rosa. Crime que dosimetria nenhuma (para usar termo da moda) poderia redimir. Até porque é caso quase sem atenuantes, e lotado de agravantes!

* Cristiano Ramos é jornalista e assina a coluna Na Diagonal, publicada todas terças-feiras no Blog do Torcedor.

Nota: O texto não reflete, necessariamente, a opinião do Blog do Torcedor

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Santa e Sport foram reprovados no dever de casa

POSTADO POR Marcelo ÀS 16:46 EM 30 DE Outubro DE 2012

Cristiano Ramos*

Futebol brasileiro é diferente do europeu, muito. No velho continente, cada país geralmente tem dois ou três favoritos que vencem dentro e fora de seus estádios, que  conquistam os certames. Aqui, diversos são os clubes com títulos nacionais, quase todos já beliscaram lugar entre os seis melhores da competição, e qualquer um pode pregar surpresas. E as agremiações (salvo umas raras exceções por temporada) são absolutamente caseiras, maioria consegue resultados muito melhores quando jogam em seus domínios.

Faz tempo que é assim, mas 2012 trouxe a radicalização desse cenário. Os clubes que estão fora da zona de rebaixamento, com uns 40 pontos, são aqueles que  conseguiram pelo menos 80% dos pontos disputados em casa – ainda que longe de suas praças não tenham sequer juntando uns empates. Caso do Náutico, por exemplo.

Quem conseguiu aproveitamento de 50% no geral, até agora, na Série A, está entre os sete mais bem classificados, brigando por Libertadores ou por boas chances de entrar na Sulamericana. Na Série C, que foi disputada pelo Santa Cruz, as únicas duas equipes do Grupo A que cumpriram o dever de casa, de vencer em seus domínios, foram Fortaleza e Luverdense, e com isso já sobrariam na competição, nem precisavam ter arrancado resultados positivos como visitantes.

Nesse critério, tricolores e rubro-negros foram um desastre! Santa Cruz teve somente 40,7% de aproveitamento no campeonato. Ou seja, perdeu pontos importantíssimos dentro do Arruda, sem obter recuperação do prejuízo fora do Recife. Resultado: ficou na 6ª posição de um certame de terceira, onde poucos são os times com quantidade de torcedores e folha de pagamento respeitáveis. Já o Sport, ficou sempre ali, em torno dos 33% de rendimento, perdendo duas em cada três partidas, agonizando na zona de rebaixamento.

Santa e Sport são exemplos paradigmáticos de que o “fator campo” vai além da presença de público, bem como da “lógica financeira” do futebol. Falharam mesmo quando tiveram Arrudão e Ilha do Retiro cheios. E caíram mesmo diante de clubes com nível econômico equivalente ou menor, com elencos tão bons quanto ou piores.

Ser mandante eficiente implica imposição de jogo, fazer valer a condição. Não basta ter arquibancadas lotadas, nem elenco que seja competitivo (no papel). Esquema tático e entrega dos atletas precisam ser investidos na tarefa de deixar claro para o adversário quem manda na casa.

Existem casos excepcionais, de agremiações que vencem mais fora do que dentro de seus domínios, ou que angariam êxitos em qualquer que seja a cidade. A regra, porém, é da luta para ser ao menos medíocre, de ter como meta no mínimo 50% de pontuação, isto é, cumprir a cartilha caseira, fazer valer o próprio caldeirão, esteja ele no bairro do Arruda, na Ilha, na Rosa e Silva ou em São Lourenço da Mata.

Planejamento das direções precisa buscar todos os elementos que contribuam para a realização desse projeto. De repente, podem sim ter paciência com os insucessos de um treinador, com as falhas de seus jogadores, desde que os contratados tenham se portado diante da sua torcida de maneira altiva, pressionando, botando correria, impondo-se.

Resumindo, no futebol brasileiro atual, clube mandante que perde respeito dos adversários está fadado a cair tabela abaixo, divisão por divisão, nesse poço quase sem fundo. Chegar à reta final de qualquer competição nacional com esse discurso de recuperar o tempo e os pontos perdidos é conto de Natal, expectativa de milagre – que, às vezes, acontece mesmo.

Futebol pernambucano tem que contar menos com os discursos de técnicos falastrões, com as promessas sem base das diretorias, e com as meias penduradas à espera de Noel. Porque os finais de ano, pelo contrário, costumam é chegar recheados de boatos sobre pressão política dos times do Sudeste, zunzuns sobre arbitragens direcionadas etc.

Neste curso de boleiros, prova de recuperação é uma furada, e avaliação final significa cair com dignidade, já tentando melhor planejamento para a temporada seguinte. E mérito é de quem cumpre a tarefa de casa, chegando às férias de cabeça fria (ou quase).

* Cristiano Ramos é jornalista e assina a coluna Na diagonal, publicada todas as terças-feiras, no Blog do Torcedor

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O que será do Náutico sem os Aflitos?

POSTADO POR Marcelo ÀS 14:14 EM 23 DE Outubro DE 2012

Por Cristiano Ramos*

Não existe resposta pronta. Pode ser mesmo um grande negócio, mas também pode levar a agremiação ao buraco. Não porque os Aflitos é um caldeirão insubstituível, um templo, ou qualquer bobagem parecida. Perigo é a direção não tocar decentemente a transição, não preparar o clube para a nova realidade. E, como sabemos, falta de planejamento ou má execução de projetos não é exceção no futebol pernambucano.

Como quase todos os leitores desta coluna devem saber, o seu autor é alvirrubro. Então, é provável que o chamem de traidor, herege e outros mimos parecidos, mas a verdade é que ele não vê drama algum em demolir os Aflitos.

Estádio tem sete décadas de história, setenta anos servindo de casa às conquistas e sofrimentos do Timbu? Tem, e por isso deve ser lembrado, receber o devido tratamento documental, homenagens. Mais do que isso, é exagero, coisa de supersticiosos ou nostálgicos – duas espécies que servem maravilhosamente para crônicas, para livros sobre futebol. E só. São torcedores que geralmente não conseguem discutir o futuro de suas agremiações com mínimo de bom senso.

Apesar de todo carinho e respeito que lhe dedicamos, os Aflitos se tornou um capricho anacrônico, não cabe nas demandas de qualquer clube que se queira verdadeiramente profissional e competitivo. Ele sequer pode ser reformado, de modo a atender às necessidades que se acumularam. Quem defende essa saída, de dar uma “boa garibada” para deixá-lo em condições ideais, decerto nunca tocou nem uma reforminha de apartamento.

Ele é bonito, possui uma arquitetura que merece ser tombada, por acaso? Sejamos sinceros, os Aflitos são, no máximo, um estádio aconchegante. De resto, é concreto e tinta. Foi pensado e erguido para servir minimamente aos propósitos da época. A sede, sim, é caso à parte, direção precisa lutar para mantê-la de pé, tanto pelos traços mais caprichados como pela modesta área que ocupa (que não impede os potenciais empreendimentos).

Pelo amor de Deus! Derrubaram Wembley! Teve quem rasgou as roupas na praça, quem armou protestos, que anunciou o fim do mundo, tudo porque o tradicional estádio inglês seria derrubado. E, que saibamos, por causa disso Cristo não retornou, não ouvimos as trombetas do Juízo Final.

Perda de tempo e energia ficar retornando à polêmica da troca de casa. Fato consumado, negócio é cuidar da mudança iminente. Teremos uma arena com 46 mil lugares para mandarmos os jogos. É espaço demais! Será necessária uma forte campanha de marketing para levar os velhos alvirrubros e formar novos torcedores que compareçam às partidas. Ainda que o Náutico tenha uma das melhores médias do Campeonato Brasileiro da Série A, levando em conta os atuais parâmetros, serão uns 20 mil pagantes, ou seja, metade da capacidade.

Essa ação de marketing necessária e prometida desde o ano passado, começou? Será para quando, às vésperas da mudança?

Quem conhece o dia de futebol nos Aflitos sabe que, sem medo de errar, pelo menos 1/3 da torcida chega andando à Rosa e Silva, ou leva uns 5 minutos de carro. Não que São Lourenço seja do outro lado do planeta, mas é uma cultura alvirrubra caseira, de vestir a camisa e seguir com o filho pelas calçadas para apoiar o time. Fenômenos culturais são dinâmicos, podem ser mudados ou até extintos, só que raramente alguma dessas coisas acontece de forma espontânea. Muito menos no esporte.

Alguns estão contando com a possibilidade de o município de São Lourenço “adotar” o Náutico. Ora, todos sabem que isso será complicado. Uma coisa é a cidade receber a apoiar um clube pequeno, que será o segundo time do coração das pessoas, e com incentivo da  prefeitura, recebendo ingressos ou pagando uma pechincha pelos bilhetes. Outra bem diferente é vestir a camisa de uma agremiação profissional, e tendo que desembolsar 40, 80, 120 reais pela entrada.

Quem tem dúvidas, só estudar o caso Engenhão, que serve sim de comparativo, pois:

1. Guardadas as devidas proporções, o Botafogo também tem dificuldades de crescer a torcida;

2. A arena ficou bem distante, e de difícil acesso; 3. Os ingressos ficaram salgados, para o poder aquisitivo da maioria dos alvinegros.

Dinheiro começou a entrar no Náutico desde a assinatura do contrato. Será que a torcida Timbu tem recebido as devidas informações sobre o que está sendo feito com os recursos, como o clube se prepara para o futuro na nova casa, o que será realizado para ampliar consideravelmente o número de sócios? Isso tudo é pra ontem!

O bom momento do Náutico no Brasileirão serviu para anestesiar alguns, enquanto provocou os nostálgicos e supersticiosos a retomarem aquela ladainha de que o “Caldeirão dos Aflitos” é o segredo do sucesso alvirrubro. Que sucesso? Vencer três estaduais em mais de duas décadas?

O que pode oferecer dias melhores ao Timbu é seguir modernizando o Centro de Treinamento, profissionalizar a gestão, criar uma política de marketing forte e permanente, e entrar para valer na era da Arena Pernambuco. Como diz o matuto, “é pra chegar logo com os dois pés na caixa dos peitos”, “para pisar com os vinte dedos na fogueira”. Resto é conversa para boi dormir. Aliás, boi é outro assunto, deixemos isso de lado, para evitar mais polêmica.

Para uma coluna só, já deu.

* Cristiano Ramos é jornalista e assina a coluna Na Diagonal, publicada todas terças-feiras no Blog do Torcedor.

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Querem eleger Magrão bode expiatório da Ilha

POSTADO POR Marcelo ÀS 10:39 EM 16 DE Outubro DE 2012

Por Cristiano Ramos*

Semana passada, coluna Na Diagonal foi daquelas que recebem bem mais elogios do que discordâncias. Nela, este colunista disparou duras críticas à diretoria do Sport, resumindo assim a atual temporada:

“Desde o começo do ano, a diretoria se esforça para não dar certo: apesar de ter mais recursos financeiros do que seus rivais locais, não formou um elenco que refletisse a disparidade econômica e vencesse o Pernambucano; insistiu no falastrão Mazola, que, em vez de lutar contra as próprias limitações, queria vencer o campeonato no microfone e brigando com a mídia esportiva; suas ‘lideranças’ políticas promoveram baixarias históricas; depois, com o fracasso no estadual, direção deixou Marcelinho Paraíba ir embora, porque era jogador caro e problema; isso para, em seguida, trazer Cicinho (seria este barato e nada problemático?)!”

Também foi comentada naquela crônica a demora em montar elenco para o Brasileirão e a troca do técnico na reta final do certame, com a saída de Waldemar Lemos, que conseguiu aproveitamento de 43,3%, além de motivar e ganhar o respeito dos jogadores. Para se ter uma ideia, sem ele o Leão conquistou apenas 23,33% dos pontos disputados – ou, se preferirem, com Waldemar o rubro-negro fez em 10 jogos quase a mesma quantidade de pontos que conseguiu nos 20 com os demais treinadores.

Após a derrota para o Atlético-MG, o rebaixamento é quase certo. Até mesmo os torcedores estão jogando a toalha, suas redes sociais começam a cobrar planejamento para 2013, repetem que este ano está perdido. Perigo nesses momentos de crise, contudo, é justamente a combinação da agonia dos torcedores com a política de terra arrasada que as diretorias impopulares costumam empreender. Muita bobagem é cometida aí, na ribanceira, na beirada do poço.

E não é que existe muito rubro-negro na internet, nas arquibancadas e nos corredores do clube pedindo a cabeça de Magrão? Ou melhor, as chuteiras. Querem pendurá-las, aposentar o goleiro que se tornou o maior ídolo do Sport das últimas três décadas.

Nem Juninho Pernambucano conseguiu tamanha devoção, tantas partidas realizadas, com tal regularidade, e com tantos títulos. Nada disso, porém, impede que alguns trabalhem para transformar o arqueiro do Leão em bode expiatório.

Óbvio que chegará o momento de trocar o Camisa 1 da Ilha do Retiro. Mas fazer isso agora, quando a situação está fedendo de vencida, em vez de preservar o atleta e deixá- lo encerrar sua trajetória na agremiação em momento mais ameno e digno? Seria desses crimes vergonhosos e inexplicáveis que o mundo do futebol coleciona aos montes.

Magrão pode falhar duas, três, quatro vezes; ele pode fazer um mês inteiro péssimo. Ainda assim, no balanço, será um dos goleiros mais eficientes e regulares do Brasil. Se suas atuações nesses anos tivessem sido sob as traves de time do sudeste, vestindo camisa de um Corinthians ou Flamengo da vida, teria beliscado pelo menos algum amistoso pela Seleção.

Como alvirrubro, sempre confessei ter somente uma inveja do atual time do Sport: Magrão. Inveja boa, embebida em respeito. E, neste texto, já posso adiantar qual seria meu maior constrangimento, minha vergonha alheia: ver o goleiro ser crucificado, virar o bode desse pasto acidentado e lamacento que plantaram para a nação rubro-negra.

Terminei a coluna anterior reconhecendo que negócio de escrever crônica esportiva deixa a gente mole, torcendo para o “bem do futebol pernambucano”, querendo a melhora do adversário. Mas, se sacanearem o Magrão, que se dane o politicamente correto! Sport merecerá cair para Série C e passar uma década sem título!

Como torcedor do Náutico, sei na pele o tamanho da miséria que estou ameaçando. Essa maldição, lanço com conhecimento de causa, é ruindade da braba. Que se cuidem... E cuidem bem do Magrão!

*Cristiano Ramos é jornalista e assina a coluna Na diagonal, publicada todas as terças-feiras, no Blog do Torcedor.

Nota: O texto não reflete, necessariamente, a opinião do Blog do Torcedor

 

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A luta do Sport para ser rebaixado

POSTADO POR Marcelo ÀS 14:49 EM 09 DE Outubro DE 2012

Por Cristiano Ramos*

Como alvirrubro, sempre reluto em defender a tese, mas verdade é que o Sport geralmente perde para ele mesmo. Melhor dizendo, ele perde para sua diretoria. Foi assim no centenário do Náutico, no mais recente fracasso em conquistar o hexa, no bicampeonato do Santa-Cruz; está sendo igual na renhida briga do Leão para ser rebaixado.

Sim, porque impressão que dá é essa mesmo, que o rubro-negro luta para cair, para retornar à Série B. E como está fácil se manter na elite do futebol brasileiro. O primeiro clube fora do Z4, por exemplo, é o Coritiba, que possui somente 32 pontos, ou seja, 38,1% de aproveitamento. Tanto está mole que, mesmo após rodadas e mais rodadas de tropeços, o Leão esteve quase sempre ali, na beirada, a uma ou duas vitórias de escapar do rebaixamento.

Em outras temporadas, a essa altura do campeonato, havia uma divisão mais clara de que quem eram os ameaçados, estava bem mais nítida a diferença técnica entre os últimos da tabela e as equipes que ficavam na parte intermediária. Neste 2012, contudo, poucos  arriscam dizer quais serão os quatro a cair. Porque times como Portuguesa, Flamengo, Bahia, Santos (sem Neymar), Ponte Preta e Coritiba convencem ninguém. Como diriam os antigos, desempenho desses times é uma “nesguinha de nada” melhor que o do Sport.

Desde o começo do ano, a diretoria se esforça para não dar certo: apesar de ter mais recursos financeiros do que seus rivais locais, não formou um elenco que refletisse a disparidade econômica e vencesse o Pernambucano; insistiu no falastrão Mazola, que, em vez de lutar contra as próprias limitações, queria vencer o campeonato no microfone e brigando com a mídia esportiva; suas “lideranças” políticas promoveram baixarias históricas; depois, com o fracasso no estadual, direção deixou Marcelinho Paraíba ir embora, porque era jogador caro e problema; isso para, em seguida, trazer Cicinho (seria este barato e nada problemático?)!

Se Marcelinho queria ser dono do time, que trouxessem técnico experiente, respeitado, que fizesse impor sua autoridade. E, quanto ao custo, de que adianta dispensar o meia (que fazia toda a diferença) por pedir uns R$ 120.000, e trazer dois que pedem R$ 60.000, mas não resolvem coisa alguma? É o chamado barato que sai caro.

Ah, mas houve quem defendesse também que havia uma dependência exagerada ao rendimento do camisa 10. Não seria, então, o caso de qualificar o elenco para que as responsabilidades fossem divididas?

Para completar, direção demite de maneira totalmente injustificada Waldemar Lemos, que, gostem ou não, melhorou bastante rendimento e espírito de luta da equipe. Em 11 jogos, ele venceu 3, empatou 5 e perdeu 3 – aproveitamento de 43,3%, bem acima do que conseguido por Vágner Mancini, que só foi demitido após 7 partidas sem vencer, além do vexame de ser batido dentro de casa para o então lanterna Figueirense.

Claro que tomar goleada de 5x1 para a Portuguesa dói, ainda que seja em território adversário. Acontece que, agora, o “estilo paizão” que vinha sendo tão elogiado, tornou-se uma das desculpas esfarrapadas, porque Waldemar deveria ter sido “mais duro” com os jogadores. Ora, por quê? Os mesmos tinham crédito com ele. Sob seu comando, tinham perdido somente para Corinthians e Palmeiras, fora de casa, o que não é nenhum assombro. Por outro lado, conseguiram vitórias importantes dentro da Ilha, além de arrancarem pontos inesperados nos empates com o Flamengo, no Rio, e Internacional, em Porto Alegre.

Quem veio para botar ordem na casa e salvar o time do rebaixamento? Sérgio Guedes? Melhor nem comentar sobre... Até porque, do jeito que Brasileirão anda, mesmo este treinador pode conseguir a façanha de tirar o Leão do Z4.

Verdade é que Sport não capitalizou o título da Copa do Brasil. Longe disso, foi lenta e progressivamente enfraquecendo o elenco, desmontando o padrão de jogo, fazendo os adversários perderem o respeito pela Ilha do Retiro. Mesmo com mais cacife financeiro, levou a pior em inúmeras quebras de braço por jogadores. Repetiu a péssima fórmula de remontar (e mal) o elenco às vésperas do início do Brasileirão, e de trocar de treinador a poucas rodadas do fim do certame. Em outras palavras, e novamente: está lutando com afinco para cair.

Sou alvirrubro, mas esse negócio de crônica esportiva deixa o sujeito assim, mole, querendo “bem do futebol pernambucano”. Assim, para o “bem” do torcedor do Sport, espero que seja verdadeira a máxima de Nego-Pai, um bêbado de meus tempos de infância interiorana.

As vez agente pedi pra caí, mai a estrada si intorta ajeitada, mói de salvá o fio de Deus.

* Cristiano Ramos é jornalista e assina a coluna Na Diagonal, publicada todas as terças-feiras, no Blog do Torcedor.

Nota: O texto não reflete, necessariamente, a opinião do Blog do Torcedor

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Marcelo Cavalcante
é editor do Blog do Torcedor com Thiago Wagner , Wladmir Paulino e Rômulo Alcoforado
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