Blog Ciência e Meio Ambiente

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Folia com protesto

POSTADO ÀS 16:10 EM 17 DE Fevereiro DE 2012

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estudo

Falhas em geradores das usinas nucleares nos EUA causam alerta

POSTADO ÀS 12:16 EM 17 DE Outubro DE 2011

ATLANTA, ESTADOS UNIDOS - Desde abril, quatro geradores que alimentam sistemas de emergência de usinas nucleares nos Estados Unidos falharam, uma série de incidentes incomuns que atraiu a atenção de inspetores federais e pode levar o setor a reexaminar seus planos de manutenção.

Nenhuma das falhas ameaçou a população. Mas os geradores a óleo diesel têm a função crucial de fornecer eletricidade para o sistema de refrigeração que evita que o combustível nuclear quente e radioativo superaqueça, derreta e lance radiação para o meio ambiente.

Foi isso que aconteceu neste ano quando a usina nuclear de Fukushima Dai-ichi, no Japão, ficou sem seu sistema de reserva de resfriamento após um terremoto e tsunami.

Três geradores a diesel não funcionaram depois da passagem de tornados pelo Alabama que derrubaram linhas de transmissão elétrica que servem a usina nuclear de Browns Ferry, pertencente à Tennessee Valley Authority (TVA) às margens do rio Tennessee em abril. Duas falhas ocorreram por problemas mecânicos e um gerador não estava disponível porque estava em manutenção programada.

Outro gerador falhou na usina North Anna na Virgínia após um terremoto em agosto. Os geradores não funcionaram quando necessário em pelo menos doze outras circunstâncias desde 1997 por causa de falhas mecânicas ou porque estavam em manutenção, segundo uma análise da Associated Press sobre os relatórios compilados pela Comissão Nuclear Regulatória dos Estados Unidos (NCR, pela sigla em inglês).

"Para mim, não se trata de algo alarmante", disse Michael Golay, professor do Massachusetts Institute of Technology (MIT) que estuda os riscos de usinas nucleares. "Mas, se essa tendência continuar, certamente temos de olhar para a questão. "

No mínimo, as falhas fizeram com que inspetores da comissão nuclear aumentassem a atenção sobre as usinas onde os problemas aconteceram. Além disso, funcionários do setor e acadêmicos dizem que os incidentes podem levar a comissão a advertir formalmente as operadoras de usinas nucleares sobre as falhas recentes e fazer com que as empresas do setor reavaliem o que pode desativar um gerador.

Algumas pessoas ligadas ao setor acreditam que esses acontecimentos podem influenciar nas novas regras que a comissão vai lançar em resposta à crise no Japão.

A falha de um único gerador não é uma calamidade. Todos os reatores têm pelo menos um gerador de reserva e em alguns casos, mais de um. Se os geradores a diesel falharem, as usinas nucleares podem funcionar em segurança com baterias durante horas ou usar bombas movidas a vapor para manter a água de refrigeração fluindo.

Mas a perda de toda a energia de emergência - incluindo os geradores a diesel - representa uma crise. Isto aconteceu em 11 de março quando um terremoto e um tsunami desativaram todos os geradores a diesel na usina japonesa. Três dos seis reatores derreteram. Houve explosões na instalação e a liberação de radiação exigiu a evacuação de cerca de 100 mil pessoas.

Nos Estados Unidos, uma média de cerca de um gerador a diesel por ano falhou quando requisitado desde 1997. Investigadores do governo, que examinaram as falhas dos geradores a diesel nos Estados Unidos de 1997 a 2003, calcularam que a probabilidade média de um gerador a diesel falhar, em algum momento durante um período de oito horas, foi ligeiramente superior a 2% ou 3%, dependendo da base da dados analisada.

Apesar da baixa probabilidade, a falha de um gerador pode se tornar séria quando combinada com outros problemas, principalmente erros humanos.

Um exemplo é o acidente que cortou a energia por menos de uma hora na usina Vogtle, na Geórgia, em 20 de março de 1990. Na época, os funcionários da usina haviam acabado de instalar combustível novo no reator da unidade 1. Uma das duas linhas que fornece energia da rede para o reator foi desligada para manutenção, assim como um dos dois geradores a diesel do reator.

Um motorista que fazia entregas bateu a traseira do seu caminhão num poste, derrubando a única fonte de eletricidade que vinha da rede elétrica para o reator da unidade 1. O único gerador disponível foi ligado, mas em seguida parou de funcionar. Os funcionários da usina o religaram, mas não conseguiram fazer com que funcionasse.

Finalmente os funcionários fizeram uma ligação direta nos controles e fizeram o gerador funcionar. Neste período, as temperaturas no interior do reator subiram de 32ºC para 58ºC, mas o acidente não se tornou algo sério e não houve vazamento de radiação.

Os tornados que atingiam o sudeste dos Estados Unidos em 27 de abril interromperam linhas de transmissão, provocando a queda de energia proveniente da rede em Browns Ferry, no Alabama. Um dos oito geradores a diesel que serve os três reatores estava em manutenção. Os demais foram imediatamente ligados, fornecendo energia para a usina.

No dia seguinte, os operadores da usina perceberam um pequeno vazamento de óleo hidráulico num desses geradores de emergência, segundo relatório. O óleo, que no começo vazava uma gota por minuto, passou a jorrar. Com a instabilidade da geração de energia pelo gerador, os funcionários da usina decidiram fechá-la. Dois reatores ficaram sem seus sistemas de resfriamento por um breve período, embora nenhum dano tenha sido registrado. Outro gerador falhou em 2 de maio. Funcionários da TVA disseram que o defeito foi decorrência da má instalação do equipamento.

Inspetores do NCR na usina disseram que esperam por mais informações antes de tomarem medidas adicionais. A quarta falha aconteceu quando o maior terremoto de 177 anos na Virgínia atingiu a Estação de Energia North Anna e seus geradores de emergência a diesel foram automaticamente ligados.

Menos de uma hora mais tarde, os funcionários desligaram um gerador porque havia um vazamento de fluído refrigerante disse o Gerald McCoy, chefe de uma unidade do NCR que supervisiona inspeções federais na usina. "Estamos preocupados com o fato de que os geradores a diesel estão apresentando problemas e isso pode ser alvo de futuras inspeções", disse McCoy.

A Dominion Virginia Power diz que o problema foi causado por um defeito na vedação, que gerou o vazamento do fluido, disse o porta-voz da empresa, Richard Zuercher. A empresa de energia e funcionários do NCR ainda examinam o incidente.

Especialistas dizem que nenhum fator isolado parece conectar as quatro falhas. Nathan Ives, gerente sênior de serviços de consultoria da Ernst & Young, disse que os incidentes podem fazer com que a indústria da energia nuclear reexamine os tipos de falhas de componentes que podem desligar um gerador.

Relatórios mostram que funcionários da TVA haviam considerado previamente que o componente que causou uma das falhas em Browns Ferry poderia desligar o gerador.

Ives, experiente operador de reatores que presta consultoria sobre questões de manutenção para usinas nucleares, disse que embora não considere que as falhas representem um grande problema, ele acredita que vale a pena analisar. "Todos, incluindo eu mesmo, ficam sempre preocupados com a falha dos geradores a diesel", disse ele. John Lane, engenheiro de segurança e risco do Escritório de Pesquisa Regulatória do NCR, disse ter entrado em contato com outros cientistas para uma discussão improvisada sobre as falhas Ele disse que ainda não está claro o quão significativo são os números.

Ele comparou a situação com jogar uma moeda. Embora você espere tirar cara metade das vezes se fizer doze tentativas, é possível que haja mais caras se você jogar menos vezes.

"Se você jogar uma moeda 10 vezes, você pode ter 6, 7 ou 9 caras", disse Lane. "E você aceita a questão, isso não significa que se trata de uma moeda injusta." As taxas de falha caíram consideravelmente, tendo em vista que ficavam acima de 10% nos primórdios da geração de energia nuclear, segundo relatórios da NCR.

Membros do Instituto de Energia Nuclear, um grupo lobista do setor, tinham como meta anos atrás conseguir índices de segurança de 95%, disse Alex Marion, vice-presidente de operações nucleares da entidade.

Marion disse que quando os geradores a diesel falham, os funcionários avaliam a raiz do problema e determinam se é um evento casual ou pode ser transformar um problema maior que poderia acontecer também com outros geradores. Os resultados são compartilhados por toda a indústria. Marion disse que os métodos do NRC exageram o risco de falha de geradores porque assim que um problema é identificado e solucionado, é improvável que aconteça novamente. "Estamos continuamente aprendendo, nos desenvolvendo e evoluindo'', disse ele.

Por Ray Henry, da Associated Press.

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simepe

Frente contra energia suja em Pernambuco

POSTADO ÀS 07:19 EM 16 DE Outubro DE 2011

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Caravana antinuclear em Pernambuco

POSTADO ÀS 07:26 EM 14 DE Outubro DE 2011

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usina

Governo considera reavaliar programa nuclear brasileiro

POSTADO ÀS 15:12 EM 03 DE Junho DE 2011

BRASÍLIA - O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, afirmou dia 1º que o governo brasileiro está reavaliando a política de expansão do programa nuclear do país até 2030, que, por enquanto, resume-se às três usinas de Angra dos Reis, no Sul Fluminense. Ou seja, não há garantias de que as quatro novas usinas já anunciadas sairão do papel. Apesar da declaração, nos bastidores, o governo considera remota uma revisão dos planos.

Na última segunda-feira, a Alemanha — que tem quase 30% de seu consumo energético abastecido por usinas nucleares — anunciou que encerrará esse tipo de geração até 2022. A tecnologia alemã é a base de operação das usinas brasileiras.

— Nossa política de energia nuclear está mais ou menos circunscrita às duas térmicas existentes (Angra 1 e Angra 2) e, agora, à construção de Angra 3. Há previsão de mais quatro usinas, mas é uma previsão, dentro dos conceitos e da política energética do Brasil — disse Lobão.

No planejamento energético brasileiro, existe a previsão de construção de quase uma dezena de hidrelétricas, quatro das quais eram dadas com certas. No governo, há muitos defensores da matriz nuclear, devido ao progressivo encarecimento da energia hidrelétrica, por conta de custos ambientais e de distância, com a exploração do potencial da Amazônia, além da questão ecológica. Mas Lobão disse que o governo atua com cautela: — Essa previsão (de quatro novas usinas nucleares) está sendo reavaliada pelo Ministério de Minas e Energia e pelo Conselho Nacional de Política Energética.
Não há decisão, ainda, da instalação de novas usinas.

Lobão avalia que as usinas brasileiras estão entre as mais seguras do mundo. Mas admitiu que a reavaliação do plano nuclear está ligada ao acidente em Fukushima, no Japão: — Após esse episódio no Japão, eu, como ministro, tomei a iniciativa de determinar uma avaliação da segurança das usinas nucleares, o que não quer dizer que se vai prosseguir ou não. Estamos num processo de reavaliação.

Já o ministro de Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, afirmou que caberá à presidente Dilma Rousseff decidir se a política nuclear terá ou não mudança. Ele disse que, hoje, uma das grandes dúvidas é saber como a Alemanha substituirá esse tipo de energia por fontes renováveis e não poluidoras.

Na noite do dia 1º, o governo driblou forte resistência da oposição e conseguiu aprovar no Senado a Medida Provisória (MP) 517, que estabelece regime especial de tributação para construir usinas nucleares. O texto vai à sanção presidencial e inclui a prorrogação da Reserva Geral de Reversão (RGR), encargo que forma um fundo de compensação e arrecada R$ 2,5 bilhões por ano do setor elétrico. O líder do PSDB, senador àlvaro Dias (PR), criticou o incentivo à instalação de novas usinas em meio a discussão mundial questionando essa fonte de energia.

O Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento de Usinas Nucleares (Renuclear) tem como principal alvo a construção de Angra 3, já que valerá para projetos aprovados até dezembro de 2012. O Renuclear isenta de pagamento de IPI e Imposto de Importação as compras de equipamentos, insumos e materiais de construção, para a instalação desses projetos.

Já a RGR, cuja cobrança significa cerca de 2% da conta de luz, foi estendida por 25 anos. A previsão era de que o fundo, criado em 1957, fosse extinto em dezembro de 2010. O governo argumentou que ele era necessário para bancar programas de universalização de energia. A conta acumulada da RGR está em R$ 15 bilhões.

Texto de Chico de Gois, Eliane Oliveira, Adriana Vasconcelos e Mônica Tavares (Agência Globo)

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energia limpa

Alemanha renunciará à energia nuclear a partir de 2022

POSTADO ÀS 11:09 EM 30 DE Maio DE 2011

BERLIM - A Alemanha, a primeira grande potência industrial que renuncia à energia nuclear, decidiu nesta segunda-feira fechar os últimos reatores do país em 2022 após a catástrofe da central nuclear japonesa de Fukushima.

"Após longas consultas, a coalizão chegou a um acordo para dar fim ao recurso à energia elétrica", declarou o ministro do Meio Ambiente, Norbert Rottgen, após sete horas de negociações no escritório da chanceler Angela Merkel.

Quatorze dos 17 reatores alemães não estarão mais em serviço no fim de 2021 e os três últimos - os mais novos - serão utilizados até 2022 no mais tardar, explicou o ministro, que chamou a decisão de "irreversível".

Os sete reatores alemães mais antigos já haviam sido desconectados da rede de produção de energia elétrica, à espera de uma auditoria solicitada em março por Angela Merkel após a catástrofe da central nuclear de Fukushima. Os sete - além de um oitavo, que registra falhas reiteradas - não serão mais reativados, segundo o ministro. O governo formalizará a decisão em 6 de junho.

A Alemanha terá que encontrar até 2022 uma forma de produzir 22% de sua energia elétrica, atualmente assegurados pelas centrais atômicas. "Nosso sistema de energia deve e pode ser fundamentalmente modificado", afirmou Angela Merkel nesta segunda-feira.

Os Verdes, que viram sua popularidade disparar após o acidente de Fukushima, insistem na necessidade de recorrer às energias renováveis, ao invés das centrais de carvão. "Não se trata apenas de saber como sairemos da energia nuclear, mas também a que velocidade, e com que ambição, ingressamos nas energias renováveis", destacou Claudia Roth, uma das líderes dos Verdes.

Ao decretar o fim da era nuclear civil em 2022, Merkel retoma uma das promessas mais importantes do início de seu segundo mandato, que foi também uma das principais de sua campanha para as legislativas de 2009. No fim de 2010, a chanceler alemã conseguiu aprovar uma prorrogação de 12 anos em média para a duração legal da exploração dos reatores do país, contra a opinião pública do país, o que provocou uma explosão do sentimento antinuclear na Alemanha. O governo precedente de social-democratas e Verdes prometera deter o programa nuclear.

Com a decisão do fim do ano passado, Merkel provocou um aumento dos sentimentos antinucleares na Alemanha, que se traduziram em grandes manifestações, a última delas no sábado, com 160.000 pessoas em 20 cidades do país. Mas o momento decisivo foi a catástrofe da central nuclear de Fukushima em março.

Merkel paralisou imediatamente as centrais mais antigas e iniciou um debate sobre o abandono do programa nuclear civil. A mudança foi considerada uma manobra oportunista e não impediu a derrota em 27 de março nas eleições regionais de Bade-Wurtemberg (sudoeste), reduto eleitoral dos conservadores, que governavam a região há 50 anos.

Os conservadores perderam o governo local para os Verdes, que pela primeira vez assumiram o controle de uma região. O governo de Merkel terá agora que enfrentar a previsível irritação do poderoso lobby nuclear alemão, que não hesita em mencionar o fantasma de apagões no país, especialmente no inverno.

Da Agência France Presse.

 

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mobilização

ONGs pedem que governo da Alemanha desista de apoiar usinas nucleares no Brasil

POSTADO ÀS 16:06 EM 04 DE Abril DE 2011

RIO DE JANEIRO (RJ) - Movimentos ambientalistas pediram a autoridades da Alemanha que desistam do acordo com o Brasil que prevê um subsídio de 1,3 bilhão de euros (cerca de R$ 3 bilhões) para a construção da usina nuclear de Angra 3, no município de Angra dos Reis (RJ). A iniciativa partiu da ONG Urgewald e de outras dez instituições, que assinaram carta enviada à chanceler Angela Merkel e aos ministros da Economia, das Finanças e das Relações Exteriores, segundo a BBC Brasil.

No documento, as ONGs alegam que o Brasil é um país com baixos padrões de segurança e não conta com uma fiscalização nuclear independente. Como argumento, citam o caso de Angra 2 — também resultado de uma parceria com a Alemanha —, que funciona há dez anos sem uma licença permanente.

Os ambientalistas alegam ainda que o projeto de Angra 3, feito nos anos 80, está ultrapassado. E que, por isso, apresenta sérios problemas relativos à segurança das pessoas e do ecossistema.

Desde a década de 70, a Alemanha colabora com o programa nuclear brasileiro. No caso de Angra 3, o país se comprometeu em subsidiar a empresa alemã Siemens, que forneceria equipamentos e insumos para construir a usina. Este tipo de subsídio estatal tem o objetivo de proteger empresas alemãs em caso de fracasso de empreendimentos no exterior. Ano passado, a Alemanha reafirmou seu compromisso com Angra 3, mas nenhum contrato chegou a ser assinado entre os dois países.

— A região prevista para Angra 3 sofre fortes chuvas e está sujeita a deslizamentos. Em casos como estes, a rota principal de fuga, a Rio-Santos, geralmente é interditada. Se houver acidentes, será preciso retirar cerca de 170 mil pessoas dali. Sem a rodovia, fica difícil — disse Barbara Happe, consultora da ONG Urgewald, que já morou no Brasil.

Da Agência Globo.

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fraude

Ilegalidade no licenciamento ambiental de Angra 3

POSTADO ÀS 16:01 EM 04 DE Abril DE 2011

RIO DE JANEIRO (RJ) - Uma alteração — ainda mal explicada — tirou do texto final da licença de instalação da usina nuclear de Angra 3, concedida no final de 2009, o item que obriga a Eletronuclear a assumir a manutenção e o custeio de duas importantes unidades de conservação na região de Angra dos Reis, o Parque Nacional da Serra da Bocaina e a Estação Ecológica (Esec) de Tamoios. A exigência, que constava da licença prévia, de 2008, simplesmente desapareceu.

Até hoje, o convênio em que a Eletronuclear se compromete a repassar R$ 13 milhões em cinco anos para o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, que administra as unidades, não foi assinado. Para especialistas em licenciamento ambiental, a situação é atípica e irregular. Reportagem do GLOBO, há uma semana, mostrou que a Eletronuclear contratará uma auditoria para reavaliar a segurança das encostas no entorno das usinas de Angra 1 e Angra 2.

Com grande área de Mata Atlântica nativa, o Parque Nacional da Serra da Bocaina, da década de 70, e a Esec de Tamoios, de 90, foram criados como uma forma de proteção ao meio ambiente justamente em decorrência da instalação das usinas nucleares na região. A inclusão das unidades no rol das condições para a instalação de Angra 3 foi considerada uma vitória do ministro do Meio Ambiente na época, Carlos Minc, atual secretário do Ambiente do estado.

Minc também incluiu na licença prévia outras exigências que chegaram a gerar polêmica: a Eletronuclear deveria se comprometer com a construção de um repositório — destino final para o lixo atômico, que está até hoje em depósitos iniciais no terreno das usinas —, contratar um monitoramento ambiental de um órgão externo e destinar recursos para as obras da estrada Paraty-Cunha. Esta última é uma importante rota de fuga em caso de acidente, que ainda não saiu do papel por não terem ainda sido cumpridas exigências feitas pelo Ibama.

Minc disse ter sido surpreendido pela notícia de que a exigência relativa às unidades de conservação não consta mais da licença de instalação. Ele revelou que, quando ainda estava à frente do Ministério do Meio Ambiente, recebera a denúncia de que o item havia sido subtraído do documento e exigiu do então presidente do Ibama, Roberto Messias Franco, que fosse feita uma retificação.

— Era uma ilegalidade. Disseram na época que um conselho consultivo tinha solicitado por escrito a retirada do item. Mas alterar um documento desta complexidade só pode ser feito em casos muito excepcionais, depois de uma análise muito criteriosa. Exigi a reparação e fui informado que ela havia sido feita — diz o ex-ministro Minc.

O assessor de responsabilidade socioambiental da Eletronuclear, Paulo Gonçalves, informou hoje que, para a empresa, a exigência continua valendo e será cumprida, independentemente de não constar da licença de instalação. Segundo ele, as condições são cumulativas e, sendo assim, a licença de instalação não anula os termos da licença prévia.

Gonçalves explicou ainda que o convênio com o Instituto Chico Mendes ainda não foi assinado porque a empresa está verificando junto ao Ibama se os recursos investidos poderão ser abatidos do percentual que os empreendimentos com impacto ambiental têm que fazer em unidades de conservação. Pela Lei do Snuc (Sistema Nacional de Unidades de Conservação), no mínimo 0,5% do total do custo do empreendimento deve ser destinado a unidades de conservação.
— Caso contrário, a empresa estará sendo penalizada porque já consta entre as condicionantes o custeio das unidades. Estaríamos pagando duas vezes — afirma o assessor da Eletronuclear.

Para o advogado especialista em direito ambiental Rogério Zouein, a subtração da exigência relativa às áreas de conservação é um absurdo: — Há indícios graves de irregularidade. E, se fosse séria a informação da empresa de que, para ela, a exigência continua valendo, já deveria ter assumido as unidades, o que não aconteceu. Se nada fez, não devia nem ter obtido a licença de instalação.

Zouein considera inaceitável a justificativa da Eletronuclear de que ainda não cumpriu a exigência porque pretende abater os valores do percentual estabelecido pela Lei do Snuc: — A empresa deveria ter feito a alegação antes de aceitar a exigência.

Paulo Affonso Leme Machado, professor de direito ambiental da Universidade Metodista de Piracicaba (Unimep) e um dos maiores especialistas no assunto do Brasil, também chama atenção para o fato de que a licença de instalação não pode ser concedida sem que a licença prévia tenha sido adequadamente cumprida.

— É uma ilegalidade que fere o processo lógico do licenciamento. Uma mudança é algo atípico, que só pode acontecer a partir de estudos muito sérios. Uma licença não é um ato cosmético em que você vai sobrepondo camadas até acertar o que for melhor para o empreendimento. É por isso que se faz, por exemplo, o estudo prévio de impacto ambiental, o Eia/Rima — observa Machado. Coordenador regional do Instituto Chico Mendes até o ano passado e ex-superintendente do Ibama no Rio, o analista ambiental Rogério Rocco classifica o episódio de estelionato ambiental.

— O descrédito do licenciamento é muito grande. ê um cheque sem fundo. A sociedade tem a crença de que as exigências vinculadas serão cumpridas, as usinas entram em funcionamento e não há cumprimento algum — critica Rocco.
O ex-presidente do Ibama, Roberto Messias Franco, que assina as duas licenças, não foi localizado para comentar o fato. Procurado, o Ibama também não retornou as ligações.

Texto de Carla Rocha (Agência Globo).

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acidente nuclear

Vazamentos em Fukushima contaminam oceano e preocupam autoridades

POSTADO ÀS 14:41 EM 27 DE Março DE 2011

 SENDAI, Japão  - O Japão anunciou neste sábado ter detectado no mar, perto da avariada central nuclear de Fukushima, níveis de iodo radioativo 1.250 vezes acima do permitido, aumentando ainda mais o temor de que a blindagem de um dos reatores tenha sofrido uma fissura. Esta grande concentração de iodo radioativo agrava o risco de contaminação alimentar dos frutos do mar, tão apreciados pelos japoneses. Horas, antes, o primeiro-ministro japonês, Naoto Kan, admitiu que a situação segue "imprevisível" em Fukushima.

A Agência de Segurança Nuclear japonesa anunciou neste sábado um índice de iodo radioativo 131 1.250 vezes superior ao padrão, após uma série de testes realizados na água do mar pela companhia Tokyo Electric Power (Tepco), operadora da central.

"Se alguém bebe 50 centilitros de água com esta concentração de iodo atingirá de uma só vez o limite anual que pode absorver. É um nível relativamente elevado", explicou um porta-voz da agência. O mesmo funcionário destacou que a radioatividade registrada na costa "se diluirá com a maré, impedindo que uma concentração muito alta seja absorvida por algas e animais marinhos".

"A concentração de iodo cai à metade a cada oito dias e quando a população efetivamente tiver acesso a estes produtos do mar, seu volume estará reduzido de maneira significativa", explicou. A Tepco também registrou uma concentração 80 vezes superior ao limite legal de césio 137, substância radioativa que só se reduz à metade cada 30 anos.

O índice de iodo 131 já estava 126 vezes acima do padrão na terça-feira passada no litoral do Pacífico próximo à central de Fukushima Daiichi. O governo japonês decretou então um reforço no controle sobre peixes e mariscos procedentes da costa atingida. Um nível elevado de radioatividade foi detectado em uma alface vermelha, mais recente verdura incluída na lista negra dos consumidores, embora o nível aferido não represente riscos à saúde, indicou o governo neste sábado. Especialistas da organização ambientalista Greenpeace começaram neste sábado a medir os níveis de radioatividade fora da zona de exclusão de 20 quilômetros em torno da central.

O Greenpeace acredita que "as autoridades têm sistematicamente minimizado os riscos e o alcance da contaminação radioativa", declarou em um comunicado Jan van de Putte, porta-voz do grupo. A contaminação levou o governo japonês a proibir a distribuição de leite e de alguns vegetais produzidos nas regiões mais próximas à usina de Fukushima.

Fukushima Daiichi, situada 250 km a nordeste de Tóquio, foi varrida por um tsunami de 14 metros que interrompeu o fornecimento de energia e provocou o colapso na refrigeração dos reatores, após a paralisação das bombas d'água, iniciando uma crise nuclear.Até o momento, o governo contabiliza 10.151 mortos e 17.053 desaparecidos no último balanço da catástrofe. 

Da Agência France Presse. Acima, pesquisadores franceses medem níveis de radioatividade. Fotos:  Kenzo Tribouillardar/AFP.
 

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Fukushima

Governadores do Nordeste admitem rever construção de usinas nucleares na região

POSTADO ÀS 14:32 EM 24 DE Março DE 2011

BRASÍLIA - O acidente nuclear ocorrido há duas semanas na Usina de Fukushima, no Japão, voltou a colocar em pauta, em todo o mundo, a segurança das usinas nucleares. E, no Brasil, alguns governadores do Nordeste decidiram reavaliar se região deve receber uma das quatro novas usinas que o governo federal pretende construir no país até 2030.

"Quem é que vai, em meio à atual discussão, [dizer] "eu quero agora uma usina nuclear para o meu estado". Só se for idiota. E eu não sou idiota", disse o governador do Piauí, Wilson Martins (PSB), na quarta (23). Martins fez questão de frisar que "não recuou" da disputa com outros estados nordestinos cotados para abrigar uma das usinas, mas deixou claro que o projeto a cargo do Ministério de Minas e Energia deve ser "repensado".

"Agora, mudou tudo. O mundo inteiro está repensando os investimentos em energia nuclear, até então considerada segura e limpa. E o Piauí, assim como o Brasil como um todo, não vai deixar de repensar também", afirmou o governador, alegando que a situação exige bom-senso.

O governador de Sergipe, Marcelo Déda (PT), também já havia mencionado, em nota, a necessidade de o país rediscutir a expansão da matriz nuclear com segurança. "A pretensão do estado de Sergipe em disputar a instalação de uma usina no nosso território pressupõe garantias plenas de segurança das instalações. Sem essas garantias, não há como defender tais empreendimentos", afirmou o governador, cuja preocupação recebeu o apoio inclusive do setor produtivo sergipano.

"Apoiamos a decisão de que a instalação de uma usina nuclear em Sergipe deve ser precedida por uma reavaliação dos sistemas de segurança atualmente em vigor", manifestou o Fórum Empresarial de Sergipe em um documento redigido em reunião no dia 15. "Cabe-nos, porém, alertar que uma ação isolada de Sergipe não é eficaz, pois o risco para nossa população é semelhante se [uma usina for] instalada em regiões limítrofes, sendo assim sugerimos uma ação integrada com os demais estados nordestinos".

O governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), também tem repetido que a população pode ficar tranquila pois qualquer decisão quanto à instalação de novas usinas deve demorar ao menos quatro anos, tempo suficiente para que os aspectos de segurança sejam discutidos. A cidade pernambucana de Itacuruba, a 460 quilômetros da capital, Recife, foi apontada pela Eletronuclear como uma das melhores opções para a instalação de uma usina nuclear no Nordeste.

"Entendemos as preocupações de muitos quando ocorrem eventos como os do Japão. De fato, é preciso avançar ainda mais nos estudos sobre a segurança das plantas, inclusive em situações extremas, como o recente terremoto. No caso brasileiro, porém, temos que entender que nosso programa nuclear é muito maior que uma usina nuclear e não pode ser estigmatizado. Visa, por exemplo, a desenvolver aplicativos para a área médica, propiciando diagnósticos e tratamentos de muitos males, como o câncer. No tocante à geração de energia, é preciso ter em mente que não há qualquer decisão para a construção de novas usinas no Brasil. É só olhar nosso planejamento plurianual para ver que não há previsão orçamentária nem decisão política tomada pelo governo", disse.

Na terça-feira (22), o ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, assegurou que o Brasil não tem pressa para construir novas usinas e, quando isso ocorrer, será muito mais rigoroso na questão da segurança das novas instalações, em conformidade com os novos padrões adotados internacionalmente após a tragédia japonesa.

O Brasil tem duas usinas nucleares em operação, Angra 1 e 2, ambas administradas pela Eletronuclear, subsidiária da Eletrobras. Angra 3 está em fase de construção. Na quarta (23), quando perguntado se o governo pode desistir de construir as quatro novas usinas, o presidente da Eletrobras, João da Costa Carvalho Neto, disse apenas que a decisão cabe ao Conselho Nacional de Política Energética e à Presidência da República.

Da Agência Brasil
 
 

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agenda

Acidente nuclear em Fukushima é tema de palestra

POSTADO ÀS 12:42 EM 21 DE Março DE 2011

Nesta terça, a partir das 10h,  o professor Jorge Barón, da Escola de Engenharia da Universidade Nacional de Cuyo, da Argentina,  realiza palestra intitulada "El accidente nuclear en Fukushima, situación y expectativas." O evento, aberto ao público, ocorre no auditório do Centro Regional de Ciências Nucleares do Nordeste (CRCN-NE), na Cidade Universitária. Informações: crcn@cnen.gov.br e 3797-8018.

 

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ENTREVISTA JOÃO PAULO AGUIAR

O dilema energético brasileiro

POSTADO ÀS 07:46 EM 21 DE Março DE 2011

Publicado em 20.03.2011, no Jornal do Commercio. Foto: Robert Fabisak/JC Imagem, 20-03-2011.
 
Engenheiro, especialista no setor elétrico e diretor da ONG Ilumina, João Paulo Aguiar dedicou 50 anos da sua vida à geração de energia no Nordeste. Defensor do modelo apoiado na construção “racional” de usinas hidrelétricas, ele comenta que o atual impasse que vive o País é uma “escolha de Sofia”: ou atende a crescente demanda por energia elétrica com a construção de novas hidrelétricas, bastante atacadas por ambientalistas nos últimos anos, ou aposta em termelétricas nucleares, que passaram a ser repensadas em todo o mundo depois da sucessão de catástrofes naturais no Japão - país em estado de alarme com a possibilidade de uma tragédia radioativa. Na entrevista concedida ao repórter Felipe Lima, Aguiar comenta o cenário de desafio vivido pelo Brasil
 
JORNAL DO COMMERCIO - O Brasil precisa gerar energia através de usinas nucleares? Sim ou não? E por quê?
 
JOÃO PAULO AGUIAR - Primeiro não dá para responder assim, dessa forma maniqueísta. Energia elétrica é tão importante para os humanos modernos quanto é o sangue que corre em nossas veias. Imagine ficar sem energia elétrica durante 10 dias no Recife. Tudo hoje depende dela, a sua saúde, a de milhares de pessoas, cujas vidas dependem de aparelhos de sobrevida, para andar no trânsito. E a energia surgiu no fim do século XIX. É um bem relativamente recente na história do homem. Só existem hoje três fontes de energia para atender grandes blocos de consumo. A hidreletricidade, a térmica convencional, que queima, principalmente, combustíveis fósseis, e a térmica nuclear, que está em questão agora. Os defensores do meio ambiente, os caras que são contra hidrelétricas e contra a nuclear, não conseguirão, certamente, e você pode pegar o mais histérico dos ambientalistas, encontrar uma outra forma para atender esses grandes blocos de energia.
 
JC - O que são esses grandes blocos?
 
AGUIAR - É uma cidade como Recife, um porto como Suape, uma indústria como a refinaria. Dá para colocar em uma casa de campo um painel solar, um pequena turbina eólica. Fontes alternativas como essas são importantes e devem ser aprofundados os entendimentos sobre elas, mas não é possível atender grandes demandas sem a hidreletricidade, a térmica convencional ou a nuclear. A Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf) venceu a licitação para implantar, na margem esquerda do lago de Sobradinho, uma “fazenda eólica”. Uma das maiores do Brasil. São 120 torres, com potência de geração de 1.500 Quilowatts (Kw) cada uma. Um total de 180 megawatts (MW). É uma grande instalação. E eu fico muito feliz com a sua implementação. Pequenos produtores vão receber royalties por conta das torres que serão colocadas nas suas terras. Mas todas elas vão gerar o mesmo que uma única máquina da hidrelétrica de Sobradinho. E Sobradinho é uma pequena usina, com seis geradores de 175 MW cada. Gera menos, na verdade. Enquanto um reservatório disponibiliza água de forma contínua, em um dia pode haver cinco ou seis horas de calmaria, sem vento. Ou seja, a fonte que hoje é mais citada, pois temos os melhores ventos, não gera grandes blocos de energia. É complementar. Pode ser que daqui a 50 anos apareçam outra fontes para alta geração. No momento, para atender o crescimento das necessidades do País não há outro caminho.
 
JC - Está se chegando a um limite de construção de novas hidrelétricas que justifique o avanço nos planos de expansão na geração de energia nuclear no Brasil?
 
AGUIAR - A térmica convencional vai de poluidora, movida a gás natural, a altamente poluidora, que são aquelas abastecidas por carvão. E ela vai de razoavelmente cara a extremamente cara, que é o caso do diesel, combustível nobre para ser queimado. Tem que se ter a coragem. É a escolha de Sofia. Na minha percepção de cidadão e de quem mexeu com energia por 50 anos, esse é o cenário do Brasil. Para atender o crescimento do seu mercado, a natureza nos deu a hidreletricidade. E os homens dominaram o átomo e desenvolveram as usinas termonucleares. São limpas. Eficientes. Geram resíduos atômicos, mas não lançam gás carbônico na atmosfera. Veja o caso da China, eles precisam evoluir, precisam se desenvolver, logo precisam de energia elétrica. E resolveram fazer hidrelétricas e nucleares. Fundamentalmente no caso do Brasil, ou se opta pela hidreletricidade ou pela nuclear. E houve, por mais de uma década, uma campanha para satanizar as hidrelétricas. Que elas agridem o homem e a natureza.
 
JC - Sim, mas existe o impacto, isso não dá para negar. Assim como a nuclear apresenta seus riscos.
 
AGUIAR - É por isso que eu digo se tratar de uma escolha de Sofia. Vamos nos deter um pouco em hidreletricidade. Eu tenho certeza que, em todas as hidrelétricas onde participei da construção, Sobradinho, Xingó e Boa Esperança, os rios Paranaíba e São Francisco mudaram, mas não foram piorados. Em Sobradinho, a de maior impacto, reduziu-se o estrago das cheias. Hoje, a população é beneficiada pelo controle parcial de cheias proporcionado pela usina. A vazão hoje do rio é 100% maior em períodos de estiagem do que antes do empreendimento. De fato, você mudou a composição de nutrientes da água com o represamento. E isso provoca repercussões na hidrofauna. Quanto aos impactos nos homens, os antrópicos, tenho certeza que, seja em Sobradinho, seja em Boa Esperança, seja em Xingó, as populações impactadas pelos empreendimentos vivem bem melhor que antes, por conta do acesso ao mundo moderno. No entanto, há uma questão que os ambientalistas, uns de boa-fé, outros de má-fé, costumam explorar. Ao retirar as pessoas de um local para construir um usina, você provoca perdas materiais e perdas sentimentais. As primeiras são indenizáveis, compensáveis. Mas as segundas são impagáveis e inapagáveis. Quem morava no local onde uma hidrelétrica foi erguida e a saída não foi desejada, serão perdidas as raízes. O cemitério onde estavam enterrados os parentes vai ficar debaixo da água. O mundo deles ficará debaixo da água. Não adianta receber um apartamento de cobertura na Avenida Boa Viagem. O que vai embora é aquele cantinho. A origem de todo movimento contrário às hidrelétricas tem como origem o não-tratamento racional dessa questão. É quando entra o aforismo de Guevara: “Hay que ser duro pero sin perder la ternura”. É preciso reconhecer as perdas, porém mostrar que se trata de uma necessidade.
 
JC - Mas qual é a situação da expansão das hidrelétricas hoje no Brasil, levando em conta a disponibilidade de água?
 
AGUIAR - Se o Brasil conseguir e definir regras aceitáveis e racionais para a construção de hidrelétricas, o País tem, pelo menos, uma, chegando a duas gerações usufruindo do potencial hidrelétrico. No mínimo uns 20 anos pela frente sem precisar de usinas nucleares. Sabendo que para a perda sentimental do ribeirinho não há compensação e que as perdas bióticas têm como ser resolvidas. Agora, se houvesse no País uma operação militar, sem questionar essas perdas, chegando com a intenção de construir as usinas e acabou, você ganharia uns 30 a 40 anos. Eu ainda sonho que o Brasil vai passar essa fase do histerismo. Vamos chegar a um ponto de equilíbrio.
 
JC - Parece haver um paradoxo para quem é contrário às hidrelétricas, já que as outras opções não são boas. As termelétricas convencionais poluem muito e as usinas nucleares oferecem vários riscos.
 
AGUIAR - A gente reconhece que o estado da arte hoje são as hidrelétricas. Daqui a 50 anos tudo pode ser diferente. Hoje, parece ficção científica, mas há pessoas pensando em instalar grandes espelhos no planeta que se movimentam de acordo com o Sol e jogam o calor para um lugar onde ele será captado e poderá se aproveitar todo esse potencial natural. Isso ainda não existe. O grande problema da energia nuclear são os ciclos de fissão nuclear. Em linguagem popular, quando há a fissura do átomo há liberação de grande quantidade de calor, que esquenta a água, que gera vapor e faz as turbinas rodarem. Se a fissão não for controlada o estrago será feito. Pode ser que no futuro haja um melhor controle ou o domínio de uma tecnologia de fusão nuclear, que não apresentaria esse risco. Mas nesse assunto é preciso mencionar o caso da França. Na década de 1960, os franceses tomaram a decisão de, por não terem petróleo, os recursos hidrelétricos serem insuficientes, firmarem um acordo entre governo e mineiros de carvão, que foram capacitados, e começaram a investir em usinas nucleares. Estão aí há 50 anos sem nenhum acidente. Oitenta por cento da energia da França é nuclear. Já os italianos rejeitaram esse modelo. O que se deve ter em mente é que não existirá risco zero. A operação, por exemplo, depende de pessoas, que podem cometer uma falha.
 
JC - Basta ver o caso do Japão. Onde o problema ocorreu nas estruturas de abastecimento de combustível das estações de resfriamento.
 
AGUIAR - Justamente. Vale lembrar que, por exemplo, desde o surgimento da aviação comercial, as empresas do setor, a toda hora, recebem notas de fabricante para efetuarem alterações nos sistemas de segurança. Nunca haverá risco zero de um avião cair. Assim como não há risco zero de um acidente nuclear. Catástrofes como a do Japão servem para que haja uma atualização nas medidas de segurança. O acidente foi uma pancada terrível. Mas de onde serão retirados bons resultados. Vão aparecer as instruções de que no momento de projetar uma usina nuclear, será necessário um reforço nos circuitos complementares tão grande quanto aquele implementado na construção da cúpula de uma usina nuclear, que resiste até a um choque de uma avião do tipo Boeing.
 
JC - Antes da notícia de que a cidade pernambucana de Itacuruba, no Sertão, ter sido apontada como uma das favoritas para receber uma usina nuclear, houve um apagão na região Nordeste que deixou sete Estados no escuro...
 
AGUIAR - Não foi por falta de geração, respondendo logo sua pergunta. Absolutamente não foi por isso.
 
JC - Então não seria o indicativo da necessidade da uma usina nuclear aqui na região?
 
AGUIAR - Não. O que aconteceu foi um desligamento de linha de transmissão. Nesse instante, agora, em que estamos conversando, uma linha tenha caído e nós não estamos sentindo. O que houve na subestação de Itaparica foi um problema no retorno do sistema. Os equipamentos podem ter agido de forma errada e transmitiram informações equivocadas, no caso a tal da cartela. Ou houve uma falha humana. Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) ou Chesf. Ou os dois. Vamos passar muito tempo para saber exatamente o que aconteceu.
 
JC - Pernambuco hoje sofre com a falta de mão de obra qualificada. Na opinião do senhor, que participou da construção e operação de usinas hidrelétricas, será muito difícil arregimentar trabalhadores para atuarem em uma usina nuclear aqui?
 
AGUIAR - Não me sinto preocupado se hoje dissessem que será construída uma usina nuclear no Estado. Porque ela levará seis, sete anos para ser construída. Com um, dois ou três profissionais maduros para cada dez verdes é possível treinar e formar essa mão de obra.
 
JC - Qual a relação entre o esvaziamento político da Chesf e a implantação de uma usina nuclear no Nordeste?
 
AGUIAR - Vejo com muita tristeza que, por conta das manobras do modelo mercantilista implantado por FHC e continuado por Lula, a Chesf tenha perdido a importância para o Nordeste e que não tenha ganho novas tarefas nobres. Desde a sua operação inicial, em 1954, até 1995, a Chesf era responsável por atender as necessidades energéticas da região. Identificava a carga necessária e estudava a infraestrutura para atender um novo projeto industrial, por exemplo. Não sou saudosista para voltar a essa condição. Mas buscar o máximo de lucro para o acionista é um absurdo. Energia elétrica é um serviço público essencial. Ele deve ter tarifas módicas e lucro suficiente para expansão, mas não visando a maximização do lucro. Esse é o grande crime do modelo mercantilista. Vejo um espaço tremendo para a Chesf assessorar o Nordeste sobre o que é melhor para a região em termos de energia elétrica. Exemplo: o governo federal transformou o Nordeste em fundo de quintal e tudo o que é lixo veio para cá. Térmicas movidas a carvão, a diesel etc. Daria os subsídios técnicos para as decisões políticas. Deveria estar discutindo com a Eletronuclear o melhor lugar para colocar uma usinar nuclear, a divisão de potência. Mas por conta desse “freio”, não está participando.

 

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boa viagem

Mobilização contra usina nuclear neste domingo

POSTADO ÀS 07:58 EM 20 DE Março DE 2011

O Movimento Ecossocialista de Pernambuco faz mobilização contra usinas nucleares, neste domingo, com concentração prevista para as 18h, na feirinha de Boa Viagem. Os ambientalistas exigem consulta à população sobre a instalação de uma usina nuclear no Estado. Pernambuco, segundo estudo da Eletronuclear, está cotado para receber uma das quatro novas usinas projetadas pra o País. Abaixo, veja cartaz do evento.

 
 

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itacuruba

No Nordeste, projeto de usina contra “tsunami”

POSTADO ÀS 15:38 EM 19 DE Março DE 2011

Publicado em 17.03.2011, no Jornal do Commercio

Daniel Guedes (dguedes@jc.com.br)
 
Apesar de adotar o discurso de que a situação geológica no Japão é completamente diferente daquela encontrada no Brasil, a Eletronuclear projeta as usinas que devem ser construídas no Nordeste levando em conta um improvável “tsunami” no Rio São Francisco. Ao contrário do fenômeno natural ocorrido no país asiático, provocado pelo terremoto de magnitude 9, uma onda gigante no Nordeste poderia ser provocada por um rompimento da Usina Hidrelétrica de Sobradinho, instalada no trecho baiano do rio.
 
O chefe do escritório da Eletronuclear no Nordeste, Carlos Henrique da Costa Mariz, condenou a comparação feita entre Brasil e Japão, onde está localizada a usina de Fukushima, que teve reatores danificados pelo terremoto seguido de tsunami. “Não tem nada igual. Em primeiro lugar, o Brasil não é sujeito a terremotos desta magnitude. É preciso ter essa clareza para que a gente não confunda – isso é importantíssimo – o caso japonês com o caso brasileiro”, reforçou, em palestra que ministrou no último dia do congresso internacional sobre energia nuclear promovido pela Universidade Nuclear Mundial (WNU, em inglês) no Recife.
 
Mesmo assim, a empresa ligada ao Ministério de Minas e Energia cogita em seus estudos uma improvável inundação provocada pela cheia do São Francisco. “A gente já fez uns cálculos iniciais para ver o tamanho da onda que chegaria e temos locais suficientes para colocar essa usina acima dessa onda”, explicou Mariz.
 
Para ele, apenas o rompimento de Sobradinho poderia gerar uma onda gigante. Através de cálculos, os técnicos da Eletronuclear vão apontar o melhor local para instalar a usina. “De qualquer forma você está distante de Sobradinho 200 ou 300 quilômetros. Quando aquela onda vier, já vai estar amortizada. Esse impacto será calculado. Há modelos para isso”, pontuou.
 
Mariz afirmou que ainda não há uma decisão sobre onde ficarão as usinas nucleares, mas apresentou duas cidades durante sua palestra: Itacuruba, em Pernambuco, e Traipu, em Alagoas. A definição do local agora passa por Brasília. “A decisão é política. Tem que ser do governo federal com ministérios, com o Conselho Nacional de Política Energética e tem também a Câmara dos Deputados. Os próximos passos quem tem que dizer é o governo porque a gente tem que aguardar os impactos, tem que ouvir os políticos e tem que ouvir a população”, disse.

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eduardo campos

Nada definido sobre uma usina nuclear em Itacuruba

POSTADO ÀS 14:40 EM 19 DE Março DE 2011

Publicado em 18.03.2011, no Jornal do Commercio
 
Ainda em Petrolina, ontem, o governador Eduardo Campos disse que a população pernambucana não precisa se preocupar com a possível construção de uma usina nuclear em Itacuruba, no Sertão do Estado. Isso porque, segundo ele, não existe nada de concreto sobre o assunto.
 
“Há estudos, mas não se definiu isso ainda. Não há verba prevista no PPA (Plano Plurianual), nem decisão política da presidente Dilma (Rousseff). Há um caminho longo, de estudo, de discussão, de transparência junto à sociedade, antes de se tomar uma decisão como essa”, pontuou.

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brasília

Greenpeace faz protesto no Palácio do Planalto contra uso de energia nuclear

POSTADO ÀS 07:21 EM 19 DE Março DE 2011

BRASÍLIA - Ativistas do Greenpeace realizaram na sexta-feira, 18, protesto no Palácio do Planalto. O Greenpeace reivindica que a presidente Dilma Rousseff  suspenda a construção da usina nuclear de Angra 3 e todos os investimentos em energia nuclear.

Vestidos de amarelo e usando máscaras, cerca de 20 ativistas participaram da manifestação. O grupo subiu a rampa do Planalto e abriu cartazes com votos de vítimas do acidente em Chernobyl, considerado o pior acidente nuclear da História, em 1986.Os seguranças retiraram os manifestantes do local, sendo que três foram presos e levados para delegacia.

Por Gustavo Miranda (Agência Globo). Fotos: Evaristo Sá/AFP Photo.

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madri

Manifestações em toda a Espanha contra a energia nuclear

POSTADO ÀS 14:02 EM 18 DE Março DE 2011

MADRI - Manifestantes ambientalistas se reuniram na tarde da quinta-feira (17) em várias cidades da Espanha para exigir o fim da energia nuclear e o desmantelamento das seis centrais do país, pedindo que seja ouvida a "advertência" do acidente de Fukushima, no Japão.

Alguns usando máscaras e exibindo cartazes com frases como "Usinas nucleares, nem aqui nem no Japão", os manifestantes se concentraram em pequenos grupos em mais de 30 cidades espanholas, entre elas Madri, Barcelona, Sevilla e Valladolid.

As manifestações foram convocadas por organizações como a Ecologistas em Ação e o Greenpeace, que exigem o fechamento das seis centrais nucleares espanholas, principalmente duas delas, Santa María de Garoña, no norte, e Cofrentes, no leste, que utilizam uma tecnologia similar à de Fukushima.

Em Madri, cerca de 200 pessoas se concentraram na Porta do Sol, muitas delas exibindo cartazes com a frase "Todos com o Japão". "O que acontece no Japão mostra que coisas improváveis acabam de acontecer", explicou Francisco Castejón, porta-voz da Ecologistas em Ação, uma das principais organizações ambientalistas espanholas.

A Espanha anunciou na quarta-feira (16) que vai revisar os sistemas de segurança de suas centrais nucleares. Orientada para as energias renováveis, a Espanha também tenta reduzir a sua dependência do petróleo e decidiu prorrogar a vida de várias de suas centrais.

Em 2009, o governo prolongou até 2013 a atividade de Garoña, a central mais antiga do país, em funcionamento desde 1971. Em 10 de março, véspera do terremoto no Japão, o governo autorizou o prolongamento da exploração por dez anos da central de Cofrentes.

Da Agência France Presse.  Foto: Pedro Armestre/AFP Pfoto.

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ativismo online

Abaixo-assinado virtual contra usinas nucleares

POSTADO ÀS 10:22 EM 17 DE Março DE 2011

Quase 200 pessoas assinaram a petição online contra novas usinas nucleares no Brasil. Intitulada “Não queremos usinas nucleares em Pernambuco, no Nordeste e em qualquer lugar do Brasil", a campanha virtual também está no Facebook. Um dos locais cotados pela Eletronuclear, a estatal que cuida das usinas no País, é Itacuruba, no Sertão pernambucano. O local abriga um telescópio do Observatório Nacional que monitora impactos de asteroides contra a Terra e a coordenadora do projeto, Daniela Lazzaro, disse que a poluição luminosa e as nuvens geradas pelo vapor d’água inviabilizam o funcionamento do equipamento, que custou R$ 2 milhões.

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Verônica Falcão

é editora do Blog Ciência e Meio Ambiente
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