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Religião

CNBB se posiciona contra aborto praticado em menina de 9 anos
Publicado em 06.03.2009, às 11h53

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Do JC OnLine

Durante o lançamento oficial da Campanha da Fraternidade, nesta sexta-feira (6), na sede da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB)/Regional Nordeste 2, a Igreja Católica se posicionou contra o aborto praticado pela menina de 9 anos que foi estuprada pelo pai, em Alagoinha.

Em nota eles afirmam que repudiam o estupro e o abuso sexual sofridos pela criança, no entanto, não concordam "com o desfecho final de eliminar a vida de seres humanos indefesos".  Consideram ainda que "diante da complexidade do caso, lamentamos que não tenha sido enfrentado com serenidade, tranquilildade e o tempo necessários que a situação exigia".
 

Segue na íntegra a nota

Nota em defesa da vida

Nós, bispos da Igreja Católica, coordenadores e coordenadoras de pastoral, reunidos na sede da CNBB do Regional NE 2, na cidade do Recife, tomamos conhecimento do caso da menina de nove anos, da cidade de Alagoinha, grávida de gêmeos, resultado do estupro praticado pelo padrasto e da interrupção da gravidez. Diante do fato e da sua repercussão, sentimo-nos levados a fazer uma breve reflexão:

1- A Igreja, historicamente, sempre se colocou a favor da vida, desde a sua concepção e desenvolvimento até seu declínio natural, iluminada pela Palavra de Jesus: "Eu vim para que todos tenham vida e a tenham plenamente".

2 - Esse princípio norteou a prática da Igreja no Brasil, também na época do Regime Militar, instaurado em 1964, quando se colocou a favor da vida e da dignidade das pessoas, defendendo os direitos humanos dos perseguidos, torturados e refugiados políticos.

3 - A Campanha da Fraternidade que, a cada ano, promove a vida e defende a dignidade das pessoas, coloca-se contra todo tipo de violência, em qualquer circunstância, para construir uma sociedade baseada na "civilização do amor".

4 - Hoje, cresce a consciência dos direitos humanos, que não admite nenhum tipo de violência, tanto mais, envolvendo a criança e a mulher. No caso específico, repudiamos o estupro e o abuso sexual sofridos pela criança.

5 - Vivemos em uma sociedade pluralista onde o Estado se estrutura e se rege por uma legislação, refletindo a cultura dominante, que nem sempre respeita os princípios éticos e naturais. Nem sempre se pode identificar o que está amparado por leis, com princípios éticos e valores morais. Para nós, sempre terá precedência o mandamento do Senhor: Não matarás!

Portanto, diante da complexidade do caso, lamentamos que não tenha sido enfrentado com serenidade, tranquilildade e o tempo necessários que a situação exigia. Além disso, não concordamos com o desfecho final de eliminar a vida de seres humanos indefesos. Cabe a nós externar publicamente as nossas convicções em defesa da vida que é sempre um dom de Deus.  

 

 



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