Blog Ciência e Meio Ambiente

Plantas e animais podem perder metade de seu espaço

POSTADO ÀS 07:12 EM 18 DE Maio DE 2013

PARIS - Mais da metade das espécies vegetais e um terço das animais mais comuns terão seu espaço vital reduzido à metade até 2080 se o aquecimento global continuar aumentando, segundo estudo publicado na última edição da na revista Nature Climate Change.

O aumento das emissões de gás de efeito estufa colocam o planeta em uma trajetória de aquecimento de cerca de 4°C até o final do século, em relação aos níveis pré-industriais.

Os pesquisadores da universidade britânica de East Anglia estudaram o impacto de um aumento de temperatura nas "zonas climáticas" de 48.786 espécies, ou seja, nos locais em que as condições climáticas são propícias a sua existência.

Segundo suas conclusões, cerca de 55% das plantas e 35% dos animais poderiam ver esse espaço reduzido à metade até 2080.

O risco será maior para as plantas, os anfíbios e os répteis, porque o ritmo de sua capacidade de adaptação é mais lento que o da mudança climática, dizem os pesquisadores.

As áreas mais afetadas seriam a África subsaariana, América Central, Amazônia e Austrália. Segundo a pesquisadora Rachel Warren, essas estimativas provavelmente são menores que as condições reais, já que levam em conta apenas o impacto do aumento de temperatura e não considera os eventos extremos provocados pela mudança climática como os ciclones ou as inundações.

"As populações de animais em particular poderiam desaparecer em maior proporção do que a que estimamos pela diminuição das plantas disponíveis para se alimentar", explica em um comunicado apresentado pelo estudo.

"Também haverá consequências para o homem porque há espécies que são importantes para a purificação da água e do ar, para limitar as inundações e para o ciclo de alimentação", acrescenta.

Segundo o estudo, esse impacto sobre as zonas climáticas das espécies poderia ser limitado de forma significativa, se forem tomadas medidas, rapidamente, para reduzir as emissões de gases de efeito estufa.

Se a emissão de gases de efeito estufa for limitada até 2016, uma possibilidade considerada irreal, as perdas de zonas climáticas seriam reduzidas 60% e se esse ponto máximo for alcançado em 2030, a cifra seria de 40%, conclui.

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ONU adverte que concentração de CO2 deixa o planeta em zona de perigo

POSTADO ÀS 07:02 EM 16 DE Maio DE 2013

PARIS - A concentração de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera, que superou pela primeira vez a marca de 400 partes por milhão (ppm), deixa o planeta em uma "zona de perigo", advertiu na segunda-feira (13) a diretora das Nações Unidas para o clima, Christiana Figueres.

"Com 400 ppm de CO2 na atmosfera, superamos o limite histórico e entramos em uma zona de perigo", afirma Figueres em um comunicado divulgado em Bonn (Alemanha).

"O mundo tem que acordar e perceber o que isto significa para a segurança dos seres humanos, para seu bem-estar e seu desenvolvimento econômico", completa.

Figueres destacou que "ainda existe uma oportunidade para evitar os piores efeitos da mudança climática" e fez um pedido à comunidade internacional para dar uma "resposta política capaz de enfrentar este desafio".

O observatório situado no vulcão de Mauna Loa, no Havaí, registrou na quinta-feira passada uma concentração de CO2 de 400,03 ppm, informou a agência americana oceânica e atmosférica (NOAA).

Apesar desta ser uma medida pontual, a média anual de 2013 superará sem dúvida os 400 ppm, um número simbólico que marca uma tendência inquietante do planeta para o aquecimento, segundo os analistas.

O objetivo fixado pela comunidade internacional em 2009 é manter o aquecimento global a um máximo de +2°C em relação aos níveis registrados antes da era industrial. Caso os 2ºC sejam superados, os cientistas consideram que o planeta entrará em um sistema climático marcado pelos fenômenos extremos.

Com uma média anual de 400 ppm de concentração de CO2, o aquecimento global previsto será de pelo menos 2,4°C, segundo o relatório mais recente do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC).

E as perspectivas são pessimistas: as emissões de CO2 na atmosfera não param de aumentar e, caso a tendência persista, a temperatura pode aumentar entre 3 e 5 graus.

Da Agência France Presse.

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Derretimento mais lento de geleiras

POSTADO ÀS 15:09 EM 12 DE Maio DE 2013

SÃO PAULO, SP  - Um novo estudo publicado na última edição da revista Nature usou uma sofisticada modelagem de computador para simular os efeitos do aquecimento global no degelo de quatro grandes geleiras da Groenlândia e sua consequente interferência na elevação do nível do oceano.

O grupo verificou que, muito provavelmente, o ritmo de derretimento não deve acompanhar as rápidas taxas dos últimos anos, mas isso não significa que as geleiras irão parar de diminuir. O estudo prevê que as geleiras irão acrescentar algo em torno de 19 a 30 milímetros até 2.200 em um cenário de aquecimento moderado, de de 2,8ºC. Já em um mundo 4,5ºC quente, o incremento poderia chegar a 49 mm no mesmo período.

É um estudo interessante, porque a questão específica de cenários para essas geleiras da Groenlândia não apareceu muito no último relatório do IPCC (painel da ONU sobre as mudanças climáticas). Esses novos dados já devem ser levados em consideração na publicação do próximo, em setembro, diz o climatologista José Marengo, do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).

Da Folhapress. Fotos e vídeo: Revista Nature.


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Cientistas alertam sobre rápida acidificação do Oceano Ártico

POSTADO ÀS 07:35 EM 08 DE Maio DE 2013

OSLO - O Oceano Ártico está sofrendo uma rápida acidificação devido às emissões de CO2, um fenômeno que ameaça o frágil ecossistema da região, advertiram os cientistas na segunda-feira (7).

A acidez das águas do planeta aumentou 30% desde o início da era industrial, alcançando um nível não igualado nos últimos 55 milhões de anos, lembraram os participantes em uma conferência internacional sobre a acidificação dos oceanos reunidos em Bergen (sudoeste da Noruega).

O oceano Ártico é mais vulnerável que outros porque as águas frias absorvem mais CO2 e porque recebe a água doce proveniente dos rios e do degelo, o que o torna menos apto a neutralizar quimicamente a capacidade de tornar ácido o dióxido de carbono.

Além disso, o crescente degelo durante o verão deixa descobertas superfícies marinhas cada vez maiores, que contribuem para esta absorção.

No mar da Islândia e no mar de Barents, o PH (potencial hidrogeniônico) diminuiu cerca de 0,02 por década desde o fim dos anos 1960. Ainda que as emissões de CO2 se detivessem hoje, dezenas de milhares de anos serão necessários antes que os oceanos alcancem novamente seu nível de acidez anterior à era industrial de dois séculos atrás, segundo o pesquisador norueguês Richard Bellerby, principal autor de um relatório científico sobre este tema.

Ainda pouco conhecida e de impacto desigual, de acordo com as diferentes áreas, inclusive no interior da única região do Ártico, a acidificação coloca em risco os corais, os moluscos e outros organismos com concha, como a "borboleta-do-mar" (pterópode), cuja capacidade de calcificação se vê alterada.

Algumas espécies como os ofiuroides, organismos marinhos parecidos com as estrelas do mar, estão diretamente ameaças de extinção, e os depósitos de pescado também podem ser afetados.

Em consequência, estão em jogo a pesca tradicional, o turismo ou o modo de vida das populações autóctones. No entanto, outras espécies podem tirar proveito desta acidificação crescente, observam os cientistas. "A incerteza não é uma desculpa para a inação", considerou Sam Dupont, da Universidade de Gotemburgo (Suécia).

Os cientistas convocaram a colocar novamente a luta contra as mudanças climáticas no centro das prioridades políticas e lamentaram que tenha ela sido ofuscada pela crise econômica. "Temos que olhar para além desta crise bancária", disse Carol Turley, do Laboratório de Estudos Marinhos de Plymouth (Grã-Bretanha).

Da Agência France Presse.

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Concentração de CO2 se aproxima de limite aceitável e preocupa a ONU

POSTADO ÀS 06:51 EM 01 DE Maio DE 2013

PARIS -  A funcionária da ONU responsável pelo clima, Christiana Figueres, expressou na segunda-feira (29) sua "preocupação" e fez um apelo a uma ação "urgente" ante a evolução da concentração de CO2 na atmosfera, a ponto de superar o limiar simbólico dos 400 ppm (partes por milhão).

De acordo com o Observatório Mauna Loa, no Havaí, que depende da Agência americana Oceânica e Atmosférica (NOAA), a concentração de CO2 em nosso planeta chegou a 399,72 ppm em 25 de abril.

"Estamos perto de exceder o limite de 400 ppm", declarou Figueres às delegações de mais de 190 países reunidas para preparar a rodada anual de negociações sobre a luta contra as mudanças climáticas, que terá lugar no final do ano em Varsóvia, de acordo com um comunicado da ONU.

Além disso, "recebo-os com grande ansiedade", lançou aos negociadores, expressando a necessidade "de um senso de urgência mais forte". Esta é a primeira reunião das delegações desde a conferência em Doha, no final de 2012.

A comunidade internacional fixou como meta chegar a um acordo até 2015 que exija todos os países, incluindo os dois maiores poluidores, China e Estados Unidos, a reduzir suas emissões de gases do efeito estufa (GEE). O acordo deveria entrar em vigor em 2020.

O objetivo é conter o aumento de 2°C acima dos níveis pré-industriais, o limite além do qual os cientistas acreditam que o sistema climático entrará em colapso.

Para se manter em uma temperatura entre 2°C e 2,4°C exigiria picos de concentração de CO2 entre 350 e 400 ppm (ou entre 445 e 490 ppm para todos os GEE), de acordo com o último relatório do grupo dos peritos da ONU sobre o clima, o IPCC.

Segundo o Scripps Institution of Oceanography, que trabalha com o Observatório de Mauna Loa, a concentração de CO2 poderá exceder 400 ppm em maio pela primeira vez na história humana.

Os primeiros dados registrados em março de 1958 situava-se em 316 ppm. Antes da era industrial e da utilização de combustíveis fósseis, a concentração de CO2 era estimada em 280 ppm.

O nível de CO2, o principal gás do efeito estufa, provavelmente era de 400 ppm durante o período geológico do Plioceno, entre 3,2 milhões e 5 milhões de anos atrás, quando a Terra marcava de 2 a 3 graus a mais, indica o Scripps em um comunicado.

Da Agência France Presse.

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pesquisa

Degelo na Antártica é 10 vezes mais rápido que há 600 anos

POSTADO ÀS 07:15 EM 16 DE Abril DE 2013

SYDNEY - O degelo da Antártica durante o verão é 10 vezes mais rápido que há 600 anos e acelerou nos últimos 50 anos, revela um estudo internacional divulgado na segunda-feira (15).

Os cientistas perfuraram a 364 metros de profundidade na ilha de James Ross, norte da geleira antártica, para medir as temperaturas de centenas de anos.

As camadas sucessivas nas mostram revelam o movimento de degelo e de congelamento. "Constatamos que há 600 anos havia condições mais frias na península antártica e uma menor quantidade de gelo derretido", explicou Nerilie Abram, do British Antarctic Survey de Cambridge.

"Naquela época, as temperaturas eram aproximadamente 1,6 grau centígrado menor que as temperaturas registradas no fim do século XX e a quantidade de neve que derretia a cada ano e depois voltava a congelar era de 0,5%. Hoje, a quantidade de neve que derrete a cada ano é 10 vezes maior", disse Abram.

Apesar do aumento regular das temperaturas há centenas de anos, o degelo se intensificou a partir da metade do século XX, afirma o estudo publicado na revista Nature Geoscience.

Isto significa que o aquecimento na Antártica alcançou um nível no qual até leves aumentos de temperatura podem provocar uma forte aceleração do degelo.

Da Agência France Presse.

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pesquisa

Verões estão mais quentes perto do Círculo Polar Ártico

POSTADO ÀS 11:37 EM 11 DE Abril DE 2013

PARIS - Os verões dos últimos anos nas regiões próximas ao Círculo Polar Ártico foram mais quentes do que aqueles que os antecederam em seis séculos, segundo um estudo publicado na última edição na revista Nature.

Após uma análise de sulcos circulares nos troncos das árvores, calotas de gelo, sedimentos de lagos e registros de temperaturas, pesquisadores da Universidade de Harvard asseguraram que os recordes de calor em altas latitudes "atingiram níveis sem precedentes em 600 anos", em frequência e amplitude.

"Os verões de 2005, 2007, 2010 e 2011 foram mais quentes do que aqueles que os precederam até 1.400", escreveram. "O verão de 2010 foi o mais quente em seis séculos na Rússia ocidental e, provavelmente, também foi o mais quente no oeste da Groenlândia e no norte do Canadá", acrescentaram.

Da Agência France Presse.

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aquecimento global

Encontro discute liberação de gás carbônico na atmosfera

POSTADO ÀS 12:08 EM 09 DE Abril DE 2013

RIO DE JANEIRO - Encontrar uma solução para uma das maiores causas do aquecimento global -  a liberação de uma grande quantidade de gás carbônico na atmosfera  - é um desafio para empresas de geração de energia e petroquímicas. O tema foi assunto de debate na segunda (8) no 2º Congresso Brasileiro de Gás Carbônico na Indústria do Petróleo, Gás e Biocombustíveis entre as empresas do setor e especialistas.

Durante a palestra, além do impacto ambiental provocado pela liberação do gás carbônico em altas concentrações com a queima de combustíveis fósseis pela indústria e pelo transporte, foi lembrado  uso benéfico do gás carbônico na produção agrícola, na produção de biocombustível de alga, no congelamento de alimentos e como anestésico em animais de frigoríficos.

“O  gás carbônico é um problema e também uma solução porque  tem aplicações industriais”, disse o diretor do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe-UFRJ), Luiz Pinguelli Rosa. O professor disse que o grande desafio da sociedade é isolar o gás e capturá-lo das chaminés de fábricas.

Produtora de petróleo e gás, a Petrobras estuda formas de diminuir a liberação do gás carbônico na extração de seus produtos por meio de investimentos nas refinarias. “Não tem como acabar com a poluição, mas tem como diminuir o impacto”, disse a consultora sênior da estatal, Glenda Rodrigues. “Porém, os custos são altos”.

O diretor de  Exploração e Produção da Petrobras, José Miranda Formigli Filho,  disse que a empresa vem utilizando o método de injeção de gás carbônico para aumentar a eficiência da produção no pré-sal e não desperdiçar o gás. “O  petróleo pode ficar preso no reservatório e o gás facilita a saída”, explicou Pinguelli Rosa.

A professora da Universidade Federal da Bahia (UFBA) Rosana Fialho acrescentou que para diminuir o impacto da liberação de gás carbônico é preciso investir em tecnologia.  Os  métodos atuais são de pouca eficiência na captura do gás nos processos industriais. “Precisamos desenvolver tecnologias alternativas e torná-las viáveis economicamente”, disse.

Por Isabela Vieira (Agência Brasil)

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Aquecimento global faz aumentar gelo marinho no Polo Sul

POSTADO ÀS 06:39 EM 03 DE Abril DE 2013

PARIS - Enquanto a banquisa (gelo marinho) recua a olhos vistos no Polo Norte, o aquecimento global tem feito esta massa congelada se expandir sobre o mar no Polo Sul, uma possível consequência do derretimento acelerado do gelo que cobre o continente, revelou um estudo holandês publicado no domingo (31).

Segundo a pesquisa, publicada na revista Nature Geoscience, a água doce resultante do derretimento das "línguas de gelo" que fazem a calota continental se estender sobre o oceano, se acumula em uma área mais fria nas águas superficiais, favorecendo a formação do gelo marinho. A aceleração do derretimento das "línguas de gelo" com o aquecimento global explicaria, assim, o aumento das banquisa no entorno do continente antártico.

"Ao contrário do gelo marinho no Ártico, o gelo marinho no entorno da Antártica se estendeu, alcançando um recorde em 2010", escreveram os pesquisadores do Instituto Real de Meteorologia da Holanda.

Este fenômeno, que um estudo divulgado em 2012 atribuiu a correntes atmosféricas, constitui uma "poderosa retroação negativa" no aquecimento atmosférico do hemisfério sul, afirmaram.

"Este é um trabalho novo e importante, propõe uma nova explicação para a expansão do gelo marinho, que aumentou recentemente em algumas áreas no entorno da Antártica", informou à AFP a paleoclimatologista francesa Valérie Masson-Delmotte, do Laboratório de Ciências do Clima e do Meio Ambiente (LSCE).

Este estudo "tem implicações importantes na evolução do balanço da massa da Antártica no curso das próximas décadas", avaliou a cientista, lembrando que o derretimento das calotas de gelo na Groenlândia e na Antártica contribuem em um terço com a elevação do nível do mar (outro terço é atribuído à dilatação térmica dos oceanos e o último terço, ao derretimento das geleiras que recobrem as montanhas).

Para Paul Holland, oceanógrafo polar do British Antarctic Survey, centro de pesquisas britânico, o estudo não demonstra formalmente um vínculo entre o derretimento das línguas de gelo da calota antártica e a expansão da banquisa.

"Há outras explicações plausíveis para o aumento da banquisa na Antártica", escreveu em um comentário o pesquisador, co-autor em 2012 de um estudo sobre o possível papel dos ventos na explicação deste fenômeno.

"As mudanças dos ventos modificam a cobertura de gelo ao mesmo tempo em que dispersam diretamente o gelo ao trazer massas de ar mais quentes ou mais frias sobre o oceano, conduzindo a mais ou menos formação de gelo", avaliou.

Da Agência France Presse.

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Aquecimento de 2ºC poderá multiplicar por 10 furacões extremos

POSTADO ÀS 06:35 EM 22 DE Março DE 2013

WASHINGTON - Um aquecimento de 2ºC na Terra poderá multiplicar por dez a quantidade de furacões de grande intensidade, revelou o estudo de um meteorologista dinamarquês, publicado esta segunda-feira nos Estados Unidos.

"Se a temperatura aumentar um grau, a frequência de furacões extremos aumentará de três a quatro vezes, e se o clima do planeta ficar dois graus mais quente, a quantidade destes fenômenos será 10 vezes maior", afirmou Aslak Grinsted, do Instituto Niels Bohr da Universidade de Copenhague, que se baseia em um modelo de previsão que leva em conta a evolução das temperaturas no planeta.

"Isso significa que haverá um furacão da potência do Katrina a cada dois anos" e não a cada 20 anos como acontece agora, destacou o estudo, publicado no periódico Proceedings of the National Academy of Science. Pesquisas anteriores já tinham constatado a relação entre a frequência das tempestades tropicais e os furacões com o aquecimento global.

O Katrina, um furacão de categoria 5 na escala Saffir-Simpson, a máxima, com ventos de 280 km/h, devastou Nova Orleans em 2005, tornando-se o desastre natural mais caro da história dos Estados Unidos e o quinto mais mortal. "Nosso modelo diz que um aquecimento de apenas 0,4 grau corresponde a uma duplicação da frequência de furacões como o Katrina", explicou o cientista.

Ele destacou, ainda, que o nível dos oceanos vai aumentar com o aquecimento que implica no degelo acelerado das geleiras polares, sobretudo na Antártica. Esta elevação das águas também vai amplificar a potência dos furacões tornando-os potencialmente mais destrutivos. Os ciclones tropicais obtêm energia do calor da superfície do oceano combinada com a evaporação da água.
 

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vídeo

Aquecimento acompanha os níveis de CO2 desde a pré-história

POSTADO ÀS 06:55 EM 06 DE Março DE 2013

PARIS - Os índices de dióxido de carbono acompanharam o aquecimento do clima ao final da última Era do Gelo, revela um estudo de cientistas franceses publicado na última edição da revista Science, que soluciona um enigma que intrigava os estudiosos.

A questão veio à tona com bolhas de ar atmosférico, presas em testemunhos de gelo na Antártica, que remontam ao último degelo, terminado cerca de 10.000 anos atrás.

Estas minúsculas bolhas foram estudadas de perto, pois contêm dióxido de carbono (CO2), o principal gás de efeito estufa causador do aquecimento global.

Segundo o marco convencional, quanto mais alta ou mais baixa a concentração de CO2, maior ou menor é a temperatura atmosférica. Mas estranhamente, as bolhas de CO2 não correspondiam aos níveis de aquecimento indicados na neve dos arredores, que data da mesma época.

Os céticos argumentam que isto demonstraria que os índices de dióxido de carbono subiram após o aquecimento da atmosfera terrestre.

Isto significaria que o aquecimento global atual poderia derivar, ao menos em parte, de meios naturais e não das emissões de carbono decorrentes da queima de combustíveis fósseis, como sustenta o consenso científico.

Uma equipe chefiada pelo glaciologista francês Frederic Parrenin analisou o gelo de cinco expedições de perfuração profunda na Antártica.

Ao analisar a composição isotópica do gás nitrogênio nestas amostras, os cientistas disseram ter conseguido filtrar os indícios confusos dos dados.

No último degelo, a temperatura aumentou 19 graus Celsius, enquanto os níveis de CO2 atmosférico subiram 100 partes por milhão, afirmaram.

A discrepância se deveu ao processo físico pelo qual as bolhas de CO2 se formam em camadas sucessivas de neve. "As bolhas de gás são sempre mais recentes do que o gelo que as cerca", reportou o Centro Nacional de Pesquisas Científicas (CNRS) francês, em um comunicado.

Os cientistas disseram que o estudo não examinou as razões para a elevação da temperatura que acompanham o degelo atual. Há vários fatores naturais para o aquecimento global, incluindo erupções vulcânicas, bem como modificações do calor emitido pelo sol e pequenas mudanças no eixo e na órbita da Terra.

Da Agência France Presse.

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meteorologia

Aquecimento global provoca fenômenos extremos de frio e calor

POSTADO ÀS 08:50 EM 28 DE Fevereiro DE 2013

WASHINGTON - Especialistas em clima determinaram que o aquecimento global está provocando fenômenos meteorológicos extremos - como secas, ondas de calor e frio - ao perturbar as correntes atmosféricas que circulam no hemisfério norte.

Uma pesquisa publicada na segunda-feira (25) revela que estes devastadores fenômenos são consequência de uma mesma perturbação das correntes atmosféricas que circulam sobre o hemisfério norte, afetadas pelo aquecimento derivado das emissões de gases do efeito estufa decorrentes de atividades humanas.

"Uma parte importante da circulação do ar nas latitudes médias da Terra assume habitualmente a forma de ondas que se deslocam em torno do globo, oscilando entre as regiões tropicais e árticas", explica Vladimir Petukhov, do Potsdam Institute for Climate Impact Research (PIK) da Alemanha, principal autor do estudo.

"Quando estas ondas oscilam para cima aspiram o ar quente dos trópicos para Europa, Rússia ou Estados Unidos, e quando se movem para baixo produzem o mesmo fenômeno, mas com as massas de ar frio do Ártico", revela o estudo publicado nos Anais da Academia de Ciências dos Estados Unidos (PNAS).

"Descobrimos que durante vários destes fenômenos meteorológicos extremos recentes estas ondas atmosféricas permaneceram fixas ao longo de várias semanas".

O aquecimento não é uniforme, e varia segundo as regiões do planeta. Na Antártida, a elevação das temperaturas se vê amplificada pela perda de neve e gelo, destaca Petukhov. Isto reduz as diferenças térmicas entre a região ártica e a Europa, por exemplo, o que afeta a circulação do ar em torno do globo, cujo principal motor é a diferença de temperaturas.

Por outra parte, os continentes se aquecem e se esfriam mais rapidamente que os oceanos, o que contribui para a paralisação das ondas de ar. "Esses dois fatores são cruciais para o mecanismo que detectamos, o que provoca períodos prolongados de calor ou de frio", assinala Vladimir Petukhov.

Dois ou três dias seguidos com temperaturas de 30 graus não são um problema, mas 20 dias ou mais geram um estresse importante em numerosos ecossistemas e aglomerações urbanas que não estão habituados a ondas prolongadas de calor.

Da Agência France Presse.

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País produz 1º modelo de clima global para a ONU

POSTADO ÀS 07:37 EM 23 DE Fevereiro DE 2013

SÃO PAULO - O próximo relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC), órgão das Nações Unidas que representa a ciência nas discussões sobre o tema, terá uma contribuição inédita brasileira. Pela primeira vez, o Brasil vai produzir um modelo de previsão climática global, que poderá ser incorporado ao portfólio internacional de modelos que o IPCC usa para fazer suas projeções sobre o futuro do clima do planeta.

O trabalho de validação do modelo brasileiro já foi submetido a uma revista especializada e está em fase final de revisão para ser publicado, o que gabaritará o Brasil a submetê-lo para o IPCC. Com isso, o País se tornará o primeiro da América Latina e apenas o segundo do Hemisfério Sul a contribuir com modelos de mudança climática global para o painel, ao lado da Austrália.

Apesar de não ter ainda o mesmo grau de sofisticação dos modelos produzidos no Hemisfério Norte - principalmente nos Estados Unidos e na Europa -, o modelo brasileiro deverá trazer informações mais detalhadas sobre fenômenos tropicais importantes, que hoje são um ponto fraco do modelos internacionais. Por exemplo, sobre fenômenos climáticos relacionados a variações de temperatura das águas do Atlântico Sul e ao desmatamento da Amazônia, do Cerrado ou de outros biomas brasileiros, que podem trazer consequências climáticas continentais ou até globais.

Segundo o pesquisador Paulo Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o desenvolvimento do modelo, além de contribuir para o entendimento das mudanças climáticas globais, trará benefícios locais, com o aprimoramento da capacidade de previsão do tempo e da ocorrência de eventos climáticos extremos no Brasil - como as chuvas fortes que alagaram São Paulo nos últimos dias.

"Não há como fazer uma boa previsão do clima global se não tivermos modelos capazes de fazer uma ótima previsão do tempo local", afirma Nobre, que apresentou os primeiros resultados do modelo nesta terça, numa reunião da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Entre eles, a constatação de que o desmatamento da Amazônia aumenta a ocorrência do fenômeno El Niño.

O modelo enviado para publicação, chamado Besm-OA 2.3 (sigla em inglês para Modelo Brasileiro do Sistema Terrestre - Oceano-Atmosfera), vem sendo desenvolvido desde 2008 por uma força-tarefa de cientistas ligados ao Programa Fapesp de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais, à Rede Clima do governo federal e ao Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Mudanças Climáticas.

Todos utilizam o supercomputador Tupã, instalado no Centro de Ciências do Sistema Terrestre (CCST) do Inpe, necessário para rodar toda a matemática por trás das previsões. A máquina custou R$ 50 milhões, pagos pelo Ministério da Ciência e Tecnologia (MCTI) e pela Fapesp.

Capacitação

A opção de desenvolver um modelo próprio, em vez de adaptar um modelo já pronto de outro país, foi uma decisão estratégica com o intuito de formar uma nova geração de pesquisadores e capacitar o Brasil a produzir ciência de qualidade nessa área, segundo o pesquisador Carlos Nobre (irmão de Paulo), que foi um dos idealizadores do programa e hoje é secretário de Políticas e Programas de Pesquisa do MCTI. "ê um esforço de desenvolvimento de competência", disse.

Só a Rede Clima, por exemplo, já formou 74 mestres, doutores e pós-doutores em 5 anos e tem outros 184 em formação, com um investimento de R$ 4,7 milhões do CNPq. Resultado: 127 trabalhos já publicados em revistas internacionais e 72, em periódicos nacionais.

Da Agência Estado.

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eua

Manifestantes exigem de Obama medidas contra aquecimento global

POSTADO ÀS 10:03 EM 18 DE Fevereiro DE 2013

WASHINGTON - Dezenas de milhares de manifestantes se reuniram no domingo (17), em Washington, para exigir do presidente americano, Barack Obama, medidas concretas de luta contra o aquecimento global.

Os participantes, que exibiam cartazes com a frase "Qual será seu legado climático?", formaram uma corrente humana entre a Esplanada Nacional e a Casa Branca, em protesto contra o projeto do oleoduto Keystone XL, que trará petróleo do Canadá até o Texas a um custo de 7 bilhões de dólares.

"Queremos desafiar o presidente Obama a ser um protagonista, em vez de uma marionete das grandes empresas de petróleo", disse à AFP a atriz canadense Evangelina Lilly, protagonista da série de TV "Lost".

"Só o presidente tem o poder de liderar um esforço, com a urgência de que necessitamos, para eliminar, gradualmente, os combustíveis fósseis, e levar o país e o mundo a uma revolução de energia limpa", publicou um dos grupos organizadores em sua página na internet.
Os participantes da ação, organizada por grupos ambientalistas locais e nacionais em uma frente batizada de Adiante contra as Mudanças Climáticas, exigiram que a estatal Agência de Proteção Ambiental crie padrões de emissão de carbono para as usinas de energia.

Segundo os organizadores, esta foi a maior mobilização climática da história dos Estados Unidos, e incluiu manifestantes de 28 estados. Entre os presentes, estava a estrela de 14 anos da série "Modern Family" Nolan Gould. "Tenho muita esperança de que as coisas irão mudar para as crianças, e começaremos percebendo que temos que dar novos passos para salvar este mundo, porque é tudo o que temos", disse.

Van Jones, ex-consultor de Obama para assuntos ambientais, foi taxativo em seu pedido de mudança: "Presidente Obama, todas as coisas boas que fez serão varridas por inundações, incêndios e supertempestades se não agir agora", disse para a multidão. Alec Baldwin, Susan Sarandon, Morgan Freeman, Robert Kennedy Junior e Yoko Ono são algumas das celebridades que assinaram uma petição apoiando os manifestantes.

Antes de se tornar presidente, em 2009, Obama apresentou uma série de medidas ambiciosas para reduzir as emissões de gás carbônico nos Estados Unidos - segundo país mais poluidor, atrás da China -, mas o projeto foi bloqueado pelos republicanos.

Da Agência France Presse.

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pesquisa

Mudança climática faz os meses ficarem cada vez mais quentes

POSTADO ÀS 07:01 EM 16 DE Janeiro DE 2013

PARIS - Está cada vez mais claro que a mudança climática ligada à atividade humana é responsável pelo fato de os meses estarem ficando mais quentes a cada mês em todo o mundo, assegura um estudo divulgado esta semana.

"Há em média cinco vezes mais meses com recordes de temperatura, que não seriam registradas se não fosse pela mudança climática", indicam os pesquisadores do Potsdam Institute for Climate Impact Research (PIK) e da Universidade Complutense de Madri no artigo publicado na revista científica Climatic Change.

"Em algumas partes de Europa, África e Ásia do Sul, o número de meses recorde foi multiplicado, inclusive por dez", indicam os autores que consideram que "80% destes recordes de temperaturas mensais não seriam registrados sem a influência do homem no clima".

Os pesquisadores desenvolveram um modelo estatístico com base em 131 anos de dados mensais de temperatura em mais de 12.000 lugares do planeta, fornecidos pela Nasa. A frequência dos recordes aumentou muito nos últimos 40 anos e não pode ser explicada por fenômenos naturais como el miño, afirma o estudo.

"As estatísticas por si mesmas não podem dizer qual é a causa de uma onda de calor, mas mostram um aumento importante e sistemático de muitos recordes de calor, que podem ser atribuídos à mudança climática", afirma Stefan Rahmstorf, coautor do estudo. "A ciência é clara: apenas uma pequena parte desses episódios se deve a causas naturais", alerta.

Da Agência France Presse,

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aquecimento global

Criticados na internet, cientistas do IPCC defendem seus métodos

POSTADO ÀS 06:33 EM 15 DE Janeiro DE 2013

PARIS - Cientistas do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), que preparam o novo relatório sobre aquecimento global, muito aguardado após o informe de 2007, quando soaram o alerta sobre a elevação das temperaturas na Terra, defendem seus métodos de trabalho, depois que documentos provisórios que vazaram na internet têm sido usados por seus críticos.

Haveria falta de transparência? As conclusões seriam determinadas por organizações não governamentais? O papel do sol no aquecimento global tem sido subavaliado? Estas e outras acusações, feitas há anos pelos céticos do aquecimento global, e rejeitadas por especialistas internacionais em clima, ressurgem na internet.

"O que seria correto é que estes blogueiros nos enviassem seus comentários ao invés de torná-los públicos", alega o climatologista francês Jean Jouzel, membro do grupo científico do IPCC. O mais recente episódio foi a publicação, semana passada, por uma blogueira canadense de documentos de trabalho acompanhados de comentários nos quais denunciava a opacidade do IPCC ou o papel das ONGs ambientais no processo de redação.

Em dezembro já tinham vazado em blogs outros "esboços". Apesar do consenso científico sobre a realidade do aquecimento global e sobre sua origem antrópica (humana), o IPCC está constantemente na mira. A ofensiva alcançou um auge em 2009, com o denominado "climategate", quando milhares de trocas de mensagens privadas entre climatologistas foram divulgadas antes da Conferência de Copenhague, à qual assistiu a maioria dos dirigentes do planeta.

Em seu mais recente relatório, publicado em 2007, o IPCC contribuiu amplamente para inserir a luta contra o aquecimento global na agenda diplomática internacional. Naquele ano, recebeu o Prêmio Nobel da Paz em conjunto com o ex-vice-presidente americano, Al Gore, que se tornou um ativista de causas ambientais.

O próximo relatório, muito aguardado, será publicado em partes a partir de setembro. "Não é o (próximo) relatório do IPCC que foi divulgado na internet, mas um simples esboço que não reflete o texto final", explicou à AFP Jean-Pascal van Ypersele, vice-presidente do painel de especialistas.

"Literatura cinza"

Em 2010, o IPCC voltou a ser criticado por um erro relativo ao derretimento de geleiras no Himalaia. Desde então, o grupo intensificou seu rigor e "melhorou tudo o que podia", assegurou o climatologista belga.

Pede-se, agora, especial atenção aos autores com relação ao uso da "literatura cinza", isto é, as informações que não são tiradas de revistas cientistas onde há comitês de leitura, mas de relatórios de empresas, ONGs e de governos. O erro com relação ao Himalaia teve origem, em parte, em um documento da organização ambientalista Fundo Mundial para a Natureza (WWF).

Não se trata de proibir este tipo de relatórios, "já que proibir seria privar-se, em alguns casos, de informações insubstituíveis", avaliou o vice-presidente do IPCC. Van Ypersele, que defende a "transparência" do processo, lembra que qualquer especialista externo pode se inscrever para apresentar comentários aos autores. No informe anterior, 90.000 comentários foram integrados e serão, segundo ele, muito mais numerosos na nova versão.

Para Jean Jouzel, os vazamentos de "esboços" são "lamentáveis" mas "não dramáticos". "Isto não muda o trabalho que vamos realizar", assegurou o glaciologista que participará na próxima semana, em Hobart (Austrália) na finalização da primeira parte do informe, dedicado aos aspectos científicos do clima.

A primeira parte será formalmente aprovada e publicada em setembro de 2013 em Estocolo. As outras duas partes - sobre a adaptação às mudanças climáticas e as soluções para reduzir as emissões de gases de efeito estufa - serão adotadas na primavera (boreal) de 2014. A síntese total deve ser publicada em outubro de 2014.

Por Anthony Lucas (Agência France Presse)

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pesquisa

Redução imediata de CO2 pode evitar enchentes e secas

POSTADO ÀS 17:59 EM 13 DE Janeiro DE 2013

PARIS - Milhões de pessoas podem ser poupadas de secas e enchentes até 2050 se houver uma redução das emissões de gases do efeito estufa em 2016 em vez de em 2030, afirmaram cientistas neste domingo. Especialistas britânicos e alemães explicaram que a redução imediata nas emissões poderia retardar alguns impactos por décadas e prevenir outros por completo.

Em 2050, um planeta se encaminhando para um aquecimento de 2 a 2.5º Celsius pode ter em 2100 duas possibilidades muito distintas, dependendo do caminho que se tome para chegar até lá, alertam em seu estudo publicado no jornal Nature Climate Change Políticas que reduzam as emissões de carbono em 2016 em 5% por ano podem poupar entre 39 e 68 milhões de pessoas de serem expostas a um maior risco de escassez de água em 2050, segundo Nigel Arnell da Universidade de Reading.Entretanto, esse é o melhor cenário possível.

Por outro lado, se as emissões caírem 5% anualmente a partir de 2030, o número de pessoas que escapariam desse risco seria de 17 a 48 milhões.No cenário da redução a partir de 2016, de 100 a 161 milhões de pessoas poderiam ser poupadas de inundações.Comparado a isso, no cenário de 2030, o número de pessoas beneficiadas seria de 52 a 120 milhões, indicou Arnell, diretor do Instituto Walker de mudanças climáticas da universidade.

"Basicamente, em 2050, a política de 2030 teria entre metade e dois terços dos benefícios da melhor política (2016)", embora ambas apontem para uma mudança de temperatura similar, de 2 a 2.5º C em 2100. "Você pode atingir o mesmo ponto (de temperatura) no fim do século, mas... os danos causados no caminho até esse ponto podem ser muito diferentes".

Em um cenário sem restrições nas emissões, as temperaturas poderiam aumentar em 4 a 5.5º C, de acordo com a pesquisa, que afirma ser a maior sobre os benefícios de se evitar os impactos das mudanças climáticas.

Com uma média de aquecimento global de 4º C, cerca de um bilhão de pessoas poderiam ter menos água em 2100 do que têm hoje, e 330 milhões poderiam ser submetidas a grande risco de enchentes, disse Arnell em um comunicado.

Uma redução em 2016 parece improvável, com as nações buscando adotar um novo pacto global sobre o clima em 2015 para entrar em vigor até cinco anos depois. A última rodada das Nações Unidas de debates sobre o clima em Doha, no Qatar, em dezembro, fracassou na tentativa de impor antes de 2020 cortes nas emissões de países que não haviam assinado o Protocolo de Kyoto, ainda que cientistas tenham alertado que a concentração de carbono na atmosfera continua aumentando.

Três dos quatro maiores poluidores do mundo - China, Estados Unidos e Índia - estão entre os que não se comprometeram a limitar as emissões.Diversos pesquisadores acreditam que a Terra terá um aquecimento muito além dos 2º C da meta da ONU em níveis pré-industriais."Claro que reduzir a emissão de gases estufa não vai impedir por completo os impactos do aquecimento global, mas nossa pesquisa pode dar tempo para a elaboração de prédios, sistemas de transporte e de agricultura melhor adaptados às mudanças climáticas", disse Arnell.

Da Agência France Presse.

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aquecimento global

Estudo liga aumento da temperatura a casos de dengue

POSTADO ÀS 10:12 EM 08 DE Janeiro DE 2013

RIO - O aumento da temperatura teve maior relevância do que a elevação do nível de precipitação de chuvas na proliferação da dengue no Rio entre 2001 e 2009, aponta estudo publicado na revista Cadernos de Saúde Pública, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

O objetivo do trabalho foi estudar o efeito de fatores sazonais e a relação entre as variáveis climáticas e o risco de dengue na cidade do Rio no período de nove anos. O resultado mostra que o aumento de um grau na temperatura mínima em um mês ocasiona uma elevação de 45% no número de casos de dengue no mês seguinte. Já o aumento da precipitação em 10 milímetros resulta na elevação de 6% no número de casos da doença no mesmo período.

"Os principais resultados mostraram que a temperatura teve maior relevância do que a precipitação, principalmente a temperatura mínima", disse a pesquisadora Adriana Fagundes Gomes. A importância da temperatura mínima se deve ao fato de o mosquito não conseguir se alimentar abaixo de 16 graus Celsius.

Adriana avalia que a justificativa para a precipitação não ter tanta relevância quanto a temperatura é o fato de a maioria dos criadouros serem domésticos. A proliferação de mosquitos em vasos de plantas que ficam dentro de casas, por exemplo, independe da quantidade de chuva. "Já a temperatura é um fator ambiental que não temos como controlar. A relação com o vetor vai acontecer."

O artigo resultou do estudo para tese de mestrado da pesquisadora, de 26 anos, que trabalha no Instituto de Microbiologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Os resultados também apontaram que o risco de dengue aumenta quando a temperatura é superior a 26ºC. "Vem do senso comum o fato de doenças tropicais serem relacionadas a fatores climáticos. Então a gente tentou fazer uma análise científica dessa questão", disse Adriana. Dos nove anos analisados, em apenas três (2003 a 2005) não houve registro de epidemias da doença no Rio. A avaliação da distribuição dos casos de dengue mostra que a maior parte fica concentrada nos meses de março, abril e maio.

Por Felipe Werneck (Agência Estado)

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Verônica Falcão

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