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A Hora do Diagnóstico

Tabagismo é culpado por 90% dos casos de câncer de pulmão
Publicado em 17.06.2007, às 16h04

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» Fumantes tentam parar o vício, mas apenas 3% conseguem

Roberto Silva
Do JC OnLine
 
Preocupação de vários governos pelo mundo afora por se tratar de um problema de saúde pública, o vício de fumar é responsável por causar uma infinidade de malefícios ao corpo. A cada tragada, o fumante carrega para dentro de si um conjunto de substâncias altamente nocivas e causadoras de uma doença sorrateira e fatal, o câncer de pulmão. Doença que, entre os homens, é a principal causa de mortalidade por câncer; já entre as mulheres, é a segunda maior causa, ficando atrás apenas do de mama.
 
O surgimento do câncer de pulmão depende de vários fatores, no entanto cerca de 90% dos casos 
estão ligados principalmente ao tabagismo. Além disso, sabe-se que a exposição crônica ao asbesto - no passado, usado na fabricação de telhas de amianto - e a ocorrência na família são dois fatores ligados ao risco deste tipo de câncer.
 
"Geralmente os cânceres do pulmão são oligossintomáticos em suas fases mais precoces, isto é, dão 
poucos sintomas clínicos, o que dificulta o diagnóstico precoce. Na maioria das vezes, o diagnóstico precoce só acontece por achados fortuitos em exames de rotina, como, por exemplo, uma radiografia do tórax", revela o médico oncologista Rogério Brandão, diretor da OncoClínica Ltda.

Alguns sintomas da doença são tosse, dispnéia (falta de ar), escarros sanguinolentos, sibilos localizados, engurgitamento dos vasos do pescoço e dor torácica. "Os tumores do ápice do pulmão, quando crescem para cima, costumam comprimir o plexo braquial originando uma dor que percorre o ombro e o braço afetados", explica o médico, informando que o câncer pode também por causar alterações oftálmicas, como a diminuição da pupila, a ptose palpebral e a enoftalmia.

Em outros caso, o diagnóstico do tumor de pulmão é feito a partir do surgimento de síndromes paraneoplásicas, que podem simular doenças hormonais ou levar o paciente ao emagrecimento progressivo por anorexi, até a morte. "Febre de origem obscura também pode ser sintoma de um tumor oculto do pulmão", completa o médico.
 
"Eu sofro mesmo é com a tosse e a falta de ar. Já são dez anos de cigarro e é indiscutível que 
meu corpo sente as conseqüências", lamenta o comerciante Marcos Siqueira, 30 anos, que tentouvárias vezes largar o vício, mas não evitou as recaídas. "É muito difícil largar, mas ainda tenho esperança de conseguir. Sei que minha saúde depende disso".
 
Além dos fumantes habituais, existe o risco maior de desenvolver a doença para as pessoas que não 
fumam, mas têm um contato contínuo com a fumaça do cigarro: são os fumantes passivos. "O fumante passivo é vítima deste mau hábito. Aquela fumaça que sai da ponta do cigarro contém cerca de três vezes mais nicotina, três vezes mais monóxido de carbono e 50 vezes mais substâncias tóxicas do que encontramos no que o fumante geralmente aspira com filtro, reduzindo a exposição", alerta o oncologista.
 
O diferencial para que o fumante passivo não adoeça mais é apenas uma questão de quantidade e 
tempo a que é exposto ao fumo. "Trabalhadores como garçons de boates, em um período de oito horas,'fumam' sem querer o equivalente a oito cigarros por turno. Isto é um absurdo e um desrespeito ao trabalhador e aos freqüentadores que não desejam fumar", opina o médico Rogério Brandão.
 
Para o comerciante Marcos Siqueira, é preciso ter consciência de que as pessoas próximas não 
devem ser afetadas pelo vício de fumar. "Eu nunca fumo em casa. Moro com mais três pessoas e não quero que fiquem expostos à fumaça. Sempre que dá vontade, saio de casa para dar um trago", diz.
 
A nicotina é a responsável pela dependência que a fumo causa. "Em farmacologia, a nicotina é uma 
droga estudada no mesmo capítulo em que estudamos a cocaína e as anfetaminas, que são drogas estimulantes do sistema nervoso central".  Ao deixar de fumar, cessando a ingestão da nicotina, o paciente pode apresentar síndrome de abstinência, como acontece com outras drogas.
 
O alto índice de mortalidade causado pelo câncer de pulmão pode ser atribuído, entre outros 
fatores, à possibilidade de cura limitada à fase inicial da doença e ao fato de que o diagnóstico nesta fase é difícil. "Quando a doença começa a dar sintomas, geralmente já se encontra em estadiamento três ou quatro, onde as taxas de cura ou mesmo sobrevida de cinco anos são anedóticas e a média de vida, de apenas 9 meses", revela o médico oncologista.
 
Não existe nenhum método comprovadamente eficaz de prevenção contra o câncer de pulmão. No 
entanto, como 90% deste tipo de câncer ocorrem em fumantes, a única medida capaz de reduzir a incidência da doença e a conseqüente mortalidade seria abolir o fumo. Para quem insiste em fumar, o médico Rogério Brandão deixa um apelo: "Jamais acenda um cigarro em um ambiente fechado ou junto a não fumantes".
 
src=http://www2.uol.com.br/JC/integracao/arquivos/ico_causas.jpg
É uma doença multifatorial, porém cerca de 90% dos casos são causados pelo tabagismo. O fator genético também é importante.
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Na fase inicial, apresenta poucos sintomas. Nas fases avançadas, os sintomas variam entre tosse, dispnéia (falta de ar), escarros sanguinolentos, sibilos localizados, engurgitamento dos vasos do pescoço, dor torácica, entre outros.
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Cirurgia nas fases iniciais, geralmente seguida por quimioterapia. Quimioterapia associada ou não à radioterapia, quando a cirurgia não mais beneficia o paciente. Na doença já disseminada, pode-se optar por quimioterapia exclusiva, radioterapia exclusiva e lançar mão de várias outras drogas acessórias.
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Não existe um método preventivo comprovadamente eficaz contra a doença, mas parar de fumar é fundamental para evitar um risco maior.

ESPERANÇA RENOVADA
 - "Deixar de fumar sempre é importante, independente de há quanto 
tempo se fume e a quantidade de cigarros consumidos. Quanto mais cedo melhor, pois algumas lesões, como os danos nas paredes dos alvéolos pulmonares, são irreversíveis e comprometem fortemente a capacidade respiratória residual" diz o médico.
 
Quando interrompido o consumo de fumo, os benefícios ao corpo são quase que imediatos. Após 20 
minutos ao último cigarro, o pulso, a freqüência cardíaca e a temperatura das mãos e pés ficam normais. Oito horas sem cigarro aumentam a quantidade de oxigênio circulante no corpo. A melhora no olfato e paladar ocorrem após 72 horas de abstinência. 
Posteriormente, a tosse crônica típica dos fumantes diminui. Com a melhora da função 
respiratória, os riscos de doença cardíaca, acidentes vasculares cerebrais e câncer diminuem sempre progressivamente. Ao fim de 15 anos sem cigarro, o fumante tem praticamente os mesmos riscos de câncer de pulmão que o não fumante.


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