O Movimento em Defesa da Mata do Engenho Uchoa decidiu fazer mais que passeatas e protestos contra a usina de tratamento de lixo que deve ser instalada no local, na Zona Oeste do Recife. Integrantes do movimento estão coletando assinaturas na comunidade para pedir audiência pública sobre o Relatório de Impacto Ambiental (Rima) da obra.
O abaixo-assinado será entregue à Agência Pernambucana de Meio Ambiente (CPRH) , que está licenciando a obra. A iniciativa é de um consórcio de empresas com experiência na área e tem o apoio da prefeitura, que está desmembrando parte da Área de Proteção Ambiental (APA) do Engenho Uchoa para ceder aos empreendedores.
O movimento é contra não só à implantação da usina na unidade de conservação municipal, como também à redução da área da APA pela prefeitura. Veja o abaixo assinado que está circulando e deve ser encaminhado até dia 12 à CPRH.
Veja aqui matéria sobre o Relatório de Impacto Abiental.
Saiba mais aqui sobre o projeto e a lei municipal que proibe o empreendimento.
Redes desenvolvidas com alta tecnologia, inspiradas por teias de aranha, e capazes de coletar água da névoa de locais muito úmidos, podem ajudar a levar o precioso líquido a locais atingidos por secas. Em estudo publicado na última edição da revista Nature, cientistas chineses explicam porque a teia das aranhas não é famosa apenas pela força, mas também pela incrível capacidade de coletar a água presente no ar, evitando que o animal precise se preocupar em ter o que beber.
O segredo, revelado por um microscópio eletrônico, está nas fibras proteicas em formato de cauda que formam a teia, cuja estrutura muda ao reagir com a água. Uma vez em contato com a umidade, pequenos segmentos do fio se "enrolam" em minúsculos nós, cuja distribuição aleatória de nan-fibras é responsável pela textura áspera e cheia de protuberâncias da teia.
As pequenas gotas se condensam por toda a teia de aranha, até chegarem a um tamanho máximo, quando escorregam pelo fio até as articulações da trama, onde se unem às outras gotas, formando porções maiores de água. A equipe de pesquisadores, coordenada por Lei Jiang, da Academia Chinesa de Ciências em Pequim, estudou a teia da aranha Uloborus walckenaerius (acima), que usa uma espécie de pente, ou cribellum, para separar as fibras e moldá-las de diferentes maneiras.
Inspirados na aranha, os cientistas começaram a desenvolver fibras com o objetivo de reproduzir a estrutura microscópica da teia. "Nossa aranha artificial não apenas imita a estrutura da teia de aranha em contato com a águia, mas também sua capacidade de direcionar a água coletada", afirmam.
A descoberta ajudará no desenvolvimento de fibras fabricáveis capazes de coletar água tanto em lugares úmidos quanto em grandes altitudes, acopladas a aeronaves, por exemplo.
A coleta de orvalho da névoa pode ser feita com redes ou telas esticadas em mastros. A técnica, utilizada na costa dos Andes, está sendo incentivada em localidades mais pobres e secas do mundo, como o Nepal, além de lugares que sofrem com o aquecimento global e com secas prolongadas. Abaixo imagem microscópica de gotas de água na teia da aranha.
O ônibus espacial americano Endeavour foi lançado nesta segunda-feira com uma tripulação de seis astronautas rumo à Estação Espacial Internacional (ISS) a partir de Cabo Canaveral, Flórida, para uma missão de 13 dias.
A agência espacial americana, Nasa, lançou o Endeavour após um adiamento de 24 horas no domingo em consequência das condições meteorológicas ruins na região.
Oito minutos e meio após o lançamento, que aconteceu às 4h14 locais (7h14 de Brasília), o Endeavour alcançou a órbita da Terra.
Nesta segunda, a Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente (Sectma) realiza em Caruaru consulta pública para colher contribuições à elaboração da Política Estadual de Enfrentamento às Mudanças Climáticas. Será no Centro Tecnológico da Moda, no bairro de São Francisco, das 9h às 12h e das 14h às 18h.
No dia 23 de fevereiro as consultas serão realizadas na cidade de Araripina, Sertão do Estado. A primeira rodada de debates foi realizada nos dias 1º e 2 de fevereiro, no auditório da Sectma. Leia acima minuta do projeto de lei que estabelece a política estadual para o setor. É esse o texto que está em debate.
As consultas fazem parte de um processo participativo com a sociedade e os setores envolvidos na questão climática no Estado. Depois de finalizar a política, a Sectma vai encaminhar o documento para apreciação do Conselho Estadual de Meio Ambiente (Consema), e posteriormente encaminhá-la para a Assembléia Legislativa de Pernambuco (Alepe).
Durante a consulta serão criados grupos temáticos para discutir aspectos da lei. Os temas são energia, transporte, indústria e mineração, setor público, resíduos e consumo, arborização e cobertura vegetal urbana, construção civil, defesa civil e saúde.
Com informações da Assessoria de Imprensa da Sectma
O ônibus espacial Endeavour e sua tripulação de seis astronautas já estão preparados para o primeiro voo de 2010 até a Estação Espacial Internacional (ISS), onde levarão os últimos grandes componentes. A missão ocorre em um momento em que se discute a modificação dos objetivos de exploração tripulada da Nasa: o presidente Barack Obama pediu ao Congresso que abandone o programa Constellation, que previa um retorno dos americanos à Lua até 2020.
Além do fim do Costellation e da incerteza do que vai acontecer, 2010 será também o último ano dos voos de outros três ônibus espaciais da frota após cinco missões previstas. O primeiro deles foi lançado em 1981. O principal objetivo da missão de 13 dias da Endeavour é levar e instalar o Nódulo 3, também chamado de Tranquility, e a cúpula de observação, fabricados para a Nasa pelo grupo europeu Thales Alenia Space, de Turim.
O lançamento do Endeavour está previsto para este domingo, 7 de fevereiro, às 12h39, no Centro Espacial Kennedy, próximo ao Cabo Canaveral. "Até o momento todos os preparativos se desenvolvem perfeitamente", indicou na última quinta-feira Jeff Spaulding, diretor de testes da Nasa, durante uma coletiva de imprensa.
A contagem regressiva começou, como estava previsto, na quinta-feira às 10h. As previsões meteorológicas também são positivas: existem 70% de possibilidades de que haja condições favoráveis no momento do lançamento, disse Kathy Winters, a meteorologista da base aérea de Cabo Canaveral.
Com a instalação do Tranquility - de 18 toneladas, 7 metros de largura e 4,5 de diâmetro - e da cúpula - de 1,9 tonelada, 1,5 metro de largura e 2,9 de diâmetro - a ISS ficará 90% completa, informou a Nasa. A instalação desses módulos na Estação requer três caminhadas espaciais de seis horas e meia cada uma com dois astronautas por vez. O Tranquility terá um sistema de suporte de vida mais sofisticado instalado até agora no espaço.
Inclui um sistema de saneamento e controle atmosférico, assim como um compartimento para a tripulação tomar banho. O módulo tem ainda um sistema de ligação com outros compartimentos habitáveis e veículos de tranporte para astrounautas ou carga.
A cúpula também será acoplada ao Tranquility. Com seis janelas dos dois lados e uma janela central, todas com obturadores de proteção contra micrometeoritos, oferecerá uma vista incomparável da Terra a partir da ISS. A cúpula também terá uma função chave com sua estação de trabalho robotizada, de onde serão controladas as operações de manutenção da ISS e instalação de outras estruturas no futuro.
A Estação Internacional é um projeto do qual participam 16 países, a um custo de 100 bilhões de dólares, financiado em sua maior parte pelos Estados Unidos. Uma vez que os ônibus espaciais deixem de voar, os Estados Unidos dependerão exclusivamente dos Soyuz russos para transportar astronautas à ISS.
Para reduzir esse período de dependência e os custos, Obama quer estimular o desenvolvimento de de sistemas de transporte espacial por empresas privadas, que seriam subcontratadas pela Nasa para levr seus astronautas.
A Nasa divulgou nesta sexta os mais detalhados conjuntos de imagens já feitos sobre o planeta anão Plutão. Elas foram feitas pelo telescópio espacial Hubble, e mostram um mundo cheio de manchas e sombras, gelado e escuro. Em termos de cor da superfície e brilho, o Hubble revela um mundo com uma paisagem complexa e variada, com áreas brancas, laranja-escuro e preto-carvão.
Acredita-se que uma radiação ultravioleta do Sol distante interagindo com metano, presente na superfície de Plutão, produza resíduos pretos e vermelhos ricos em carbono. O planeta anão passa por mudanças sazonais na cor e brilho de sua superfície.
Plutão se tornou significativamente mais vermelho, enquanto seu hemisfério norte, mais iluminado, fica mais brilhante. Por outro lado, o hemisfério sul se tornou mais escuro. Estas mudanças são provavelmente consequências de sublimação de gelo superficial no polo que recebe a luz do Sol e congelamento no outro polo, enquanto o planeta anão vai para a próxima fase de seu ciclo de 248 anos.
A mudança dramática de cor aparentemente aconteceu em um período de dois anos, entre 2000 e 2002. O disco central da imagem tem uma mancha brilhante misteriosa que é, de modo incomum, rica em uma espécie de geada de monóxido de carbono.
A Nasa relata que o planetão anão é tão pequeno e distante que a tarefa de checar sua superfície é tão desafiante como tentar ver marcas em uma bola de futebol a 60 quilômetros de distância.
Restos humanos, casas e túmulos, alguns com mais de mil anos de antiguidade, foram encontrados em grutas da serra Tarahumara de Chihuahua, norte do México, informou esta semana o Instituto de Antropologia e História. "Mais de dez sítios de caráter habitacional e funerário foram localizados no interior dessas cavernas de pouca profundidade em Barranca de la Sinforosa, Chihuahua", segundo um comunicado.
As construções, de terra e pedra, possuem dormitórios, celeiros e armazéns. Alguns túmulos continham restos de corpos "envoltos em mantas de fibras vegetais, amarrados com cordas e agulhas de madeira, ao lado de ofrendas, compostas por artefatos de cerâmica", diz a nota.
Entre esses restos humanos, estavam duas crianças, cinco adolescentes e seis adultos, datando dos séculos XVI ou XVII, correspondendo a uma etnia indígena - os tubares, que teriam se escondido na serra Tarahumara, para evitar ser evangelizados pelos espanhóis.
Dois ursos panda - nascidos em zoológicos dos Estados Unidos - chegaram nesta sexta-feira à China, como parte de um programa de reprodução da espécie, conhecida por sua escassa atividade sexual. A China, onde os ursos pandas são considerados um tesouro nacional, se nega a vendê-los a outros países e optou por um sistema de empréstimo de animais adultos para que se reproduzam em zoológicos do mundo todo, com a condição de que os filhotes voltem ao fazer dois anos.
A festiva chegada de Mei Lan e Tai Shan a Chengdu, na província de Sichuan, foi transmitida ao vivo pelo canal estatal de televisão CCTV. Os dois pandas chegaram à China em um avião de carga especialmente preparado para eles, com 75 quilos de bambu em uma viagem de 14 horas.
Durante a cerimônia de boas vindas, o cônsul norte-americano na China, David Brown, nomeou Mei Lan e Tai Shan "embaixadores da boa vontade". "Assim como seus pais e a outros pandas emprestados pela China, eles ocupam um lugar especial nas relações entre os dois países", afirmou.
Mas se a chamada "diplomacia do panda" está funcionando, as relações diplomáticas entre Pequim e Washington estão tensas em termos comerciais, devido ao anúncio da venda de armas americanas a Taiwan e do encontro previsto entre o presidente Barack Obama e Dalai Lama, a quem a China acusa de buscar a independência do Tibete.
Tai Shan nasceu no zoológico de Washington há quatro anos e meio, enquanto Mei Lan nasceu no zoológico de Atlanta há três anos. Pequim havia autorizado a extensão da estadia dos pandas nos EUA. "Mei Lan deverá agora começar a a trabalhar tão rápido quanto possível", segundo os especialistas de fertilidade citados pelo jornal estatal Global Times.
"Queremos que o façam bem", falou ao jornal Hou Rong, chefe do centro de pesquisa sobre pandas de Chengdu. Os especialistas esperam animá-la com a ajuda de exercícios sexuais, incluindo filmes "pornôs" de pandas. "Preferimos deixá-los que observem e aprendam com os outros pandas", acrescentou Hou.
"Se Mei Lan não escolher nenhum par, teremos que recorrer a uma inseminação artificial", indicou ao jornal Yang Xiaoxiao, funcionário do centro reprodutivo. Após a ameaça de extinção dos pandas nos anos 1980, o governo chinês estabeleceu reservas para proteger os que vivem em estado selvagem e implantou programas de criação em cativeiro. Atualmente, existem cerca de 1.600 em estado selvagem, três quartos deles nos arredores de Sichuan. Estima-se que 180 foram criados em cativeiro na China e 32 vivem em zoológicos no exterior, informou a CCTV.
Fiscais do Ibama recolheram na manhã desta sexta, no Mercado de Boa Viagem, Zona Sul do Recife, 10 quilos de lagosta abaixo do tamanho mínimo permitido e 10 quilos de patolas de caranguejo.
O comerciante não apresentou declaração de estoques para esse crustáceos, o que é obrigatório, já que ambas espécies estão em período de defeso. O infrator será autuado e seu box poderá ser lacrado ainda hoje. Ele poderá perder também todos os equipamentos utilizados para conservação dos produtos irregulares, como freezers e balanças.
A busca por planetas de outros sistemas solares onde possa existir vida deve ser facilitada por uma nova técnica que permite a utilização de pequenos telescópios em terra, segundo o estudo publicado esta semana pela revista científica britânica Nature.
Cerca de 430 planetas que giram em torno de estrelas que não o Sol foram descobertos desde 1995, mas a maioria é de gigantes gasosos como Júpiter e não planetas rochosos como a Terra.
Até agora, para analisar a composição química da atmosfera destes corpos celestes chamados exoplanetas, assim como buscar moléculas que mostraram presença de vida, era necessários telescópios espaciais ou grandes telescópios em terra.
Mark Swain, da Nasa, e seus coelgas americanos, britânicos e alemães utilizaram em 2007 um telescópio terrestre de 3 metros, com base no Havaí, para analisar a pequena radiação infravermelho emitida pelo exoplaneta JD 189733b, um gigante gasoso situado a 63 anos-luz da Terra.
Inclusive puderam observá-lo em longitudes de onda não acessíveis para telescópios espaciais. Graças a uma técnica que permite evitar as turbulências da atmosfera terrestre, que podem interferir na imagem dos telescópios, os cientistas descobriram a presença de metano na atmosfrea deste exoplaneta.
O exoplaneta JD 189733b, tal como se vê da Terra, passa às vezes diante de sua estrela ou se eclipsa atrás dela. Os astrônomos comparam seu espectro luminoso antes e depois de cada eclipse. "Com a nova técnica de calibração, podemos distinguir as variações da luz devido ao eclipse do planeta, variações devidas as turbulências atmosféricas e aos próprios detectores", explicou um dos autores Jeroen Bouwman, do Instituto Max Planck para Astronomia (Alemanha), em um comunicado.
Os resultados obtidos com telescópios relativamente pequenos em terra são excitantes, segundo o Swain. "Isso significa que, com telescópios maiores em terra, utilizando essa técnica, será possível estudar a atmosfera de planetas similares na Terra", explicou Mark Swain.
O Jornal do Commercio registrou com exclusividade na tarde desta quinta-feira a captura de caranguejos durante o período de defeso, em que a espécie tem protegida a reprodução. Detalhe: os animais tinham acabado de ser soltos em Maria Farinha, Litoral Norte do Grande Recife, por uma equipe do Ibama. Agentes ambientais do instituto autuaram quatro pescadores que estavam coletando os crustáceos. O flagrante é do fotógrafo Robert Fabisak.
Os caranguejos, 300 exemplares da espécie Ucides cordatus, foram apreendidos pela manhã, em três restaurantes de Olinda. Embora os animais apresentassem tamanho permitido para a captura antes de iniciado o período de defeso, os donos dos restaurantes não haviam declarado ao Ibama que tinham o crustáceo em estoque. Os pescadores conseguiram coletar 51 deles, que foram novamente reintroduzidos.
O período de defeso, que começou dia 31 de janeiro, prossegue até esta sexta, dia 5. É quando a espécie realiza a andada, que é o deslocamento dos machos e fêmeas para o acasalamento e deposição dos ovos fecundados. Os próximos períodos de defeso ocorrerão de 15/02 a 20/02, 01/03 a 06/03, 16/03 a 21/03 e de 31/03 a 05/04.
Uma equipe de fiscalização do Ibama encontrou na manhã desta auinta dezenas de caranguejos irregulares num estabelecimento comercial em Olinda.
Os caranguejos estão dentro do tamanho permitido mas o comerciante não declarou que tinha estoques do crustáceo. Como atualmente está vigorando o defeso da espécie, todo comerciante deve, obrigatoriamente, declarar seus estoques do animal.
O comerciante será multado entre R$ 700 e R$ 100 mil reais e deverá responder a processo criminal. Os caranguejos serão devolvidos ao seu hábitat ainda nesta tarde, até as 14h30.
Da assesssoria de imprensa do Ibama
O blog vai cobrir a soltura dos caranguejos. Acompanhe durante a tarde.
Termina na sexta, dia 12 de fevereiro, o prazo para solicitação de audiência pública sobre a usina de tratamento de lixo do Recife em fase de licenciamento na agência estadual de meio ambiente de Pernambuco, a CPRH. Até a manhã desta quarta, ninguém havia procurado a CPRH para pedir a realização do debate.
A instalação de parte da usina está prevista para a Área de Proteção Ambiental da Mata do Engenho Uchoa, unidade de conservação municipal localizada na Zona Oeste da cidade. Para permitir o empreendimento, a prefeitura teve que desmembrar uma área da APA, alegando que não estava mais coberta por mata atlântica.
O Movimento da Mata do Engenho Uchoa, que articulou reuniões e até passeatas contra a usina, diz que ainda não solicitou a audiência pública porque não é uma entidade legalmente constituída. O coordenador da Aspan, Alexandre Araújo, explica que isso não é necessário. “Basta o movimento juntar pelo menos 50 assinaturas de pessoas devidamente identificadas para fazer o pedido junto à CPRH”, informa.
Enquanto isso, os técnicos da CPRH já estão analisando o Relatório de Impacto Ambiental (Rima), disponível para consulta no site da agência e também em sua sede, em Casa Forte, Zona Norte do Recife. Com as contribuições de uma audiência pública, em que a sociedade civil e pequisadores são ouvidos, essa análise certamente seria mais embasada. Veja acima o Rima.
O Instituto Butantan começará, depois de três meses de trabalho, a testar em humanos a vacina contra a gripe A H1N1, popularmente conhecida como gripe suína.
O instituto está buscando 400 voluntários, que devem ser pessoas saudáveis com idades entre 18 e 50 anos. Os voluntários serão recrutados por meio do Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (USP) e do centro de pesquisa do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas.
A partir de amostras do vírus importadas, os cientistas desenvolveram nove tipos de vacinas. Só depois dos testes em humanos é que será definida a vacina que o Butantan de fato produzirá.
Os ensaios clínicos deverão ser concluídos até março, para que a vacina possa ser produzida e usada antes do inverno. Em 2009, mais de 1.630 pessoas morreram por causa da gripe suína no Brasil.
Se o desmatamento da Amazônia - que já consumiu 17% da floresta - atingir a marca de 20%, o aquecimento global se encarregará de destruir o que sobrou, afirma uma compilação de estudos sobre a região feita pelo Banco Mundial.
As conclusões do documento, que reúne vários estudos publicados nos últimos anos, levam em conta simulações do comportamento da Amazônia em diferentes cenários projetados pelo IPCC (painel do clima da ONU).
Os cientistas identificaram que o efeito conjunto de incêndios, desmatamento e mudança climática empurra a floresta para um estado onde ela perde sua massa crítica para sobrevivência.
Como as árvores tropicais são importantes para regulação do clima e do regime de chuvas, forma-se uma espécie de efeito dominó que afeta todo o bioma. No pior cenário, a floresta da Amazônia encolhe 44% até 2025.
O volume das precipitações tende a aumentar durante o período de chuvas e diminuir nos de seca, afetando a vazão dos rios de toda a bacia.
O leste da Amazônia - que é contíguo ao Nordeste - terá as consequências mais graves. O período de seca aumentará e o clima mais quente contribuirá para o avanço da vegetação típica do semiárido. Até 2025, a região poderá perder 74% de
sua atual área de floresta.
Já no sul da Amazônia, pelo menos 30% dessa área de floresta tropical terá sido substituída por cerrado até 2025. Assim como a caatinga, esse tipo de vegetação tem árvores menores, que absorvem menos gás carbônico da atmosfera. Mais carbono no ar, então, contribui para o aquecimento global, expandindo os impactos para o resto do país.
Para Carlos Nobre, do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), o reflorestamento é importante, mas insuficiente. Não adianta nada se os países não diminuírem as emissões de gases-estufa, diz.
A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e o Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE) assinaram um acordo de cooperação para desenvolver pesquisas na fase inicial da cadeia de produção do etanol, a lavoura.
O termo de cooperação foi firmado durante a inauguração do CTBE, sexta-feira, em Campinas (SP), e tem como um de seus objetivos contornar os entraves agrícolas que impedem o aumento da produção brasileira de etanol.
Um dos principais programas a serem desenvolvidos nessa parceria é o de “Mecanização de baixo impacto para o plantio direto de cana-de-açúcar”, que pretende reunir ferramentas da agricultura de precisão e da tecnologia de informação para a prática do plantio direto de cana-de-açúcar.
Na técnica do plantio direto não é feito o revolvimento da terra, o que ajuda a preservar a cobertura vegetal após o plantio e a manter as propriedades bioquímicas do solo aumentando a sua longevidade e a produtividade do canavial.
Esse trabalho deverá desenvolver um novo equipamento para a cultura da cana-de-açúcar, uma máquina com um vão livre de 12 metros de largura e 2 metros de altura chamada de Estrutura de Tráfego Controlado (ECT).
Concebida para causar o menor impacto possível sobre o solo, a ECT fará todos os trabalhos envolvidos na cultura da cana do plantio à colheita. Seu trajeto será programado de modo a minimizar o tráfego de máquinas no canavial, que deverá ser reduzido dos atuais 60% para menos de 10% da área plantada.
Frente ao aquecimento global que ameaça os esportes de montanha, os Jogos de Inverno de Vancouver 2010 (12 a 28 de fevereiro) querem oferecer um modelo para as futuras sedes, com olimpíadas verdes e "neutras em carbono".
Depois que, em 1994, o meio ambiente passou a ser o terceiro pilar do Olimpismo, atrás do esporte e da cultura, "sabemos que o mundo inteiro espera que os Jogos do Canadá deem o exemplo", indica Sébastien Théberge, porta-voz do Covan, o comitê organizador.
Além disso, os espectadores deverão utilizar os transportes públicos, principalmente os ônibus movidos a hidrogênio (foto).
Em relação às estruturas criadas para o evento, seis delas visam à certificação internacional do Leadership in Energy and Environmental Design (LEED).
Este é o caso do Anel de Richmond (subúrbio sul de Vancouver), dedicado à patinação de velocidade e que pode ser transformado para abrigar um rinque de hóquei, uma quadra de basquete e uma sala de ginástica.
"Não as concebemos apenas segundo as normas ambientais, mas também com o objetivo de que sejam úteis para a comunidade", afirma Ann Duffy, diretora de Sustentabilidade do Covan.
Tudo pensado para reduzir os impactos ambientais. O calor residual originado da fabricação do gelo permite aquecer a estrutura. A água da chuva abastece os banheiros. E a espetacular cobertura é feita de "madeira considerada sem valor por ter sido danificada por um inseto, o besouro do pinheiro", ressalta Ann Duffy.
"Sem todos esses esforços, nosso registro de carbono seria 20% mais elevado", afirma.
Pela primeira vez na história olímpica, o Covan pretende compensar integralmente as emissões de gases do efeito estufa (GES) diretamente ligadas aos Jogos. Comprando créditos de carbono, o organismo financiará projetos de luta contra o efeito estufa.
A fatura de carbono dos Jogos é estimada em 267.100 toneladas de GES, segundo a Offsetters, que assessora o Covan para questões relativas à compensação de carbono.
Em Vancouver, cidade natal do Greenpeace, os ecologistas da organização internacional reconhecem os esforços do Covan, mas esperam que as próximas Olimpíadas "se comprometam com uma redução ambiciosa da fatura de carbono antes que os Jogos Olímpicos de Inverno acabem por causa do aquecimento global".
A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) foi convidada a indicar os concorrentes ao Prêmio Nobel de Medicina ou Fisiologia de 2010. O convite, feito pela primeira vez à universidade, à Faculdade de Ciências Médicas (FCM), equipara a Unicamp a instituições internacionais de ensino de renome como Cambridge, Oxford, Massachusetts Institute of Technology (MIT) e Harvard, que regularmente participam de indicação de nomes nas diferentes áreas do conhecimento para o prêmio.
A FCM vai poder indicar até dez nomes de pesquisadores brasileiros ou estrangeiros até o dia 1º de fevereiro. Segundo informou a universidade, por meio de assessoria, a Unicamp formará uma comissão coordenada pela pró-reitoria de Pesquisa e integrada por professores e pesquisadores da FCM, do Instituto de Biologia (IB) e da Faculdade de Odontologia de Piracicaba (FOP). Os nomes dos integrantes da comissão e dos indicados ao prêmio será mantido em sigilo, em respeito às normas definidas pelo Prêmio Nobel, informou a universidade.
O diretor da FCM, José Antônio Rocha Gontijo, disse por meio de assessoria que não se pode ter espírito corporativo na hora de escolher os nomes. "Devemos indicar um ou poucos nomes que mostrem a maturidade e a capacidade da universidade de escolher pessoas que contribuíram, efetivamente, para o avanço da ciência", afirmou Gontijo.
Para o diretor, um dos motivos da indicação é a repercussão internacional das pesquisas feitas na FCM. De 2004 a 2008, a faculdade publicou 4.318 artigos e resumos em periódicos internacionais e 5 mil em periódicos nacionais, além da publicação de livros e patentes.
Os prêmios são entregues anualmente, no dia 10 de dezembro, aniversário da morte do seu criador (o químico e industrial sueco, inventor da dinamite, Alfred Nobel) a pessoas que fizeram pesquisas importantes, criaram técnicas pioneiras ou deram contribuições destacadas à sociedade, nas áreas de física, química, fisiologia ou medicina, literatura e paz.
Nova Déli - A proposta de criação de um fundo financeiro para os países pobres se adaptarem às mudanças climáticas foi aprovada ontem em reunião na capital indiana entre os ministros do Meio Ambiente dos quatro países emergentes que se agruparam sob a sigla BASIC (Brasil, África do Sul, Índia e China). Mas o valor do fundo — proposto pelo Brasil — ainda está sendo discutido e deverá ser divulgado na reunião do BASIC, marcada para abril, na Cidade do Cabo, na África do Sul.
A reunião terminou com os quatro países exigindo a liberação de US$ 10 bilhões dos países ricos ainda neste ano para os países menos desenvolvidos. Foi o primeiro multilateral após o fracasso da reunião de Copenhague, há um mês. Trata-se de uma tentativa de ressuscitar as negociações climáticas pelas mãos dos emergentes.
Segundo o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, o BASIC vai se reunir a cada três meses. O grupo foi criado para fazer articulação política, mas vai passar a atuar no campo científico. "Precisamos trazer os países do G-77 (menos desenvolvidos) para o entendimento. Uma das decisões dos emergentes foi o de reconhecer que o processo em Copenhague foi excludente e pouco transparente", criticou Minc.
Os países ricos prometeram US$ 30 bilhões para um fundo climático até 2012 e estabeleceram uma meta de US$ 100 bilhões até 2020, muito menos do que os países em desenvolvimento pleiteavam. "Se os países ricos não desembolsarem o dinheiro prometido este ano, significa que não estão sendo francos", cobrou o ministro do Meio Ambiente indiano, Jairam Ramesh.
O encontro terminou com críticas aos países desenvolvidos. A aprovação do fundo financeiro dos emergentes e o apoio tecnológico aos países pobres foi um tapa com luva de pelica nos países ricos. Uma das razões da frustração de Copenhague foi o egoísmo dos países ricos, que têm mais condições financeiras. A resposta do BASIC para esse egoísmo foi reforçar a solidariedade ecológica.
O terremoto que arrasou o Haiti dia 12 está longe de ser o último desastre natural a assolar a ilha Hispaniola, onde fica o mais pobre país das Américas. Segundo artigo na revista Science desta semana, os haitianos devem se preparar para tempestades violentas ao longo deste século.
Apesar de a pesquisa prever que cairá o número total de furacões, as tormentas mais destrutivas, de categoria quatro e cinco, devem aumentar. Culpa do aquecimento global. E a região ocidental do Atlântico é apontada como das mais vulneráveis.
A previsão foi possível porque cientistas das Universidades de Princeton e Old Dominion, nos Estados Unidos, melhoraram o modelo existente de detecção de furacões. Tecnologia que pode ajudar a evitar tragédias, como a do Haiti.
Veja mais novidades sobre ciência e meio ambiente na coluna Vida & Ciência, na edição de hoje do Jornal do Commercio.