Suape se compromete a preservar
Adriana Guarda e Leonardo Spinelli
A diretoria do Complexo de Suape se apressou em apresentar projetos ambientais para compensar a supressão da vegetação nativa que dará lugar ao polo naval. O plano prevê a preservação de mangue e restinga nos estuários dos rios Massangana, Ipojuca e Pirapama, além da restauração de floresta nativa da Zona de Proteção Ecológica (ZPEc) do porto. Apesar de ser assinado por festejados especialistas da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq)/USP, os ambientalistas deram de ombros ao projeto e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) se prepara para apresentar uma contraproposta na próxima reunião do Conselho Estadual de Meio Ambiente (Consema), agendada para sexta-feira.
“Nossa intenção foi apresentar uma alternativa, mas não é um projeto fechado. Estamos abertos a discutir, ouvir os contraditórios e tentar fazer melhor”, pondera o diretor de Engenharia e Meio Ambiente de Suape, Ricardo Padilha. Ele explica que nas áreas dos estuários dos rios, a ideia é deixar intocada a área de mangue, que totaliza 1.480 hectares e recuperar a restinga com plantio de vegetação nativa. “Nosso projeto está alinhado, inclusive, com o plano diretor do município de Ipojuca, que pensou o local como área de preservação”, completa.
O principal projeto de compensação será o reflorestamento da ZPEc. Hoje, o local conta com cerca de 1.300 hectares de floresta de mata atlântica, mas a vegetação está dispersa. A proposta é fazer a ligação desses remanescentes por meio do plantio das áreas sem floresta, que consumiria um investimento médio de R$ 40 milhões. O próprio viveiro florestal (já implantado em Suape e com capacidade de produzir 400 mil mudas) poderá ser usado para o projeto de recuperação de mata atlântica.
A superintendente do Ibama em Pernambuco, Ana Paula Pontes, diz que o órgão está se antecipando à discussão em Suape e vai apresentar uma proposta na próxima reunião do Consema. “O Ibama só vai receber formalmente a solicitação de supressão vegetal depois da votação na Assembleia Legislativa e de passar pela CPRH. Mas decidimos começar a nos colocar, já que integramos o grupo de trabalho formado para discutir o assunto no âmbito do Consema”, observa. Ela afirma que dois especialistas em mangue vão elaborar uma proposta de recuperação e recomposição do ecossistema.
Ricardo Padilha assegura que o momento é de tirar os projetos ambientais do papel. “Os projetos básicos ambientais (PBAs) de Suape são de 2001. Na gestão passada quase nada avançou e muitos estavam desatualizados. Fizemos essa revisão e encaminhamos à CPRH e alguns ganharam eficácia”, afirma. A lista de PBAs trata desde projetos simples como o desenvolvimento de programas de educação ambiental até a preservação do patrimônio histórico-cultural de Suape. Outro projeto de Suape é a construção de um Centro de Tecnologia Ambiental (CTA), que será um espaço de pesquisa, com participação da academia.
Publicado no Jornal do Commercio em 25.04.2010

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