Blog Ciência e Meio Ambiente

Dia Mundial da Água

Pouco verde, água cara

POSTADO ÀS 15:58 EM 22 DE Março DE 2012

Publicado no Jornal do Commercio, em 22.03.2012. Foto: Rodrigo Lobo/JC Imagem. Infográfico: Hernanto Barbosa/Editoria de Arte do JC.

Quanto menor a floresta em áreas de captação de água, maior o custo de tratamento para a Companhia de Saneamento de Pernambuco (Compesa). É o que mostra, no Dia Mundial da Água, pesquisa comparativa realizada em dois reservatórios: o de Tapacurá, com menos de 4% de vegetação original, e o Açude do Prata, cercado de mata atlântica. No primeiro, os gastos com produtos químicos e eletricidade são quatro vezes e meio superiores.

A equipe do Centro de Pesquisas Ambientais do Nordeste (Cepan), que realizou o levantamento, quantificou em R$ 0,668 por metro cúbico de água o custo evitado com o serviço ambiental da floresta. E propõe que a Compesa pague esse valor ao Parque Dois Irmãos, área protegida do governo do Estado onde está localizado o Açude do Prata.

Tanto o Açude do Prata, informa o biólogo Severino Ribeiro Pinto, como Tapacurá são unidades de conservação estaduais. “A proteção dessas áreas demanda recursos. É justo que a Compesa pague pelos serviços ambientais prestados pela floresta para a manutenção da qualidade da água”, considera o pesquisador, presidente do Cepan.

A ONG vai apresentar na próxima terça-feira, pela manhã, os resultados do levantamento em reunião de diretoria da Compesa, vinculada à Secretaria de Recursos Hídricos e Energéticos do Estado. O gerente de Meio Ambiente da companhia, Eduardo Elvino, já tem conhecimento dos dados. “O projeto é importante, mas não posso adiantar se a Compesa vai ou não pagar pelo custo de tratamento evitado.”

O secretário-executivo de Recursos Hídricos, José Almir Cirilo, adianta que o pagamento pelos serviços ambientais, de uma forma global, vem sendo discutido pelo governo do Estado. Na opinião dele, o custo elevado do tratamento em Tapacurá, responsável por 36% do abastecimento da Região Metropolitana do Recife, não se deve apenas à ausência da mata. “Tapacurá recebe a água de rios que, antes de chegar à barragem, ainda são contaminados com esgoto doméstico, embora haja projetos de saneamento em curso na Zona da Mata Norte”, lembra.

Num dos gráficos resultantes do projeto Água do Parque, financiado pelo Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Fumbio), o Cepan mostra aumento nos custos com tratamento químico no Sistema Tapacurá. Nos últimos dois anos os gastos com substâncias como cloro subiram de R$ 0,8 para R$ 1 por metro cúbico de água. Enquanto no Sistema do Prata esse valor se manteve equivalente a R$ 0,2 por metro cúbico entre 2009 e 2011.

Hoje, o Prata fornece 130 litros por segundo. Segundo a Compesa, é responsável por 3% do abastecimento do Recife, levando água para 47 mil moradores da Zona Norte do Recife. São abastecidas pelo açude áreas como Córrego do Jenipapo, Nova Descoberta, Alto do Progresso e Alto 13 de Maio.

Além de mais limpo, o manancial é o mais antigo em operação no abastecimento público do Estado. Integrou as obras de saneamento concluídas em 1848, pela antiga Companhia do Beberibe, que precedeu a Compesa. Tinha origem nos Açudes do Prata e de Apipucos a água pela primeira vez encanada na capital.

O açude é um dos três mananciais do Parque Dois Irmãos, com 387 hectares, 264 deles de mata atlântica. No lugar funciona o zoológico, que, em fevereiro deste ano, consumiu 8.784 metros cúbicos de água.

O zoo recebe dois tipos de água da Compesa, uma bruta, captada diretamente do Açude do Prata, e outra tratada. A primeira é usada na limpeza e jardinagem e a segunda, nos bebedouros dos animais e nos tanques de bichos como lontra, pelicano, jacarés, tartarugas, tigres e hipopótamos, onde a água é trocada a cada 15 dias.

A água tratada, segundo a diretora do parque, corresponde a cerca de 70% do consumo. “É empregada na lavagem dos recintos dos bichos e das áreas onde recebem tratamento médico”, detalha Silvana Silva.

O pagamento, pela Compesa, dos serviços ambientais do Parque Dois Irmãos pode pôr fim a um calote institucionalizado há 15 anos. É que o zoológico, nesse período, deixou de pagar a conta de água. “O entendimento de administrações anteriores era de que, se o parque fornecia a água que consumia, não devia pagar por ela.”

Agora, há entendimentos entre as duas instituições estaduais para quitar a dívida. “Na negociação, o custo evitado pode, por exemplo, servir para abater do saldo devedor”, sugere Silvana Silva.

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Verônica Falcão

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